Cartas

Non ducor...Lula, já confiante de que "seu ex-ministro infrator" Antonio Palocci não será punido pelo STF, encorajou-o a se candidatar ao governo paulista, como a dizer: o passado não te condena. E foi mais longe, disparando numa frase reveladora: "Se assim fosse, durante as denúncias do mensalão, eu teria ficado trancado no Palácio da Alvorada." Com essas palavras animadoras a seu ex-ministro, Lula deixa claro que terá bem mais dificuldades com a ficha corrida da candidata predileta à sua sucessão. Mesmo do alto de seus 84% de aprovação, Lula deveria informar-se sobre o significado da frase que consta na bandeira de São Paulo, que reflete bem o espírito do paulistano: "Non ducor, duco."PAULO R. KHERLAKIANpaulokherlakian@uol.com.brSão PauloOs paulistas não esqueceram o que Palocci fez de errado em Brasília e Ribeirão Preto. Queremos um governador à nossa altura, não um que responde a processos. São Paulo merece o melhor!ILIANA RITA C. GUARALDOSão PauloDentro da escatologia geral de Brasília, Lula está certo: Palocci é a melhor mosca!CARLOS JOSÉ BENATTIcjbenatti@globo.comSão PauloSenado omissoApenas dois senadores compareceram ao primeiro encontro da frente parlamentar anticorrupção. Os demais, quase metade sem ter recebido um voto sequer, continuam apostando na máxima que diz: "Nunca nada está tão ruim que não possa ficar pior."AGRIPINO ALBERTO DOMINGUEScentraltalentos@bol.com.brSão PauloLos caros hermanosDiscordo do editorial Brasil paga pela Argentina (5/3, A3), a respeito de nossa política comercial com nossos vizinhos argentinos. Afinal de contas, eles são o segundo (ou o primeiro) cliente do Brasil e precisamos fortalecê-los sempre, e cada vez mais. Não nos interessa, nem um pouco, uma Argentina ainda mais empobrecida, sem possibilidades de comprar nossos produtos e sem bons produtos para nos vender, como os automóveis lá fabricados. Caso a Argentina não prossiga sua recuperação econômica, vamos ter o quê? Argentinas como empregadas domésticas da classe A brasileira? Argentinos flanelinhas? Para isso já temos brasileiras e brasileiros pobres de sobra...SERGIO LOPESblackfeet@uol.com.brSão PauloDois pesos...Palavras do presidente Lula, com referência à alegação de legítima defesa dada pelo MST, tentando justificar a morte de quatro seguranças em São Joaquim do Monte: "É inaceitável a desculpa de legítima defesa para matar quatro pessoas. Portanto, a Justiça terá de ser feita para apurar a verdadeira responsabilidade." Estamos de pleno acordo, o presidente está absolutamente correto. Entretanto, o terrorista Battisti também assassinou quatro pessoas e foi condenado pela Justiça italiana. Porém, juntamente com Tarso Genro, o sr. Lula criticou a decisão da Justiça e inocentou o criminoso. Poderia ele nos explicar a contradição? Sei que a minha pergunta ficará sem resposta, mesmo porque o presidente não tomará conhecimento, uma vez que leitura lhe dá azia.DORIVAL JOSÉ ALVESdorival_br17@yahoo.com.brSão PauloAinda a propósito do editorial Alguém leu a lei (27/2, A3), que se reporta à visão do presidente do STF sobre a distribuição de recursos públicos aos chamados movimentos sociais, dentre os quais o MST, observo que em última análise o Estado brasileiro se tornou "financiador" das invasões de terra, quando deveria zelar pela legalidade (artigo 37 da Constituição). A partir da óbvia constatação de que a distribuição de recursos é ilegal e, por conseguinte, lesiva ao patrimônio público - como conclui o presidente do Supremo -, resta saber quem terá a iniciativa de promover ação popular contra os gestores dos recursos públicos, objetivando estancar a sangria e fazer volver ao Estado brasileiro o que dele foi indevidamente tirado. Talvez seja o sonho do presidente Lula dizer aos movimentos sociais que a Justiça o impediu de lhes destinar