CARTAS

Bastidores da bombaOs testes nucleares da Coreia do Norte, os de mísseis no Mar do Japão e o anterior, de longo alcance, aparentemente com sucesso, deixam no ar uma pergunta: que potência está financiando e transferindo tecnologia para os norte-coreanos? Rússia, China? Ambos os países têm motivos óbvios para armar um regime como esse, com o objetivo claro de provocar impasse na política externa norte-americana. A Rússia já tem um braço na América do Sul, Hugo Chávez, ditador falastrão, sem bomba, mas com petróleo. O outro, quieto e brincando de fim de mundo. A antiga guerra fria está esquentando novamente.LUIZ RESS ERDEIgzero@zipmail.com.brOsasco Itamaraty à derivaSempre achei que a duplicidade de comando fosse o principal agente provocador da incompetência demonstrada pelo Itamaraty nos últimos tempos. O episódio da indicação da ministra Ellen Gracie para a OMC, entretanto, como destaca o editorial Nova derrota diplomática (27/5, A3), revela não apenas dois, mas uma multiplicidade de comandos e de interesses em jogo. Nosso Itamaraty, que tanto nos orgulhava por seu profissionalismo, lamentavelmente, está à deriva e sem nenhuma autoridade funcional. O governo petista tomou conta do pedaço e agiu com a OMC como costuma fazer com nossas ditas "estatais" (comandadas pelos interesses dos governos, e não do Estado). Valores técnicos, éticos e morais não passam de perfumaria para esses estrategistas políticos de meia-tigela. Pena que também a oposição não tenha um projeto específico para preservar as nossas instituições.NILSON OTÁVIO DE OLIVEIRAnoo@uol.com.brSão Paulo O Barão do Rio Branco deve estar dando boas gargalhadas ao observar as parlapatices da direção do Itamaraty, juntamente com o ilustrado Lula da Silva. O duro é que a doença ideológica desses chamados diplomatas de plantão acaba prejudicando a imagem do antigo profissionalismo da Casa, como podemos resumir: a tolerância com o infringir constante, pela Argentina, das regras comerciais que regem o Mercosul, sempre em detrimento dos interesses brasileiros; a leniência absurda com os desmandos dos vizinhos bolivarianos contra as empresas brasileiras; a falta de posição firme perante o Paraguai em defesa dos direitos elementares do Brasil estabelecidos no Tratado de Itaipu; a disposição reiterada de fazer negócios e estabelecer sociedade forçada da Petrobrás com a estatal desmantelada dirigida pelo novo tiranete criptocomunista da Venezuela; a tentativa grotesca de bajular os árabes, indicando um burocrata antissemita do regime ditatorial egípcio, partidário da queima de livros, e não apoiando o candidato brasileiro, vice-diretor da Unesco e elogiadíssimo pelo mundo pensante por seu passado profissional; a falha ridícula em promover a candidatura de uma juíza do STF ao comitê de juízes da OMC, que foi desclassificada por não apresentar as qualificações necessárias ao cargo; a decisão de abrir Embaixada na Coreia do Norte, obrigando o infeliz embaixador a retornar antes de tomar posse por causa dos testes nucleares desse país, que está em regime de isolamento mundial devido ao seu comportamento perigoso com relação aos vizinhos. A ideologia esquerdista prevalecente no Itamaraty, herança mal assimilada dos tempos da guerra fria, acaba prejudicando enormemente os interesses políticos e econômicos da Nação brasileira. Podemos propor aos nossos congressistas a abertura de uma CPI do Itamaraty. Por que não?TOMÁS C. DE ARRUDAtomasarruda@terra.com.brSão PauloSerá que a rejeição de nossa juíza Ellen Gracie para a OMC não é consequência da incondicional proteção a terroristas assassinos pelo nosso