Cartas - 01/02/2011

NOVA POLÍTICA EXTERNA

, O Estado de S.Paulo

01 Fevereiro 2011 | 00h00

Chega de leniência

O ministro Antonio Patriota está honrando seu nome e, ao mesmo tempo, resgatando nosso orgulho de ser brasileiro. Parabéns à presidente Dilma Rousseff por sua posição de abandonar a idiota política do sr. Celso Amorim, com apoio de Lula. Chega de fazer o papel do "grandão bobo" do Cone Sul, aceitando silenciosamente o desrespeito dos países vizinhos, que ignoram tudo o que foi acordado e sempre arrancam novas vantagens, com total complacência do governo brasileiro. Espero que o novo governo tenha consciência da importância do peso do Brasil no cenário político mundial e comece a resgatar o necessário respeito. Chega de leniência com Hugo Chávez, Evo Morales, Fernando Lugo, Cristina Kirchner, Rafael Correa e outros aproveitadores.

WILSON SANCHES GOMES

sancheswil@hotmail.com

Curitiba

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Direitos humanos

A reportagem do Estadão sobre as inflexões do Itamaraty (31/1, A1 e A8) demonstra crescente preocupação da diplomacia brasileira com os direitos humanos, a partir do governo de Dilma Rousseff. Desde a posse, a presidente tem chamado a atenção para o tema, no que se refere às relações internacionais do País. A consulta do Ministério das Relações Exteriores aos diplomatas brasileiros é muito oportuna, no momento em que ditaduras de diversos matizes estão sendo contestadas por movimentos populares. O Brasil não pode continuar a solidarizar-se com ditadores, tanto por uma questão de princípios como pela defesa dos interesses de longo prazo do Brasil, algo que a presidente deixou claro desde o início da sua gestão.

PEDRO PAULO A. FUNARI, coordenador do Centro de Estudos Avançados da Unicamp

ppfunari@reitoria.unicamp.br

Campinas

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CASO BATTISTI

Abacaxi italiano

O professor Renato Janine Ribeiro (O caso Battisti e a Constituição, 31/1, A2) vê no julgamento de Cesare Battisti um imenso abacaxi a ser descascado pelo STF, visto que a nossa Constituição só permite deportá-lo em caso de crime comum. Ora, se a acusação que paira sobre ele na Corte italiana é tanto de crime político como de crime comum, proponho que cumpra a pena por crime comum na Itália. Depois de solto, ele que faça o que bem entender. O que não faz sentido é nos acharmos juridicamente mais sábios que os italianos e profundos conhecedores de suas questões internas, mais que os próprios. Aí já é excesso imodéstia!

HERMÍNIO SILVA JÚNIOR

hsilvajr@terra.com.br

São Paulo

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Mudança na Constituição

O artigo do professor Renato Janine Ribeiro sobre O caso Battisti e a Constituição é muito importante, pois enseja a conclusão de que, a levar ao pé da letra a Carta Magna, que proíbe a extradição por crime político, nosso país poderá transformar-se em abrigo seguro para quaisquer criminosos que aqui aportem alegando perseguição política. Portanto, faz-se necessária a alteração da lei, tornando-a aplicável somente aos que tenham cometido delitos políticos em países que vivem sob regime de exceção, internacionalmente reconhecidos como tal. Creio que não há necessidade de exemplificar. A criminosos políticos desses países seria concedido asilo. Entretanto, pelo que se observa na discussão do caso Cesare Battisti e analisando asilo já concedido a meliante de país democrático vizinho, um projeto de emenda à Constituição nesse sentido seria rejeitado pela maioria parlamentar atual. Provavelmente, projeto contrário, ou seja, para não conceder asilo somente a quem tenha cometido delito político em país ditatorial, seria aprovado por aclamação.

FLÁVIO J. RODRIGUES DE AGUIAR

rsd100936@terra.com.br

Resende (RJ)

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Poder não eleito

A avaliação de Renato Janine Ribeiro foi muito lúcida, com condicionantes pertinentes e longe de apresentar uma posição. O artigo mostra os matizes de julgamento que se pode ter num caso, além da defesa apaixonada de um ou outro ponto de vista. Gostei ainda mais pela declaração, já manifestada por mim e outros, de que o Judiciário é um Poder não eleito e talvez o que mais interfira na vida do cidadão.

ADILSON ROBERTO GONÇALVES

priadi@uol.com.br

Lorena

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SENADO

Polícia!

