Cartas

PrecatóriosO filósofo Denis Lerrer Rosenfield mostrou uma lucidez digna de professor (que é) no artigo O mundo invertido (11/5, A2). Em poucas palavras mostrou como é distorcida a ideia da PEC 12. Os valores justiça, tripartição dos Poderes, dignidade da pessoa humana nada valem para os que exercem cargo público por mandato. A sociedade precisa saber que não é só o detentor do precatório que vai ser prejudicado com a famigerada PEC do Calote, já aprovada pelo Senado e em tramitação na Câmara dos Deputados. Uma vez alterada a Constituição pela PEC, todos os que vivem no País poderão ser prejudicados, pois o governante saberá que existe um limite para suas condenações judiciais, mas não para seus atos lesivos. Mesmo se processado, saberá que não pagará um tostão além do limite fixado pela PEC. Numa sociedade em que o Executivo eo Legislativo não têm mais compromisso algum com suas razões de ser e com os cidadãos, resta a esperança apenas na imprensa, para alertar a população sobre o golpe que lhe será aplicado. Registro elogio ao Estado por cumprir o seu papel na sociedade, um dos pouquíssimos veículos de comunicação que vêm tratando do assunto de forma livre e descomprometida com o governo caloteiro.REYNALDO SANGIOVANNI COLLESIreynaldocollesi@hotmail.comSão PauloEm brilhante artigo, o professor Denis Rosenfield expôs a despudorada atuação do Senado na aprovação da PEC 12. Estão de parabéns o professor e o Estadão, pela cobertura que vem fazendo sobre este que é o maior problema das contas públicas, em total desprezo ao Judiciário e ao cidadão.MARCELO GATTI REIS LOBO, advogado da Associação dos Aposentados e Pensionistas do Iprem, membro da Comissão dos Precatórios da OAB-SP www.marcelolobo.com.brSão PauloAssociados os artigos de Alexandre Barros e Denis Rosenfield, confirma-se a tese de minha esposa: vivemos nova forma de escravidão. Ou não está tudo invertido nesses pagos verdes, como mostram os incessantes privilégios?FREDERICO RICARDO HRDLICKAfrh@techmaster.ind.brCotiaReforma polêmicaOs nossos políticos são de uma imaginação incrível! Votar em lista fechada é como dar cheque em branco. Espero que isso seja somente mais uma brincadeira de mau gosto, pois discutir o voto distrital ninguém quer. É mais fácil controlar o povo com voto de cabresto.VALDEMIR SOPRANIsoprane@terra.com.brSão PauloO editorial Reforma eleitoral polêmica (11/5, A3) registra: "Nas democracias que seguem o critério da proporcionalidade, 14 adotam as listas fechadas e 8, as flexíveis." Em respeito à credibilidade incontestável desse mais que centenário órgão de imprensa, permito-me esclarecer que, segundo registra o jovem cientista político Cristian Klein em sua obra O Desafio da Reforma Política - Consequências dos Sistemas Eleitorais de Listas Aberta e Fechada, "das 33 maiores democracias (segundo critério de Leduc et alii) que adotam o sistema proporcional de listas, 19 (58%) utilizam a lista fechada e 14 (42%) permitem o voto preferencial (listas aberta, flexível ou livre)" - desses 42%, "17% são listas livres, 9% listas abertas e 6% listas flexíveis". Ao tratar do tema de listas abertas, em que o eleitor pode acrescentar ou eliminar candidatos, e flexíveis, em que se permite ao eleitor alterar a ordem de preferência das listas, é preciso considerar que sua aplicação no Brasil implicaria mudar integralmente a configuração das urnas eletrônicas, com o notório inconveniente de que dificultaria enormemente a escolha do eleitor, com resultados imprevisíveis para o tempo de permanência do eleitor na cabine de votação.PAES LANDIM, deputado federal (PTB-PI)dep.paeslandim@camara.gov.brBrasíliaN. da R. - O jornal utilizou-se de fonte diferente da usada pelo deputado. Qualquer dos dois números confirma a afirmação feita pelo editorial. Tratado de Itaipu Sobre a carta De mãos vazias (10/5), que se refere à incompetência dos