Cartas

POLÊMICA ANTIFUMOÉ incrível como o Brasil luta contra si mesmo. No ano passado foi a lei seca, desnecessária e absurda; agora, a Lei Anti-fumo do governador José Serra, que não sossega enquanto não for presidente. O noticiário já dá conta do tamanho da encrenca a caminho, inclusive o estímulo à delação. Enquanto isso, a saúde, a segurança, a poluição de rios e a ocupação irregular de áreas de mananciais estão do jeito que todo mundo sabe.Bob Sharp bobsharp@uol.com.br São PauloChama a atenção a severidade da proibição e a repressão estabelecidas, a abranger até a posse de cinzeiros e a fiscalização em condomínios residenciais, como bem ilustraram as matérias no Estadão em 8/5, às página C1 e C3. É de esperar que o cidadão fumante não seja hostilizado, já que as lesões à sua dignidade, à sua privacidade e à sua imagem, direitos constitucionalmente assegurados, podem, em alguns casos, ser mais graves do que a lesão à saúde, que se busca evitar.Paulo Camassa paulocamassa@yahoo.com.brSão PauloMais uma vez o Estado exorbita ao legislar, traçando normas em condomínios residenciais. Um edifício residencial não passa de uma residência múltipla, onde só a seus moradores é dado o direito de decidir sobre assuntos internos. Área comum não significa área pública. Seria bom que algum jurista ou o sindicato do mercado imobiliário (Secovi) se interessassem pelo assunto, pois, se hoje é o cigarro, amanhã pode ser sabe-se lá o quê. Apenas questiono a legalidade da lei nesse aspecto dos condomínios.Roberto Novaes Filho robnova@terra.com.brSão PauloParabéns ao governador José Serra pela coragem. No caso dos donos de bares e restaurantes que questionam a lei na Justiça, acredito que a médio prazo a proibição ao fumo não afetará o movimento nesses estabelecimentos. Em Nova York, legislação semelhante até aumentou a frequência nesses lugares. Espero que a Justiça fique do lado da saúde da população paulista.Fernanda Ribeiro de A. Pereira fernanda@vetec.com.brSão PauloÉ muito bom saber que bares e restaurantes terão horário limitado para fumantes. Nós, não-fumantes, não deveríamos perder nossa madrugada e ainda sofrer as consequências de quem fuma, certo?Giovanna Bacchin giobac10@hotmail.comSão PauloPSIUCausou-nos enorme surpresa a manifestação do coronel Fernando Coscioni, em entrevista ao Estado (caderno Metrópole, 7/5), citando o teatro (sic) Parlapatões como um dos problemas do Programa de Silêncio Urbano (Psiu). Todas as vezes que fomos fiscalizados pelo Psiu comparecemos ao órgão e atendemos às orientações e solicitações feitas para não só atender à lei, como estabelecer uma relação de respeito com nossos vizinhos. O Espaço Parlapatões segue rigorosamente as exigências legais referentes ao programa, inclusive a lei que regulamenta o funcionamento de bares. Infelizmente, talvez o teatro possa ser alvo da insatisfação do coronel reformado, mas suas declarações difamatórias representam uma forte resistência que tem sido promovida por especuladores imobiliários, contrários à revitalização realizada pelos teatros da Praça Franklin Roosevelt.Hugo Possolo parlapatões@uol.com.brEspaço ParlapatõesSão PauloDECIBÉIS EVANGÉLICOSO vereador Carlos Apolinário (DEM) presta um enorme desserviço à cidade ao propor que igrejas possam ter licença especial para intensificar a poluição sonora. Para quem quer exercer seu "santo" direito ao descanso, não importa a origem dos ruídos, se uma serra elétrica ou um potente alto-falante. Euclydes Rocco Jr.São PauloFARRA NO CONGRESSOAté agora não apareceu um deputado ou senador para se explicar, que realmente foi honesto, não usufruiu toda a mamata oferecida. Se alguém por lá não tem rabinho preso, apresente-se à Nação!Mauricio Villela mauricio@dialdata.com.brSão PauloPROEZA QUÍMICANossos políticos e mandatários - em todos os níveis e Poderes - conseguiram uma proeza em matéria de química: com sua atuação vergonhosa e nefasta fizeram o Brasil apodrecer, lenta e moralmente, sem que exalasse o mínimo mau cheiro. Agora, que a população (omissa e letárgica, diga-se) começa tardiamente a perceber o estrago causado por suas excelências, temo que não reste mais nada a fazer. A não ser marcar a missa de sétimo dia. O Brasil morreu e ninguém percebeu.José Maria Botura zezobotura@yahoo.com.brItirapinaPÁTRIA DISTRAÍDATarde fria, chuvosa, ótima para músicas. Acabei de ouvir o "hino" das Diretas Já, a canção Vai Passar, de Chico Buarque: "Dormia a nossa Pátria mãe tão distraída, sem perceber que era subtraída, em tenebrosas transações..." Aliás, por onde anda "seu" Chico Buarque de Hollanda?Marcia Marize de Meirelles marcia.marize@terra.com.brSão PauloREFORMA POLÍTICAO artigo Audácia para mudar, de Gaudêncio Torquato (A2), e a coluna Ao nosso reino, nada, de Dora Kramer (A6), de 10/5, tocam na essência de nossos problemas institucionais: uma reforma política deve fortalecer a representatividade, com ênfase no interesse da Nação, e não dos políticos, e é preciso "audácia" para concretizar a mudança. Uma pergunta: por que presidente, governadores e prefeitos só podem exercer dois mandatos, enquanto vereadores, deputados e senadores podem se perpetuar no cargo? Por que não limitar a dois mandatos esses cargos do Legislativo? O representante que sabe não poder continuar concorrendo indefinidamente se preocupa em deixar uma boa imagem para angariar votos para um cargo mais alto. Seria o fim dos currais de votos em certos distritos eleitorais e de certezas tal como a manifestada pelo deputado Sérgio Moraes quando disse que está se lixando para a opinião pública. Mas como conseguir isso? Temos de levantar o brio do eleitor, organizar panelaços, buzinaços, manifestações claras e eficazes para mostrar ao Congresso que não estamos satisfeitos. Queremos a total e imediata reciclagem no Legislativo.Silvano Corrêa scorrea@uol.com.brSão PauloVotar numa lista fechada, cujas vagas têm preço e barganha, para depois o eleito só responder ao baronato que o aprovou? Isso seria formação de quadrilha! Só a eleição distrital majoritária assegura uma escolha consciente pela proximidade do candidato, que, uma vez eleito, sabe a quem prestar contas sob pena da morte de sua carreira política. Em vez de criticar os atuais representantes mal eleitos, vamos eleger gente melhor nos distritos. Agora é a hora de irmos para as ruas, pois estão discutindo a reforma política e os barões só pensam em aumentar o seu poder.Fernando Penteado Cardoso agrolida@uol.com.brSão PauloUma pergunta aos congressistas: Suas Excelências pretendem fazer das Casas uma Corte como a da realeza francesa ou um Politburo de Stalin?"Luigi Vercesi luver44@terra.com.brBotucatu No Brasil existe um paradoxo eleitoral com o voto obrigatório: o Estado reconhece que o povo não sabe votar, mas exige que vote para aprender. Esse paradoxo gera um Estado de baixa qualidade, pela baixa qualidade do voto admitida, mas exigida. A degradação da política, em vez de ensinar, aumenta o desinteresse do eleitor. Esse círculo vicioso só se romperá melhorando a qualidade do voto.Gilberto Dib gilberto@dib.com.brSão Paulo

, O Estadao de S.Paulo

11 de maio de 2009 | 00h00

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