Cartas

13 DE MAIOEnquanto o cidadão comum vê, indignado e inerte, que o fruto de mais de quatro meses de seu trabalho se destina ao recolhimento da sortida gama de impostos criados pela voracidade oficial, uma fração de outros brasileiros se deleita com seu nababesco padrão de vida, muitas vezes pontilhado de episódios como escândalos, mordomias e privilégios suportados com o dinheiro público. Uma sociedade como a nossa não se assemelha às que existiam nos tempos medievais, com vassalos desfavorecidos e massacrados, de um lado, e a corte e seus senhores feudais, de outro? Será que foi realmente abolida a escravatura ou apenas mudou de formato?Helio Ferrari São PauloREFORMA POLÍTICADifícil entender o porquê de tanta grita por causa das listas para o Legislativo. É verdade que seria melhor a lista mista, mas por que tão grande ira quanto à lista fechada? Que se vote no partido; se a lista for péssima, não se vote nessa legenda. É simples.(E o voto facultativo viria, aliás, em boa hora.) A meu ver, porém, o mais importante da atual proposta de reforma política toca à questão do financiamento público. Aparentemente, muitos são, por princípio, contra tal preceito. Mas será essa a questão? Creio que o problema não seja financiar, mas o que financiar. Por que não pensar uma eleição mais europeia que americana? Em vez da parafernália da publicidade, que se criem limites. Por exemplo, uma vez por ano cada partido poderia enviar apenas um malote postal para cada residência (que trate de seu programa, dos candidatos, do que se quiser); em lugares estratégicos, nas cidades, o poder público montaria painéis dos partidos e dos candidatos; as grandes doações seriam proibidas; qualquer manifestação que não tenha sido publicamente financiada seria também proibida; etc. Os custos seriam mínimos, as cidades ficariam limpas e teríamos a grande vantagem de, na medida em que é possível, separar política e publicidade.Homero Santiago homero@usp.brprofessor de Filosofia da USPSão PauloEm relação ao editorial Reforma eleitoral polêmica (11/5, A3), gostaria de fazer duas observações. 1) O voto em lista fechada não vai resolver o principal problema do nosso sistema de representação parlamentar: a distância entre representantes e representados - o que apenas pode ser corrigido por alguma forma de sistema distrital, que dê aos eleitores controle sobre as ações dos seus representantes. 2) O financiamento público, único e exclusivo de campanha não dará fim ao caixa 2. Com ele, mais um grupo - o dos partidos políticos - vai entrar no rol dos muitos que já vivem dos recursos do Estado.Arnaldo Madeira dep.arnaldomadeira@uol.com.brdeputado federal (PSDB-SP)São PauloSuas Excelências do Congresso querem uma sugestão para a elaboração de um projeto de reforma eleitoral no Brasil? Artigo 1.º - Fica instituído a partir de 1.º/1/2010 o voto facultativo em todos os pleitos eleitorais brasileiros. Justificativa: só assim eliminaremos de vez as "raposas" das tetas deste tão sólido país democrático, com uma população carente e sofrida.Antonio Rochael Jr. rochaelantonio@ig.com.brIguapeCONCORDO E DISCORDOMaravilhoso o editorial O atestado de culpa do PT (12/5, A3). Apenas discordo quando diz que os deputados federais foram "subornados". Subornados? Claro que eles sabiam que o que faziam era ilícito, imoral, indecente, inominável. Mas, como todos estão se "lixando" para a opinião pública, tudo é bem-vindo. As eleições estão aí, aguardem-nos.Celia H. G. Rodrigues celitar@hotmail.comAvaréCARA DE PAUÉ inacreditável a cara de pau de nossos "representantes" em suas declarações. Em entrevista ao jornalista Daniel Piza, na Rádio Eldorado, o deputado Ibsen Pinheiro (PMDB-RS) disse que a melhor representação da sociedade não é o microfone de rádio, mas o Congresso Nacional (12/5, A8). Ora, tanto não nos representa que os