Cartas

OUTRO ENTULHO AUTORITÁRIOEstamos livres da Lei de Imprensa. Agora é a vez de nos libertarmos de outro entulho autoritário, que é a Lei 4.737, de 15/7/1965, sancionada pelo presidente general Castelo Branco, "nos termos do Ato Institucional n.º 1", de 9/4/1964. Por essa lei, até hoje em vigor, por exemplo, Roseana Sarney virou governadora do Maranhão. É que, segundo prevê o artigo 224 do Código Eleitoral, quando o primeiro colocado nas urnas tem seus votos anulados pela Justiça Eleitoral, por caracterização de crime eleitoral, assume o segundo colocado. Para que fosse convocada nova eleição seriam necessários 50% mais um de votos anulados. O que é um absurdo, pois o voto acaba sendo menos importante que uma decisão judicial. E não é o que prevê o artigo 14 da Constituição federal, que diz: "A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos, e nos termos da lei." No município de Tietê (SP), a OAB local lançou um movimento chamado O Grito Cívico de Tietê, que pretende levar ao Congresso Nacional a proposta de que, quando ocorrer anulação dos votos do primeiro colocado, independentemente do porcentual dos votos nulos, deverá ser convocada nova eleição. Com isso o voto passará a ocupar o seu valor constitucional e, com ele, a soberania popular. Como não gostavam de eleições os detentores do poder na época da aprovação da lei ainda em vigor! E parece que os poderosos de hoje não dão atenção a isso.Paulo de Souza Alves Filho pauloalvesfilho@adv.oabsp.org.brpresidente da 134.ª Subseção da OAB-SPTietêLULA E O POVOEntão o presidente Lula acha normal que esposa de deputado viaje para Brasília na cota das passagens aéreas? Quer dizer que agora se junta aos 300 picaretas? O que não se faz para manter o partido no poder! Por isso o povo está com medo das mudanças na Caderneta de Poupança. Não adianta o presidente dizer que o povo o conhece, etc... O Lula que o povo conhecia ficou em 2002.Panayotis Poulis ppoulis@ig.com.brRio de JaneiroAHMADINEJADContrariando nossa tradição diplomática, o País receberá na quarta-feira a visita do presidente do Irã, apesar de suas declarações antissemitas na recente Conferência de Revisão de Durban sobre Discriminação Racial. O que Mahmoud Ahmadinejad diz querer é apoio do Brasil em negociações internacionais. A reunião entre grupos de empresários iranianos e brasileiros é mero fogo de artifício. Não será surpresa se Ahmadinejad novamente criticar Israel e negar o Holocausto. Surpresa é tomar conhecimento de que nosso Executivo apoia para a presidência da Unesco o egípcio Farouk Hosni, que se tornou mundialmente conhecido por defender a queima de livros em hebraico das bibliotecas de seu país. Afinal, onde está a neutralidade tão apregoada por Lula? Quem estaria por trás dessa posição esdrúxula? É a negação da tradição da Casa de Rio Branco.Flávio de Aguiar flavio.daguiar@gmail.comResende - RJA visita do sr. Mahmoud Ahmadinejad é uma grande oportunidade para os brasileiros defensores dos direitos humanos o questionarem. Ou, então, se enfiarem na toca.Benone Augusto de Paiva benonepaiva@yahoo.com.brSão PauloSEM NOÇÃOO governo Lula pretende ajudar o presidente paraguaio, Fernando Lugo - que anda entretido em assumir responsabilidades paternas de seus vários filhos concebidos sob o antigo disfarce de bispo -, antecipando a compra da energia excedente da Hidrelétrica de Itaipu. Em troca, o Paraguai abriria mão de tentar mudar o Tratado de Itaipu para poder cobrar mais por essa mesma energia. Lula, depois que foi jocosamente nomeado "o cara" por Barack Obama, esqueceu-se da gritante miséria que existe em cada esquina e debaixo de cada viaduto deste país. E, como que assumindo a presidência de uma "chique" instituição de caridade internacional, passou a ajudar FMIs e companheiros bolivarianos carentes e malcriados.VICTOR GERMANO PEREIRA victorgermano@uol.com.brSão PauloCOTAS PARA MINORIASEntre 1981 e 1984 cursei a Faculdade de Letras da USP e tive como colega um rapaz cego. Ele assistia às aulas assiduamentee registrava tudo em seu equipamento de Braile. Também trabalhava na Assembleia Legislativa e era ativo em trabalhos comunitários. Essas cenas imediatamente me vieram à mente ao ler a opinião da vereadora Mara Gabrilli e a do professor José Artur Gianotti sobre o tema (1.