Cartas

Hora de agirAntes de embarcar para os Estados Unidos, onde se reunirá pela primeira vez com o presidente Barack Obama na Casa Branca, Lulla declarou que comentará com Obama a necessidade do restabelecimento do crédito internacional, dando a entender que, como a crise começou lá, cabe a eles providenciarem a solução, e que essa é uma questão política. Também declarou que devemos assumir a crise e buscar logo uma saída para ela. Será que a "marolinha" e a "gripe de Bush" atingiram o nosso presidente?PAULO NATALE PENATTIpaulopenatti@uol.com.brPiedade"Marinheiro, marinheiro, quem te ensinou a nadar, foi o tombo do navio ou foi o balanço do mar?" O presidente Lulla acaba de perceber que a crise financeira não é uma simples marolinha. Ele disse: "Não é hora de tagarelar. É hora de fazer. Não é hora mais de decisão técnica. É hora de decisão política. Ou nós assumimos as responsabilidades por esta crise e damos uma saída ou vamos ficar como o Japão, que levou dez anos na década de 90 para sair da crise. Não podemos esperar dez anos." CAIO AUGUSTO B. LUCCHESIcblucchesi@yahoo.com.brSão PauloAlhos e bugalhosEm seu artigo Manhas e campanhas (12/3, A2), Eugênio Bucci dá nó em pingo d?água para pôr na mesma prateleira o uso escandaloso da máquina por Lula em favor de sua candidata e a instituição da reeleição por FHC, atribuindo ao segundo maior gravidade. FHC jamais recorreu a tão acintosa campanha por si mesmo ou por um candidato seu. Nunca usou um equivalente ao PAC para promoção eleitoral. Também não vemos Serra em inaugurações diárias de projetos que nem sequer sairão do papel. É nisso que cabe a comparação. A mídia tem de fiscalizar, sim, mas sem pôr no mesmo balaio alhos e bugalhos.ELIANA FRANÇA LEMEefleme@ gmail.comSão PauloViram e não gostaramRespondendo à diretora de Jornalismo da TV Brasil, Helena Chagas (Um convite a quem não viu e não gostou, 12/3, A2), digo que assisto à TV Brasil e acho que é mais do mesmo: TV Câmara, TV Senado, etc., etc., etc. Do que não gosto é de ter de contribuir para pagar R$ 350 milhões por ano para a sua manutenção.HONYLDO ROBERTO PEREIRA PINTOatendimento@temfoto.com.brRibeirão PretoApós ler a defesa da TV Brasil feita por Helena Chagas, fui ver o tal canal. É incrível que o governo desperdice centenas de milhões de reais para copiar algo que já está sendo feito por várias outras emissoras de televisão. É dinheiro do contribuinte gasto para fazer propaganda do governo e arranjar emprego a "cumpanheros".ACHILLE APREAnewplay1@terra.com.brVitóriaMinoria ameaçadoraPelas invasões dessa semana, parece que o MST virou fachada de algo bem pior. O que se vê é o surgimento de milícias que invadem propriedades, ameaçam e matam quem tenta deter a sua marcha. Não querem mais a terra para seu sustento. Invadem e destroem prédios públicos e laboratórios de pesquisa. Perceberam que seus métodos intimidatórios contam com a leniência e o apoio financeiro do governo, por meio de entidades como a Associação Nacional de Cooperação Agrícola (Anca) ou a Confederação das Cooperativas de Reforma Agrária do Brasil. Suas ações sanguinárias são consideradas "arrojadas" pelo ministro da Justiça. Seriam sintomas de que algo muito errado está para nos acontecer? Penso em Stalin, Mussolini, Hitler e Castro, em países onde uma minoria ameaçadora comandou a maioria intimidada. A história já mostrou que ela tarda, mas não falha.PETER CAZALEpcazale@uol.com.brSão PauloContra a força, só a força. O Brasil não pode continuar refém de organizações revolucionárias sob qualquer pretexto ou de qualquer facção que faz da invasão seu modus operandi padrão. Se o Poder Executivo perdeu o controle ou, pior, está conivente com esses atos criminosos, a ordem institucional está abalada e deve ser refeita o quanto antes. Por muito menos a Itália suprimiu temporariamente as garantias constitucionais na Operação Mãos Limpas