O que deveria ser feito para eliminar a "grande quadrilha" instalada no Senado seria instalar uma polícia pacificadora, nos moldes do que foi feito nas favelas do Rio, para terminar com o "crime organizado" e seu comando eleito e não eleito. Seriam incluídas na ação a extinção de nomeações fora da lei e de contratação de parentes, atos "escondidos", subtraídos da divulgação, favorecimentos diversos, indevido aumento dos ganhos dos membros, viagens e passaportes irregulares, pagamentos a faltosos e outras mazelas. Então, numa nova eleição talvez tivéssemos candidatos que se "sujeitassem" a servir ao País sem necessariamente tirar grandes proveitos pessoais. E sem precisar contratar desonestos ou tê-los como auxiliares.

FABIO FIGUEIREDO

fafig3@terra.com.br

São Paulo

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VIRACOPOS

Licenciamento ambiental

Nossos cumprimentos pelo editorial Lições a se tirar de Viracopos (30/1, A3). De fato, 14 anos pra licenciar uma obra é um verdadeiro absurdo. Tendo em vista as dificuldades que têm sido encontradas para o licenciamento dos mais diversos empreendimentos, entre eles o aeroporto de Ribeirão Preto, não seria o caso de rever toda a legislação que trata do licenciamento ambiental, que hoje é exigido para qualquer empreendimento, até mesmo os de pequeno porte?

CESARIO RAMALHO DA SILVA, presidente da Sociedade Rural Brasileira

presidencia@srb.org.br

São Paulo

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Desapropriação

É inacreditável que para atender ao futuro movimento de 9 milhões de passageiros por ano - em 2010 foram 5 milhões, como diz o Estadão de 28/1 - seja necessário construir nova pista e desapropriar uma área enorme. O que Viracopos precisa é de mais capacidade de terminais e para isso basta desapropriar a área ao leste da ferrovia. Plano estranho.

SYLVIO GAMA

sngama@gmail.com

Rio de Janeiro

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"Mubarak, abre alas que o povo quer passar"

JUDISNEY TADEU DE BARROS ALBUQUERQUE / SARAPUÍ, SOBRE O LEVANTE POPULAR NO EGITO

judao_leiteiro@hotmail.com

"Em país democrático não há crime político. Crime é sempre crime"

LUIGI VERCESI / BOTUCATU, RECADO AO STF SOBRE O

CASO CESARE BATTISTI

luver44@terra.com.br

"À medida que se abrem os armários vão surgindo os esqueletos. Qual foi mesmo o governo que deixou uma herança maldita?"

ULYSSES FERNANDES NUNES JUNIOR / SÃO PAULO, SOBRE

O GOVERNO DILMA ROUSSEFF

ulyssesfn@terra.com.br

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TEMA DO DIA

Sarney: nova gestão, nada de reformas

Presidente do Congresso seguirá no comando da Casa, apesar de não ter cumprido promessas

"O Senado mostra como nossa sociedade é subdesenvolvida cultural e socialmente. A prosperidade econômica não apaga."

MARCUS CUNHA

"O Sarney está igualzinho ao presidente do Egito: não larga o poder de jeito nenhum."

ALVIM DE CARVALHO E SILVA

"Espero que essa quarta legislatura de Sarney no Senado seja menos tumultuada e mais proveitosa."

CÉLIO RODRIGUES

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Cartas enviadas ao fórum dos leitores, selecionadas para o estadão.com.br

 

 

 

 

 

BATTISTI E A CONSTITUIÇÃO

O artigo do ilustre professor Renato Janine Ribeiro "O caso Battisti e a Constituição", com todo o respeito, embora muito inteligente, demonstra pouca afinidade na interpretação do nosso sistema constitucional, compreensível para os leigos.

É que o Ministério Público é órgão apêndice do Poder Executivo, porém com características externa de independência e de um quarto poder, figurando junto com a advocacia e a Defensoria Pública nas funções essenciais à Justiça, segundo a Constituição federal, portanto, constitucionalmente, é separado e independente do Poder Judiciário. Eles se compõem, cada qual com seu mister constitucional. Enquanto o Ministério Público age como fiscal da lei, dentre outras atribuições, o Poder Judiciário é aquele que interpreta e faz aplicar a lei, lei essa proveniente do Poder Legislativo, mas só age, salvo poucas exceções, se acionado. Ou seja, havendo o desrespeito à lei, cabe ao Ministério Público agir, e aí a questão passa ao crivo do Judiciário. Se o Ministério Público entender, levando em conta o exemplo do ilustre professor, e tiver indícios de que a inépcia de um ministro nomeado pelo Poder Executivo poderá levá-lo a claudicar em desfavor do erário, deve e pode, sim, perfeitamente, acionar, preventivamente, o Poder Judiciário. No outro exemplo dado pelo ilustre articulista, se a condenação atentar contra qualquer preceito legal, o Ministério Público tem o dever de oficio de promover o reparo. Onde buscará o apoio? No Poder Judiciário. Essa é a essência da democracia brasileira.

