Cartas

O escorpião e o sapoEm 2002, quando Lula era candidato a presidente, o dólar chegou a R$ 4 por receio da ruptura que o PT prometia. Hoje, sete anos depois, Lula começa a esquecer a Carta aos Brasileiros e a intervir na economia. O uso político que o lulopetismo faz da Petrobrás e agora do Banco do Brasil (BB) é óbvio. Como na história do escorpião e do sapo, no fim, o que vigora é a natureza de quem está em cima...GILBERTO DIBgilberto@dib.com.brSão PauloEmprestar mais e baratoAo contrário do que dizem alguns, preocupados com lucros acionários, e não com a crise, com o desemprego, o fechamento de empresas, etc., Lula está certo em exigir a redução do spread bancário da Caixa Econômica Federal e do BB. Há tempos se sabe que a redução da Selic perdeu importância como parâmetro dos juros reais, porque o lucro fácil a que nossos bancos se entregam praticamente trava o desenvolvimento econômico. A saída terá de ser emprestar mais e mais barato, como em qualquer atividade empresarial, principalmente diante do quase monopólio em que foi transformado o setor financeiro. Com bancos oficiais e um sistema razoavelmente sadio, já quase se faz tarde desencadear essa mudança.ANTONIO DO VALEadevale@uol.com.brSão PauloInsegurançaDentre os vários componentes dos juros bancários, a primeira coisa em que se fala é a tal ganância dos banqueiros - discurso ideológico tão fácil quanto inócuo para algo tão subjetivo. Uma variável mais importante de que não se fala, talvez por ser antipática, é a segurança jurídica dos contratos. Não é fácil no Brasil receber do mau pagador, que tem todas as possibilidades de manter o nome limpo. O custo de recuperação do crédito não é desprezível. Isso gera boa parte das taxas que são aplicadas democraticamente ao bom pagador. De resto, não há muito o que fazer, a menos que o governo invista em mais segurança pública e reduza sua gorda fatia de impostos.ANTONIO C. DA MATTA RIBEIROantoniodamatta@ig.com.brGuarulhosA maior fatia dos spreads brasileiros (37,35%) é representada pelo risco de inadimplência. Não custa lembrar que cada centavo desse risco que não se torna inadimplência torna-se automaticamente lucro. E cada centavo que não é de fato pago não significa que tenha sido perdido. Uma boa parte, imediatamente ou mais à frente, ainda pode engordar os lucros dos bancos.PEDRO CHOMA NETOpedroneto@brturbo.com.brIrati (PR)Brasil, credor do FMISe Lula tem dinheiro disponível e sobrando, em vez de emprestar US$ 4,5 bilhões ao Fundo Monetário Internacional (FMI), não seria mais sensato investir esse valor na saúde, segurança e em escolas no Brasil? O pior é que, além de tudo isso, temos de ouvir o presidente Lula dizer que é "chique" fazer parte deste clube do FMI. Eu diria que é uma vergonha, isso sim.ANGELO TONELLIangelotonelli@yahoo.com.brSão PauloEm novembro de 1999, Lula declarou que os diretores do FMI, "com sua política econômica, são responsáveis por milhares de crianças que morrem de fome no mundo". Agora Lula diz que é "chique" emprestar dinheiro ao Fundo. Conclusão lógica: Lula pretende auxiliar os diretores do FMI a matar mais crianças de fome no mundo.HAMILTON CARVALHOhamilton.carvalho@terra.com.brBarueriJustiça represadaEstá tudo maravilhoso: Brasil já tem seu Fundo Soberano e esnoba emprestando ao FMI. A crise é dos outros. Mas a nossa Justiça continua represada por Estados e municípios que não se submetem à coisa julgada e espezinham, torturam seus credores com a ameaça da PEC 12. É lógica e apropriada a ideia do advogado Roberto Ferrari de Ulhôa Cintra (4/4, A2), de instituir o Pró-Justiça. Afinal, a União está em dia com os precatórios, constando que já pagou, em fevereiro, os entrados no ano passado. Mister socorrer os Estados e municípios renitentes, para garantir tempo razoável de duração do processo, como prometido (e jamais cumprido) na Constituição de 1988.NEVINO ROCCOnevino_a_rocco@uol.com.brSão Bernardo do CampoDe onde sobra dinheiroO fator previdenciário ganhou um companheiro: os precatórios. Com eles sobra mais de nossos reais para emprestar ao FMI. Ou estou errado?LEÔNIDAS MARQUESleo_vr@terra.com.brVolta Redonda (RJ)Estado de alertaO artigo A sociedade em estado de alerta (6/4, A2), do procurador-geral de Justiça do Estado de São Paulo Fernando Grella Vieira, é esclarecedor - principalmente para quem não tem formação em Direito - da medonha situação criada pela decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) em relação ao cumprimento (ou descumprimento) das penas condenatórias nas instâncias inferiores. Quer dizer, um condenado não é obrigado a cumprir a pena enquanto o julgamento não for proferido em última instância, a que ele pode recorrer, o que pode levar muitos anos. Acresce a questão das prescrições que não são interrompidas e ganham o condão de simplesmente acabar com o processo e livrar o condenado sem mais considerações. Só no Brasil pode ocorrer uma coisa assim. Em face da Constituição, talvez a decisão do Supremo faça sentido, mas urge trabalhar para mudar o que tiver de ser mudado para não consagrarmos a impunidade de maneira oficial.ADEMIR VALEZIvalezi@uol.com.brSão PauloMudanças no vestibularAo contrário do que pensam alguns, os nossos vestibulares são impecáveis para a tarefa de selecionar os melhores candidatos para as universidades. Há uma sólida evidência de que barram os mais fracos e aprovam os mais sábios, escolhendo assim os que terão mais probabilidade de sucesso nos cursos superiores. Mas o problema mais grave está na influência funesta sobre o ensino médio. Diante das vagas orientações dos parâmetros curriculares e da realidade concreta do vestibular da universidade pública mais próxima, o ensino médio se vê atraído para esse vestibular a ponto de arrastar todos os alunos para a superficialidade de decorar infindáveis fórmulas e nomes de bactérias, enzimas e pedaços das células. O resultado é uma inundação curricular. É muito mais matéria do que é razoável esperar que a vasta maioria dos alunos possa digerir. Quando se tenta ensinar demais, aprende-se de menos. Não há tempo para profundidade. Portanto, não há tempo para uma real educação. Logo, mudar o sistema é uma boa ideia. Para selecionar os candidatos mais talentosos, nosso vestibular não deixa nada a dever ao de outros países. Seu problema é envenenar o ensino médio com o dilúvio de conhecimentos exigidos. Já passou a hora de liberar o ensino médio dessa tirania. Vamos torcer para que a mudança seja bem implementada.MURILO AUGUSTO DE MEDEIROSmurilo.medeiros52@gmail.comGuará II (DF)A ideia de um exame como o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) substituir o atual vestibular pode ser boa para um país sério, o que infelizmente não é a nossa realidade. O próprio ministro da educação admitiu a possibilidade de fraude e outras irregularidades quando mencionou que a Polícia Federal poderia ser acionada para garantir a segurança nas provas. A educação no País virou mesmo caso de polícia. Por que as verbas anunciadas pelo Ministério da Educação às universidades que aderirem ao exame unificado não são oferecidas às escolas de nível fundamental? Seria porque os alunos dessa fase ainda não votam?ELIANE BORDINIelianebordini@gmail.comSão Paulo

, O Estadao de S.Paulo

13 de abril de 2009 | 00h00

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