Cartas

Desmoronando de vezNada mais representativo do caos aeroportuário que o desmoronamento da cabeceira da pista de Congonhas. Parece que até os céus estão "conspirando" contra o (des)governo, numa resposta ao desabamento moral que vitima o País. É incrível como ainda há gente que se recusa a perceber que a única saída é honestidade, responsabilidade, competência e trabalho - tudo o que nos está faltando.ANGELA CARACIKangelacaracik@terra.com.brSão PauloInverdadesO presidente Lula disse no rádio que o povo brasileiro pode ter a certeza de que a verdade sobre o acidente com o Airbus da TAM será levada ao conhecimento de todos. Será? Quem ainda acredita nisso? Depois de Mares Guia não hesitar em levianamente culpar os pilotos mortos, sem nenhuma investigação? Depois da condecoração dos diretores da Anac, suspeitos de omissão e incompetência na administração da malha aeroviária, além de evidente compadrio com as companhias aéreas? Depois do "relaxa e goza" debochado de Marta? Depois de J. C. Pereira fazer graça, ao dizer, sobre os atrasos, que "avião que não decola tem a vantagem de que também não cai"? E, finalmente, com o cúmulo do desrespeito aos mortos e a seus familiares demonstrado pelos gestos obscenos do inútil Garcia e seu ainda mais inútil aspone, ao se regozijarem com a notícia de possíveis problemas mecânicos no Airbus fatídico? Não, presidente, ninguém pode acreditar que o governo conduzirá qualquer investigação séria e isenta. Certamente, qualquer que seja o órgão investigativo, sendo do Poder Executivo, vai produzir peças de ficção, escondendo todo e qualquer fato que incrimine o governo. O correto seria ter essa investigação feita por organismo estrangeiro independente. Não sou a Velhinha de Taubaté.SERGIO LOPESblackfeet@uol.com.brSão PauloQuando o sr. Lula disse "não há hipótese da verdade não vir à tona", será que ele avisou sua equipe? E que providência pública tomou para termos uma auditoria independente confiável?JOSÉ GUILHERME SANTINHOmsantinho@uol.com.brCampinasDescalabroAcertadíssima a carta do coronel-aviador aposentado Aristeu T. de Mendonça (Aeroportos, 23/7). O presidente Lula não sabe conjugar o verbo demitir. Os ministros não sabem conjugar o verbo renunciar, nem os que presidem todas as siglas no âmbito do descalabro dos aeroportos (Anac, Infraero, etc.). Só sabem "condecorar" seus parceiros, demonstrando tremenda falta de competência e sensibilidade. Até quando? Que vergonha! Indignados,IRENE E FEDERICO FREUDENHEIMirene.fred@uol.com.brSão PauloMedalha para as vítimasPrezada leitora sra. Elza Ramirez (Pobre Santos-Dumont, 23/7), os familiares e descendentes de Alberto Santos-Dumont se sentem muito honrados e gratificados com a existência da Medalha "Mérito Santos-Dumont", que visa a lembrar nosso grande pioneiro da aviação, patrimônio de todos os brasileiros. Entretanto, a família não exerce nenhuma influência sobre os critérios de escolha e concessão da medalha. Em 20/7, vi no Jornal Nacional que os diretores da Anac foram agraciados com a referida medalha. Na ocasião eu me encontrava na cidade de Santos-Dumont (MG), na residência de Mônica Castello Branco, diretora da Fundação Casa Natal de Santos-Dumont. Comentei com Mônica que, na minha opinião, quem deveria receber a medalha, in memoriam, eram as vítimas dos acidentes do vôo 1907 da Gol e do vôo 3054 da TAM. Na manhã do dia 20 eu havia participado da cerimônia em comemoração aos 134 anos de nascimento de Santos-Dumont, na casa onde ele nasceu, em Cabangu. Ao lado da pequena casa caiada de branco, que foi construída por seu pai, Henrique, a Bandeira Nacional foi içada ao toque de corneta. Depois, a Bandeira baixou a meio-pau e se fez um minuto de silêncio. Todos nós externamos nosso pesar pela perda de tantas vidas, assim como fez toda a Nação (quase toda, a julgar pelos gestos grosseiros e desrespeitosos dos srs. Marco Aurélio Garcia e Bruno Gaspar). Espero, sinceramente, que os responsáveis