Cartas

Socorro trilionárioA tão esperada ajuda aos bancos americanos foi anunciada pelo secretário do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner. Dessa vez fala-se em até US$ 1 trilhão para limpar os ativos tóxicos do balanço dessas instituições. O socorro do governo norte-americano vem num momento de grandes dificuldades para a economia mundial, mas terá um preço a ser pago pelos contribuintes norte-americanos e pelo resto do mundo que financia a dívida desse país. Caso contrário, seria preciso inventar uma maquineta de fazer dinheiro para cobrir os rombos bilionários das montadoras, das seguradoras e das empresas de hipoteca.YVETTE KFOURI ABRÃOm.abrao@terra.com.brSão PauloEstado x mercadoO Prêmio Nobel de Economia Paul Krugman, em seus artigos no The New York Times, reproduzidos pelo Estado, tem sido um crítico destrutivo das iniciativas do governo de Barack Obama (ainda mais do que o foi com o de George W. Bush), ao considerar que a melhor saída para resolver a crise dos bancos e fazer voltar o fluxo de dinheiro essencial para a retomada da economia seria a nacionalização dessas instituições (Política financeira do desespero, 24/3, B3). O economista parece desconsiderar as consequências disso, como por exemplo o fato de o governo ter de assumir temporariamente o funcionamento de grandes bancos, sem dúvida uma temeridade para quem não tem o expertise necessário. Krugman de antemão reprovou o atual plano de resgate dos ativos podres do sistema bancário norte-americano - de cerca de US$ 1 trilhão, anunciado essa semana -, que teve repercussão positiva entre quase todos os profissionais do mercado financeiro. Pode até ser que o plano não produza os resultados positivos que dele se esperam, mas certamente a ideia de Krugman parece muito mais temerária e certamente atrasaria ainda mais qualquer retomada econômica.ANTONIO DO VALEadevale@uol.com.brSão PauloSubserviência brasileira Sobre o editorial Lula aceita barreira argentina (24/3, A3), não era preciso ser vidente para saber que Lula cederia diante da acusação do país vizinho, que considerou a política cambial brasileira como protecionista. O que se viu foi só a repetição do que já temos visto: o confisco e a "doação" dos ativos da Petrobrás na Bolívia, o calote do Equador, a bolada nas costas da Venezuela, etc. E ainda vão "patrocinar" a compra de aviões da Embraer pela Aerolíneas Argentinas por meio do BNDES, que deveria acrescer a letra O na sua sigla: BNDESO, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social dos Outros. MAURO OTAmauro_ota@uol.com.brSão PauloCabra-machoAo inaugurar uma fábrica em Vitória de Santo Antão (PE), o presidente Lula comparou a crise a uma gripe e disse que "um cabra-macho vai trabalhar e não perde uma hora de serviço por causa de uma gripe". Pronto: a marolinha virou gripe e o "cabra-macho", por enquanto, só derrubou cerca de 800 mil trabalhadores. Mas, para quem mora no Palácio do Planalto, com despesas pagas, qualquer brasileirinho é "cabra-macho".LUIS A. B. MORAESlabmoraes@uol.com.brSantosGreve na PetrobrásTem algum sentido a greve dos funcionários das refinarias da Petrobrás? Com tanto desemprego no País, esses empregados da estatal, com remuneração excelente e muitos benefícios, inventam uma greve por maior participação nos lucros? Tudo isso é reflexo do comportamento dos nossos políticos, e o País vai virando a casa da mãe Joana. Trabalho já!ADEMAR MONTEIRO DE MORAESammoraes57@hotmail.comSão PauloRealidade nua e cruaDepois do dinheiro público gasto em palanque tipicamente eleitoreiro, com direito a foto oficial com o presidente Lula e a ministra da Casa Civil, chegou a hora da realidade nua e crua para os prefeitos do País: corte de 19% (R$ 60 milhões) no repasse do