Cartas

Venezuela tomadaO presidente Hugo Chávez, ungido à condição de proprietário supremo da Venezuela pelas massas que habilmente ameaçou no último referendo, determinou que Exército e Marinha tomem portos e aeroportos nos Estados governados pela oposição, ameaçando de prisão quem se opuser à ação. O venezuelano acha que o poder dos votos lhe dá o direito de se metamorfosear em legítimo dono do que não lhe pertence. E no Brasil ainda há quem diga que ele pode ser criticado por tudo, menos por não ser democrático...LUCCA BRASIluccabrasi@uol.com.br São PauloPela truculência das novas investidas de Chávez, em breve o povo venezuelano estará trancafiado a sete chaves.FRANCISCO ZARDETTOfzardetto@uol.com.brSão PauloA evolução dos fatos deixa claro que a crise atual é só o que no popular seria chamado de freio de arrumação ou, na zoologia, a ecdise de um inseto, um ajuste evolutivo. O conflito que se torna mais evidente e decisivo é outro: entre liberdade e totalitarismo. Exemplos estão por toda parte, só não vê quem não quer.ANTONIO C. DA MATTA RIBEIROantoniodamatta@ig.com.brGuarulhosAbrigo a executivosA seguradora AIG, que recebeu US$ 173 bilhões em recursos vindos dos depauperados contribuintes norte-americanos para não falir, em vez de exonerar seus diretores, diretamente responsáveis por sua situação de quase falência, resolveu premiá-los com uma "modesta" bonificação de US$ 165 milhões oriunda dos recursos públicos que recebeu. Essa insensatez insultuosa da seguradora norte-americana, que chocou o presidente Barack Obama e a opinião pública nos EUA, está servindo para explicitar a "dialética" que rege o capitalismo, especialmente neste momento de recessão econômica: privatizar o lucro durante a bonança e socializar o prejuízo durante a tempestade, exigindo a entrega dos guarda-chuvas alheios para, depois, distribuí-los aos seus parceiros de negócios e altos executivos, pouco importando se os contribuintes que a socorreram da tempestade ficaram ao léu. Por essas e outras sandices, concluo que Karl Marx tinha razão quando dizia que "o capitalismo traz em si as sementes da sua própria destruição".TÚLLIO MARCO SOARES CARVALHOBelo HorizonteEmbraer e as centraisDiscordo do jornalista Mauro Chaves quando, no artigo Neopeleguismo galopante (14/3, A2), afirma que as centrais sindicais não fizeram nada em relação às demissões na Embraer. A Força Sindical - juntamente com seus sindicatos filiados de Botucatu e Gavião Peixoto, interior de São Paulo - e a Conlutas e seu sindicato filiado de São José dos Campos entraram com dissídio coletivo no Tribunal Regional do Trabalho da 15.ª região, em Campinas, no dia 25 de fevereiro, exigindo negociação e não demissão dos trabalhadores. Entre idas e vindas, sem acordo por intransigência da empresa, o Tribunal julgará o dissídio no dia 18 de março. Essas notícias foram amplamente divulgadas pelo jornal O Estado de S. Paulo.JOÃO CARLOS GONÇALVES, secretário-geral da Força Sindicalsecgeral@fsindical.org.brSão PauloResposta do jornalista Mauro Chaves - As providências mencionadas pelo missivista foram posteriores. No artigo em questão, referi-me à reunião do presidente da República com o presidente de central sindical - não a do missivista - no mesmo dia que a empresa comunicou as demissões. E também me referi à "mudança" - da indignação à docilidade - presidencial depois da reunião, uma semana depois, com os dirigentes da empresa.Corrupção na PMPela primeira vez na história da Polícia Militar (PM), uma tenente-coronel foi presa, acusada de chefiar um esquema de arrecadação de propinas de perueiros clandestinos e da máfia dos bingos e caça-níqueis. É lamentável que as suspeitas de corrupção tenham atingido as mulheres da corporação, que até então traduziam à população uma imagem de comportamento