Cartas

Depois das Cinzas... Tradicionalmente, este país só começa a funcionar mesmo depois do carnaval. Não é de hoje que as decisões importantes e a tomada de rumo no governo, no Congresso, só aparecem agora. Ao menos o TSE já mostrou serviço logo no começo do ano, cassando o mandato de Cunha Lima (PSDB-PB) por abuso do poder econômico na eleição de 2006. E os outros?! Foi só esse governador a abusar do cargo para ganhar eleições? Lula está aí, com sua candidata Dilma Rousseff a tiracolo, que ele quer enfiar goela abaixo do povo para lhe suceder no Planalto. A ministra até passou por uma recauchutagem geral, serviço completo. Isso não é abuso do poder, do cargo? Lula não está abusando ao afrontar a Lei Eleitoral, tendo em vista que ainda não estamos no período previsto para a campanha? O DEM e o PSDB já acionaram a Justiça, vamos ver... Mas a realidade para o cidadão trabalhador é feia e cinzenta, como o próprio fim das folias de Momo. Milhares estão sendo demitidos. É a crise internacional... Mas a situação para os brasileiros não é diferente, nem mesmo do outro lado do mundo, num país de economia forte, o Japão, que já anunciou a demissão de mais 50 mil dekasseguis, nossos compatriotas. E agora? Como essa gente vai retornar à terra natal? Orgulho ferido e bolso vazio para muitos. Um recomeço sem horizonte. Triste, muito triste esta Quarta-Feira de Cinzas para milhares de brasileiros que nada têm a comemorar. O governo e o Congresso retomam os trabalhos com uma pauta indigesta. Ao menos na área internacional. Lula, que meteu os pés pelas mãos, terá de descascar dois enormes abacaxis, os casos Cesare Battisti e Paula Oliveira, que envolveram o Brasil em questões diplomáticas lamentáveis com países de seculares relações com o País. Lula e o Itamaraty não souberam contornar com a habilidade de um Barão do Rio Branco esses dois episódios, que agora custam enorme constrangimento - imagine-se a cena do presidente da República Federativa do Brasil, humilhado, pedindo desculpas ao povo e ao governo da Itália e da Suíça... Depois destas Cinzas, a situação não é nada confortável para o Brasil.IRANILSON ALVES DA SILVAiranilson.iranilson@bol.com.brAraçatubaAgenda para a oposiçãoO PSDB busca oposição a Lula! Antes tarde do que nunca... Senador Sérgio Guerra e opositores tucanos, oposição se faz no dia a dia, não apenas quando a água chega ao gogó. Não acredito que a Petrobrás tenha pulado de 45 mil para 85 mil funcionários da noite para o dia. Nem dos 100 mil para 300 mil terceirizados num piscar de olhos. E se falou apenas de uma das estatais que estão sob o comando da "quadrilha". Imaginem o BB, a CEF, o BNDES... E as dezenas de outras empresas, de capital 100% estatal? Oposição se faz com observação. A única coisa que a oposição precisa aprender com o PT é a se opor. No corpo a corpo. Cotidianamente. Só assim poderá também governar com presteza e eficiência! Essa inércia peessedebista me cansa. E, enquanto isso, "nunca antes neste país" vimos corrupção igual.BEATRIZ CAMPOSbeatriz.campos@uol.com.brSão PauloManifestação óbvia, agora oficial. Ao admitir publicamente que "o que nós precisamos é aprender a fazer oposição, temos sido um fracasso neste quesito", o presidente nacional do PSDB apenas confirmou o que é do conhecimento geral há muito tempo.CLÁUDIA FERNANDESclaufer2004@uol.com.brSão PauloO primeiro item da agenda da oposição deve ser desconstruir a imagem do Lula presidente. O povo conhece, entende e gosta do Lula pessoa e, mesmo não gostando da corrupção, da violência e do desemprego crescentes, nem da saúde e da educação decrescentes, transfere essa empatia para o Lula presidente. Não entende e não gosta das coisas ruins do governo. Só falta mostrar que o governo é Lula...GILBERTO DIBgilberto@dib.com.brSão PauloE o Aécio, por que não se cala?FELIPE CORTESfelipede1972@bol.com.brCuritibaPaulistasO golpe militar de 1964, além de