Cartas

Prejuízo aos pequenosO presidente Lula admite que o governo pode mexer (leia-se diminuir) na taxa de rendimento da caderneta de poupança. Só se for analfabeto ou fizer parte dos 84% para acreditar que o pequeno poupador ficará protegido (da tentação do consumo ou da vontade de poupar?) com uma rentabilidade que provavelmente não manterá o valor real dos seus depósitos.JORGE ALVESjorgersalves@estadao.com.brJaúA única coisa em que o governo não mexe é nos seus gastos. Estes continuam cada dia maiores - cartões corporativos, despesas de custeio, tudo continua como se não houvesse acontecido nada no mundo, como se estivéssemos sob um céu de brigadeiro.MARIA TEREZA MURRAYterezamurray@hotmail.comSão PauloVai faltar bala?Se o presidente Lula diz que "o Brasil é um dos países mais bem preparados na América Latina e no mundo para enfrentar a atual crise", se o Brasil ainda tem "muita munição" e o nosso principal aspecto positivo é que o mercado interno segue como o principal carro-chefe do crescimento, como pode ser tão drástica a estimativa do banco Morgan Stanley de que o PIB brasileiro em 2009 fique em -4,5%?ANTONIO DO VALEadevale@uol.com.brSão PauloProfetas"Esses bancos não acertaram nem a situação deles, o que dizer da situação do Brasil", disse o presidente Lula em Nova York. Mas e a nossa "marolinha"?MÁRIO ISSAdrmarioissa@yahoo.com.brSão PauloNo início da crise, o governo dizia que estávamos "imunes". Passados dois meses, que continuaríamos a crescer, em média, 3,5% ao ano. Atualmente ele ironiza as previsões negativas a respeito e insiste em que ainda vamos crescer em 2009. A marcha à ré mesmo só será assumida após as eleições de 2010.ALEX TANNERalextanner.sss@hotmail.comSão PauloReceitas caseirasOs dados preliminares do PIB de 2008 atingiram R$ 2,88 trilhões. Enquanto isso, o consumo dos governos - federal, estadual e municipal - se mantém acima de 20% da renda nacional, ou seja, R$ 584 bilhões. Esse consumo se deu em prejuízo dos investimentos, que somaram R$ 548 bilhões, quando o ideal seriam R$ 708 bilhões para poder gerar os empregos necessários. A diferença em torno de R$ 160 bilhões é exatamente o que os governos gastaram a mais. Esse é o tamanho da redução que precisaria ser feita nas contas de pessoal e de custeio. Desnecessário dizer que com isso seria possível reduzir a carga tributária para níveis decentes, algo como 15% da atual arrecadação. É bom lembrar que os gastos com previdência, educação e saúde, entre outros, são considerados como consumo das famílias. E este, inclusive com as transferências dos governos, atingiu R$ 1,7 trilhão, cerca de 60% da renda. A economia reage de acordo com as decisões políticas na identificação das prioridades. Por isso a importância da participação da sociedade na política, para que sejam eleitas as prioridades que produzam os maiores e os melhores resultados.HÉLIO MAZZOLLImazzolli@terra.com.brCriciúmaPara fugir da recessão é preciso sanar as contas públicas, reduzindo gastos, e investir em infraestrutura (saneamento básico, inclusive). Mas nosso (des)governo faz exatamente o contrário: desperdiça até recursos já disponíveis para investimento. Também as reformas, sobretudo a fiscal e a trabalhista, que não foram feitas quando as condições eram favoráveis, custarão caro agora, em condições adversas. Para não ficar mal, o governo joga a culpa na crise global. Ora, se tivesse feito a lição de casa, teríamos realmente adquirido defesa contra ataques externos, como faz nosso sistema imunológico quando está sadio.ANGELA BAREAangelabarea@yhaoo.com.brSão PauloConflito com os vizinhosO atual discurso contra o protecionismo é uma utopia. O argumento invocado de que, embora o livre-comércio seja desejável, é necessário que os benefícios decorrentes sejam igualmente compartilhados não emplaca nessa crise. Isonomia competitiva, que se alcança por meio de parâmetros similares