Cartas

Déjà vuÓtima notícia: o novo presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, afirmou que o banco vai baixar a taxa de juros e o spread de forma agressiva. Seja lá o que isso signifique, só torço para que não se repita uma velha história política, em que um governador prometeu e cumpriu: "Quebro" o banco estadual, "mas elejo meu sucessor".LUIZ NUSBAUMlnusbaum@uol.com.brSão Paulo"Quebro o Banespa, mas elejo meu sucessor." A frase é atribuída ao ex-governador Orestes Quércia e teria sido dita em 1990. Com a troca de comando no Banco do Brasil, parece que voltamos a assistir ao mesmo filme quase 20 anos depois. O roteiro parece o mesmo, mas o final desse remake certamente não vai agradar ao presidente Lula.MAURÍCIO RODRIGUES DE SOUZAmauriciorodsouza@globo.comSão PauloJuros baixos na marraQue outras obsessões do presidente serão resolvidas na marra?CAIO AUGUSTO BASTOS LUCCHESIcblucchesi@yahoo.com.brSão PauloTransparênciaNuma entrevista recente, o presidente do Itaú-Unibanco disse que a inadimplência efetiva estava em menos de 5% das operações de crédito. Na divulgação da composição do spread pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo, a inadimplência ocupa parcela de absoluto destaque, sendo responsável por 37,35% do total. Algo está errado, mesmo considerando que a perda efetiva se refere ao total da operação e o spread, à parcela acrescida sobre o valor de captação do banco. Um primeiro passo para tentar reduzir os juros reais seria tornar esses números mais transparentes. Talvez o Banco Central, o Banco do Brasil ou a Caixa Econômica Federal pudessem fazer isso. É evidente que exageros no cômputo da inadimplência são também responsáveis pelos juros exagerados que vivenciamos.PAULO SERODIOpserodio@uol.com.brSão PauloTrem bala brasileiroO governo cogita de acelerar a obra do Trem de Alta Velocidade (TAV) entre São Paulo, Campinas e Rio de Janeiro. Para quem vai sediar a Copa do Mundo em 2014 pode-se dizer que a obra está atrasada. Há anos a promessa não sai do papel. Um trem até o Rio de Janeiro, com todo o conforto de um trem europeu, desafogaria as estradas e até mesmo os aeroportos. O contrato bilionário movimentará diversas empresas interessadas nesse filão. Nunca é demais perguntar: onde estavam com a cabeça os administradores que acabaram com as vias férreas no Brasil? Além de ignorantes, foram incompetentes. Vão pagar preço de ouro para fazer apenas um trecho até o Rio de Janeiro. Enquanto na Europa os trens são valorizados, no Brasil o presidente Juscelino Kubitschek provocou grandes transformações na economia brasileira dando ênfase maior ao transporte rodoviário em detrimento do transporte ferroviário. Esse foi o principal motivo para a decadência da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, que tanto fez por São Paulo e que hoje ajudaria a baratear a construção de um trem bala. Um bem precioso que o País perdeu por falta de visão dos nossos governantes. IZABEL AVALLONEizabelavallone@yahoo.com.brSão PauloO governo federal vai promover concorrência internacional para mais um projeto irracional em benefício da pretensão eleitoral da mãe do emPACado, que vai custar (previsão) US$ 14 bilhões e transportar 10 milhões de passageiros por ano. As passagens terão preço igual às aéreas. Não é muitíssimo mais racional - racionalidade não é o forte do governo Lulla - gastar esse dinheiro em linhas de metrô em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Campinas, tirando dos congestionamentos, por dia, os mesmos 10 milhões de cidadãos?MÁRIO ALVES DENTEdente28@gmail.comSão PauloOperação PernambucoQue tipo de partido é o PSB, que articula lançar Ciro Gomes como candidato à Presidência da República apenas para forçar um segundo turno na eleição presidencial de 2010 - entre Dilma Rousseff e José Serra? É difícil acreditar que um candidato possa se passar por capacho para que a postulante Dilma vença o pleito. Caso a "Operação Pernambuco" - como é chamada a articulação - se concretize, qual será o discurso desse candidato perante os eleitores? JOSÉ WILSON DE LIMA COSTAjwlcosta@bol.com.brSão PauloCiro Gomes é o político que já fez oposição a Lula em eleições presidenciais e que se referiu ao hoje presidente dizendo que votar em Lula era o mesmo que mandar o Brasil para um buraco que ninguém sabe aonde vai dar. Apesar disso, terminou com um cargo de ministro no governo. Há pouco Ciro voltou à cena para declarar que Dilma Rousseff não tem projeto de governo. E acaba de conquistar mais um lugarzinho sob o sol do poder, como opção para ajudar a candidatura de Dilma emplacar. De grão em grão...DOCA RAMOS MELLOddramosmello@uol.com.brSão SebastiãoEsclarecimentoO respeito que tenho pelo jornal e pelos seus leitores leva-me a responder ao editorial A volta da teoria conspiratória (10/4, A3). Ele registra que, em "postiça indignação", eu e vários líderes partidários acusamos a imprensa de buscar a desmoralização do Legislativo. Primeiro, a minha fala não revelou nenhuma indignação. Basta ouvi-la. Tranquila e serenamente esclareci o resultado real, efetivo, de uma reunião da Mesa Diretora no que dizia respeito à reforma de apartamentos funcionais. Fiz o esclarecimento porque ressaía do noticiário a ideia de que a "reforma" fora autorizada nessa reunião, quando ela já o foi no ano passado e as obras já começaram antes da nossa gestão. O que se deu foi um estudo e a proposta do 4.º secretário com vistas a dividir os apartamentos e, assim, eliminar o auxílio-moradia, já que todos poderiam habitar apartamentos menores. Tratou-se de estudos aprovados. O que não se aprovou foi sua execução, que demandará novas reuniões. Foi assim, singela e tranquilamente, que sugerimos a retificação do noticiário, uma vez que poderia, tal como posto, gerar reação negativa da opinião pública. Em nenhum momento "acusei" a imprensa. Ao contrário, disse que a separação dos Poderes é fundamental e, ao lado dela, a liberdade de imprensa que deve vigiar e criticar os órgãos do Poder. Esse é o mecanismo democrático. Mas dele faz parte a responsabilidade. Se a notícia foi equivocada, é razoável que o Legislativo tente esclarecê-la para que a informação seja correta. Curiosamente tal fato gerou, agora sim, a indignação retratada no editorial. Deu-se ao meu esclarecimento dimensão que ele não teve. Exacerbou-se. Como se a imprensa não pudesse ser alvo sequer de um esclarecimento. Ou seja: não erra nunca. E se erra, nada a esclarecer. Silêncio absoluto, tumular, dos que foram atingidos. A razão desta carta está no incômodo que me causa a ideia de que eu seja daqueles que pregam a mordaça nos meios de comunicação. Por isso escrevo. Para reafirmar o que sempre preguei em aulas, palestras e discursos: não há democracia verdadeira sem a divisão das funções do Estado e a liberdade da imprensa. Montesquieu já sabia disso. Há muitíssimos anos.MICHEL TEMERBrasíliaN. da R. - Agrada-nos registrar os esclarecimentos do deputado Michel Temer.Páscoa e justiça humanaDom Odilo Scherer fez um texto inspirado sobre a personalidade de Jesus (As lições da Páscoa, 11/4, A2). São Paulo foi contemplado com um grande arcebispo.BENEDITO LIMA DE TOLEDObltoledo@uol.com.brSão Paulo

, O Estadao de S.Paulo

14 de abril de 2009 | 00h00

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