Cartas

CampanhaSe Lula, ao anunciar que Dilma é a escolhida dele para lhe suceder, e isso aliado ao fato de o presidente estar viajando exaustivamente Brasil afora com ela a tiracolo, inaugurando intenções de obras, etc., não caracteriza campanha, pergunto: então, o que caracteriza campanha? Com a palavra os nobres ministros do TSE.RODRIGO BORGES DE CAMPOS NETTOrodrigonetto@rudah.com.brBrasíliaChaminhaEm 2003, quando assumiu o governo, Lula chegou com todo o gás, disposto a completar as grandes reformas e implementar um programa de microrreformas cujo alvo era o ataque a esse Brasil atrasado, gigante, burocratizado, que impede o progresso e paralisa o desenvolvimento. Propostas para as áreas de crédito, melhoria da qualidade de tributação, medidas econômicas para inclusão social e simplificação burocrática para atrair investimentos privados. As grandes reformas Lula abandonou todas. Até a trabalhista. O balanço das microrreformas é deprimente. Faltam espírito público e coragem para enfrentar as políticas do atraso que se opõem ao progresso do País. Mas até onde foi o gás de Lula? Fez uma chama pequenina e apagou com as brigas partidárias, os escândalos e o interesse de uma classe que só legisla em busca de seus próprios privilégios.CARLOS IUNEScarlosiunes@bol.com.brBauruMudança na poupançaO desrespeito do governo para com a sociedade tem sido mostrado em todos os sentidos, mais especificamente quando se trata de dinheiro. Mudar as regras da caderneta de poupança para atender a quem? Por ser uma aplicação sem risco e isenta de Imposto de Renda (IR), foi sempre um atrativo para os aplicadores mais conservadores e com menos condições financeiras. Se a Taxa Selic cair abaixo de 10%, o que vem sendo sinalizado, a caderneta de poupança ficará bem mais atrativa, pois os ganhos com aplicações em renda fixa ficarão abaixo dos da poupança. De olho nesse filão e com medo de que a poupança esvazie outras aplicações, o governo cogita de mudanças, pois será pressionado pelos banqueiros. As opções são várias: mudança na Selic, cobrança de IR, aumento de prazo de carência de depósito, que hoje é de um mês, limitação das aplicações a até R$ 5 mil e, por último, um segundo confisco - pois, enquanto o governo nadava de braçadas, as migalhas da poupança nem eram levadas em conta. Mudando as regras, a população sairá perdendo, verá seus rendimentos reduzidos. Esse é o governo que se diz defensor dos pobres?IZABEL AVALLONEizabelavallone@yahoo.com.brSão PauloBC x poupadoresSó faltava o Banco Central tentar interferir politicamente na derradeira decisão do STF, que já deu indícios de que é favorável à aprovação da correção das poupanças, que pertencem à maioria da classe média e pobre. Vimos recentemente a troca da presidência do Banco do Brasil por decisão direta do presidente da República, e não duvidamos nada que aqui também tenha o dedo do diabo. Parece que o cobertor do PAC está ficando cada vez mais curto, como consequência da marolinha que enfrentamos, e os fatos mostram que essa indicação da potencial candidata é considerada natimorta, ou seja, estão dando injeção em burro morto. Parece-nos que o nexo de causa e efeito é direto. Imploramos humildemente a derradeira e única ajuda divina, para que ilumine o STF a aprovar a tão esperada e desejada correção da poupança, cuja eventual rejeição será a falência total desta medíocre e corrupta democracia.FRANCISCO LUIZ VILLANOflvillano@uol.com.brSão PauloA intenção do BC de representar contra os poupadores quer dizer: "Vamos privatizar o lucro e socializar o prejuízo." Indecente!GUSTAVO GUIMARÃES DA VEIGAgjgveiga@hotmail.comSão PauloDinheiro da viúvaFarra com nosso suado dinheiro! É verba indenizatória, cota de passagens aéreas, auxílio-moradia, e