 

 

Carlos Benedito Pereira da Silva advcpereira@ig.com.br

Rio Claro

 

 

 

 

 

 

 

 

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CRIME POLÍTICO

 

 

Crime político é o crime cometido contra as instituições políticas ou que tem por fim usurpar o poder constituído. Quatro assassinatos são atribuídos a Cesare Battisti: o de Antonio Santoro, um agente penitenciário, morto em Udine em 6 de junho de 1978, sob a alegação de maltratar prisioneiros; o de Pierluigi Torregiani, morto em Milão em 16 de fevereiro de 1979; o de Lino Sabadin, morto em Veneza no mesmo dia; e, finalmente, o de Andrea Campagna, agente policial que havia participado das primeiras prisões na apuração do caso Torregiani e morto em Milão em 19 de abril de 1979. Torregiani e Sabadin foram mortos quando reagiram a assaltos de que foram vítimas. O filho de Torregiani, à época com 13 anos, também foi ferido no episódio e está paraplégico até hoje. O Supremo Tribunal Federal do Brasil terá de decidir se esses crimes foram políticos e, portanto, Battisti não pode ser extraditado, ou se o italiano assassino corre perigo de morte se for devolvido ao seu país de origem. Esta última opção foi a justificativa utilizada por Lula para conceder o refúgio ao criminoso italiano, condenado em seu país à prisão perpétua, e não à morte. A decisão de Lula, tomada no último dia do seu mandato, foi planejada minuciosamente pelo ex-presidente e sua assessoria para Assuntos Internacionais não para salvaguardar a vida do assassino italiano, mas, sim, para mantê-lo através de uma decisão no mínimo esdrúxula, por mais um bom tempo sob os holofotes da imprensa mundial.

 

Victor Germano Pereira victorgermano@uol.com.br

São Paulo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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ENFRENTEMOS A REALIDADE

Nenhum juiz pode decidir mais de uma vez a mesma questão, o Supremo já decidiu todos os aspectos do caso Battisti, e as idas e vindas à Presidência da República e à Suprema Corte se assemelham a um corre-corre de gatos e ratos assustados. Queiramos ou, gostemos ou não, o ministro da Justiça do Brasil deu asilo político ao extraditando, o que impede a extradição, e é fato que não pode ser revisto pelo Supremo. As coisas desagradáveis é melhor que ocorram logo. Não há como extraditar o matador italiano e Dilma deveria dizê-lo definitivamente.

 

 

Amadeu Roberto Garrido de Paula amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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TIPOS DE JUVENTUDE

Quanta diferença entre a juventude tunisiana e egípcia, que sai às ruas para tentar reformas em relação ao sistema opressor de seus governos, podendo serem morta, presa ou mutilada, e a daqui. Nossos manifestantes, jovens, segundo a mídia, vão para rua em prol da liberdade do ex-ativista Battisti, que nada vai nos acrescentar de útil ficando aqui. Como são movidos pelos "donativos" instituídos pelo ex-governo federal de Lula e que, pelo jeito, continuarão sendo mantidos pela atual, prestam-se a tal manifestação.

Por que não foram protestar contra o aumento vergonhoso dos deputados e da presidente, estas, sim, causas nacionais? Estão protestando contra o aumento das passagens em São Paulo, o que é bom, apenas porque o Kassab não é do partido que lhes proporciona a boquinha, digo "donativos".

Que uma nova juventude se manifeste, ela existe, e mostre do que é mesmo capaz sem "subsídios" comprometedores.

 

Tania Tavares taniatma@hotmail.com

São Paulo

 

 

 

 

 

 

 

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INVASORES

 

 

A mais recente crise no Oriente Médio exige muita ponderação. A questão não tem

que ver apenas com questões religiosas. E tem aspectos graves a serem

considerados, como a posição dos Estados Unidos e de Israel. Os americanos apoiam

efetivamente uma ditadura, que é o caso do Egito. E já tem sérios problemas com

as invasões no Iraque e no Afeganistão. O mundo precisa de paz e isso não vai

acontecer se os americanos não forem chamados a discutir o assunto em alto

nível. É preciso negociar, deixando de lado os interesses apenas de um lado.