eleitores não perguntam mais o que está tramitando no Congresso. A questão agora é: o que será que estão tramando contra nós no Congresso? Quanto ao ministro Gilson Dipp (STJ), justificando as ausências em plenário (A11), por favor, ministro, não dê esse mau exemplo a meus filhos, que não costumam matar aula.Irene Maria Dell?Avanzi ruiarts@uol.com.brItapetiningaSão uma vergonha esses políticos, não vale a pena acreditar no que falam. Onde está o respeito ao povo? O bate-boca de Ibsen Pinheiro com Daniel Piza demonstra o total desequilíbrio dos congressistas. Diante do que se passa no Congresso Nacional, prefiro que a representação da sociedade seja feita por rádios, televisões, jornais e revistas. Acredito que um dia isso possa mudar e nós passemos a acreditar nos congressistas. Mas dizer que o Congresso tem os defeitos do povo brasileiro é demais! O povo brasileiro é bem melhor que o atual Congresso. Gostaria que o sr. Ibsen fizesse uma pesquisa para saber o que é desvio de conduta e visitasse um convento. Esse deputado é mais um que entra na minha lista de políticos eliminados para a próxima eleição. Faça o mesmo!José Basílio S. Filho basilio.santos@globo.comVargem Grande PaulistaESPECIALISTADepois das declarações do ilustre "economista" Lula sobre a crise econômica mundial, agora é a vez de o "médico" Lula minimizar a gravidade da gripe A. Se ele acertar como anteriormente, estaremos todos mortos.Mauro Ribeiro Gamero mrgamero@ajato.com.brSão PauloO PAPA NA TERRA SANTAÉ uma pena que, com seu discurso radical e intolerante, o alto clérigo muçulmano tenha feito o papa Bento XVI retirar-se de um encontro que era para ser um diálogo inter-religioso destinado a promover conciliação e tolerância entre as religiões.Artur Holender tuco18@gmail.comSão Paulo ''Presidente Lula, seria a gripe suína também uma marolinha?"Camila Pintarelli camilapintarelli@hotmail.comLimeiraCOLÔNIA BELGA A respeito da matéria Bélgica planejava colônia no Brasil (10/5), devo observar, por motivo de direitos autorais, que pesquisei esse tema há 30 anos, tanto nos arquivos do Itamaraty e de Mato Grosso como nos arquivos e nas bibliotecas belgas, e publiquei meus resultados num livro em francês, editado pela Universidade de Louvain-la-Neuve. Por essa razão fui chamado pela Universidade de Campinas para ser membro da banca de doutoramento do professor Domingos Sávio. Reconheço o aporte novo de suas pesquisas sobre o uruguaio Jaime Cibils. Entretanto, esse plano não era do governo belga, mas de um grupo do entorno do rei Leopoldo II, por aquela época "soberano do Estado livre do Congo". Seu apetite se estendia até mesmo a largas áreas da Amazônia. Esse aventureirismo não vingou graças à vigilância dos diplomatas brasileiros da escola de Rio Branco, como também a um imperialismo mais realista dos grupos econômicos belgas mais poderosos, naquela época envolvidos em interesses mais imediatos, como a exploração do gás e da indústria têxtil do Rio de Janeiro, dos minérios de Minas Gerais ou das estradas de ferro do Rio Grande do Sul. Além disso, esses homens de negócios tinham outros pratos apetitosos na frente, com investimentos na Rússia, na China, na Argentina... (Os Brics da época.) A aventura em Mato Grosso precisa ser colocada num contexto mais amplo, o que exige alguma familiaridade com os arquivos belgas e a vasta literatura em língua francesa. Pretendo traduzir minha publicação para o português e atualizála, com pleno direito à originalidade de minhas pesquisas.Eddy Stols eddy.stols@arts.kuleuven.beprofessor emérito da Universidade de Louvain (KUleuven) Herent, BélgicaFÓRUM DOS LEITORESENDEREÇOAvenida Eng. Caetano Álvares, 55, 6.º andar, CEP 02598-900FAX:(11) 3856 2920E-MAIL:forum@grupoestado.com.br

, O Estadao de S.Paulo

13 de maio de 2009 | 00h00

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.