Cartas

Chega de anistiaToda vez que nuvens negras pairam sobre o Palácio do Planalto, a Câmara ou o Senado, automaticamente são acionados os plantões dos solicitantes de abertura dos arquivos da ditadura. Falam sempre em tortura, mas pouco se importam com a tortura diária por que passam nossos presos que estão amontoados em delegacias, distritos e prisões, como mostrado pela Globo, onde mais de 20 estão presos em um contêiner, com abertura apenas para passar comida e água. Eles certamente nunca viram ninguém das organizações de direitos humanos e da cidadania. Talvez essas organizações nem os considerem humanos, pois vivem em situação muito pior que os cachorros capturados pela carrocinha da Prefeitura. O povo já cansou, pois sabe que se abrirem os arquivos vai ter de bancar outras polpudas bolsas-anistia, como as que nosso presidente e muitos de seus ministros recebem. O que o povo quer mesmo é parar de perder dinheiro com a corrupção endêmica, quer saber quando serão punidos sanguessugas e mensaleiros, quem gastou com cartões corporativos, como seu candidato gastou sua verba indenizatória, quem colaborou e como foram gastas as colaborações de sua campanha.JOÃO HENRIQUE RIEDER rieder@uol.com.brSão PauloPor suas declarações, o sr. Paulo Vanucchi promete muito barulho para rever a Lei de Anistia, a lei que permitiu a redemocratização do País. Ele quer fazer uma "justa homenagem" aos "companheiros" caídos no campo de batalha, que lutaram fanaticamente pela instauração de uma "democracia popular", tal qual existia na Albânia, na China ou em Cuba. Mas ao mesmo tempo o ministro silencia totalmente com relação à extradição dos boxeadores cubanos e, principalmente, no caso do "companheiro de armas" Cesare Battisti, acusado pelos "fascistas italianos" de ser um terrorista... A UNE, a CUT e o MST, silenciados com o mar de dinheiro público que recebem do governo federal (sem a devida prestação de contas), finalmente vão ter uma desculpa para sair em passeatas.HAMILTON CRUZ NEVES JUNIORhamiltoncnj@yahoo.com.brSão PauloNovo paradigma Lulla disse, envaidecido, que vai deixar um novo paradigma de governo. É verdade. O da corrupção deslavada, do cinismo de quem levantava a bandeira da ética e inventou o mensalão, de quem paga a maior bolsa-esmola de que se tem notícia, compactua com invasões de terras e as financia com dinheiro público, com dólares carregados na cueca; de quem aumenta desbragadamente o gasto público, apesar da crise, só para acomodar "cumpanheros" no governo, de quem bajula e privilegia os "ditadores" latino-americanos em detrimento dos interesses nacionais, de quem diz nunca saber de nada (quando não lhe convém saber); de quem antecipa a campanha eleitoral em favor de sua candidata Dilma (Estela) Rousseff, dá abrigo a terrorista italiano e manda deportar dois pobres cubanos que não queriam ser perseguidos em seu país, etc. Esse paradigma pode agradar a 84% da população, mas, como faço parte dos 16%, posso dizer ao sr. presidente que isso não é motivo de orgulho.ANNA CAROLINA M. D. DE CARVALHOSão PauloNovo paradigma de governo, traduzindo, falar mal de todos os governos anteriores.EDUARDO A. DE CAMPOS PIRESeacpires@terra.com.brSão PauloPAC é engodoTodos os presidentes que antecederam o atual fizeram investimentos em obras de infraestrutura em todos os recantos do País. Só que no governo Lula esse tipo de investimento é chamado de Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), com segundas intenções, ou seja, para burlar a Lei Eleitoral. A ex-guerrilheira e todo-poderosa ministra Dilma foi nomeada "gestora do PAC" para quê? Para poder acompanhar o presidente em todas as obras. Acontece que agora ela é candidata de Lula à sua sucessão e ninguém