Quem deve decidir o sistema de governo é o povo de um país, e não invasores

defendendo outros interesses.

 

 

Uriel Villas Boas urielvillasboas@yahoo.com.br

São Paulo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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MUNDO ÁRABE

Estaria sendo hipócrita se, do dia para a noite, tecesse algum comentário mais profundo sobre a triste situação no Egito e dos países árabes. Infelizmente, a verdade é que o mundo acaba recebendo notícias mais abrangentes desses países apenas em situações como esta.

Mas não é preciso ser nenhum expert em política internacional para ver e entender que esses povos querem mudanças. É nítido, pela revolta em massa dessa gente, assim como pela corajosa resistência aos militares, que eles não aguentam mais o sofrimento imposto por ditadores opressores que se perpetuam e, o pior, não abrem espaço à democratização do poder. E o que mais indigna a todos nós é que em pleno século 21 ainda tenhamos que assistir à vontade de toda uma nação sendo resolvida a tiros e pauladas. E esta forma, além de ser a mais dolorida e traumática, acaba demandando uma resolução da situação mais lenta e com cicatrizes mais profundas.

Seja como for e a quem entender, o Egito e todo mundo árabe estão dando sinais evidentes de que querem e precisam muito respirar.

 

 

Filipe Luiz Ribeiro Sousa filipelrsousa@yahoo.com.br

São Carlos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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EL CID

 

A multiplicação de governos fundamentalistas no mundo islâmico deve alertar os ocidentais para a potencialidade do risco da expansão de uma cultura que contempla a Jihad (guerra santa), passível cada vez mais de ser declarada por algum aiatolá contrariado. Apenas uma aliança efetiva entre a Rússia, a China e o Tio Sam poderá ser o El Cid de plantão...

Caio Augusto Bastos Lucchesi cblucchesi@yahoo.com.br

São Paulo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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DEFINIÇÕES

País democrático: equivale a amigo dos EUA. Exemplo: Egito, Arábia Saudita. Contraexemplo: Irã. Enforcar traficante: violação dos direitos humanos. Mais de 150 manifestantes mortos no Egito: apenas estatística. Eleição roubada: eleição no Irã. Eleição limpa: vitória de Bush na Flórida. Ameaça à humanidade: armas de destruição maciça do Iraque e a bomba nuclear do Irã. Ação humanista: invasão do Iraque, do Afeganistão, da Chechênia, etc. Haja cinismo.

 

Tibor Rabóczkay trabocka@hotmail.com

São Paulo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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ABAIXO AS DITADURAS!

Uma multidão de homens e mulheres reverbera a palavra "liberdade" enquanto galga com altivez os degraus da grande pirâmide de Gizé, a maior do Egito. No topo da milenar pirâmide, o ditador egípcio, Hosni Mubarak, acuado pela massa libertária que se aproxima, grita incessante e desesperadamente: "Eu sou você amanhã! Eu sou você amanhã!" Eis o enredo do pesadelo que tem feito Hugo Chávez, Fidel Castro, Raúl Castro, Mahmoud Ahmadinejad e outros perversos déspotas mundo afora acordarem no meio da madrugada empapuçados de suor e receio.

Túllio Marco Soares Carvalho tulliocarvalho.advocacia@gmail.com

Belo Horizonte

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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EXÉRCITO EGÍPCIO

Parabéns ao Exército egípcio, colocando-se ao lado do sofrido povo. Lembrei-me do Exército brasileiro quando se negava a cumprir ordens do imperador para seguir e prender negros foragidos da escravidão. Que todos os exércitos de países onde pseudodemocracias são usadas para oprimir o povo façam o mesmo. Seria o início de uma nova era. A era da verdadeira existência humana!

Alberto Nunes albertonunes77@hotmail.com

Itapevi

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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MAIS OITO ANOS PARA MUBARAK

Para salvar o seu pescoço e ficar, no mínimo, mais oito anos no poder, o sr. Hosni Mubarak deverá, urgentemente, adotar as seguintes medidas: instituir a Bolsa-Família; abrir os cofres da União para os sindicatos, os mensaleiros e ONGs invisíveis; transferir verbas públicas para a UNE (união dos estudantes egípcios); subsidiar o MSP (movimento dos sem-petróleo); culpar a "zelite" por tudo de ruim que aconteceu no país até agora e, finalmente, fazer um grande trabalho de utopromoção, autoelogios e outros autos. Vai ser muito fácil ludibriar o povão.

