Cartas

TiradentesTiradentes era um alferes sonhador. Imaginava um País sem chibatas nos trens. Sem derramas. Um País sem "aviões da alegria" no Congresso. Um País de crianças na escola, não cheirando cola. Um País de doentes atendidos dignamente nos hospitais, não morrendo nas filas das emergências. Um País que merecia o sacrifício de sua vida e que lembraria seu corpo enforcado e esquartejado com respeito e dignidade, não sambando em cima de um trio elétrico, como se tudo estivesse às mil maravilhas. O Brasil de 2009 resultou no pior pesadelo do seu herói de 1789. Um lugar patético, sombrio. Ignóbil.ROBERTO VIEIRArobervieira@uol.com.brCamaragibe (PE)Dia de Tiradentes, mais um feriado prolongado. O dia 22 de abril devia voltar a ser feriado nacional. Afinal, foi o dia em que descobriam a Pizzaria Circo Brasil. Nada como dois feriados seguidos para um país rico, que não precisa mais trabalhar para crescer. Estamos emprestando dinheiro até ao FMI! Vamos ter trensbala, submarinos atômicos, combustíveis gratuitos, Taxa Selic zerada e bolsas vale-tudo, para tudo o que possa garantir a continuação da República sindicalista petista no poder. E a crise financeira, para nós, sempre foi e será uma simples "marolinha" vinda das plagas (por favor, não confundir com pragas) de Garanhuns.ROBERTO STAVALE bobstal@dglnet.com.brSão PauloPEC do CalotePlagiando as palavras do nosso alienado presidente, nunca antes nesse país vivemos um período de tão grave falência das instituições democráticas. Como brasileiro, sinto uma vergonha profunda. Vergonha do Senado, da Câmara, dos governantes que devem milhões e fazem lobby para dar o calote. A PEC 12 cortará as mãos do Judiciário, o único Poder capaz de garantir o ressarcimento pelos abusos praticados por governantes que lesam direitos dos cidadãos, irresponsavelmente, cientes de que não pagarão a conta. O brasileiro em geral desconhece o que é um precatório judicial: é uma dívida reconhecida pela Justiça contra o Estado (União, DF, Estados e municípios), da qual não cabe mais recurso. Imaginem se Luiz Inácio, nome fictício, parasse de pagar as contas de telefone, aluguel, luz, gás, impostos, etc. Os lesados buscariam seu ressarcimento na Justiça e conseguiriam uma sentença judicial (precatório) após longos e longos anos de recursos. Pois bem, a PEC do Calote diz que não precisa pagar toda a dívida. Basta pagar de 0,6% até 2% do montante do seu recebimento (orçamento), conforme o tamanho da dívida. O que exceder esse limite... Dane-se! Mais: se algum credor tiver pressa, pode dar um descontinho na dívida para tentar receber antes de morrer. Se uma empresa não paga suas dívidas judiciais, a falência é decretada. O mesmo se devia dar com o Estado. O texto foi aprovado no Senado numa velocidade sem precedentes e agora seguiu para a Câmara. Vamos ver o que os "representantes do povo" têm a dizer.REYNALDO SANGIOVANNI COLLESIreynaldocollesi@hotmail.comSão PauloA única esperança que me resta como advogado é que entidades como a OAB, AASP e Iasp se dirijam a Brasília a fim de evitar que essa vergonhosa PEC 12 passe na Câmara. Caso isso não ocorra, os débitos tributários devidos à Prefeitura, governo estadual e União devem receber também o respectivo calote dos contribuintes. Reza a nossa Carta Magna que os direitos são iguais para todos. Assim, se o Estado pode dar calote, nós, cidadãos, também podemos... Aos advogados só resta rasgar os seus diplomas.VALDIR SAYEGvaldirsayeg@uol.com.brSão PauloSobre o editorial de ontem a respeito da PEC 12 (A3), sugiro que ela seja batizada como "Emenda Constitucional Fidel Castro", o qual teve muito mais trabalho que nossos ilustres