Cartas

Na prorrogação e sem golsCaiu por terra o discurso do presidente Lula de que o Brasil seria um dos países menos afetados pela crise econômica global. A prova foi a queda do PIB em 3,6% nos últimos três meses de 2008, o pior desempenho da série histórica do IBGE iniciada em 1996. Basta ler as declarações dos economistas sobre o assunto: "Considerado apenas o período de outubro a dezembro, a reviravolta sofrida pelo País foi uma das mais agudas do planeta." "O PIB veio muito pior do que todo mundo esperava." "Na produção, o destaque negativo ficou com a indústria, que recuou 7,4% no último trimestre do ano (maior tombo em 12 anos)." "O tombo da economia foi enorme. Os dados divulgados põem o País em recessão." "A recessão é mais severa e intensa do que se imaginava." "Esse resultado aborta um longo período de crescimento vigoroso. A crise provocou uma ruptura no padrão de crescimento, houve uma desaceleração muito forte e generalizada no último trimestre." Na América Latina, países como Argentina, México e Venezuela caíram menos que o Brasil. Ficamos com a lanterna na mão e a ver navios. Essa semana o presidente festejou o gol na prorrogação, mas na Economia é diferente: a prorrogação sem gols é devastadora.IZABEL AVALLONEizabelavallone@yahoo.com.brSão PauloLamento que o presidente insista em fazer piada ao falar da crise econômica que tem corroído os empregos no País. Desta vez escalou "Ronaldão" para resolver a crise. Enquanto ele se diverte, a perspectiva que temos sobre o seu governo é de um dos piores legados ao Brasil: o da gastança e do descontrole das finanças públicas. Uma conta que, infelizmente, será debitada de cada um de nós, brasileiros.MURILO AUGUSTO DE MEDEIROSmurilo.medeiros25@gmail.com Guará II (DF)Inocência brasileira"Brasil é vítima inocente da crise." Palavras do Prêmio Nobel de Economia Joseph Stiglitz (11/3, B7). Será que a valorização do real à custa da entrada de capital especulativo durante anos seguidos pode ser considerada um ato de inocência?HERMÍNIO SILVA JÚNIORhsilvajr@terra.com.brSão PauloOsteoporose crônicaDefendendo sua meta de crescimento para o País, o ministro Guido Mantega garante que a economia brasileira tem muita gordura para queimar e músculos para aguentar a crise mundial, mas não faz nenhuma referência ao esqueleto da sua infraestrutura, cujos ossos me parecem irremediavelmente comprometidos por uma osteoporose crônica inaceitável em pleno século 21.SERGIO S. DE OLIVEIRAssoliveira@netsite.com.brMonte Santo de Minas (MG)?Projeto de poder?A entrevista com Frei Betto (?Bolsa-Família é política de governo e projeto de poder?, 9/3, A7) foi muito feliz por ter tocado num ponto frágil do Bolsa-Família: a falta de preparação dos beneficiados para deixarem de depender do programa. Se bem aplicado, o Bolsa-Família pode ser um instrumento de justiça social que permita o acesso de uma população carente à estrutura econômica do País. Infelizmente, tem sido feito de forma a parecer mais uma doação, uma ajuda que não requer contrapartidas. Os beneficiários deveriam ter obrigações, ainda que mínimas: frequentar cursos de qualificação, atuar como agentes de saúde (como ocorreu no governo anterior), etc. Mas o que se vê é a migração de milhares de brasileiros que estavam empregados para o programa, abandonando suas profissões para viverem amparados pelo governo. Esperamos que o alerta de Frei Betto para que o programa tenha o "caráter emancipatório" e a "porta de saída" possa ser ouvido e os milhões de beneficiários possam aspirar a uma vida mais digna e ser respeitados como cidadãos, e não vistos com piedade ou como cidadãos de segunda classe.EDISON ROBERTO