 

 

Justino Marcio Antunes de Oliveira jmarao@hotmail.com

São Paulo

 

 

 

 

 

 

 

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AVACALHAÇÃO TOTAL

Pensei que já havia visto de tudo neste país, descoberto em 2003. Ledo engano. Luiz Inácio Lula da Silva vem de receber o título de doutor honoris causa da Universidade Federal de Viçosa (MG). Era o que faltava para coroar a total avacalhação do ensino no País. A próxima representação burlesca, esperem para ver, será a concessão da patente de "brigadeiro do ar", já que ele passou a maior parte do seu governo "voando".

 

Humberto de Luna Freire Filho hlffilho@gmail.com

São Paulo

 

 

 

 

 

 

 

 

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DOUTORADOS CHAPA-BRANCA

Depois que Mercadante obteve o titulo de doutor na Unicamp por critérios muito mais políticos do que acadêmicos, agora Lula quer se aproximar do seu algoz FHC (com duas vitórias no primeiro turno), recebendo o título de doutor honoris causa na Universidade de Viçosa, e, segundo Mercadante, com mais 44 convites de outras universidades.

A imagem de Lula recebendo o titulo de "doutor" na Universidade Federal de Viçosa, com Haddad aplaudindo ao fundo, é uma cena com várias leituras e nenhuma delas está ligada a artes, ciências, filosofia, letras, cultura, tecnologia ou a causas humanitárias que transcendam instituições, que é como são definidos os critérios para a concessão do titulo honorífico, de acordo com o estatuto de Viçosa e da maioria das universidades do País.

Tem, sim, o sentido de agradecimento do ministro Haddad pelo fato de Lula ter prestigiado o ministro durante seu governo e ainda quase ordenando a Dilma sua manutenção no atual. E a Universidade de Viçosa, como instituição subordinada e dependente principalmente de verbas do Ministério, presta esse favor ao ministro.

Inegavelmente, Lula foi um destaque na política, que não consta dos motivos que ensejam a concessão desse grau a ele, e é verdade que Lula, embora um fenômeno político, tem sua história ligada a uma facção do petismo e com uma biografia que não transcende o partido como instituição.

 

Márcio M. Carvalho mmcoak@hotmail.com

Bauru

 

 

 

 

 

 

 

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ISSO É QUE É VIÇO...

 

Viçosa parecia estar perdendo o viço. Mas politicamente continua "mineira" a universidade. Manter o ex-atual-Planalto ligado a Minas Gerais serve de moeda de troca política. Só não precisava dar título de doutor "honoris causa" ao Lulla, que critica a educação que antecedeu seu período de governo. A mesma falta de atenção que permitiu a ele, sem pressa de ir para a escola enquanto sindicalista, galgar a Presidência do País. Inteligente emocional, soube tirar partido de suas desvantagens intelectuais; e sem preconceito algum, sabendo da tibieza de seus adversários corruptos, jogou pesado e tira ainda hoje todas as vantagens advindas do cargo que reluta em deixar de vez.

Ao final do seu discurso em Viçosa, "Lula recorreu ao improviso e exortou os formandos a seguirem seu exemplo": "Se aquele cara que o Obama disse é o cara venceu, vocês podem vencer." E venceu sem faculdade ou dificuldade!

Interessante! Pensei que ele citaria Mahmud Ahmadinejad, Baby Doc, Chávez ou Fidel Castro, mas não pegaria bem nesse momento, não é mesmo? Continua esperto o ex-perto.

 

 

José Jorge Ribeiro da Silva jjribeiros@yahoo.com.br

Campinas

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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HONORIS CAUSA

 

Para Lula ter recebido o título de doutor honoris causa da Universidade Federal de Viçosa, só se for em causa própria...

 

Conrado de Paulo conrado.paulo@uol.com.br

Bragança Paulista

 

 

 

 

 

 

 

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SURPRESA

Fiquei surpreso com a capacidade do ex-presidente de emitir duas frases: "Preciso desencarnar da Presidência" e que seu silêncio é melhor para todos. Após oito anos de frase populistas , um monte de bobagens , discursos pífios , verborragia artísticas..., ele consegue falar algo sensato e prudente, e olhe que foi de improviso. Parabéns, sr. Lula, que Deus o conserve assim... É bem melhor!