diferenciado e exemplar. Triste notícia.EDUARDO A. DE CAMPOS PIRESeacpires@terra.com.brSão PauloSe a moda pegaA falta de segurança nas nossas instituições policiais, civis e militares - quer na órbita federal, estadual ou municipal -, e no próprio Exército está desmoralizando o poder público e suas autoridades. A facilidade de ação, para não dizer corrupção, em muitos casos é motivada pelo despreparo e pelos baixos salários pagos por estes órgãos, como confessa o ministro Tarso Genro. Atualmente, bandidos comandados pelo famigerado PCC não se contentam mais apenas em assaltar delegacias de polícia e campos de treinamento de tiro para roubar armas. Agora tentam invadir empresas de segurança para roubar arsenais, como aconteceu recentemente na cidade de Guarulhos, próximo ao aeroporto de Cumbica. As academias de polícia precisam merecer melhor atendimento, das três esferas de governo, no que tange à escolaridade, ao treinamento, à triagem dos elementos humanos que vão compor seus quadros e também em relação ao fornecimento de todo o material necessário para o desempenho adequado das suas funções. A população das cidades e da área rural clama pelo fim de tão humilhante situação. O povo não se sente seguro nem tem tranquilidade, seja na sua residência, no local de trabalho ou nas ruas. Se a moda de roubar arsenais pega, não teremos mais quadrilhas, mas sim um exército de bandidos bem equipados.ANTONIO BRANDILEONEabrandileone@uol.com.brAssisVantagens e inclusãoA reportagem Inclusão muda perfil de curso da USP (13/3, A16) bem esclarece o desserviço à educação brasileira de que faz parte o programa de inclusão de alunos da rede pública. A concessão de vantagens porcentuais no vestibular a alunos de escolas públicas apenas colabora para: 1) Manter o abandono em que se encontram as escolas públicas - em vez de melhorar sua qualidade, dão-se pontos porcentuais; 2) destruir a qualidade alcançada pelas escolas particulares, comprovada pelo Exame Nacional do Ensino Médio. As famílias porão seus filhos na rede de ensino público para conseguir pontos a mais e a educação de qualidade ou não existirá ou correrá em caros educandários paralelos, como os cursinhos, feitos sob medida para famílias mais esclarecidas e abonadas; e 3) abandonar o conceito de que o ensino superior deveria receber os alunos de melhor qualidade. Isso ocorria: pelo esforço concentrado, bem ilustrado por estudantes de descendência oriental, que estão fora das "minorias étnicas"; por melhores condições financeiras; e por vantagens genéticas. Resta saber como vão liquidar as últimas, que estão acima de raça ou privilégio financeiro, como ilustrado pelo presidente dos EUA.GYÖRGY MIKLÓS BÖHM, professor emérito da Faculdade de Medicina da USP gyorgybohm@terra.com.br São PauloRepresentação no CEECumprimento o jornal pela abordagem lúcida sobre os interesses do Conselho Estadual da Educação (CEE) ao pretender palpitar nos processos de seleção inclusiva adotados nos últimos anos pelas universidades públicas paulistas (Conselho quer alterar vestibulares, 14/3, A20). Infelizmente, o conselho é um órgão repleto de diretores e reitores de escolas particulares e pouco representa a rede de escolas e universidades públicas de São Paulo. Ele seria representativo se incorporasse mais profissionais da rede pública em seus quadros, afinal 85% dos alunos do ensino médio do Estado são da rede pública. Curioso notar que o órgão só passou a se preocupar com o tema quando as ações de apoio ao ingresso de alunos das escolas públicas nos vestibulares da USP, Unicamp e Unesp surtem efeito (como os resultados vistos na última Fuvest para Medicina).LUIS FÁBIO S. PUCCIluisfabio@canada.comSão Paulo

, O Estadao de S.Paulo

17 de março de 2009 | 00h00

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