Fundo de Participação dos Municípios, que para 80% dos municípios brasileiros é a principal fonte de renda. Como ficarão as despesas obrigatórias com saúde, educação e infraestrutura? Mesmo porque, ainda tem de sobrar dinheiro para a reforma do Palácio do Planalto (R$ 103 milhões), não? Agora os prefeitos vão chorar na cama, que é quentinha. Durmam com um barulho desses. Lamentável.LUIZ NUSBAUMlnusbaum@uol.com.brSão Paulo O senador Jarbas Vasconcelos, com o conhecimento que tem de seu Estado, disse que qualquer levantamento aprofundado das transferências de recursos federais a Pernambuco provaria que foram maiores esses repasses no governo FHC. "O governo Lula é recordista brasileiro em marolinha de espumas, dinheiro que é bom ele repassa muito pouco para Estados e municípios." Que o diga Santa Catarina, assolado pela catástrofe de novembro de 2008 e até agora sem receber um centavo do governo federal.AGNES ECKERMANNagneseck@yahoo.com.brSão Bernardo do CampoSimples RuralA reportagem Governo estuda criação do ?Simples Rural? (21/3, B8) mostra que o governo está pondo o carro na frente dos bois. O grande problema do campo, hoje, não é a informalidade, mas o custo de produção e a rentabilidade do produtor. Há problemas mais urgentes na agricultura, como o seguro de renda, a infraestrutura para produção e escoamento e a capacidade de armazenamento. Resolvido isso tudo, podemos pensar na formalização da questão tributária na atividade rural. Por enquanto não queremos mais uma espada na cabeça do agricultor.EDIVALDO DEL GRANDE, presidente da Organização das Cooperativas do Estado de São Paulo (Ocesp)renato@libris.com.brSão PauloO filho pródigo do PTDelúbio Soares pede ao PT para voltar ao partido para poder concorrer a uma vaga de deputado federal em 2010. Parece que um terço dos petistas está de acordo. Seria cômico, se não fosse repulsivo. Estariam eles apostando na falta de memória dos brasileiros?LEILA E. LEITÃOItanhaémConveniência ou covardiaO escritor Eça de Queiroz estava particularmente inspirado quando disse que "os políticos e as fraldas devem ser trocados frequentemente e pela mesma razão". Quem convive com corruptos, omitindo-se ao dever cívico de denunciá-los, seja por covardia ou por conveniência, passa a ser tão nocivo quanto eles.JÚLIO FERREIRAjulioferreira.net@gmail.comRecifeAnistia e indenizaçõesSobre o editorial Faturando com a ditadura (8/3, A3), cumpre à Comissão de Anistia do Ministério da Justiça esclarecer confusão feita entre o direito à reparação dos perseguidos, como determina a Constituição da República e assegurado em todas as democracias ocidentais como princípio basilar do Estado de Direito, com qualquer forma de "bolsa" ou benefício, uma vez que não se trata de programa social, mas sim de reparação por dano efetivo e comprovado. Ainda cabe corrigir a informação divulgada de que militares da Aeronáutica alistados após a edição da Portaria n.º 1.104/1964 estariam recebendo reparações. Em decisão desta Comissão datada de 2003, ficou definido como ato de perseguição política a exclusão da Força Aérea Brasileira (FAB) apenas daqueles ingressos antes da edição de referido instrumento, havendo farta instrução probatória a demonstrar que o mesmo objetivava eliminar da força cabos já integrados à FAB e com orientação política divergente do comando.PAULO ABRÃO PIRES JÚNIOR, presidente da Comissão de Anistia do Ministério da Justiçarenato.oliveira@mj.gov.brBrasíliaN. da R. - Não houve a confusão a que se refere o missivista.FÓRUM DOS LEITORESENDEREÇOAvenida Eng. Caetano Álvares, 55, 6.º andar, CEP 02598-900FAX:11 3856-2920E-MAIL:forum@grupoestado.com.br

, O Estadao de S.Paulo

25 de março de 2009 | 00h00

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.