Cartas

Maria-fumaçaDevidamente preparado por seu assessor para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, "o top top", Lula chega a Londres com alguns curingas no bolso e parece que pode fazer bonito. Percebeu que soluções para a crise mundial não esbarram no fim de barreiras comerciais à Cuba ou no apoio americano à ditadura de Hugo Chávez. Indicará Lula uma boa saída para essa crise, tornando-se conhecido como uma locomotiva na solução de problemas mundiais, ou vai tirar de seu anedotário alguma piadinha que fará dele uma Maria Fumaça, que não vai muito longe, mas sabe apitar que é uma beleza? Vamos aguardar.PAULO R. KHERLAKIANpaulokherlakian@uol.com.brSão PauloResultados no G-20Recentemente nossopresidente pretendeu liderar a revolta dos vagões contra as locomotivas, que descarrilaram e transformaram a bonança em tormenta. Faltou admitir que, antes de serem vilãs, as locomotivas foram de alguma utilidade. Ou nosso crescimento foi gerado espontaneamente? Na reunião do G-20, o Brasil apresentará algumas sugestões de risco zero, desprovidas de originalidade e já aceitas por antecipação. Nisso perdemos feio para Chávez ou Evo Morales - integrantes do G-175, que, radicais, proclamaram a derrocada do "império". Como a delegação brasileira não adota esse tipo de discurso entre gente elegante, ficará na obviedade do controle, da supervisão e da regulação do sistema financeiro, atacando também os paraísos fiscais. Como todos as membros trarão propostas semelhantes, alguma mistura há de ser aceita. Naturalmente, a aprovação será apresentada - para uso interno - como um triunfo inconteste de nossa diplomacia flexível, de nossa economia exuberante e, sobretudo, da sagacidade de nossopresidente, sempre pronto a ensinar aos outros como sair da crise. Anos atrás, em Davos, Luiz Inácio da Silva já apresentara uma solução para a fome: taxar o comércio de armas. Aplausos, afagos de Chirac - que até se referia à taxa Lulà. Alguém tem notícia da implementação desse achado? Nenhuma surpresa. ALEXANDRU SOLOMONasolo@alexandru.com.brSão PauloContas estouradasFiquei assustado com a superestrutura existente na Presidência da República, que absorve 7.254 servidores espalhados pelo País e consome R$ 3,4 bilhões do seu orçamento. Isso ajuda a explicar o rombo nas contas públicas, o déficit primário de R$ 926,2 milhões registrado em fevereiro e o fato de não sobrar quase nada para investir ou suprir satisfatoriamente as obrigações básicas de competência do governo (educação, saúde, saneamento, etc.).HUMBERTO SCHUWARTZ SOAREShs-soares@uol.com.brVila Velha (ES)O Planalto confirma a existência de seus 67 diretores, mas nega que o número seja excessivo, dizendo ser adequado às necessidades da boa gestão. Quanta hipocrisia de um governo que nunca tomou atitudes concretas para reduzir suas despesas de custeio. Nem agora, na "marolinha", nem em seus melhores momentos. Isso é parte do legado que Lula deixará para o Brasil.SERGIO FREIRESão PauloO governo federal contingenciou R$ 25,4 bilhões das verbas do Orçamento de 2009 e todos os ministérios foram atingidos. O mais surpreendente foi o corte nos investimentos - logo estes, necessários para enfrentar a crise econômica. Por outro lado, pouco sofreram os gastos em custeio. Para quem não sabe, custeio é a verba que paga o funcionalismo. Essa não pode ser cortada, mas os investimentos, que gerariam empregos, podem?PANAYOTIS POULISppoulis@ig.com.brRio de JaneiroHavia uma piada que exaltava a visão de Oscar Niemeyer quando preferiu construir rampas no Planalto em vez de escadas. Resta saber se, na época, os cálculos foram dimensionados para, cinco décadas depois, suportar a invasão da militância petista.HUMBERTO DE