Cartas

Limpeza no SenadoRecentes escândalos no Senado - castelos e mansões não declarados ao Fisco, passagens aéreas e serviços particulares financiados pelo caixa da Casa, R$ 6,2 milhões pagos em horas extras no mês de recesso e apartamentos funcionais ocupados por familiares de diretores - fizeram com que seu presidente, José Sarney, determinasse que os 136 diretores da Casa pusessem seus cargos à disposição. A medida pode significar o saneamento do Senado, mas talvez 136 novos amigos do rei tenham acesso ao orçamento da Casa.VICTOR GERMANO PEREIRAvictorgermano@uol.com.brSão PauloNão consigo imaginar como é possível existir tantos diretores numa Casa que tem apenas 81 senadores.GERALDO VELOSOvelosogc@hotmail.comSão PauloAlguém conhece alguma empresa privada com essa estrutura de quase dois diretores para cada operário? Será que Sarney vai extinguir os cargos ou vai apenas substituí-los por protegidos da turma dele?JOSÉ CARLOS S. CARAPETOjccarapeto@terra.com.brMatãoQuem sabia que o Senado tinha 136 diretores? Quantos assessores têm esses diretores? Quantas secretárias assessoram essa turma toda? Se forem examinados os gastos inúteis que corroem o Tesouro e for feito um ajuste sério, vai sobrar muita verba para aprimorar a educação, a saúde e a segurança pública, que são o que interessa à população que não vive de privilégios.ADEMAR MONTEIRO DE MORAESammoraes57@hotmail.comSão PauloQuantas empresas no mundo têm 136 diretores? Qual é o custo desta festa bancada com o dinheiro público?FRANCISCO PELTIERcpeltier@uol.com.brSão PauloO santo desconfiaA atitude inusitada de Sarney em prol da decência e da moralidade deve ser manobra para resgatar a credibilidade do PMDB depois das acusações de Jarbas Vasconcelos.Tanto que foi acompanhada de medida semelhante do peemedebista Michel Temer, presidente da Câmara, que promete limitar o oba-oba do Executivo com suas medidas provisórias. Difícil acreditar que um homem público que não soube resgatar o seu legado político quando presidente da República pudesse deixar essa marca ética na sua passagem pela presidência do Senado.RICARDO DAUNT DE CAMPOS SALLESdauntsalles@uol.com.brEspírito Santo do PinhalControle externoOportuníssima a análise da proposta do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) de controle da Polícia a ser feito pelo Poder Judiciário (Procurador-geral critica ideia de Mendes para controlar PF, 14/3, A12). Mais um factoide do "chefe de poder de Estado", que se esquece de um princípio basilar: a inércia técnica do Poder Judiciário. O Judiciário não pode iniciar investigação porque terá de, eventualmente, julgar ação decorrente da investigação. No afã de aumentar o poder pessoal, o presidente do STF busca desmoralizar outras instituições, como a Polícia e o Ministério Público, que são melhor avaliadas pela população do que o Poder Judiciário, e exatamente quando certo setor privilegiado da sociedade é alcançado pela ação do Estado. Sim, a atuação do Ministério Público e da Polícia é o exercício do poder persecutório do Estado e está inscrita na Constituição. Essa teria sido, nas palavras de Mendes, uma "barriga" da imprensa, que deu alarde à "novidade". Sua excelência só vê barriga quando a imprensa abre espaço àqueles que pensam de forma diametralmente oposta à sua. Não teria sido "barriga" da imprensa a divulgação de gravação cujo áudio ninguém sabe e ninguém viu?ANA LÚCIA AMARAL, procuradora regional da Repúblicaanamaral@uol.com.brSão PauloDemocracia e liberdadeEm relatório divulgado essa semana pela Sociedade Interamericana de Imprensa - um verdadeiro índice da maldade contra a liberdade de imprensa na América Latina -, a retórica do presidente Lula é comparada à de Hugo Chávez, um