º/5, A8). Infelizmente, continuamos pensando de forma assistencialista e demagógica quando falamos em cotas, sejam elas para negros ou deficientes. O problema está mais embaixo, e nisso concordo plenamente com o professor Gianotti. Precisamos, sim, mudar o cenário, mas propondo mudanças profundas nos currículos escolares, na formação de professores, na acessibilidade de escolas, postos de saúde e prédios públicos e privados. Mais ainda, sugiro à vereadora Mara Gabrilli que proponha na Câmara um projeto de orientação e conscientização da sociedade em geral e, mais especificamente, dos próprios deficientes e seus familiares, de que proteger não significa esconder e colocar sob uma redoma, mas sim orientar e estimular esses seres humanos a descobrir suas habilidades e competências. Desta forma poderíamos, sim (com um trabalho de formiguinhas, devo reconhecer), obter os mesmos resultados observados na Suécia, acrescidos do amor e solidariedade comuns ao povo brasileiro.Rita Verquine Nikolian verquine@hotmail.comSão Paulo''Pior que a gripe suína é a fome que mata milhares de pessoas por dia, mas esta não interessa aos países ricos"Filipe Luiz Ribeiro Sousa filipelrsousa@yahoo.com.brSão Carlos Lamentável a posição do eminente professor José Artur Gianotti e de outros contrários à mais justa das cotas, a dos deficientes físicos. Ao se colocar contra a política de cotas, na falta de argumentos consistentes, utiliza outros óbvios, ao dizer que deficientes têm necessidades específicas (que novidade...), faz devaneios citando artistas e matemáticos jovens (?!), lança mão de observações genéricas, como a crítica à desmoralização dos Poderes da República. Sem comentários... Seu texto, ao defender a universidade como instituição formadora de uma elite, é claramente discriminatório. Como pai de uma deficiente auditiva, conheço as dificuldades e desvantagens que eles têm com relação a seus pares. Se o renomado professor tiver a oportunidade de conviver com um deficiente, provavelmente repensará a sua posição.Marcelo Gadbem marcelo.gadbem@hotmail.comLavras - MGMais cotas em universidades para minorias. As excelências nada mais têm a fazer senão atrapalhar a vida dos que não pertencem a uma minoria: negros, índios e agora deficientes físicos. Uma infantilidade, para não dizer outra coisa. Meu advogado não tem um braço e só faz ganhar causas, o que prova que é um bom profissional, eficiente, que cursou brilhantemente uma faculdade. Pergunto: ele precisaria de cota para entrar numa universidade? Façam-me o favor! Regina Helena de Paiva Ramos reginahpaiva@uol.com.brSão PauloDo jeito que o Congresso Nacional está criando cotas para os desvalidos, logo, logo, vai ter de criar a cota dos sem-cotas.Roberto Nascimento robenasya@yahoo.com.brSão PauloJUSTIÇA LERDAForam precisos 21 anos para Justiça conseguir que fosse paga a primeira indenização à família de uma das 55 vítimas do naufrágio do Bateau Mouche. Uma loucura a demora. Se ocorresse hoje um desastre desses, a Justiça ainda seria assim tartaruga ou de 1988 para cá foram feitas reformas que a tornaram menos absurda?Euclides Rossignoli euros@ig.com.brItatingaFÓRUM DOS LEITORESENDEREÇOAvenida Eng. Caetano Álvares, 55, 6.º andar, CEP 02598-900FAX:(11) 3856 2920E-MAIL:forum@grupoestado.com.br

, O Estadao de S.Paulo

04 de maio de 2009 | 00h00

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