Cartas

Princípios x interessesEm recente encontro internacional, o presidente Lula recusou sentar-se ao lado do presidente do Sudão, Omar al-Bashir, durante um jantar, em sinal de protesto pelas vítimas causadas pela violência que impera naquele país. Louvável. Na primeira semana de maio, o governo do nosso país deverá receber o (governante?) títere do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, conhecido por sua posição antiocidental (EUA e países europeus), negador sistemático do Holocausto e ferrenho anti-israelense, para tratar da cooperação econômica Brasil-Irã. Deplorável. Os antigos romanos tinham razão: "pecunia non olet" - algo como "o dinheiro não tem cheiro", isto é, negócios acima de tudo, o resto é perfumaria...CLAUDIO SILBERBERGc.silberberg@uol.com.brSão PauloRevoltante a atitude do presidente do Irã. Vai a uma conferência da ONU contra o racismo destilar seu ódio racista contra Israel e criticar o Ocidente, como se governasse democraticamente seu país. Elogiável a atitude dos delegados dos países europeus de abandonar o recinto, em inequívoca demonstração de revolta pela atitude do iraniano. E a delegação do Brasil? Permaneceu impassível para não magoar o orador, que será recebido pelo chefe Lula? Assustadora a política do nosso presidente, sempre se aliando a governantes "democráticos" como Chávez, Castro, Morales e, agora, recebendo Ahmadinejad. Depois daquele pronunciamento, espero que Lula suspenda o convite ao racista e antissemita.FRANCISCO DZIEGIECKI chico.miryam@uol.com.brSão PauloEm que pesem as declarações do presidente do Irã, não entendo como o Estado de Israel possa ser acusado de racista. Afinal, resgatou para seu território milhares de etíopes e refugiados balcânicos. Desnecessário frisar que no seio do povo judeu existem desde negros até loiros de olhos azuis. E mais: há judeus, ultraortodoxos, que não reconhecem o Estado de Israel e outros que simpatizam com a causa palestina.MARIO KRUTMANalexsandro_barreto@hotmail.comSão PauloPrecatórios e eleiçãoO Estadão tem denunciado reiteradamente o espantoso calote perpetrado pelo governo do Estado de São Paulo contra os credores de precatórios, como nos editoriais Avança a PEC do Calote (3/4) e O calote dos precatórios (20/4, A3). É uma verdade inegável que o Estado de São Paulo, pessoa jurídica, se tornou, sim, um Estado caloteiro. Mas é verdade também que o Estado, pessoa jurídica, confunde-se, de fato, com a pessoa física de seu dirigente, único responsável, em primeira e última instância, pelo rumo, decente ou indecente, assumido pela administração. No caso, o governador José Serra (com meu voto, Deus me perdoe). É ele o responsável direto, no âmbito estadual, pelo escândalo dos precatórios, pelo crime de apropriação indébita praticado pelo Estado que governa. É ele, pessoa física, o transgressor da lei e do direito adquirido, reconhecido e assegurado pelo Poder Judiciário a milhares de credores, entre os quais minha mãe, falecida, assim como tantos outros, sem receber o que lhe era devido, depois de anos de expectativa. É claro que o governador sabe muito bem o que está fazendo, quanto mais não seja, porque a imprensa tem sido muito didática a esse respeito. Mas, como se também a ele desse azia a leitura de jornais, permanece indiferente, persistindo cinicamente na violação da lei. A lei? Ora, a lei... A lei pouco lhe importa, menos ainda agora que, tudo indica, nosso desacreditado Congresso se apresta a dar sustentação (legal? Não, patentemente ilegal e inconstitucional) ao assalto contra as vítimas, credores dos precatórios. Enquanto isso, o governador José Serra continua alegremente trabalhando a todo o vapor para se candidatar a presidente! Sem dúvida, pouco se lhe dá a lei, mas será que também é indiferente à