por aí vai. Será que nossos políticos não têm um pingo de vergonha na cara? Se a regra para os ministros deputados permite que a tal cota seja usada por seus parentes, mesmo não estando mais exercendo o pesado ônus de ser parlamentar, por que o deputado Fábio Faria não pode usar a cota dele a seu bel-prazer? Só queria entender! Não me envergonho de ser brasileiro, envergonho-me profundamente de nossos políticos.DARCI PRADOdarci.ops@terra.com.brGuarujáCheques sem fundosEnquanto o governo reduz a meta do seu superávit primário, a população continua considerando o aumento do seu déficit, secundário.SERGIO S. DE OLIVEIRAssoliveira@netsite.com.brMonte Santo de Minas (MG)PortabilidadeSó nos cabe uma simples e elementar pergunta, sobre a portabilidade dos planos de saúde: quem vai controlar isso de perto?ANTONIO JOSÉ G. MARQUESSão PauloProjeto Nova LuzPermitam-me discordar e esclarecer alguns pontos do editorial Projeto interminável (14/4, A3). 1) O projeto Nova Luz começou em março de 2005, já na gestão do então prefeito José Serra. Nada existia a respeito da área até essa data - nem a verba do BID estava prevista para ali ser utilizada. Portanto, não é projeto da administração anterior. Não havia nada previsto para a região - nenhuma obra, ação ou projeto. 2) Desde a criação da Lei de Incentivos Fiscais se definiu a vocação do bairro como polo de TI, cultural, de educação, serviços, etc. Este perfil diverso, detalhado no próprio texto da lei, até hoje, portanto, não sofreu alterações. A questão de moradias no local também sempre esteve prevista, já que para a revitalização de qualquer área urbana é preciso haver movimento durante 24 horas por dia. Além disso, há Zona Especial de Interesse Social (Zeis) na área, o que obriga à construção de moradias. 3) Desde março de 2005, além das ações de fiscalização e de policiamento, não há falta de ações concretas, já que foi realizado recapeamento das ruas, remodelação da rede de iluminação, implantação da rotina de limpeza pública. No plano urbanístico, passos vitais foram dados: o perímetro da Nova Luz foi decretado de utilidade pública em 2005; em 2005 foi sancionada a Lei de Incentivos Fiscais; 65 imóveis foram desapropriados; 57, demolidos; a Guarda Civil Metropolitana foi instalada no local; atualmente estão sendo investidos R$ 13,7 milhões para revitalização de calçadas, implantação de valas técnicas, iluminação e paisagismo em ruas do bairro e está em fase final a desapropriação de imóveis para a construção da Escola Técnica do Centro Paula Souza e de dois prédios do CDHU. 4) Em relação à Santa Ifigênia, nunca foi prevista desapropriação dos imóveis, já que a ideia do polo de tecnologia foi fruto da própria vocação local. Em 2005 estimei um prazo de dez anos a partir do início do projeto para que a Nova Luz esteja completamente recuperada. Passados quatro anos, já avançamos muito e certamente nos próximos anos a região terá uma realidade completamente diferente.ANDREA MATARAZZO, secretário das SubprefeiturasSão PauloN. da R. - A origem do Nova Luz é o Procentro, um projeto da administração anterior para a revitalização de vários pontos do centro, inclusive a Cracolândia. Em 2003, o governo Marta Suplicy obteve no BID empréstimo de US$ 100 milhões, mais US$ 60 milhões de contrapartida, para obras de revitalização do centro, inclusive da Cracolândia. Por último, devem ter-se preocupado à toa os comerciantes da Santa Ifigênia que, no início do mês, foram em passeata até a Câmara Municipal para exigir que no texto do novo projeto Nova Luz constasse a garantia de que aqueles quarteirões não seriam desapropriados.

, O Estadao de S.Paulo

17 de abril de 2009 | 00h00

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