Cartas

Poderia, mas..."Agora, não há nada que se possa fazer para trazer de volta as vidas perdidas..." (excelentíssimo sr. presidente Luiz Inácio Lula da Silva, 20/7). Poderia ter sido feito, sr. presidente. Poderia... Mas não foi! Poderia ter sido feito 32 dias atrás, quando o problema foi atribuído ao crescimento... Mas não foi! Poderia ter sido feito 39 dias atrás, quando a sua ministra do Turismo pediu que relaxássemos e... Mas não foi! Poderia ter sido feito 118 dias atrás, quando o senhor exigiu data e hora para o fim da crise aérea... Mas não foi! Poderia ter sido feito 297 dias atrás, quando surgiram os primeiros indícios de que algo não estava bom... Mas não foi! Poderia ter sido feito 1.664 dias atrás, quando o senhor assumiu a Presidência e começou a lotear a Anac e todas as demais agências reguladoras... Mas não foi! Poderia... Mas não foi!HAMILTON HAMAMOTOhhamamoto@gmail.comSão PauloPerguntar não ofende: será que o Aerolulla, transportando seu "dono" com toda a cupinchada do PT, desceria em Congonhas num final de dia bastante chuvoso? Eu mesmo respondo: é claro que não! Eles não são loucos.LUIZ HENRIQUE MESQUITAluizhenriquemesquita@uol.com.brSão PauloNão sejamos injustos: o presidente está apenas aguardando que chova bem em São Paulo para que ele e sua equipe - Marta, Walfrido, Guido Mantega, Zuanazzi, J. C. Pereira, Pires, Marco Aurélio e assessor - possam vir a São Paulo no Aerolula e aterrissar em Congonhas, em situação semelhante à do vôo 3054 da TAM, provando a todos que o aeroporto de São Paulo é seguro, como alegam. Venham, presidente e equipe, nós os estaremos aguardando no salão de desembarque, ou...LÚCIO LUZ4lux@bol.com.brSão PauloMea-culpaApós o inoportuno e medíocre discurso do presidente Luiz Inácio da Silva, senti-me um infeliz. Após perder tantos compatriotas no acidente da TAM, fui obrigado a vê-lo proferir discurso elaborado por sua assessoria que utiliza gestos obscenos para elidir a responsabilidade governamental e que refletem o comportamento dos nossos governantes em detrimento dos sentimentos mais profundos dos nossos corações abatidos. Faltou ao sr. presidente demitir publicamente seu assessor.BRUNO GIOVANY DE MIRANDA ROSASbrunorosas@terra.com.brSão PauloA janela indiscretaPara que decretar luto oficial de três dias? A "janela indiscreta" estava com as cortinas abertas e foi possível ver, na "clandestinidade", a infeliz comemoração do ilustríssimo assessor da Presidência da República e do seu secretário de imprensa, faltando com o respeito às vítimas, às famílias enlutadas e ao sentimento do povo brasileiro. Neste momento de profundo sentimento, infelizmente, temos de dar os parabéns ao cinegrafista que flagrou o ato e agradecer ao senador Pedro Simon, que, em nome da Nação, condenou mais uma infeliz "brincadeira", e inapropriada, dos assessores presidenciais.JOSÉ MARIA WANDERLEYjm.wanderley@uol.com.brSão PauloAlguém tem alguma dúvida de que a primeira ordem do dia, na sexta-feira, foi: "Instalem-se cortinas e mantenham-nas fechadas!!!"? Não bastasse terem de se preocupar com o que falam ao telefone, nossos governantes não podem ter também de cuidar do que pode ser visto das janelas.CRISTIANE MASUTTI MASSAcristianemassa@hotmail.comOsascoUrubus em CongonhasJá era madrugada de quarta-feira aqui, em Londres, quando recebi telefonema de meu pai, Marco Aurélio Garcia, assessor da Presidência, avisando-me do acidente aéreo em Congonhas. Ele estava muito abalado com a tragédia e quis tranqüilizar-me, já que temos família em Porto Alegre e ele viaja com freqüência de avião. Antes que terminasse a contagem dos mortos, uma minoria ruidosa de políticos e comentaristas se apressou em apontar seu culpado de sempre: o governo do PT. A notícia sobre o defeito na turbina do Airbus acidentado mostrou que a realidade, como sempre, é mais complexa e convém esperar as investigações. Mas