pode contestar a aparição da candidata nas inaugurações de obras e lançamentos de projetos! Só no Brasil...TOSHIO ICIZUCAtoshioicizuca@terra.com.brPiracicabaExemplo inadequadoEm entrevista ao Estadão deste domingo (A9), o cientista político David Fleischer, da Universidade de Brasília, para justificar sua opinião de que a corrupção ou o uso político nos fundos de pensão é prática antiga (o que, provavelmente, é certo), utiliza um exemplo inadequado. Diz ele que durante o meu governo a Previ foi utilizada para manipular as privatizações. Já esclareci inúmeras vezes que a Previ e outros fundos formaram parte de consórcios que disputaram os ativos a serem privatizados. E que o governo estimulava tal procedimento por dois motivos: para incentivar a concorrência e, consequentemente, aumentar o valor das ofertas nos leilões, e porque muitos desses fundos já possuíam ações nas empresas, aumentando, ao participar do bloco de controle, o valor de suas ações. Foi por isso que as diretorias dos fundos, controladas, aliás, pelos empregados (no caso da Previ, o próprio presidente era eleito pelos funcionários e estava em mãos de pessoas não simpáticas ao governo), participaram das privatizações e hoje eles possuem parte importante de ativos das empresas privatizadas. Nada que ver, portanto, com a discussão atual sobre eventual corrupção no fundo de Furnas, o Real Grandeza.FERNANDO HENRIQUE CARDOSOwww.ifhc.org.brSão PauloMuito estranho...O excelente artigo Pó pará, governador? (28/2, A2), de Mauro Chaves, bem mostra as tramoias dos bastidores da nossa vergonhosa política. Estranhíssimo Aécio ir procurar Lula para lhe revelar sua "estratégia" para chegar ao poder. Embora pertença ao PSDB, Aécio tem todas as características do PMDB, espelhou-se no seu avô Tancredo. Como bom peemedebista de formação, ele quer o poder (Ministérios, autarquias, bancos oficiais...), não a Presidência. Dividindo as mais fortes forças da oposição, abre caminho para que a pré-candidatura de Dilma, finalmente, venha a decolar. Era o que Lula jamais poderia imaginar, caiu do céu a "estratégia" de Aécio. Só poderia sair da cabeça de uma raposa política mineira.JOSÉ CARLOS DE CASTRO RIOSjcrios@globo.comSão PauloEntão, por que não José Serra no PMDB? O caminho já está 50% percorrido.JOSÉ PIRESjcentury66@msn.comCampinas?O caso Morel?Além de comentar com brilho ímpar a entrevista do jornalista Mario Morel, recém-demitido da TV Brasil (também conhecida como "TV Lulla"), o artigo de Ipojuca Pontes O caso Morel (2/3, A2) lembra-nos, aos contribuintes, que pagamos R$ 350 milhões por ano por nada - por todos os critérios de avaliação é o que a "TV Lulla" vale: nada.NEIL FERREIRAneilferrei@gmail.comSão PauloAo que interessaNão vem ao caso se Lula falou ou não com os boxeadores cubanos. Isso é irrelevante. Vamos ao que interessa: por que os cubanos foram caçados pela Polícia Federal? Quem deu ordem e a título de quê? Por que foram deportados a toque de caixa? Por que um avião venezuelano veio buscá-los, para entregá-los em mãos a Fidel? São questões relevantes que ficaram sem resposta. O resto é mera cortina de fumaça, da pior qualidade.M. CRISTINA ROCHA AZEVEDOcrisrochazevedo@hotmail.comFlorianópolisEsclarecimentoCom relação ao artigo Judicialização da saúde, um mal necessário (23/2, A2), assinado por Morton Scheinberg, o Hospital Israelita Albert Einstein informa que o médico não é pesquisador desta instituição e suas declarações não representam a posição do hospital.ELIS FORGERINI, Comunicação Institucional da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einsteineforgerini@einstein.brSão Paulo

, O Estadao de S.Paulo

03 de março de 2009 | 00h00

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