 

 

Carlos Roberto Gomes Fernandes crgfernandes@uol.com.br

Ourinhos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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CONTRIBUINDO

 

Lula disse: "Quanto menos eu falar, será melhor para todos nós". Eu também acho!

Virgílio Melhado Passoni mmpassoni@gmail.com

Praia Grande

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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ECTOPLASMA

Em Minas, Lula afirmou que quer "desencarnar" da Presidência.

Conselho: vá para sua casa e não pertube.

L. A. B. Moraes labmoraes@uol.com.br

Santos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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SILÊNCIO

Lula diz que fará silêncio até o carnaval. Então, peço encarecidamente, como brasileiro - e, enfim, já temos outra presidente no Brasil -, que nos poupe, fique mais alguns anos calado, por favor, não precisamos mais de pérolas e frases futebolísticas juramentadas, nem de Odorico Paraguaçu. É hora de tentar um Brasil decente, sem paternalismos e frases chatas.

 

Roberto Moreira Da Silva rrobertoms@hotmail.com

Cotia

 

 

 

 

 

 

 

 

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ALMA PENADA

O ex-presidente Lula afirmou no sábado que precisa "desencarnar da Presidência" e "reencarnar como cidadão brasileiro".

Ao que parece, sua "alma" continua penando por culpa dos jornalistas, que, como parentes de um morto, continuam gritando por seu nome, impedindo que sua alma descanse em paz.

Quando é que elle vai deixar de ser manchete de jornal? Será que oito anos não foram o bastante?

 

Maria Eloiza Rocha Saez m.eloiza@gmail.com

Curitiba

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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CIDADÃO INCOMUM

Lula afirma querer desencarnar da Presidência... Me engana que eu gosto. Lula ainda é o presidente de fato. Dilma é só sua proposta até 2014. E a diferença de estilo de governo é só aparente, uma máscara, por assim dizer.

Por enquanto Lula apregoa que "mantém o silencio e que isso é melhor para todos". Ora, é o mínimo que se espera de qualquer ex na política, sem que tal fato se transforme em matéria jornalística. E se virou é porque Lula, na realidade, nem pensa em desencarnar da Presidência. É só aguardarmos um pouco mais para conferir.

Quanto ao seu desejo de "reencarnar" como cidadão brasileiro, certamente será dentro da categoria que ele mesmo criou para Sarney, de cidadão incomum, que não pode ser tratado com as regras que servem aos demais comuns mortais...

 

Mara Montezuma Assaf montezuma.fassa@gmail.com

São Paulo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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SE É POR FALTA DE ADEUS...

 

 

O sr. Lula diz que precisa desencarnar da Presidência, mas, como não tem nada de espiritual, o que ele precisa mesmo é de desencarnar da Presidência ou desossar. Desmamar, também, não seria incorreto. Tchau, "cara".

 

Sérgio Barbosa sergiobarbosa@megasinal.com.br

Batatais

 

 

 

 

 

 

 

 

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TRABALHO PARA LULA

 

Agora que Lula se diz "cansado de descansar", gostaria de sugerir que comece a trabalhar em suas palestras (avaliadas em R$ 200 mil). Como ex-presidente e com seu quarto diploma de "doutor honoris causa", ele deve ter muita coisa interessante para contar aos seus auditórios. Será que o Banco do Brasil, a Caixa ou a Petrobrás vão oferecer espaço e tempo para esses comícios, oops, digo palestras? Ficamos na expectativa ansiosa de suas revelações (sic)!

Silvano Corrêa www.silvanocorrea.blogspot.com

São Paulo

 

 

 

 

 

 

 

 

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RECAÍDA

29 dias sem discursar? Lula, ao receber o título de honoris causa pela Universidade Federal de Viçosa (MG), deu um basta à crise de abstinência de falar em público e proferiu seu primeiro discurso ao receber a honraria conferida pela universidade. Conhecedores de seu perfil, tínhamos a certeza de que Lula não iria aguentar o sofrimento de ter de ficar muito tempo prescindindo da companhia de seu espaço preferido: o palanque. A recaída era infalível.

 

Francisco Zardetto fzardetto@uol.com.br

São Paulo

 

 

 

 

 

 

 

 

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AINDA O OSCAR

A Academia de Cinema de Hollywood nem sequer levou em consideração o filme do Lulla para efeito de premiação. Os luminares do Ministério da Cultura estão possessos. Que falta de consideração! Sugestão: o PT deve criar um prêmio especial para esse filme.