o deplorável clima de exploração política já estava criado. Como ouvi a primeira reação de meu pai à tragédia de Congonhas, não posso aceitar a versão de que na quinta-feira à noite ele teria "comemorado" a notícia do defeito no Airbus. É arriscado interpretar gestos e expressões faciais fora de contexto, mas o que vi de meu pai e seu assessor nas imagens da câmera indiscreta da Globo não pareceu comemoração. Eles expressam, com a intensidade que nos permitimos em privado, que aqueles que se apressaram a condenar o governo erraram feio e seus golpes baixos perderão a força. Que bom, pois disputa política não combina com luto nem com investigação isenta de fatos. Oxalá o Brasil possa agora deixar as vítimas da tragédia em paz, confortar seus familiares, investigar o acidente, para que não seja em vão, e afastar os urubus que rondam os céus de Congonhas.LEON DE SOUZA LOBO GARCIAleonslgarcia@gmail.comLondres, InglaterraÉ fato que as imagens do sr. Marco Aurélio Garcia foram tomadas de forma sorrateira, mas não ilícita, uma vez que ele e seu assessor de imprensa, pessoas pagas com dinheiro público, assistiam a uma televisão paga com o dinheiro do contribuinte, utilizando energia paga pelo contribuinte, num gabinete pago também pelo "tudo paga" contribuinte. Pessoas públicas em lugares públicos podem ser filmadas, gravadas, inquiridas... O sr. Garcia nos poupe de ouvir sua indigna, e não indignada, voz. Minha filha perdeu um amigo nesse acidente. Que Deus possa perdoá-lo, pois o povo brasileiro vai simplesmente esquecê-lo.FRANCISCO W. SILVAfws@addcor.com.brSão PauloRelações perigosasA comemoração dos assessores do presidente acerca do suposto defeito no Airbus denota apenas uma coisa, além da falta de compostura: a mediocridade do homem público que, incompetente para realizar as suas atribuições, torce com todas as suas forças para que a Providência determine qualquer outra causa que possa encobrir a própria incompetência. Torce para que achem problemas no transponder, negligência de dois gringos, falhas em freios e até no pobre piloto. Medíocre é o pseudo-estadista que fica acuado, covarde, em silêncio, atrás de causas outras que possam salvar-lhe a pele, para apenas em momento menos crítico levantar a cabeça. Os verdadeiros estadistas, ao contrário, levantam a cabeça em meio à mais densa adversidade. Até as paredes de Congonhas conhecem a estreita relação entre o governo federal, o Dirceu e as empresas aéreas. Quem sabe se as verdadeiras causas do caos aéreo não estão por aí...RENATO DE BRITTO GONÇALVESrenato.britto@semptoshiba.com.brSão PauloFuga do infernoA turma dos direitos humanos não vai ajudar o atleta cubano que fugiu do inferno? Nem protestar contra a vigilância cerrada em torno dos que não conseguiram escapar? Cárcere privado é permitido no Brasil?MOACYR CASTROjequitis@uol.com.brRibeirão PretoIn memoriamEmbora discordasse ideologicamente do senador Antônio Carlos Magalhães, nunca deixei de admirar a coragem e a passionalidade com que defendia seus princípios. Brizolista convicto, aprendi a respeitar ACM após entender que ele era o Leonel Brizola da direita, pois ambos, militando em lados opostos, tinham marcantes pontos em comum, a exemplo da forma direta e apaixonada como defendiam seus pontos de vista, da entrega total com que se dedicavam à atividade política e da incrível capacidade de gerar sentimentos fortes em todos os que estavam à sua volta, fazendo-os ser amados ou odiados, mas nunca ignorados. Se o Congresso fosse mais bem provido de homens da extirpe de Brizola e ACM, seguramente os brasileiros teriam menos vergonha e decepções com sua representatividade parlamentar, hoje em dia majoritariamente composta por políticos sem ideologia, sem coragem cívica e sem lastro ético. Vá em paz, ACM!JÚLIO FERREIRAjulioferreira@superig.com.brRecife

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.