muitos outros malefícios, deixou-nos uma herança maldita. Por decisão de um ucasse da ditadura, a representação parlamentar dos paulistas no Congresso Nacional foi reduzida, ficando desproporcional ao tamanho do eleitorado do nosso Estado. Essa injustiça histórica, que diminui nossa cidadania, posteriormente foi consagrada pela Constituição de 1988, que considera todos os brasileiros iguais, mas sendo uns mais iguais que outros. Já é tempo de reagir e exigir o restabelecimento da representação correta, ampliando o número dos nossos parlamentares.ARSONVAL MAZZUCCO MUNIZarsonval.muniz@superig.com.brSão PauloLei do troteParabéns pelo editorial A lei do trote (23/2, A3). Realmente, não precisava acontecer tanta tragédia para se fazer algo a esse respeito. Qualquer trote pressupõe uma necessidade doentia do veterano de humilhar o calouro, numa falsa premissa de superioridade. E o que é pior: o calouro submete-se, na certeza de que no ano seguinte será ele o veterano, num reality show ainda mais deprimente do que o Big Brother Brasil. Qualquer forma de trote deve ser condenada, pois raramente se traduz numa confraternização saudável entre jovens. Muito pelo contrário, ascende o que existe de mais animalesco no ser humano, expondo o jovem - nosso maior patrimônio -, no mínimo, a uma situação constrangedora, quando não põe em risco a sua própria vida.RICARDO DAUNT DE CAMPOS SALLESvcsalles@uol.com.brEspírito Santo do PinhalEspero que de fato se faça valer a nova lei aprovada pela Câmara dos Deputados que proíbe os trotes violentos e vexatórios. Nós, moradores de Higienópolis, estamos exauridos de a cada semestre ver calouros do Mackenzie e da Faap sendo agredidos nas ruas do bairro - e temos de ligar para a polícia pedindo socorro para eles. Eles são agredidos psicológica e fisicamente, forçados a beber pinga até chegar ao coma alcoólico. Alcoolizados e trôpegos, são obrigados a pedir dinheiro nas esquinas, com risco de ser atropelados. São humilhados de todas as formas. Já escrevi para o Estado anteriormente e obtive a resposta do reitor do Mackenzie dizendo que fazem trotes solidários. Não é o que vemos e as faculdades não fazem nada para impedir. Parece que a morte de Edison Hsueh não bastou. Aliás, os responsáveis por sua morte estão livres e atuando como "médicos", completamente impunes. Outros alunos são queimados no rosto, recebem tesouradas no abdome, e por aí segue uma lista infinita de crueldades. Até quando vamos ver nossos jovens sendo agredidos dessa forma? Parece que lesar outra pessoa, matá-la, nada disso é importante. Afinal, a impunidade neste país é o que impera. A aprovação do Projeto de Lei 1.023/95 talvez seja um pequeno avanço, mas é preciso fiscalização para que, de fato, essa lei seja aplicada. Nossos jovens se julgam acima da lei, e realmente o são, pois se mata e se agride e nada acontece. Infelizmente, vivemos no país da impunidade, nossos jovens são criados sem limites, não respeitam nada nem ninguém. Acho que as autoridades deveriam prestar mais atenção a essa face da violência nas universidades brasileiras.EUGÊNIA TONIDANDELeuatoni@gmail.comSão PauloJovens sem valoresA reportagem do Estado (Vida&, 22/2) revelando que apenas 31% dos jovens têm um número ideal de valores é um retrato atual da nossa sociedade. Cita como prováveis causas a propaganda de bebidas alcoólicas e a falta de comunicação entre os pais. Mas a principal é a busca da satisfação pessoal a qualquer custo, nem que seja necessário recorrer à corrupção (um exemplo vem do governo), à infidelidade conjugal (só precisa usar a camisinha!) ou gastar todo o salário para comprar a última TV LCD. Cada vez mais, quem educa os filhos é a babá TV, com os pais repetindo o velho discurso: é a modernidade.HUGO HIDEO KUNIIhugo.kunii@terra.com.brCampinas

, O Estadao de S.Paulo

25 de fevereiro de 2009 | 00h00

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