líder que está conseguindo acabar com a democracia e com a liberdade em seu país. No Brasil, quando a imprensa descobre ilegalidades com o dinheiro público, como foi o caso dos cartões corporativos, ela é tida como tendenciosa. Acostumado à propaganda oficial que o afaga, Lula não deve se esquecer de que só chegou ao cargo que ocupa pelo respeito à democracia, que toda a sociedade brasileira espera dele e do qual a liberdade de imprensa é o primeiro sintoma.PAULO R. KHERLAKIAN paulokherlakian@uol.com.brSão PauloErros venezuelanosDizem que não há democracia na Venezuela, mas lá o povo venezuelano votou em Hugo Chávez para que ele pudesse assumir o poder absurdo e arbitrário que temos visto. Que ao menos sirva de alerta ao povo brasileiro na próxima eleição presidencial. Errar uma vez é admissível, duas vezes, é teimosia, mas a terceira...ANGELO TONELLIangelotonelli@yahoo.com.brSão PauloEnchentes de marçoChove em São Paulo e dizem que o culpado é Kassab. Chove mais em Belo Horizonte e a culpa é de ninguém. O que a chuva paulista tem de melhor que a mineira?ARTHUR SOARESarthur09br@yahoo.comBelo HorizonteVerba congeladaNa reportagem Prefeitura congela 26% da verba para transporte (16/3, C5), o Estado usa como fonte relatórios sobre a execução orçamentária feitos pela liderança do PT na Câmara dos Vereadores. A oposição usa o conceito de congelamento como se fosse um corte no orçamento (quando em verdade serve para controlar os gastos e impedir que os efeitos da crise econômica possam levar ao endividamento que marcou o final da administração petista). Além disso, o Estado volta a divulgar informação publicada poucos dias atrás, que já foi tema de contestação da Prefeitura: afirma que no ano passado a administração não repassou R$ 1 bilhão ao Metrô. É um equívoco. A Prefeitura repassou e o Metrô vai usar os recursos na medida de suas necessidades.LEÃO SERVA, assessor de Imprensa da Prefeitura de São Paulolserva@prefeitura.sp.gov.brSão PauloEsclarecimentoA matéria Conselho estadual barra a ampliação do Porto de Santos (17/3, C6) afirma que o "Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema) vetou 16 artigos da minuta do decreto que muda o zoneamento ecológico da Baixada Santista". A minuta foi aprovada na reunião de 18 de fevereiro com 16 destaques, não vetos, que estão sendo discutidos por um grupo de trabalho que tem a missão de analisá-los e apresentar uma proposta na reunião ordinária do conselho marcada para 29 de abril. O documento apresentado pelo grupo será apreciado pelo plenário do Consema, que tomará a decisão final. É improcedente a afirmação de que houve supressão no texto original de três artigos, mudando o zoneamento de quatro Unidades de Conservação (UCs). Nas palavras de uma ambientalista não identificada na matéria, as UCs citadas poderiam "vir a ser ocupadas de forma residencial a longo prazo". A afirmativa atribuída a uma conselheira ambientalista ou foi mal entendida pelo jornalista ou é de má-fé, pois de alguém que ocupa tal posição se espera um mínimo de conhecimento da legislação que estabelece os usos das UCs. ALBERTO SHEIK, assessor de Imprensa da Secretaria de Estado do Meio Ambientesheik@cetesbnet.sp.gov.brSão PauloN. da R. - Os 16 artigos foram, sim, suprimidos do texto original da minuta do decreto pelo Consema, conforme o próprio missivista confirmou para a reportagem. O mesmo, quando procurado, respondeu que o governo estadual não comentaria o debate dentro do Consema. Enquanto o conselho não definir posição em relação a esses 16 artigos, o trâmite do cronograma da ampliação do Porto de Santos ficará paralisado.

, O Estadao de S.Paulo

19 de março de 2009 | 00h00

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