nas políticas tributárias, trabalhistas, cambiais, de custo e acesso a financiamentos, então, nem pensar. Por algum tempo deve prevalecer muito xenofobismo e muito egocentrismo do tipo cada um por si e Deus por todos.SERGIO S. DE OLIVEIRAssoliveira@netsite.com.brMonte Santo de Minas (MG)O repórter Ribamar Oliveira pôs o dedo na ferida ao narrar a discussão entre técnicos do governo a respeito das dívidas de Estados e municípios (Queda da Selic pode forçar revisão de acordos de dívidas dos Estados, 17/3, A4). Atualmente os governos estaduais e as prefeituras pagam suas dívidas indexadas pelo IGP-DI, muito superior à Selic. Desde 2005, ainda na Prefeitura de São Paulo e agora no governo estadual, José Serra se cansa de pedir à União para reavaliar e renegociar os contratos da dívida do Município, que conseguiu pôr em dia, e do Estado. Em vão. Como agora o presidente parece um pouco mais interessado nas finanças públicas, quem sabe ele alcança o tamanho da "marola". Se ele entender que governos estaduais e prefeituras estão subsidiando a União e que isso é o mesmo que ele reclama em relação à União Europeia e aos EUA, pode ser que haja luz no fim do túnel.CLEIDE SILVAcleidesilva007@estadao.com.brSão PauloEscala equivocadaA ideia do governo de usar o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e o BNDESPar para capitalizar bancos pequenos parece tão inventiva e otimista como a de sair caçando elefante com estilingue ou hipopótamo com paintball. Por que não usar direto essas instituições para baixar o spread bancário? Por que pensar que os bancos pequenos, sem economia de escala, com menor base de clientes e menor influência podem ser campeões do dinheiro barato?ROBERTO SEABRA DA COSTArobertoseabra@br.inter.netSão PauloEsclarecimentoSobre o editorial Retrocesso no transporte (14/3, A3), a Secretaria Municipal de Transportes (SMT) esclarece que extinguiu o sistema de pontuação nas multas às concessionárias e permissionárias de ônibus porque ele carecia de legalidade. As normas legais e contratuais vigentes já preveem as hipóteses em que pode ocorrer o descredenciamento das empresas prestadoras de serviços de transporte coletivo. Portanto, a SMT apenas extinguiu algo que na prática não era necessário nem factível. A SMT também nega que tenha flexibilizado as regras para substituição de ônibus com mais de dez anos de fabricação. Pelo contrário, vem promovendo a maior renovação de frota da história do Município: em dezembro de 2008, a idade média dos ônibus em circulação era de 4 anos e 3 meses, 14 meses mais jovem do era em dezembro de 2004. Para 2009 está prevista a troca de todos os veículos que completarem 10 anos de fabricação.ANDRÉA WOLFFENBÜTTEL,coordenadora de Comunicação da SMTandreaw@prefeitura.sp.gov.brSão PauloN. da R. - A Secretaria Municipal de Transportes não explica por que somente seis anos depois de assinado o contrato com as viações - e 4 anos e 3 meses depois do início da administração Serra/Kassab - descobriu a carência de legalidade no sistema de pontuação nas multas às concessionárias e permissionárias, o que motivou a substituição do modelo de fiscalização e controle da qualidade do serviço. Quanto à renovação da frota, em janeiro representantes de viações e cooperativas de perueiros informaram à imprensa que só substituirão 175 veículos neste ano, contra a média de 1,7 mil novos ônibus mantida desde 2005. Isso porque a Prefeitura teria reduzido os incentivos concedidos às empresas para a renovação da frota. No ano passado, esses incentivos chegaram a R$ 304 milhões, quase a metade dos subsídios e suficientes para a aquisição de 1,3 mil veículos novos.FÓRUM DOS LEITORESENDEREÇOAvenida Eng. Caetano Álvares, 55, 6.º andar, CEP 02598-900FAX:11 3856-2920E-MAIL:forum@grupoestado.com.br

, O Estadao de S.Paulo

18 de março de 2009 | 00h00

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