Cartas

O que é ?chique?Nunca imaginei que, um dia, o Brasil estivesse tão bem a ponto de emprestar dinheiro ao Fundo Monetário Internacional (FMI). Temos todas as escolas, moradias e hospitais de que o povo necessita, além de estradas perfeitas, emprego e segurança para todos. Acorda, Brasil!DEBORAH MARQUES ZOPPIdmzoppi@uol.com.brSão PauloEm vez de emprestar ao FMI, restitua aos aposentados os seus direitos, senhor presidente. Eles são os únicos a quem o senhor parece perseguir desde o seu primeiro dia como presidente.ANTONIO RANAURO SOARESantonioranauro@bol.com.brSete Lagoas (MG)Lula acha "chique" emprestar dinheiro ao FMI. Chique seria o Brasil não ter nenhum problema de saneamento, se a educação pública de todos os rincões não fosse uma vergonha, se os brasileiros tivessem acesso a um programa de saúde decente, etc. Melhor seria se Lula tivesse a humildade de tentar governar este país com competência. Mas isso não deve ser "chique".MARIA TEREZA MURRAYterezamurray@hotmail.comSão PauloChiquérrimo mesmo é socorrer o trabalhador brasileiro e não emprestar o dinheiro dele para terceiros.CLAUDIO SERGIO CAROLLIcs.carolli@netsite.com.brBatataisEsperançaNo encontro das 20 maiores economias do mundo, ocorrido em Londres, a aparente sintonia no discurso das lideranças mundiais foi uma grata e reveladora surpresa. O consenso obtido entre países ricos e emergentes em torno de questões como o aporte de recursos ao FMI e ao Banco Mundial e a adoção de mecanismos integrados de regulação, fiscalização e controle dos agentes financeiros surpreende até os mais otimistas e mostra que, em momentos de grandes dificuldades, é bom deixar de lado preconceitos e visões estigmatizadas, unindo forças. Depois do que vimos nesse encontro, o G-7 pode até ser esquecido, porque um grupo maior se impõe.MARCOS ABRÃOm.abrao@terra.com.brSão PauloComo historiador, espero que o recado irônico de um pichador num muro na City de Londres - "o governo mente, os bancos roubam, os ricos riem" - não mais aconteça como regra geral no mundo econômico globalizado. Se após esse encontro do G-20 nada mudar, só nos restará fazer o que fazem os espiritualizados de todo o planeta: rezar.JOSÉ DE A. NOBRE DE ALMEIDAjosedalmeida@globo.comRio de JaneiroTerritório demarcadoAs terras tradicionalmente ocupadas pelos índios, referidas no artigo 231, parágrafo 2.º, da Constituição, precedem os episódios históricos das entradas e bandeiras mencionados pelo deputado Aldo Rebelo em O erro em Roraima (29/3, A2), que trata do julgamento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) da demarcação contínua da reserva indígena Raposa-Serra do Sol. Aquelas terras se confundem com o próprio descobrimento do Brasil. O que faz a Constituição é reconhecer e proteger a posse nativa contra incursões estranhas. Se o dispositivo está na Carta, nada mais normal que o STF, tribunal constitucional, não político, julgue segundo os preceitos constitucionais. É o normal. Erro é o que destoa do normal. Destoante ou anormal, portanto, seria o julgamento contrário.MARDEN BRAGAmardenbraga@bol.com.brSão PauloO STF lamentavelmente não levou em conta o tamanho da reserva, a continuidade que mutila o Estado de Roraima, a área fronteiriça do País e, o principal, apartou brasileiros de brasileiros, pondo em risco a unidade nacional. É oportuna e patriótica a iniciativa dos deputados Aldo Rebelo e Ibsen Pinheiro para que a homologação das reservas indígenas brasileiras sejam levadas a cabo por meio de lei ordinária.DENIS VEIGA JUNIORdenisveiga@uol.com.brSão PauloMST e impunidadeAlentador e ao mesmo tempo desanimador o artigo do desembargador Aloísio de Toledo César (A farra dos sem punição, 1/4, A2), que mostra que a impunidade dos sem-terra se dá à custa de advogados espertos que usam todas as medidas e os caminhos tortuosos que os meandros das leis malfeitas lhes permitem e à custa da dificuldade de identificar com clareza os autores dos crimes em grupo. É animador saber que existem pessoas do quilate do desembargador, mas desanimador por reconhecer a ausência de medidas que facilitem a identificação dos criminosos entre o grupo.RUY CONTRUCCI MONTANOdecontrucci@terra.com.brSanto AndréPaís da miscigenaçãoSarney e seus fiscais, Lula e os amigos do MST, Collor e os sem-poupança. Hoje, todos juntos e em harmonia. Brasil, o país da miscigenação.PAULO R. KHERLAKIANpaulokherlakian@uol.com.brSão PauloMais vereadoresNossos ilustres deputados federais aprovaram o aumento de 7.343 vereadores para o País. Agora terão em média 14 novos cabos eleitorais nos municípios, pagos com o dinheiro do contribuinte. Com a permissão do colunista Tutty Vasques: ô raça!LUIZ CARLOS TIESSItiessilc@hotmail.comJacarezinho (PR)Futuro deputado?Creio que o presidente Lula cometeu uma injustiça com o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares. Ele foi, de fato, o militante perfeito. Cumpriu ordens para tocar o mensalão e o fez com eficiência e discrição. Descoberto, não entregou os superiores e aceitou a representação teatral de sua expulsão. Nada mais justo do que reintegrá-lo com honras aos quadros petistas. Se eleito deputado federal, estará plenamente adaptado ao convívio de seus pares.CLODER RIVAS MARTOSsheinerivas@hotmail.comSão PauloAcreditem se quiserem: José Dirceu defende a volta de Delúbio Soares ao PT. Um roto defendendo o rasgado.ANGELO TONELLIangelotonelli@yahoo.com.brSão PauloPoucos servidoresSobre as críticas do sociólogo José Pastore (?A febre diminuiu, mas o doente está mal?, 19/3, B3) e do jornalista Rolf Kuntz (O Estado balofo e seus defensores, 2/4, B2), contra pesquisa recentemente divulgada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que revela que o setor público no Brasil é pequeno se comparado a países europeus, aos EUA e a países da América Latina, é preciso destacar que a eficiência depende, sim, da quantidade de servidores. Afirmo e repito, com base em números: o Brasil tem poucos servidores. O número de processos por juiz, por exemplo, é absurdo e não há "produtividade" que dê conta da morosidade da Justiça se o número de juízes por habitantes não aumentar. Esse raciocínio vale para médicos, professores, fiscais, policiais, enfermeiros, pesquisadores, militares nas fronteiras, controladores de voo, etc. O objetivo da pesquisa do Ipea não é "defender o aumento do número de servidores públicos" como um fim em si mesmo, mas defender a qualidade e a extensão dos serviços públicos. É triste constatar que sempre que um novo estudo do Ipea - ou de qualquer outro órgão produtor de conhecimento aplicado ou teórico - não segue o discurso único dos ortodoxos, é rotulado de "não técnico". Questão de ponto de vista e também de interesses de classe. As convicções graníticas e as técnicas dos economistas ortodoxos levaram o mundo ao impasse em que se encontra hoje.FERNANDO AUGUSTO M. DE MATTOS, pesquisador, é um dos autores do estudo Emprego Público no Brasil: Comparação Internacional e Evolução Recente, produzido pelo IpeaSão Paulo

, O Estadao de S.Paulo

04 de abril de 2009 | 00h00

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