Cartas

Publicação de saláriosOs responsáveis pela publicação dos salários dos funcionários públicos municipais de São Paulo correm o sério risco de ser processados. Além dos motivos já amplamente divulgados, eu acrescentaria: a maioria dos funcionários poderá morrer de vergonha; seus desafetos poderão morrer de rir; a minoria privilegiada não só correrá o risco de exteriorização de riqueza, como poderá morrer de trabalhar para justificar os ganhos, e também sofrerá com as pragas rogadas pelos contribuintes que não recebem a prestação de serviços compatível com os seus consideráveis desembolsos.CARLOS GONÇALVES DE FARIAcgfaria@ajato.com.brSão PauloBC x poupadoresConforme noticiado (18/6, B11), o Banco Central (BC) está entrando com pedido de liminar no STF para que mande suspender as ações impetradas pelos poupadores lesados pelos vários planos econômicos, pois as instituições financeiras lhes devem R$ 105 bilhões e não teriam como arcar com essa despesa "extra". Se as instituições financeiras devem tal montante, é porque dele se apropriaram. Essas mesmas instituições, que só apresentam lucratividade em seus balanços anuais, gastam uma fábula em propaganda e financiamentos espúrios, cobram spreads absurdos e se acham no direito de não pagar o que é devido à população tungada em passado recente. O BC alega que algumas dessas instituições financeiras se tornariam insolventes... Quem mandou usar um dinheiro que não lhes pertence?! Agora arquem com as consequências e paguem o que nos é de direito. Vamos verificar a posição do STF nesta questão, pois, caso dê ganho de causa aos poupadores, nada fará além de cumprir a sua obrigação; caso contrário, mostrar-se-á venal às grandes corporações e mostrará a sua verdadeira face aos brasileiros. Espero que o bom senso e a justiça se façam presentes na mente de nossos magistrados!BORIS BECKERSão PauloO memorial protocolado pelo BC no STF, em defesa da sobrevivência dos bancos, peca pelas seguintes omissões. Primeira: a ausência das tabelas dos juros médios cobrados pelos bancos, relativas ao mesmo período considerado na comparação da caderneta de poupança com o CDB (devem ter sido omitidas propositalmente, pois as invejáveis competência e lógica de raciocínio da equipe econômica não deixariam escapar o "detalhe"). Não sendo creditados à poupança, engordaram a disponibilidade de capital operacional dos bancos. Segunda: destaque ao fato de que os R$ 105,6 bilhões não podem ser considerados perdas dos bancos, uma vez que nunca lhes pertenceram; no caso destes, é o principal de uma dívida e o único termo admissível é a devolução; perda aplica-se aos poupadores expropriados, a quem deve ser devolvido o que lhes pertence, acrescido da remuneração adequada - talvez a que os bancos auferiram com essa trapalhada (o acessório deve seguir o principal, sem trocadilho). A ser seguida a sugestão do sr. presidente do BC, estender-se-á ao setor econômico-financeiro do País a profunda descrença que já recai sobre as instituições republicanas. E que não se fale em precatórios!CARLOS PACHECO FERNANDES FILHOc-pacheco-filho@uol.com.brSão PauloFalta planejamentoQuando a crise chegou, a primeira coisa que os empresários fizeram foi acionar o botão das demissões, pois o lucro estava a perigo. O governo agiu, reduzindo impostos. Logo as vendas subiram e, mesmo sem as exportações, o que vemos hoje é que produtos, principalmente da linha branca, começam a faltar. O que se percebe é que nossos empresários nunca souberam trabalhar o mercado interno. Sempre que algo de bom aparece e que os brasileiros vão poder melhorar de vida, nossa indústria dá sinais de fraqueza. Isso já aconteceu nos planos econômicos. Não existe preparo para o mercado interno. Nos EUA o principal mercado é o interno. Se o consumo interno é alto, eles suspendem as exportações. Aqui, nossos empresários mantêm a cultura do dólar. O dia em que nosso mercado for