Cartas

Interferência políticaA demissão de Antônio Francisco de Lima Neto da presidência do Banco do Brasil (BB), determinada pelo presidente Lula pelas altas taxas de juros cobradas, de fato significa uma condenação frontal e geral à própria política de juros praticada não só pelo Banco do Brasil, mas por toda a rede bancária brasileira. As taxas variam muito pouco entre si. São, em média, pelo menos 10 vezes maiores do que o índice inflacionário oficial, que segundo o IBGE se situa na escala de 5,9% para os últimos 12 meses. Um recorde mundial: os bancos cobram por mês a inflação de um ano. Diferença, portanto, de 1.000% entre uma faixa e outra.FRANCISCO PEDRO DO COUTTORio de JaneiroO presidente Lula pretende reduzir os juros cobrados pelo Banco do Brasil na marra. Ou seja, ou dá ou desce. Foi o que aconteceu com o presidente do BB, que não deve ter aceitado a ingerência nociva do governo no banco e foi demitido. E que se danem os outros milhares de acionistas.PAULO PANOSSIANpaulopanossian@hotmail.comSantosDilma diz que "o banco público não tem de se comportar como banco privado". Mantega diz que Lima Neto pediu para sair. Só gostaria de entender...ROBERT HALLERrobelisa@click21.com.brSão Paulo Afinal, quem é que manda no Banco do Brasil? Como manter a confiança em suas ações se o governo mete o nariz onde não tem competência? Se outros bancos privados não conseguem reduzir o spread, como esperar do BB essa façanha?LEILA E. LEITÃOleilaelston@uiol.com.brItanhaém Incompetência geral: do governo, pela baixaria de interferir no BB com o objetivo de baixar o spread - atualmente uma obsessão confessa do presidente Lula -, e da oposição, por dar a nítida impressão de estar contra a medida pseudorrefreadora de lucros exagerados dos bancos.SERGIO S. DE OLIVEIRAssoliveira@netsite.com.brMonte Santo de Minas (MG)Juros e lucrosAs taxas de juros bancários praticadas no Brasil, frequentemente num patamar ao redor de 10% ao mês, não são normais nem admissíveis, ponto. Mas elas se mantêm nesse patamar mesmo com a redução da taxa Selic. Isso pode decorrer de alguns fatores: o abuso de certas instituições financeiras, que pretendem maximizar o retorno aos acionistas; a política monetária é excessivamente rígida; a autoridade monetária não exerce o seu poder de punir exemplarmente os abusos cometidos por certos bancos; e os agentes do sistema entendem que está tudo certo e que nada deve ser feito. Até meados dos anos 70, só agiotas praticavam taxas de juros nesse nível no Brasil. Atualmente, bancos oficiais e privados operam dentro de um limite de tolerância de agiotagem institucionalizada. Isso ainda que suas cartas patente de funcionamento sejam concessões governamentais e estejam sujeitas à revogação mediante a comprovação de certas condições de abuso, gestão fraudulenta ou má administração. O problema é que certas instituições financeiras cresceram tanto, acumulando tanto poder, que hoje chegam a afrontar o Estado. Já nos anos 80 e após um período de hiperinflação nos anos 90 os juros e os spreads se mantiveram num patamar atípico que jamais regressou ao que era antes. Quando a inflação do País era de 10% ao mês, isso era até justificável. Mas hoje a inflação é de cerca de 5% ao ano. O que os justifica, então, a não ser a ambição desenfreada de banqueiros? Dizer que é o risco é hipocrisia, porque os bancos têm como avaliar perfeitamente o risco que correm com cada um de seus clientes. Uma saída seria o governo estatizar certos bancos, como está ocorrendo nos EUA. Mas a forma mais prática de mudar esse cenário está dentro de cada um de nós, os clientes. Que tal começarmos a trocar de instituição? Eu já estou trocando.LUIS MARTINSlconrado@terra.com.brSão PauloCulpa da imprensaPiada do dia: para Michel Temer, imprensa faz campanha contra a Câmara