boa probabilidade de que milhares de eleitores roubados e indignados possam influenciar a eleição?ALZIRA HELENA TEIXEIRAalzirahelena@terra.com.brSão PauloAposentadorias especiaisTrabalhei (e ainda continuo a trabalhar) e contribuí sobre o teto salarial durante 35 anos e, graças a essa anomalia do "fator previdenciário", recebo aproximadamente R$ 1.400 de aposentadoria ao mês. Lendo o Estadão de 18/4, vejo que um ex-governador (indireto, pois estávamos na ditadura), após 38 dias de "árduo trabalho", recebe uma pensão vitalícia de R$ 22 mil por mês. É, nossa classe política vem desenvolvendo espontaneamente um extraordinário faro para tirar proveito em causa própria. Como em qualquer terra de videntes, privilégio chama-se privilégio. Há um axioma corrente segundo o qual "a política é cega" e o Tesouro Nacional, pelo menos, caolho. Para um país com tantos milhões de necessitados, esses números são estarrecedores. Graças ao trabalho incansável dos meios de comunicação ficamos sabendo dessas teratologias. Esperamos, quem sabe, tentar acreditar (como saci-pererê ou chupa-cabra) que um dia acabem tais privilégios para esses arquiduques da nossa triste burocracia, pois eles, sem dúvida e vergonha, sabem porejar boa vida em qualquer lugar, aqui ou no exterior, e de todas as maneiras, até mesmo as que se arrisquem a parecer ridículas.JOSÉ ERASMO NEGRÃO PEIXOTOjenp@bitweb.com.brTatuíMalha fina ou vista grossa?A Receita Federal poderia revelar, sem citar nomes, quantos deputados e senadores da atual legislatura estão "presos" na famigerada malha fina. Com tantas falcatruas, não é possível que eles estejam em situação regular.CLODOMIR DE JESUS REDONDOclodoredondo@bol.com.brAraçoiaba da SerraQue é isso, companheiro?A profusão de escândalos envolvendo senadores e deputados faz com que a recente sugestão do senador Cristovam Buarque - de plebiscito sobre o fechamento do Congresso - vá deixando de ser uma boutade ou simples metáfora para ir tomando, infelizmente, ares de necessidade real. Ainda mais agora que ficamos sabendo que até Fernando Gabeira, que ainda parece ser um dos poucos de quem nos podemos orgulhar, se vê em meio à farra de passagens para parentes.ALLAN GREGOLIMallangregolim@hotmail.comBrotas Dos 15 deputados que mais usaram o dinheiro do povo para fazer viagens ao exterior, só dois não são aliados daqueles que chegaram ao governo prometendo moralizar o País. Mas acho que é porque eles não são freiras...EUCLIDES ROSSIGNOLIeuros@ig.com.brItatingaA farra das passagens aéreas de deputados federais e senadores, mesmo após as novas regras, não vai terminar. Quem viver verá.OLYMPIO FÉLIX DE A. CINTRA NETTOofacnt@yahoo.com.brSão PauloÀs armas, cidadãos!Ante a avalanche de escândalos e roubalheiras de nossos parlamentares, está mais do que na hora de a cidadania empunhar as armas de defesa da moral pública oferecidas pelas vias constitucionais. A começar, organizando comitês de salvação nacional nas cidades onde os malfeitores têm seu domicílio eleitoral e, em ação popular, impetrar a cobrança judiciária dos valores desviados com a compra abusiva de passagens para familiares, amigos e quejandos, acrescidos de correção, juros e danos morais. Porém, e sobretudo, com o cuidado de exigir que os valores arrecadados sejam enviados diretamente a uma lista de instituições carentes e desamparadas, esquecidas pelos poderes públicos, pois se as quantias forem entregues ao Tesouro e/ou demais autoridades arrecadadoras seu destino serão outros ralos de corrupção já criados e funcionando a pleno vapor, como a nossa corajosa imprensa vem denunciando.EDMUNDO RADWANSKI, embaixador aposentado ed.elo@terra.com.brRio de Janeiro

, O Estadao de S.Paulo

23 de abril de 2009 | 00h00

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