o principal, ninguém segura esta Pátria.LUIZ ANTONIO ERHARDTluiz@osom.com.brSão PauloBolha do caloteDe um lado, o governo brasileiro corta juros e reduz o custo do crédito como ferramentas para incentivar o consumo, no afã de tentar furar a marolinha da crise global. De outro, colabora, diretamente, para a formação de uma bolha de inadimplência, hoje evidenciada no recorde de cheques devolvidos - 23,6 para cada mil cheques compensados, segundo o Indicador Serasa Experian de Cheques sem Fundos, o maior nível em 19 anos.SERGIO S. DE OLIVEIRAssoliveira@netsite.com.brMonte Santo de Minas (MG)Mais imposto ou inflação?A receita do governo federal continua caindo e a despesa, subindo, pelas nomeações e greves no serviço público por aumentos de salário e penduricalhos e redução da carga horária. A carga tributária crescente já está em 38,5% do PIB e pressinto que vêm mais impostos para equilibrar receita e despesa, ou a "guitarra" da Casa da Moeda vai funcionar a todo vapor, já que a marolinha gostou do Brasil e não vai embora.MÁRIO A. DENTEdente28@gmail.comSão Paulo''O Senado parece castelo assombrado, cheio de fantasmas"João Baptista da Silva Filho jotabatis@hotmail.comSão PauloAjudante do ?Secreta?Meu querido amigo secreto José Sarney, por favor, me arrume um emprego de ajudante de mordomo na casa de sua filha Roseana. A metade do que ganha o titular do posto já está bom demais para mim: R$ 6 mil mensais completariam de bom grado a esmola que os senhores, péssimos administradores da Nação, pagam aos aposentados e pensionistas deste triste Brasil, todos os dias assaltado pelo Legislativo e pelo Executivo. O mar de lama hoje é a mortalha que encobre o País.ROBERTO STAVALE bobstal@dglnet.com.brSão PauloES e o respeito a contratosO governo do Espírito Santo (ES) vem a público repudiar as inverdades contidas no artigo Governo do ES e o (des)respeito a contratos, do presidente da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias, Moacyr S. Duarte (29/5, B2). O autor afirma que o Estado desrespeita contrato com a concessionária Rodosol, responsável pela operação e manutenção do Sistema Rodovia do Sol, que compreende a Terceira Ponte e a Rodovia ES-060. A verdade dos fatos: estudos técnicos constataram que, entre 17 e 20 horas, o fluxo de tráfego fica muito prejudicado na Terceira Ponte, que liga Vitória a Vila Velha, o trecho mais importante da concessão. Os usuários suportam lentidão e o grau de insatisfação é muito grande. Por causa dessa situação a Justiça já negou à concessionária, pela segunda vez, o pedido de reajuste do pedágio. A empresa pretende desonerar-se da prestação do serviço adequado na Terceira Ponte, embora tenha obtido aumento de receita decorrente do maior fluxo de veículos. O argumento para se esquivar da obrigação é uma cláusula que fixa parâmetro para a realização de obras. Curioso é que o contrato tenha afastado do critério de aferição do tráfego máximo justamente a Terceira Ponte, o principal trecho da concessão e no qual já se previa que haveria considerável elevação do fluxo. Possivelmente a falha seja fruto do conturbado momento político por que passava o Estado na época da assinatura do contrato. É público que o serviço não é prestado de forma adequada, configurando descumprimento contratual pela concessionária. Como ela não quis realizar obras para melhorar o serviço, optou o governo por realizá-las e, legitimamente, ajuizar ação judicial visando ao acerto quanto à obrigação da concessionária. Portanto, não há alteração unilateral do contrato, apenas exigibilidade de obrigação assumida pela concessionária.RODRIGO RABELLO VIEIRA, procurador-geral do Estado do Espírito SantoVitóriaFÓRUM DOS LEITORESENDEREÇOAvenida Eng. Caetano Álvares, 55, 6.º andar, CEP 02598-900FAX:(11) 3856 2920E-MAIL:forum@grupoestado.com.br

, O Estadao de S.Paulo

23 de junho de 2009 | 00h00

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