Cartas

Poupança tributadaOuvindo o ministro Mantega em coletiva dizer que em 2010 a poupança "praticamente não vai mudar" e só acima de R$ 50 mil será tributada, vale perguntar por que os bancos não reduzem suas comissões administrativas. Assim, quem já possui hoje valor superior será qualificado como grande aplicador. Por trás de tudo isso está o fato de o governo gastar demais e ter de financiar sua dívida com emissão de títulos.PAULO NATALE PENATTIpaulopenatti@uol.com.brPiedadeNão bastassem os famigerados planos econômicos, de incríveis perdas, agora o governo quer faturar sobre os poupadores, cujos recursos não são relevantes. Caberia, sim, privilegiar a poupança interna e cortar volatilidade das bolsas e de especuladores, tributando-os com rigor.CARLOS HENRIQUE ABRÃOabraoc@uol.com.brSão PauloA hipocrisia e a falta de ética imperam no Palácio do Planalto. Lula e o governo petista têm plena consciência da fragilidade da memória do povo. Por isso, para proteger sua candidata Dilma postergou a incidência do Imposto de Renda sobre a poupança para 2010, após as eleições. Lula só não quer mexer agora na remuneração da caderneta por temer prejuízo político em ano eleitoral.PEDRO MASCAGNI FILHOp.mascagni@uol.com.brSão PauloCotas Pela matéria Acesso por mérito a universidade federal pode ter só 40% das vagas (13/5, A12) percebe-se um equívoco quando o debate sobre cotas nas universidades é posto em oposição ao mérito. Pelo sistema de cotas não há aprovação automática dos candidatos. Como os não cotistas, eles concorrerão com outros em situação socioeconômico-educacional semelhante. Só serão classificados os que apresentarem melhor desempenho e aprovados os que tiverem maior mérito. As cotas são apenas parte de um projeto maior de inclusão social que procura fazer valer direitos constitucionais até então distantes da maioria dos brasileiros. Dizer que o sistema promove ódio racial ou privilégios é outro equívoco. Por esse raciocínio, os jovens de famílias abastadas, a maioria que frequenta universidades públicas, é que têm o privilégio. O jovem negro e pobre, que não tem acesso a ensino de qualidade e não consegue um emprego que lhe garanta a melhoria das condições de vida, é que se sente odiado e excluído, por sua etnia. Infelizmente, a discussão geralmente não é tratada em seus pontos fundamentais.EDSON FURLANfurlan.edson@yahoo.com.brSão PauloA Carta de 88, no artigo 3.º, sintetiza o pacto nacional de combate às desigualdades sociais e regionais. Logo, fixar cotas discriminantes para ingresso em escolas técnicas e universidades federais, ou para qualquer outro setor, é estimular a manutenção das diferenças, jamais reduzi-las ou eliminá-las. Admita-se exceção por razões somáticas, alheias à vontade humana, como já existente. Mas de modo geral, não. Do contrário, não tardarão pleitos por cotas em concursos públicos, concorrências, li-citações, sob alegação de resgate de dívida social histórica. Será o inverso do novo pacto. Pugne-se, sim, pela igualdade através do único caminho, secularmente invocado e evocado, razoável e factível: a educação do povo, com qualidade e incentivo professoral, que lhe propicie acesso igualitário e independente a todas as vias.MARDEN BRAGAmardenbraga@bol.com.brSão PauloCotas ou não cotas? Oportunidades de educação de base iguais para todos, eis a questão!MYRIAN MACEDOmyrian.macedo@uol.com.brSão PauloAs cotas sociais para ingresso em universidade de quem estudou em escola pública são uma confissão das autoridades de que o ensino público está falido.TOSHIO ICIZUCAtoshioicizuca@terra.com.brPiracicabaVisita do papaSe não era hora nem local para o clérigo muçulmano defender os direitos do povo palestino, tampouco a ocasião deveria ser usada para os judeus acusarem os papas Pio XII e Bento XVI de nazistas.WILSON HADDADwilson.haddad@uol.com.brSão PauloTransgênicosFiquei revoltada com a resposta da Monsanto (12/5) ao artigo de Washington Novaes, que tenta abrir os olhos dos brasileiros. "A Monsanto orgulha-se de ser líder em biotecnologia agrícola", diz a carta. Sim, e de querer ser dona de sementes da "natureza"! Diz também: "... e ainda melhorar a vida de agricultores em todo o mundo" - e obrigá-los a pagar royalties. Papo furado da Mosanto, que alega que suas sementes evitam o uso de agrotóxico.E o glifosato (perigoso) é o quê? MICHELLE SCHOTTmschott@sti.com.brSantana de ParnaíbaAinda sobre o artigo Os transgênicos voltam à pauta (8/5), de Washington Novaes, gostaria de esclarecer algumas informações. A França não aprovou nenhum rótulo com os dizeres "alimentado sem transgênicos" para produtos animais. Há uma discussão em curso e é improvável uma decisão antes do final de 2009. O estudo citado, que teria sido desenvolvido na Universidade de Buenos Aires, é de autoria do pesquisador Andrés Carrasco e até hoje não foi referendado por nenhuma publicação científica. Sobre ele o ministro da Ciência e Tecnologia da Argentina, Lino Barañao, declarou em rede nacional que os resultados encontrados pelo pesquisador jamais foram julgados por peritos e não passam de sua opinião particular. Quanto a possíveis incertezas da biotecnologia para a agricultura familiar, números do Serviço Internacional de Aquisição de Aplicações em Agrobiotecnologia mostraram que 12,3 milhões de pequenos agricultores em todo o mundo plantaram transgênicos em 2008 e reconheceram seus benefícios, como aumento de renda - gerado pela redução nos custos de manejo da cultura. No Brasil esse benefício alavancou a produção dos pequenos produtores de algodão de Catuti (MG), onde o agricultor percebeu um aumento de 40% na produtividade da lavoura. Segundo a consultoria em agronegócios Céleres, a área plantada com algodão geneticamente modificado (GM) em Catuti pode atingir 11,8 mil hectares na safra 2008-2009, 47% da área total da cultura no Estado. Minha declaração durante a palestra na Esalq foi posta no artigo de maneira equivocada. Na ocasião, respondia à pergunta de um estudante e explicava que a demora do Ibama em aprovar pesquisas de campo de produtos GM da Embrapa, como feijão e batata, atrasou a liberação dessas variedades destinadas à agricultura familiar. Ressaltei ainda que analisar possíveis impactos ambientais gerados pelo plantio de sementes transgênicas é uma das exigências feitas pela CTNBio ao avaliar a segurança dos eventos genéticos. Por fim, nunca ocorreu redução da exigência de distância entre as plantações de milho GM e convencional. A definição de 400 metros sempre teve aplicação para os experimentos de campo de variedades transgênicas do grão, ainda não liberadas para plantio comercial. Para as lavouras transgênicas comercialmente aprovadas a CTNBio definiu na Resolução Normativa 4 a distância mínima de 100 ou 20 metros, desde que acompanhada de uma faixa de 10 fileiras de milho convencional de porte e ciclo semelhante à variedade GM. Estudos realizados em diversos países comprovam a rigidez dessas normativas estabelecidas pela CTNBio. Estudo conduzido pelo pesquisador Joaquim Messeguer, do Departamento de Genética Vegetal do consórcio CSIC-Irta (www.irta.es), da Espanha, apontou que a distância de 20 metros é suficiente para garantir a coexistência de quaisquer variedades.ALDA LERAYER, diretora executiva do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB)mel.mansur@edelman.comSão Paulo

, O Estadao de S.Paulo

14 de maio de 2009 | 00h00

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