legisladores para revogar o direito de propriedade em seu país.GASTÃO PAOLILLOgapaolillo@hotmail.comCotiaSagradas famíliasAlém da família do nazareno Jesus, há outras sagradas famílias, entre as quais a do pernambucano Inocêncio. Nome divino. Ambos provaram ser milagrosos: Jesus multiplicou o pão e o vinho e Inocêncio Oliveira multiplicou os poços artesianos nas suas terras e as passagens aéreas para sua sagrada família, como muitos outros milagrosos do Congresso. Espero que, quando morrerem, não ressuscitem. Jamais! MÁRIO ALVES DENTEdente28@gmail.comSão PauloConcordamos com o deputado Inocêncio Oliveira, a "família é sagrada". Porém algumas parecem ser mais "sagradas" do que tantas outras. O conceito dos srs. donos das cadeiras do Parlamento chega a ser tão arraigado que até poços artesianos construídos no Nordeste, com dinheiro público, para socorrer as vítimas das secas, em tempos de antanho, foram desviados para dentro da fazenda desse senhor, para atender à sua "família sagrada". O bom brasileiro, atento aos seus direitos e deveres, tem ótima memória, o que parece faltar aos maus e inescrupulosos políticos filhos de famílias sagradas.LEILA E. LEITÃOItanhaémAprendizagensAssim como nossas prisões especializam os criminosos, as faculdades dos três Poderes, em Brasília, formam Ph.Ds. em corrupção.LEONARDO GIANNINIleogann930@terra.com.brSão PauloAberraçõesUma aberração, de fato, a normatização do uso de passagens (As sagradas famílias, 19/4, A3) pelos parlamentares. Mas vendo o caso desse tal sr. Inocêncio Oliveira, será que o simples uso de "voos mais em conta" daria uma economia tal que pagaria passagens internacionais para tantos lugares e para cinco pessoas? Não dá para acreditar. Esses valores devem ser revistos e, se for o caso, o dinheiro deve ser devolvido aos cofres públicos. As verbas de passagens devem se restringir aos parlamentares e quando necessária a viagem. Mas sem essa de "reservar" para futuras... Não usou no mês, é sinal de que não precisou. Outro mês é outro mês. Quanto ao primeiro quilombo urbano, outra aberração. Seria bom uma movimentação urgente no sentido de impedir este início, pois poderá ser usado futuramente, como bem diz o editorial da mesma edição, para outros quilombolas.WALTER MARCONw.marcon@bol.com.brSão PauloCotas para transplantesVi no Fantástico a luta de uma equipe de transplante para conseguir transporte de coração doado em Araraquara para receptor em São Paulo. A equipe recebe duas negativas redondas: não há transporte público nem a FAB se disponibiliza. Recorre, então, ao setor privado e contrata transporte que será pago pela Secretaria da Saúde de São Paulo. Posso dar uma ideia? E se os srs. deputados cedessem parte da sua cota de passagens aéreas, que, como vimos, costumam sobrar, transformando esses bilhetes em verba para atender a esses casos, em vez de financiar os carnavais a que temos assistido nos últimos dias?SUELI CARAMELLO ULIANOscaramellu@terra.com.brSão PauloComandatuba, urgente!Tive notícia de que o senador Aloizio Mercadante (PT-SP), no tal Fórum de Comandatuba, foi aplaudidíssimo. Teria dito que a situação bem estruturada do Brasil diante da crise é resultado do trabalho do presidente Lula e do ex-presidente FHC. Verdade?FERNANDO LUIZ ALMADAfernando_luiz_7@hotmail.comSão PauloEsclarecimentoComo já dito publicamente, o presidente da Petrobrás, José Sergio Gabrielli, reafirma, mais uma vez: não será candidato ao Senado.CAROLINA ROCHA, Gerência de Imprensa da Comunicação Institucional da Petrobráscarolinarcampos@petrobras.com.brBrasília

, O Estadao de S.Paulo

21 de abril de 2009 | 00h00

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