Cartas

Greve na USPApesar de respeitá-lo, não posso concordar com a afirmação do professor Antonio Candido de que a presença da polícia no câmpus da USP "é a violação do direito sagrado de uma pessoa opinar". Essa violação começou quando minorias radicais de manifestantes usaram a força para impedir professores, funcionários e alunos de desenvolverem suas atividades acadêmicas. A aula que Antonio Candido e Marilena Chauí deram não foi impedida por ninguém, mas colegas meus têm sido impedidos de ensinar. A polícia precisa sempre ser monitorada por governos democráticos para não cometer abusos, mas na democracia é inegável que, quando se usa a violência contra direitos de terceiros, ela é o meio legítimo para se restabelecer o primado da lei. A USP precisa de reformas, mas isso precisa ser feito com respeito à lei.JOSÉ ÁLVARO MOISÉS, professor do Departamento de Ciência Política da FFLCH jamoises@gmail.comSão PauloNão é de estranhar que a professora Marilena Chauí apoie a greve na USP para "defender a universidade e a democracia". Para os petistas, democracia é o que existe em Cuba desde 1959. Quanto à opinião do professor Antonio Candido de que a presença da PM no câmpus "é a violação do direito sagrado de uma pessoa opinar", é de perguntar: o festejado crítico literário sabe o que é um piquete?EUCLIDES ROSSIGNOLIeuros@ig.com.brItatingaSolidariedadeLulla defende Ribamar, a quem já chamou de ladrão. Presidência e Senado a comprovarem que a União faz a farsa. Ô raça!GILBERTO MARTINS COSTA FILHOpindorama@estadao.com.brSantosNovo conceito de igualdade republicana: Sarney não pode ser tratado como uma pessoa comum (sic Lula)!FILIPPO PARDINIfilippo@pardini.netSão PauloA mídia, sempre a mídia Em seu discurso na terça-feira, o senador Sarney culpou, entre outros, "setores radicais da mídia" pela crise por que passa o Senado. Ainda bem que temos a mídia que escancara para o povo brasileiro toda a sujeira escondida secretamente debaixo dos tapetes daquela Casa. Parabéns ao Estadão por mais essa denúncia.WALDETE CESTARIcestari.jau@uol.com.brJaúO que mais me surpreendeu na fala do senador José Sarney foi o seu extremo cuidado em se autojustificar apelando para a crise mundial como crise da democracia, apenas. Em nenhum momento ele usou o termo "ética", cuja falta, sabemos, é a mola principal dos desmandos e desgovernos atuais. Elogiou até o Legislativo francês, que, pelo visto, tem e mantém todas as falcatruas do nosso "preclaro Senado". Nada de mea-culpa ou equívoco. Deixou atrás de si o ranço da hipocrisia e da obsessão pelo poder. Que fim melancólico para um estadista já longevo.RUTH DE S. L. E. HELLMEISTERrutellme@terra.com.brSão PauloDe fato o problema não é de Sarney, não é do Senado. O problema é do Brasil, do povo brasileiro, que assiste à desmoralização de todas as suas instituições.LUIZ FELIPE DE BARROS ROSAlfelipebarros@hotmail.comSão PauloO imortalQue todo mês tivesse quase R$ 4 mil no contracheque e nem se desse conta, vá lá. Que o neto tenha sido nomeado secretamente, ninguém é perfeito, acontece. Que a sobrinha trabalhe lá em Campo Grande sem sair de Brasília é compreensível. Mas o que me tira o sono é saber que, além de tudo, ele é imortal. Socorro!MARCO ANTONIO MANZImarcomanzi@terra.com.brSão PauloO acadêmico José Sarney desonrou o fardão da Academia Brasileira de Letras.ANTONIO BRANDILEONEabrandileone@uol.com.brAssisInação destruirá EmbrapaPesquisa agropecuária, seus problemas e processos internos, em geral, só são de interesse da mídia ou do cidadão quando piquetes de greve viram manchete e jogam na triste vala comum uma instituição como a Embrapa. Os produtos da pesquisa, sim, são de interesse de todos: alimentos mais baratos, novas opções para