Como eu não assisti, não pretendo assistir nem conheço ninguém que tenha assistido a essa obra de arte, proponho um nome para tão louvada obra cinematográfica: "O Incógnito"!

 

Ronald Martins da Cunha ronald.cunha@netsite.com.br

Monte Santo de Minas MG

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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PALPITES

Presidente Lula, esse seu Corinthians é bem fraquinho, não?

Dê alguns palpites e quem sabe a coisa muda. Em tempo: os palpites são apenas para o Corinthians, Ok?

 

José Piacsek Neto bubapiacsek@yahoo.com.br

Avanhandava

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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COM MUITA HONRA

No Paulistão o Corinthians está em 11.º lugar, uma vitória e três empates. O empate com o São Bernardo, no último domingo, não foi porque jogou com o "time" reserva - que "time", hein? Foi para cumprir ordens do ex-mandatário do País, que inclusive vestiu camisa "meio a meio" - Corinthians e São Bernardo -, o "cara" só faz média, é torcedor de quem vota... A que ponto chegou o Timão! Na quarta-feira é o segundo jogo da pré-Libertadores, bastando para agradar a todos os torcedores mais um empate com gols que se classifica para prosseguir na disputa. O time precisa melhorar muito para esse feito, é o que todos os torcedores, "ilustres" ou não, esperam. Corinthiano que é corinthiano só veste a camisa do Timão e, com muita honra.

 

 

Luiz Dias lfd.silva@uol.com.br

São Paulo

 

 

 

 

 

 

 

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FINALMENTE!

Domingo, finalmente, ficou provado que o fanatismo de Lula pelo Corinthians não passa de um factoide. Um entre muitos inventados para associar a ele a imagem de "povão", ao qual ele deixou de pertencer há muito, muito tempo.

Algum leitor, fanático, simples torcedor ou mesmo simpatizante, iria a um jogo do seu time com uma camisa meio a meio? Pois é.

E mais, o que significa isso?

 

 

Mario Silvio Nusbaum mario_silvio@hotmail.com

 

 

 

 

 

 

 

 

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POVÃO OU ELITE, EIS A QUESTÃO

 

"Quero assistir, agora em janeiro, ao jogo do São Bernardo e o Timão. Eu quero participar um pouco mais do Corinthians, quero ir ao estádio, ficar na arquibancada com o povão." Assim se pronunciou Lula em 29 de dezembro de 2010. Pelo visto no jogo, continua nos camarotes da "zelite".

Luiz Nusbaum lnusbaum@uol.com.br

São Paulo

 

 

 

 

 

 

 

 

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CASACA

Meio Corinthians, meio São Bernardo. Lulla nunca assume nada, é só um "curintianu" de araque!

A. Fernandes standyball@hotmail.com

São Paulo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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VITÓRIA SANTISTA

 

Quem sabe, mudando o seu nome, livrando-se da paronímia com o "seu Creysson", do Casseta e Planeta, Keirrison consiga adaptar-se, harmoniosamente, ao conjunto santista. Não é possível que alguém como ele consiga se colocar tão mal em campo, a ponto de ficar inatingível pelos passes dos seus companheiros.

E, finalmente, Lula assume. Ao se apresentar, no estádio de futebol de São Bernardo do Campo, com uma camisa metade Corinthians, metade São Bernardo, lula confirma a sua ambiguidade. Num terceiro mandato, quem sabe em 2015, talvez ouse vestir a faixa presidencial, com o Brasão de Armas do Brasil, nas cores verde, amarela e vermelha.

 

Sergio S. de Oliveira ssoliveira@netsite.com.br

Monte Santo de Minas - MG

 

 

 

 

 

 

 

 

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RIVALDO

 

Rivaldo, parabéns pela decisão tomada de voltar a jogar o seu grande futebol de sempre. Não sou torcedor do São Paulo, mas reconheço ser um grande clube, que honra as tradições futebolísticas de São Paulo e do Brasil. Tenho certeza que você voltará brilhar com o seu futebol e com o seu procedimento exemplar em todos os clubes por onde tenha passado. Sucesso para você e o São Paulo.

 

 

Benone Augusto de Paiva benonepaiva@yahoo.com.br

São Paulo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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CRAQUE DA MÍDIA

Para um time medíocre como o do atual São Paulo, diretoria inclusa, o queridinho da mídia Rivaldo cai como uma luva. Rivaldo é como essas cantoras de MPB que não cantam nada, mas, incensadas pelos Caetanos da vida, caem no gosto da crítica e logo descolam aparições no Jô e quejandos.

