Cartas

República do MaranhãoSe o segundo colocado nas eleições no Maranhão fosse de outro partido, será que o resultado seria o mesmo?MARCÍLIO FAUSTINOm_faustino@uol.com.brSão PauloO governador Jackson Lago (PDT), do Maranhão, teve seu mandato cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por suspeitas de irregularidades durante a campanha que o elegeu. A principal acusação é de que José Reinaldo Tavares (PSB), governador do Maranhão na época da eleição, teria usado a máquina do Estado em favor de Lago. Entre as supostas infrações eleitorais cometidas, estão doações irregulares de cestas básicas, transferência de mais de R$ 700 mil de recursos públicos para uma associação de moradores, compra de votos e distribuição de combustível e material de construção. Nada se compara ao uso nem um pouco disfarçado que Lula tem feito da máquina pública para apresentar a sua candidata, Dilma Rousseff, como mãe do PAC e a responsável por todos os programas sociais do seu governo. Esperamos que a oposição e o TSE estejam tomando nota das irregularidades cometidas por Lula para que, no frigir dos ovos da campanha de 2010 à Presidência e no julgamento dessas visíveis irregularidades, não sejam usados dois pesos e duas medidas.VICTOR GERMANO PEREIRAvictorgermano@uol.com.brSão PauloÓleo de perobaEntão, de agora em diante, S. Exas. poderão distribuir passagens aéreas a quem lhes aprouver? Com nosso dinheiro? E óleo de peroba, não dá para distribuir em Brasília, fartamente?REGINA HELENA DE PAIVA RAMOSreginahpaiva@uol.com.brSão PauloÉ risível os parlamentares dizerem que o problema das passagens fartamente distribuídas a parentes, apaniguados e outros é legal, podendo não ser moral. Mas desde quando há moralidade no Congresso?JOSÉ FRANCISCO D?ANNIBALEdannibale@uol.com.brSão PauloMutirão do CNJAlém do mutirão dos presos, o CNJ deveria decretar outro mutirão em benefício dos milhões de "processos presos" em nossos tribunais. Justiça tardia é injusta!GUSTAVO GUIMARÃES DA VEIGAgjgveiga@hotmail.comSão PauloMuito pior que a corrupção nos Poderes Executivo e Legislativo é a corrupção no Judiciário, onde juízes deixam de fazer justiça!JOSÉ EDUARDO VICTORje.victor@estadao.com.brJaú?Pesadelos culturais?O texto de Nelson Motta (17/4, D9) é uma peça antológica e histórica que honra a nossa geração e faz justiça ao jornal que o abriga. Criativo, bem escrito, inteligente, informado e corajoso em extremo por enfrentar a permanente patrulha ideológica em defesa do obscurantismo e travestida de libertária. Nelson Motta e Washington Novaes, na mesma edição, conferem significado ao dia. Acho que Nelson Motta, com sua alegria e seu brilho, continua a tradição brasileira dos grandes humanistas, como Otto Maria Carpeaux, Millôr Fernandes, Augusto Meyer e Jacó Guinsburg.JACOB KLINTOWITZ, jornalista e crítico de artejklinto@uol.com.brSão PauloEsclarecimentoSobre a manchete Governo afrouxa meta fiscal e terá mais R$ 40 bilhões para gastar - Redução do superávit para 2,5% do PIB vale para 2009 e 2010, ano eleitoral (16/4, A1), a Assessoria de Comunicação do Ministério da Fazenda esclarece: conforme anunciado em entrevista coletiva pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, a meta do superávit primário proposta no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2010 está mantida em 3,3% do PIB. A revisão da meta para 2009 é de 3,8% para 2,5%. Sobre a redução da meta para este ano, Guido Mantega esclareceu durante a coletiva que a revisão foi necessária para que o governo "possa fazer a política anticíclica já que este ano, com a atividade econômica mais lenta, a arrecadação do governo vai diminuir, ainda sob impacto da forte queda no último trimestre de 2008". Aliás, esta argumentação está explícita da matéria, que informa: "O ministro da Fazenda disse que as mudanças respeitam uma política anticíclica de crescimento