o consumidor, estudos sobre queimadas e conservação da biodiversidade brasileira nos bancos de germoplasma dos centros de pesquisa impactam nosso dia a dia e nosso futuro como indivíduos e como nação. Pesquisas de hoje só podem impactar o futuro. As perdas de hoje, também. A greve declarada pelo Sinpaf e ações que a circundam golpeiam a Embrapa e maculam sua imagem. Em Brasília testemunhei, perplexo, sem relatos na mídia, pesquisadores responsáveis pulando grades para poderem trabalhar; e uma inércia que pode ser letal. Meu direito de ir e vir foi eliminado por um sindicato cujas ações recentes têm sido desagregadoras, e certamente os poucos, mas ativos, gatos-pingados nos piquetes representam, em boa parte e acima de tudo, interesses pessoais. Piquetes impedem o acesso de reais trabalhadores e de veículos a diversos centros e à sede da Embrapa. O tão defendido diálogo é substituído por cadeados nos portões, grades metálicas e presença de indivíduos que nem pertencem à instituição. Alguns pseudolíderes seguem à risca cartilhas espúrias de movimentos sociais que pregam a violência no campo e a transportam para nossos centros de pesquisa. O dano é enorme e permanente. É necessária uma reação da sociedade, do real trabalhador da Embrapa e de seus dirigentes, alguns tão ausentes neste momento de crise. Não podemos deixar que uma instituição pública respeitada no Brasil e no exterior seja degradada pelos que se dizem seus defensores. A inação levará à sua destruição. Uma das reações, mais simples e democrática, é cancelar a filiação a tal sindicato, o que já está ocorrendo. Mas não é suficiente nem elimina o mal. Urge um movimento que resgate o real espírito de importante ferramenta dos trabalhadores, um sindicato sem viés ideológico ou partidário e que de fato congregue, represente e defenda os interesses de quem trabalha na pesquisa agropecuária. Um movimento de defesa da instituição e de seus logros, criticamente importante neste momento de troca de presidência, quando sua blindagem é essencial. É mais do que hora de pôr em prática a divisa de São Paulo: "Non ducor duco." As gerações futuras agradecerão.FRANCISCO J. B. REIFSCHNEIDER, pesquisador da Embrapafjbr@cnph.embrapa.brBrasíliaEsclarecimentosAo contrário do que afirmam "entidades" citadas na matéria ?Famoso? não pode vender remédio (16/6, A18), as ações promocionais da indústria farmacêutica entre profissionais da saúde são legítimas e visam a transmitir informações relevantes e fundamentais sobre características e indicações terapêuticas dos medicamentos desenvolvidos pelo setor. Essa relação não caracteriza "manipulação do profissional pela indústria farmacêutica" nem "assédio sobre os médicos" como dizem tais entidades.CIRO MORTELLA, presidente executivo da Federação Brasileira da Indústria Farmacêutica (Febrafarma)BrasíliaCom relação à matéria Justiça rejeita ação para afastar diretoria do Masp por má gestão (17/6, C7), esclareço que o Masp nunca alugou obra alguma do seu acervo. A exemplo do adotado em todos os museus do mundo, o Masp recebe como contrapartida de eventuais empréstimos de suas obras o seu restauro quando necessário, empréstimo de outras obras ou, ainda, doação de recursos que são creditados no exterior e devidamente contabilizados. Sobre o dado relacionado à biblioteca, o museu não recebeu nenhum recurso da Fapesp, o que pode ser verificado na instituição. Para o Masp e a opinião pública é fundamental deixar claro que na sentença expressa pelo juiz o importante é o reconhecimento de que a direção do museu jamais agiu de má-fé.JOÃO VICENTE DE AZEVEDO, presidenteSão Paulo

, O Estadao de S.Paulo

18 de junho de 2009 | 00h00

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