em 1992. É o único jeito. Não adianta o Poder Judiciário ficar só esbravejando.BOB SHARPbobsharp@uol.com.brSão PauloEsclarecimentoVenho pedir uma correção em relação à matéria do repórter Jotabê Medeiros publicada na quinta-feira pelo Estado (TCE investiga contrato de suíços, D3). A contratação dos arquitetos suíços Herzog & De Meuron não está sob investigação do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Na realidade, todos os contratos acima de R$ 1,5 milhão são rotineiramente fiscalizados pelo TCE.JOÃO SAYAD, secretário de Estado da CulturaSão PauloN. da R. - A apuração do Estado mostra que o Tribunal de Contas do Estado abriu em 11 de fevereiro um processo de investigação do contrato da Secretaria com o escritório Herzog & De Meuron, de número 7449/026/09.Obesidade infantilSobre a reportagem Obesidade infantil avança no País e atinge crianças do Bolsa-Família (8/3, A20), o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) informa que: os dados citados são do Sistema de Vigilância Nutricional-Módulo Bolsa-Família (Sisvan-BF), específico para acompanhar as crianças de famílias inscritas no programa. O SUS coleta essas informações entre cerca de 2,6 milhões de crianças semestralmente e o Ministério da Saúde as divulga no site do Datasus (www.datasus.gov.br); ao informar só os dados das Regiões Sudeste e Sul, a matéria não mostra a realidade nacional. Tomando como referência o período 2006-2008 pode-se observar que há redução na frequência do excesso de peso no Centro-Oeste (11,4% para 10,4%) e no Nordeste (11,9% para 11,8%) e estabilização no total nacional (10,9% versus 11,2%); a análise do risco de sobrepeso entre as crianças do Bolsa-Família sugere uma relação causa-efeito. Os dados não permitem tal conclusão, que só seria possível se um grupo controle fosse estudado durante o mesmo período. A obesidade infantil (e adulta) é um problema de saúde pública e não se restringe aos inscritos no Bolsa-Família; o que os dados do Sisvan-BF indicam é uma boa focalização do programa. Entre os inscritos no programa, a desnutrição crônica ocorre em 15,2% das crianças, atingindo 23,1% na Região Norte, valores mais altos que os encontrados nas pesquisas nacionais. Mas a desnutrição entre essas crianças apresenta valores decrescentes em todas as regiões, como as Regiões Norte (24,5% para 23,1%) e Nordeste (19,2% para 16,9%); a reportagem não cita as iniciativas do Ministério na área da educação alimentar e nutricional; e Leonor Pacheco não é secretária de Avaliação e Gestão da Informação do Ministério, mas coordenadora de Avaliação e Monitoramento da referida secretaria.JOÃO LUIZ MENDES, Assessoria de Imprensa do MDSaline.teles@mds.gov.brBrasíliaN. da R. - A diminuição da desnutrição com o aumento da obesidade infantil segue uma tendência mundial corroborada também pelos dados do Bolsa-Família. Não houve, assim, intenção alguma de fazer correlação do programa com o fenômeno, tentando estabelecer "uma relação causa-efeito". Uma fonte terceira indicada pela própria coordenadora-geral, Leonor Maria Pacheco Santos, indica que a reportagem "ficou muito boa". O repórter evidenciou o recorte das Regiões Sul e Sudeste para apontar onde a obesidade infantil já prevalece sobre a desnutrição, o que é a novidade da estatística, mas não deixou de apontar que no Norte e Nordeste o déficit altura-idade continua sendo um problema crônico. Curiosamente, o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome considera que houve diminuição do excesso de peso na Região Nordeste (11,9% para 11,8%) ao mesmo tempo que nas porcentagens "10,9% versus 11,2%" informa que teria havido "estabilização". Ou seja, se houve redução da obesidade infantil no Nordeste, o ministério deveria reconhecer que houve acréscimo nacionalmente.

, O Estadao de S.Paulo

14 de março de 2009 | 00h00

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