pelo transporte aéreo em nosso país resolvam imediatamente os gravíssimos problemas por que o setor atravessa, para que não tenhamos de chorar por novas vítimas e para que a morte de tantos brasileiros não tenha sido em vão.MARCOS VILLARES, sobrinho-bisneto de Santos-Dumontmarcosvillares@yahoo.com.brSão PauloConclamação nacionalO veemente libelo contido no artigo Preço da trágica incompetência (21/7, A2), de Mauro Chaves, não deve apenas ser visto como uma brilhante manifestação da revolta pela incúria das autoridades, mas como um verdadeiro manifesto político conclamando a sociedade organizada para um movimento nacional de resistência civil contra a insegurança que se abateu sobre a população brasileira. Esse manifesto político deve ser, com efeito, o mote para que instituições tais como a OAB, a Fiesp, a Federação do Comércio, os sindicatos independentes, as ONGs e as entidades de defesa dos consumidores mobilizem e congreguem o povo brasileiro para exigir a devolução do seu fundamental direito de ir e vir. O rigor mortis das autoridades, na sua inércia criminosa, resulta no terror que não é mais fruto apenas da delinqüência generalizada, mas do isolamento absoluto dos Poderes constituídos em face de suas mínimas obrigações de solucionar as crises que eles próprios criaram em todas as esferas.MODESTO CARVALHOSAcarvalhosa@carvalhosa.com.brSão Paulo Confirmação tardiaRegina Duarte, que foi execrada em praça pública, sempre esteve certa. Infelizmente para todos nós. Onde estão os "artistas" e "intelectuais" que a patrulharam? Terão agora coragem de vir a público e defender o indefensável?DOMINGOS DE MELO TRINDADE GUERRAdmtg@grupormg.com.brCuritibaPetrobrásO presidente da República exigiu que as plataformas sejam feitas no País. Resultado até agora: rombo de milhões de dólares, doações para o PT e políticos. Aguardamos o que mais será divulgado.HELIO GOMES PEREIRAGuarujáExposição da verdadeDia 3/7 (A2) o Estado publicou artigo do secretário do Meio Ambiente, Xico Graziano, condenando o Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) iniciado na Fazenda Vitória, em Apiaí, pelo Incra, sem que haja conhecimento de causa. Vistoria feita pela Polícia Ambiental a pedido do Incra-SP delata as inverdades do artigo, apontando crimes ambientais cometidos antes da intervenção do instituto: corte de árvores e de vegetação nativa, ambos em Área de Preservação Permanente (APP); áreas de APP sem cobertura vegetal e sem o isolamento obrigatório, o que facilitou o acesso de búfalos a nascentes e mananciais. A criação de búfalos, usada no desbravamento de florestas, foi confirmada pelo encarregado da fazenda. Segundo relatório policial, as infrações "foram cometidas há mais de seis meses" - antes da vistoria e da desapropriação. Em agosto de 2006, após ser imitido na posse, o Incra assentou as famílias acampadas à margem da rodovia, fora da propriedade. Criado o assentamento, iniciaram diálogo entre a comunidade, técnicos do órgão e pesquisadores da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), definindo diretrizes para o PDS. As bases da utilização agroecológica permitirão cultivo apenas em locais desmatados; o entorno dessas áreas será enriquecido com uso sustentável do ecossistema; nas áreas de reserva legal será incentivado manejo extrativista não-madeireiro. Santuários de maior biodiversidade permanecerão como fontes de pólen e sementes, garantindo suprimento sustentável de outras áreas manejáveis.RAIMUNDO PIRES SILVA, engenheiro agrônomo, mestre em Desenvolvimento Econômico, Espaço e Meio Ambiente pela Unicamp e superintendente regional do Incra-SPacs.spo@spo.incra.gov.brSão PauloO articulista Xico Graziano responde: O Incra insiste em defender um projeto impossível. A ouvidoria da Secretaria do Meio Ambiente está averiguando sucessivas denúncias de depredação ambiental na área. O assentamento está sem licenças ambientais.

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