dos Deputados.EDUARDO HENRY MOREIRAhenrymoreira@terra.com.brSão Paulo O deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO) diz que se trata de uma "campanha difamatória" da imprensa, apesar de haver um rosário de fatos que são tratados como irregularidades, equívocos e coisas menores - sobre o que Dora Kramer dá conta de que "há crimes claros" (Impunidade parlamentar, 9/4, A6). A malversação de recursos públicos é escandalosa: a reforma de parte dos apartamentos funcionais, por exemplo, para dar moradia a todos os 513 deputados. Fala-se de um gasto total no valor de R$ 150 milhões, que proporcionariam uma economia de R$ 13 milhões. O investimento, entretanto, seria recuperado em 11,5 anos! Uma curiosidade é que, a cada troca de morador, esses apartamentos requerem uma reconstrução de alto custo. Que tipo de gente, afinal, são esses moradores?MARIO HELVIO MIOTTOmhmiotto@ig.com.brPiracicabaOs exemplos de "irregularidades" estão diariamente e claramente relatados em todos os órgãos da imprensa. Não são interpretações nem ilações dos jornalistas, são fatos. Será que não há ao menos um ou dois parlamentares que ocupem a tribuna para, de maneira enfática e mesmo dramática, clamar pelas mudanças que precisam ocorrer nas duas Casas do Congresso? Saudades de um Carlos Lacerda e de outros da sua época, que certamente reagiriam, com seus inflamados discursos, a tudo isso.LUIZ FERNANDO DE MATTOSlfmattos@terra.com.brSão PauloReproduzo aqui uma frase da jornalista e professora Cremilda Medina, em entrevista recente: "Ninguém consegue quebrar a espinha dorsal do jornalismo." Assino embaixo e insisto nisso a propósito das declarações do deputado Michel Temer e de outros deputados. Para suas excelências, a imprensa quer desmoralizar o Congresso. Quer dizer: suas excelências et caterva fazem as malandragens, praticam os crimes e toda a sorte de desmandos, usam o dinheiro público (nosso!) como querem, enchem-se de mordomias, e quando a imprensa noticia tudo, torna-se culpada. Não fossem as denúncias de jornalistas, as coisas estariam muito piores. Suas excelências que reclamem à vontade: a espinha dorsal não será quebrada.REGINA HELENA DE PAIVA RAMOSreginahpaiva@uol.com.brSão PauloCalote dos precatóriosEm atenção à carta do leitor sr. Ronaldo José Neves de Carvalho (8/4), a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo esclarece que de fato há casos em que os juros incidentes sobre precatórios podem chegar a 24% ao ano. Nos casos de ações de desapropriação, por decisão judicial podem ser aplicados juros de mora de 12% ao ano (a partir do novo Código Civil) e juros compensatórios de 12% ao ano.FÁBIO CUNHA, assessor de Comunicação da Secretaria da Fazenda do Estadofgcunha@fazenda.sp.gov.brSão Paulo Apenas um reparo ao que escreveu o leitor sr. Sebastião F. Araujo de C. Rangel (O terceiro calote, 8/4). A manipulação da correção monetária por ocasião dos planos econômicos foi de 300%, gerando mais um prejuízo aos credores do Estado. É preciso lembrar aos deputados que os credores estão nessa situação de forma absolutamente involuntária, pois o Estado toma todas as iniciativas de desapropriações, pagamento incorreto a seus servidores, etc., e também procura, por filigranas jurídicas, retardar ao máximo a conclusão dos processos, gerando maior despesa com juros e correção monetária que a lei determina. É preciso lembrar aos deputados que, além de credores do Estado, essas pessoas são eleitores (e são muitos). Políticos só têm medo de uma coisa: a falta de voto.LUIZ FERNANDO V. NOVAESlfvnovaes@uol.com.brSantosFÓRUM DOS LEITORESENDEREÇOAvenida Eng. Caetano Álvares, 55, 6.º andar, CEP 02598-900FAX:11 3856-2920E-MAIL:forum@grupoestado.com.br

, O Estadao de S.Paulo

10 de abril de 2009 | 00h00

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