genial ministro? O mundo não é o Brasil, as coisas não passam "na boa". Aprontou, tem troco!RICARDO GUERRINIirgguerrini@uol.com.brSão PauloMaracutaia à vistaA CPI da Petrobrás torna-se muito mais sensível e crucial em face do que o "cara" falou na reunião fechada com Chávez, mas acompanhada pela imprensa: "Se eu conseguir eleger a Dilma, vou ser o presidente da Petrobrás." Não parece um recado (para depois de deixar o governo) de blindagem futura da Petrobrás pelas maracutaias já existentes? Vamos esperar para ver ou o quê?LUIZ CARLOS CUNHAluiz.cunha@terra.com.brSão PauloChávez tupiniquimQual a semelhança entre a Venezuela e o Brasil? Será que o empenho do presidente Lula em paralisar a CPI da Petrobrás é para esconder o que todos sabem, ou "seje", que a Petrobrás é usada para fazer política do governo?ROBERTO ARANHArcao@globo.comSão PauloFarsaO impecável artigo Tragédia de 2006 vai virar farsa em 2010, de José Nêumanne (27/5, A2), retrata a farsa da política brasileira. A Petrobrás deve ser privatizada sem delongas e apenas a parte de prospecção, que tem valor estratégico, devia ficar nas mãos do Estado, mas sob a direção de técnicos, sem influência da politicalha.CLAUDIO MARIN RODRIGUES, professor de Ciências Políticascmarin@terra.com.brRio de JaneiroFicha limpaA CPI foi instaurada. Lula e alguns "expoentes" da política se reuniram, conversaram e a maioria (base do governo) escolheu, coordenada por Renan (que não deveria estar mais no Senado), os integrantes, inclusive presidente e relator. Pelos nomes que li no Estadão (27/5), quantos deles têm ficha limpa para apurar os desmandos e maracutaias que ocorreram e ocorrem na Petrobrás?CARLOS E. DE BARROS RODRIGUEScarlosedleiloes@terra.com.brSão PauloRecrutamentoAs Farc estão recrutando abertamente, via anúncios em murais, estudantes universitários brasileiros numa universidade pública de Santa Catarina. E ninguém faz nada? "Otoridades", deixem o "turquinho" da Al-Qaeda pra lá... O buraco é mais embaixo, digo, aqui ao lado!PAULO BOCCATOpofboccato@yahoo.com.brSão CarlosC&T no BrasilO artigo Desafios da ciência e da tecnologia no Brasil, do professor Marco Antonio Raupp, presidente da SBPC (26/5, A2), ressalta o progresso brasileiro nos últimos anos quanto à geração quantitativa do conhecimento. Entretanto, quando se busca responder para que serve a ciência produzida no Brasil, somos forçados a utilizar padrões internacionais de qualidade para a avaliação do nosso desempenho. Tomando por base a produção acadêmica de ciência, verificamos, por exemplo, que segundo a base de dados Scopus (Holanda), no período de 2003 a 2007, em relação à média de citações dos trabalhos produzidos por 1.290 universidades em todo o mundo, as universidades brasileiras estão abaixo da média mundial. A USP, por exemplo, ocupa a 877.ª posição; a Unicamp, a 914.ª; a Unifesp, a 996.ª - todas elas abaixo das universidades do Rio Grande do Sul, as nossas melhores, segundo esse ranking. Quanto à ciência instrumental (tecnociência), estamos entre as nações mais atrasadas do mundo na produção de patentes. Para mim, esse é um sério sintoma de que alguma coisa está muito errada. Dado o caráter universal do conhecimento científico e sua aplicação, não deveríamos instituir, entre outras medidas, avaliações internacionais periódicas dos programas de investimentos de nossas agências de fomento e informara sociedade sobre os resultados?ANTONIO C. M. CAMARGO, professor titular da USP, membro do Comsaude-Fiespacmcamargo@butantan.gov.brSão Paulo

, O Estadao de S.Paulo

28 de maio de 2009 | 00h00

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.