Cartas

Vale-tudoEm entrevista ao Estado, o presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, rechaçou o que chama de "criação de fatos artificiais" contra a Petrobrás, alegando que "nós (a estatal) não atacamos ninguém ainda, só temos nos defendido" e que "o ataque também faz parte da defesa" (?Estamos preparados para vale-tudo?, 28/6, A10). A quem o Sr. Gabrielli mandou o recado? Os brasileiros, conscientes do papel da outrora nobre estatal, querem saber de tudo o que ocorreu e ocorre entre os sorrisos do sr. Gabrielli, as mutretas acatadas reticentemente pela Receita Federal e os reajustes milionários na remuneração dos executivos da estatal. Com o Senado morto e a empresa aos cuidados do Tribunal de Contas, do Ministério Público e da Polícia Federal, fica a CPI da Petrobrás livre para entreter os brasileiros pelos próximos 12 meses e orientá-los na decisão do voto de tantos ainda indecisos com o que fazer com ele.RONALDO PARISIrparisi@uol.com.brSão PauloCPI antipatrióticaSempre que questionado sobre irregularidades na Petrobrás, Gabrielli fica irritado e assume ares de ofendido, como se estivessem interferindo em negócios particulares, sem se dar conta de que é sua obrigação informar os proprietários da empresa - a sociedade - de como anda sua gestão. Considerando o prejuízo que o Brasil sofreu na Bolívia, quando Evo Morales tomou a empresa pela metade de seu valor real, pergunto: por que Gabrielli também aceitou que a Nação amargasse tamanha perda? E acaso ele, tanto quanto Lula, também acha que a CPI da Petrobrás é antipatriótica?AMÂNCIO LOBOAmancio lobo@uol.com.br São PauloSe os articuladores da diplomacia brasileira permitiram ao distante Evo nos causar tamanho prejuízo, imaginem o que não seria feito pelos mais próximos do partido? Se a conta desse prejuízo não for paga por Lula, Amorim e Marco Aurélio, essa CPI deverá ter uma conotação patriótica.LUCCA BRASIluccabrasi@uol.com.br São PauloHomenagem a GoffredoPartiu para a eternidade o mestre do verdadeiro amor pelo Direito, o jurista Goffredo da Silva Telles Júnior. A comunidade jurídica rende todas as homenagens, com profunda gratidão, ao inesquecível professor, que ensinava com o coração e fazia bater, no peito dos seus alunos, a sublime conquista da Justiça e da liberdade.GILDA MERCIA LOPES DOS SANTOSgildamercia@hotmail.comSão PauloO professor Goffredo da Silva Telles Júnior representou, em diversos momentos da história nacional, a voz e a vez de quem não tinha voz nem vez. Como advogado, foi um símbolo da independência (autor da Carta aos Brasileiros, documento decisivo no processo de redemocratização do Brasil), condição indispensável para o exercício da advocacia. Como professor, foi inigualável pela cultura e fluência. Como homem público foi um exemplo. Jamais, em nossos contatos, pressenti nele um assomo de arrogância, uma esquiva (hoje tão comum) a um simples telefonema. A vida é hoje diferente, mas aos advogados, como exemplo, pedir-se-á a mesma fibra, quase a mesma alma.RUI CELSO REALI FRAGOSO, advogadoSão PauloO professor Goffredo não se foi. Pelo que representou, ele fica e ficará para sempre como o simbólico herói dos estudantes, o mestre exemplar da dignidade.PEDRO LUÍS DE C. VERGUEIROpedrover@matrix.com.brSão PauloDevemos dar glória aos nossos brasileiros que de um modo ou de outro dignificaram nosso país e nossas letras jurídicas! Registro aqui minha homenagem ao querido professor Goffredo da Silva Telles Júnior.LUIZ FERNANDO RANGEL DE CAMARGO FIDELIS, turma de 1988 da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco da Universidade de São Paulopolo@adv.oabsp.org.brSão PauloGolpe em HondurasO presidente Lula se apressa em dizer que reconhece apenas a Manuel Zelaya como presidente