MORAISermorais@uol.com.brSão PauloInvestimento cidadãoEm vez de Bolsa-Família, que mais parece compra de votos, o governo deveria aumentar a verba do Exército brasileiro, para que alguns jovens tenham mais uma chance à educação (Exército reduzirá incorporação de recrutas em 31% neste ano, 10/3, A10). Por que não montar uma polícia florestal com jovens carentes? Isso, sim, é construir um país investindo no próprio povo de maneira a conscientizá-lo do seu papel como cidadão.SUELY SCRIPILLITIss28@uol.com.brSão PauloQual infraestrutura?Não conhecia ninguém que tivesse dificuldade para gastar dinheiro. O difícil sempre foi gastar bem e com parcimônia. Agora conheço: Lula e seu ineficiente ministério. As obras de infraestrutura, particularmente as de água e esgoto que seriam executadas com financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento. De 129 municípios, apenas 1 foi beneficiado. O restante do dinheiro teve de ser devolvido por não ter sido utilizado no prazo devido. A célebre frase de Abraham Lincoln, "você pode enganar uma pessoa por muito tempo, algumas por algum tempo, mas não consegue enganar todas por todo o tempo" nunca pareceu tão verdadeira. Que o povo brasileiro se lembre disso em 2010.LUIZ NUSBAUMlnusbaum@uol.com.brSão PauloPAC tipo exportaçãoA "mãe do PAC", Dilma Rousseff, aproveitou a carona no aerolula na viagem aos EUA. Ou o PAC está sendo exportado e tem obras em andamento naquele país ou o governo vai lançar outra pedra afundamental. Olha a campanha em pleno voo!MÁRIO ALVES DENTEdente28@gmail.comSão PauloTanta fertilidadeNa Bahia, a ministra Dilma anunciou o programa habitacional para pessoas de baixa renda. Além de mãe do PAC, será que agora também vai ser chamada de mãe dos sem-teto? Deus nos livre de tanta fertilidade!ODILON OTÁVIO DOS SANTOSoos@uol.com.brMaríliaEnsino assistencialista?Creio que as ações de inclusão no ensino superior são benéficas, pois são necessários muitos anos para corrigirmos as desigualdades. Mas vejo dois aspectos esquecidos quando são criadas cotas ou adições nas notas de alunos oriundos de escolas públicas, como os 12% adicionados no vestibular da Universidade de São Paulo (USP) por meio do programa Inclusp. Sou médico, estudei até o ensino médio em escola pública e fiz cursinho noturno (trabalho desde a 8.ª série). Meu pai pagou com dificuldades minha faculdade particular e hoje pago escola particular para os meus filhos. A cada ano só vemos piorar a qualidade do ensino público no País e a maioria dos alunos que passam nos vestibulares mais concorridos é de pessoas que em geral frequentaram cursinho em período integral, da classe média. O extinto Fome Zero e o atual Bolsa-Família são exemplos de programas necessários, mas que não têm a contrapartida da formação profissional e da criação de empregos. Por essa razão se tornam programas assistencialistas. Assim como eles, os sistemas de cotas e os programas de inclusão na educação, que deveriam ser provisórios, correm o risco de seguir o mesmo caminho se não vêm acompanhados da melhoria no ensino.HUGO HIDEO KUNIIhugo.kunii@terra.com.brCampinasO dado mais importante da matéria Inclusão muda perfil de curso da USP (13/2, A18) é de que 92,6% dos alunos das escolas públicas aprovados no curso de Medicina da USP não precisaram do bônus oferecido pelo Inclusp. Entraram por mérito próprio e nem fizeram meses de cursinho.FÁBIO AMARALfabiogalvao@cgccomunicacao.com.brSão PauloFÓRUM DOS LEITORESENDEREÇOAvenida Eng. Caetano Álvares, 55, 6.º andar, CEP 02598-900FAX:11 3856-2920E-MAIL:forum@grupoestado.com.br

, O Estadao de S.Paulo

14 de março de 2009 | 00h00

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