econômico - em ano de queda da arrecadação."CARMEN VIEIRA DA CUNHA, chefe da Assessoria de Comunicação Social do Ministério da FazendaBrasíliaInvestir no dissenso Mais uma vez, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e a excelência técnica de seus mais de 500 servidores, a maioria de nível superior - entre economistas, cientistas sociais, estatísticos, filósofos, bacharéis em Direito - de alta qualificação e especialização, vêm sendo atacados porque produziram conhecimento que não vai ao encontro do discurso único. É triste constatar que sempre que um novo estudo do Ipea - ou de qualquer outro órgão produtor de conhecimento - não segue os dogmas ortodoxos já é rotulado de "não técnico", "enviesamento ideológico" ou "político"... Questão clara de interesses de classe. Cabe a um instituto federal de pesquisa aplicada de altíssima qualidade, como é o Ipea, investir no dissenso, incentivar outros olhares, usar seu arsenal de pesquisas e seu quadro qualificado para propor contribuições ousadas diante da crise e, sempre em seus 45 anos, técnicas, metodológicas, científicas e plurais. O Ipea quer abrir o debate, só assim teremos um Brasil melhor, menos desigual e mais sólido para o desenvolvimento pós-crise. As convicções da ortodoxia das últimas décadas apresentaram seus tributos a partir de setembro passado nos EUA, e o mundo todo paga esta conta, mesmo e sobretudo os que ficaram de fora da farra. O Comunicado da Presidência n.º 19, Emprego Público no Brasil: Comparação Internacional e Evolução, faz uma defesa da qualidade e da extensão dos serviços públicos a toda a população, deixa claro que o emprego privado cresceu no País, mas os serviços públicos carecem, sim, de quantidade significativa de servidores. Quem precisa do hospital público, procura creche, tem um processo na Justiça ou depende da segurança pública sente isso na pele diariamente. O Comunicado n.º 20, Transformações na Indústria Bancária Brasileira e o Cenário de Crise, faz parte do árduo e profundo trabalho técnico que vem fazendo o Grupo de Trabalho de Crise, equipe multidisciplinar do Ipea, que se dedica a estudar os efeitos da crise para o desenvolvimento de longo prazo do Brasil. Outros relatórios já foram publicados em janeiro, fevereiro e março. Uma bobagem repetida recorrentemente é que o Ipea combate os bancos. Antes que a mentira repetida se cristalize como verdade, urge destacar: o Ipea - e o Comunicado 20 deixa isso transparente - defende maior concorrência entre bancos, defende a ampliação do número de instituições e agências no Brasil, já que foram fechadas mais de 1.600 agências nos últimos 17 anos e 505 municípios brasileiros não dispõem hoje de uma única agência sequer. A quem desconhece o trabalho do Ipea importa informar que o instituto mantém parcerias de pesquisas com mais de uma dezena de Ministérios, com Petrobrás, Caixa Econômica Federal, Receita Federal e Fundação Oswaldo Cruz, com universidades e entidades nacionais de pós-graduação, com bancos e representantes do setor produtivo, com governos e institutos de pesquisas dos cinco continentes. Convido os leitores a conhecerem a íntegra dos estudos e toda a produção do Ipea, sem filtros, no portal www.ipea.gov.br.ESTANISLAU MARIA, assessor-chefe de Imprensa do Ipeaestanislau.maria@ipea.gov.brBrasíliaN. da R. - O editorial A politização do Ipea (13/4, A3) não põe em dúvida a excelência técnica dos funcionários do Ipea, até porque é muito pouco provável que 500 pessoas tenham participado da elaboração dos documentos. Essa imputação maliciosa é de autoria do missivista. O editorial critica a qualidade técnica e registra o ranço ideológico que caracteriza vários trabalhos produzidos pela atual direção do Ipea - ranço que é perceptível na carta do servidor.

, O Estadao de S.Paulo

18 de abril de 2009 | 00h00

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