de Honduras, por ter ele sido vítima de um golpe. Querer alterar a Constituição para permitir a reeleição - valendo-se de um plebiscito - não é golpe, para Lula, mas exercício de democracia, seja lá o que ele entenda por isso. Não me surpreende: Lula avalizou também o governo de Chávez, de Evo, de Ahmadinejad e até mesmo de ditadores africanos há mais de 30 anos no poder. Sem falar no carinho profundo que sente pelo velho Fidel. Lula pode simpatizar com quem quiser, só não pode querer usar aqui, no Brasil, os artifícios ditos "legais" que a esquerda populista está utilizando no resto da América Latina para garantir a permanência ilimitada no poder. E sabem por que não? Porque o Brasil não foi e não é semelhante a Cuba.MARA MONTEZUMA ASSAFmontezuma.fassa@gmail.comSão PauloA alternância de poder deve ser respeitada em todo regime democrático. A expulsão do presidente hondurenho, ao que tudo indica, ocorreu por ele querer transformar seu país numa Venezuela. Teve uma resposta da oposição e das Forças Armadas. Espera-se que, se um dia isso acontecer no Brasil, a oposição não esteja refém do Executivo a ponto de não ter forças para impedir um golpe.IZABEL AVALLONEizabelavallone@yahoo.com.brSão PauloVenezuela, Bolívia, Equador, Nicarágua. Nesses países, a democracia se tornou um atalho para a ditadura. Recorre-se a processos constituintes para substituir a democracia representativa por formas pilantras de democracia direta. Honduras seguia esse caminho. Até agora, o que ocorreu ali obedece ao rigor constitucional, tenha havido renúncia ou deposição. Agora é preciso que os militares obedeçam ao calendário eleitoral e criem mecanismos para a oposição democrática chegar ao poder, sem golpismo nem mudanças que inviabilizem a alternância de poder, pois a democracia direta dos bolivarianos precisa de ditadores que se eternizem no poder.MURILO AUGUSTO DE MEDEIROSmurilo.medeiros25@gmail.comGuará II (DF)Mês de julhoO mês de julho se aproxima. É um mês especial para os paulistas. No dia 5, a Revolução Tenentista de 1924 fará 85 anos. A revolta, hoje pouco lembrada, foi travada na cidade de São Paulo, durante quase todo o mês de julho, e deixou dezenas de mortos e feridos. Oficiais do Exército, descontentes com o presidente Arthur Bernardes e os abusos da velha República, e liderados pelo general Isidoro Dias Lopes, com a ajuda da então Força Pública do Estado de São Paulo - hoje Polícia Militar -, além de ocuparem quartéis, repartições públicas, estações ferroviárias, correios e telégrafos, fizeram o governador Carlos de Campos abandonar o Palácio dos Campos Elísios para montar a contrarrevolução, lá nos lados do Ipiranga. Os revolucionários montaram o seu quartel-general na Igreja de Nossa Senhora da Glória, no Cambuci, por causa da sua ótima posição topográfica, no alto de uma colina. De lá eles acompanhavam os movimentos das tropas legalistas, que chegavam do Rio de Janeiro e de Minas Geras. Os legalistas fizeram da Estação Vila Matilde o seu quartel-general. Os tenentistas perderam essa batalha, mas em 1930 levaram Getúlio Vargas ao poder, por intermédio de outras revoluções. Em 9 de julho a Revolução Constitucionalista de 1932, contra o ditador Getúlio Vargas, completará 77 anos de orgulho para um povo "que conduz, não é conduzido". Perdemos a batalha, mas ganhamos a guerra - a Constituição de 1936. Salve os heróis do MMDC, abraçados aos soldados e civis que com eles jazem na cripta do Mausoléu aos Heróis de 1932, no Parque do Ibirapuera, sob o Obelisco, monumento glorioso, sempre alerta aos inimigos da real democracia.CROBERTO STAVALEbobstal@dglnet.com.br São Paulo

, O Estadao de S.Paulo

30 de junho de 2009 | 00h00

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