LUNA FREIRE FILHOhlffilho@hotmail.comSão PauloTaxação do cigarroSou tabagista moderado e não defendo meu péssimo hábito, mas faço uma ponderação sobre a saída do governo para não perder receitas: o cigarro não torna o fumante violento nem o faz sair com o seu carro matando inocentes. Sou a favor da alta taxação de produtos nocivos à saúde, principalmente as bebidas alcoólicas, que, além de fonte de muitas mazelas, é porta de entrada para as drogas.ROGERIO AMIR RIZZOrizzomoreno@superig.com.brSão PauloCadastro no ProconExcelente e simples o cadastro no Procon-SP contra o abuso do telemarketing. Com ele acaba também a chance de bandidos que se faziam passar por operadores de telemarketing para conseguir dados bancários de muita gente. O governo de São Paulo acertou.CLEIDE SILVAcleidesilva007@estadao.com.brSão PauloTragédia anunciadaEm Santa Catarina, deputados aprovaram a lei que reduz de 30 metros para 5 metros a obrigatoriedade de manutenção das matas ciliares. Não respeitaram as matas nativas que protegem as nascentes de córregos e rios nem sua biodiversidade. Não aprenderam com a tragédia de 2008.JOSE PEDRO NAISSER, ecologistajpnaisser@hotmail.comCuritibaCríticas à SatiagrahaO editorial Lição de direito do TRF (31/3, A3) tem três informações equivocadas sobre a Operação Satiagraha. Ao contrário do mencionado, as investigações relacionadas à Satiagraha renderam, por ora, uma denúncia criminal, promovida pelo Ministério Público Federal (MPF) em face de Daniel Dantas, Humberto Braz e Hugo Chicaroni, pela prática do crime de corrupção ativa. Após o devido processo legal, os réus foram condenados a penas de 7 a 10 anos de prisão. O MPF não "fundamentou denúncias criminais com base em meras suspeições", mas com base em provas concretas produzidas com autorização judicial, destacando-se as interceptações telefônicas, a confissão de Hugo Chicaroni e a apreensão, na residência dele, de aproximadamente R$ 865 mil destinados ao pagamento de "propina" a um delegado da Polícia Federal, enviados por Braz na condição de representante de Dantas. A alegação do editorial de que houve "uma ação articulada entre o delegado, o promotor (sic) e o juiz de primeira instância responsável pelo caso" é inverídica e leviana. Cada uma das instituições - Justiça, Polícia e MPF - cumpriu seu papel constitucional adequadamente. O TRF-3 afastou a exceção de suspeição do juiz Fausto De Sanctis, o que demonstra a sua isenção e imparcialidade para o julgamento dos casos envolvendo a Operação Satiagraha. RODRIGO DE GRANDIS, procurador da República (SP), responsável pela Operação Satiagrahargrandis@prsp.mpf.gov.br São PauloN. da R. - O fato de a Operação Satiagraha ter rendido denúncias criminais não significa que elas sejam fundadas, o que só será confirmado quando o caso transitar em julgado. O que o missivista se esquece é que membros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) criticaram o modo como a operação foi conduzida. O editorial apenas mencionou a Operação Satiagraha, motivo pelo qual as demais afirmações do missivista são infundadas. E as críticas à ação articulada entre delegados, promotores ou procuradores e juízes de primeira instância já foram feitas diversas vezes pelo presidente do STF e do CNJ, ministro Gilmar Mendes.EsclarecimentoÉ incorreto o envolvimento de meu nome na matéria Selado acordo para repatriar US$ 5 mi (1/4, A9). Nunca tive nada que ver com supostas contas de Paulo Maluf nas Ilhas Jersey de recursos desviados da Prefeitura e muito menos com o Deutsche Bank.CELSO PITTA, ex-prefeito de São Paulo celsopitta@terra.com.brSão Paulo

, O Estadao de S.Paulo

02 de abril de 2009 | 00h00

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