negociadores do Paraguai do passado, gostaria de lembrar que a discussão do acordo teve em Enzo Debernardi um negociador duro e implacável. O in-teressado na usina era o Brasil. O Paraguai não tinha necessidade nem recursos para investir. Disso se valeu Debernardi, que impôs condições a que o Brasil, por interesse na viabilização do empreendimento, teve de se submeter.MARIO HELVIO MIOTTOmhmiotto@ig.com.brPiracicaba PioneirismoFeliz a reportagem sobre Zuleika Sucupira Kenworthy (10/5, C10), pioneira na área do Direito e em estimular outras mulheres que rompiam barreiras. Nunca esquecerei o meu espanto, temor e estímulo quando recebi o seu convite para que fizesse uma conferência no Instituto Latino-Americano de Criminologia! Viviam-se os anos 60/70 e no Departamento de Sociologia da USP, onde eu começava a trabalhar, alguns desqualificavam o meu interesse em estudar a questão da mulher. O apoio vindo de fora fortaleceu aquele novo caminho que comecei a trilhar. Meu enorme reconhecimento à dra. Zuleika.EVA ALTERMAN BLAY, professora titular de Sociologia, fundadora do Núcleo de Estudos da Mulher e Relações Sociais de Gênero da Universidade de São Pauloeblay@usp.brSão PauloTransgênicosCom relação ao artigo Os transgênicos voltam à pauta, de Washington Novaes (8/5, A2), a Monsanto esclarece: sobre trabalhos alegando que no Planalto Norte de Santa Catarina o milho não-modificado se mostrou mais lucrativo na última safra que o transgênico, o fato é que o milho geneticamente modificado não atingiu a produtividade esperada em razão da estiagem que castigou o Estado justamente no período de florescimento e preenchimento do grão. Mesmo assim, produtores de Campos Novos, uma das regiões mais afetadas pela seca, afirmaram que o prejuízo seria ainda maior se não fosse a adoção de híbridos transgênicos, que apresentaram ganho de 18% de produtividade em relação ao convencional. Sobre incertezas da biotecnologia na agricultura familiar, ressaltamos que, justamente por facilitar o manejo, essa tecnologia tem potencial para beneficiar todos os agricultores, até os de menor porte. O uso de sementes geneticamente modificadas traz inúmeros benefícios a pequenos cotonicultores de países em desenvolvimento, aumentando a produtividade em até 60%, reduzindo os custos com inseticidas e, consequentemente, gerando mais lucros. Na Índia e na China 90% dos produtores de algodão, todos com recursos limitados e pequenas propriedades, utilizaram a tecnologia de resistência a insetos-pragas. No norte de Minas Gerais um projeto idealizado pela Associação Mineira dos Produtores de Algodão passou a mudar a realidade de comunidades de pequenos cotonicultores que ainda se lembram da época do "ouro branco": a introdução do algodão Bollgard®, resistente a insetos-pragas, em pequenas propriedades, cujos excelentes resultados de colheita e redução de uso de inseticidas incentivaram ainda mais a adoção dessa tecnologia. Assim, os pequenos cotonicultores brasileiros estão descobrindo o que agricultores em outras partes do mundo já descobriram: as vantagens que o algodão resistente a pragas traz para a atividade, como recuperação da agricultura familiar, permanência na atividade e vantagem produtiva, mesmo em condições climáticas adversas. A produtividade da região varia, mas a média costumava ficar entre 30 e 40 arrobas/ha. Com o algodão transgênico, a produção aumentou para mais de 150 arrobas/ha. A Monsanto orgulha-se de ser líder em biotecnologia agrícola e acredita profundamente nos benefícios desta tecnologia, que tem potencial para ajudar a aumentar a produção de alimentos, com menos recursos naturais, e ainda melhorar a vida de agricultores em todo o mundo.RODRIGO ALMEIDA, diretor de Assuntos Corporativos da Monsanto do BrasilSão Paulo

, O Estadao de S.Paulo

12 de maio de 2009 | 00h00

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