recursos públicos. É como se conduzem os políticos brasileiros. De fato, o artigo 5º, LXXIII, confere legitimidade a "qualquer cidadão brasileiro" para "propor ação popular que vise anular ato lesivo ao patrimônio público, (...) à moralidade administrativa (...), ficando o autor (...) isento de custas processuais e do ônus da sucumbência". O ressarcimento do Estado é consequência, e pode ser pedido cumulativamente. Mas estancar a sangria, cautelarmente, é necessidade premente e inadiável. Quem terá a iniciativa de fazê-lo? Confesso que sinto uma comichão! Administradores do patrimônio público, preparem-se para ressarcir a União, com recursos do próprio bolso!RICARDO DRUMMOND DA ROCHAricardodrummondadv@gmail.comBelo HorizonteVestibular da FuvestFoi precipitada a divulgação pelo Estado de possíveis mudanças no formato do vestibular da Fuvest, visto que o projeto está em fase de discussão no âmbito da universidade, pode sofrer alterações e até não ser implantado, de acordo com a avaliação do Conselho de Graduação. Também é incongruente afirmar que as mudanças propostas para o vestibular estão relacionadas com o Programa de Inclusão Social da USP. As eventuais mudanças no vestibular decorrem das transformações sociais e da necessidade de a USP redesenhar o perfil do estudante que busca selecionar. Por isso, o vestibular vai continuar selecionando os candidatos de melhor desempenho. Esse tipo de veiculação representa um desserviço à sociedade, porque, além de conter equívocos e incorreções, pode gerar insegurança desnecessária no candidato que pretende se inscrever na Fuvest, uma vez que a preparação para o vestibular continua, como sempre, a demandar que os jovens se dediquem ao estudo profundo do conjunto das disciplinas do ensino médio.ADRIANA CRUZ, assessora de Imprensa da Reitoria da USPimprensa@usp.brSão PauloN. da R. - As reportagens acerca do documento sobre mudanças no vestibular deixam claro que se trata de um texto em discussão no Conselho de Graduação e, por isso, precisa ser aprovado para passar a ter validade. Parece estranho considerar "precipitada" a divulgação desse debate, como faz a missivista, já que a USP é uma instituição pública e, como tal, uma discussão sobre seu vestibular interessa a toda a sociedade e deveria ser transparente. "Desserviço à sociedade" presta quem quer ocultar o que se passa numa instituição mantida com dinheiro público. Em nenhum momento foi dito que "as mudanças propostas no vestibular estão relacionadas com o Programa de Inclusão Social da USP". O que está escrito no Estado é que as mudanças visam a "estimular o ingresso de aluno da rede pública", como diz o documento em discussão no Conselho de Graduação.O nó da educaçãoEm relação à carta da presidente da Apeoesp, Maria Izabel Azevedo Noronha (5/3), tratando do artigo Coragem para desatar o nó da educação, de Paulo Renato Souza, tenho a dizer que o título do artigo não é apropriado, já que o ex-ministro não deixou claro como desatar esse nó. Quanto ao que defende a presidente da Apeoesp, realizar imediatamente concurso público para 75 mil cargos na rede estadual de ensino, é assunto de interesse do sindicato e dos professores, mas não dos alunos. A exemplo do que é praticado universalmente, deve-se examinar o currículo do candidato e entrevistá-lo. Assistir a uma aula do candidato é item obrigatório. Se aprovado, é contratado por um período experimental, após o que o professor se efetiva em função da qualidade de seu trabalho e de sua permanente dedicação aos assuntos do cargo. É assim na rede privada, nas escolas do Sistema S e nas dos países em geral onde a qualidade do ensino é motivo de orgulho.ELZIO D?ARIENZOezdarienzo@gmail.comAtibaia

, O Estadao de S.Paulo

09 de março de 2009 | 00h00

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