Aliás, um conselho grátis para melhorar o futebol brasileiro: gravem todos os jogos do Barcelona e, ao invés dos ridículos treinos e sessões de fisioterapia, assistam pela manhã a quatro horas por dia das gravações. À tarde, façam quatro horas de um só treinamento - bobinho de um toque. Que é para aprender como se joga pela equipe, com toques rápidos fugindo da marcação sob pressão, deslocações constantes para receber, ataque em bloco com triangulações e tabelinhas, aquela jogada dinossáurica tão em desuso por estas plagas. Tudo objetivando um mero detalhe: fazer gols. Ah, e tem também a parte visual, cortem esses ridículos rabos de cavalo e parem de pintar o cabelo de loiro. Enfim, joguem bola como homens, ou melhor, como mulheres, espelhem-se na Marta!

 

Percy de Mello Castanho Junior webmaster@clubedoscompositores.com.br

Guarujá

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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SONHO

 

Pelo visto, o São Paulo realizará o sonho de várias gerações de torcedores : contratar o Pelé, que sempre se cuidou e aos 70 anos está muito bem.

Fausto Ferraz Filho faustofefi@ig.com.br

São Paulo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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PROFISSIONALIZAÇÃO

 

 

Caso as agremiações de futebol não se profissionalizem de fato, colocando gente capaz de administrar como se fossem empresas, deixando de lado o ego individualista dos dirigentes e cartolas, veremos cada vez mais o fracasso do futebol e do público, como foi neste último clássico paulista entre Santos e São Paulo, que levou menos de 10 mil torcedores ao estádio.

 

Angelo Tonelli angelotonelli@yahoo.com.br

São Paulo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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MEDÍOCRE

 

 

A arbitragem do Campeonato Paulista é medíocre, no mínimo. Os árbitros tendem a não dar lances claros de falta e não punem os mais exaltados.

Nos jogos Palmeiras x Portuguesa e Corinthians x São Bernardo, ficou claro o despreparo dos juízes. No primeiro jogo, faltas duras não foram marcadas e os cartões foram evitados, um pênalti para a Lusa não foi assinalado. Já no jogo do time do Parque São Jorge, lances de impedimentos foram marcados erroneamente e faltas duras não foram marcadas. Em outro jogo, do Corinthians contra o Bragantino, várias faltas duras a favor do time da zona leste da capital não foram marcadas, muito menos os agressores foram punidos.

Além disso, nenhum árbitro chega ao final do tempo adicionado, todos os jogos têm acabado antes do tempo concedido pelo juiz.

Por isso a arbitragem brasileira vai tão mal, nem o maior campeonato tem juízes capazes e bem formados.

 

 

Bruno Malteze Zuffo

São Paulo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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PAISINHO CHULO...

 

Um árbitro de futebol carioca que posa com a camisa de um clube comete o mesmo escárnio com a cara do brasileiro que comete um presidente que planta o símbolo de seu partido no jardim do palácio de governo. Ambos refletem a miséria ética e educacional que não consegue impor aos filhos da pátria mãe o mínimo de decência, que dirá moral.

E tudo nas barbas da CBF, da Comissão de Árbitros, do TJD, do Ministério Público, na fuça da Nação acovardada, que permite existir esta corja de mal nascidos que vingam sobre a pátria ajoelhada pelos tiriricas da vida.

A vergonha já não se reconhece no Brasil, os limites dos limites foram violentados, drogados e sequestrados, nas tetas da Justiça gorda e bem remunerada.

Aos de bem ainda restam algumas armas não cedidas por cem reais aos traficantes, via governo.

Ronaldo Parisi rparisi@uol.com.br

São Paulo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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ENCENAÇÃO E CARÁTER

A tremenda encenação que nossos jogadores de futebol, em sua maioria procurando seguir a lei de Gérson - de levar vantagem em tudo -, mais a "inclinação" de nossos árbitros - que deviam ser profissionalizados e responsabilizados - para favorecerem essa cínica "vantagem" aos times grandes - olhem certas penalidades máximas...- transfere para os gramados a realidade do dia a dia nacional: imunidade parlamentar para os "políticos", impunidade para os poderosos e, o pior de tudo, a criação de uma sociedade de Macunaíma, mesmo com o corajoso aviso literário de Mário de Andrade, sobre esse lado selvagem da mentalidade brasileira! Quem irá impedir essa cruel inversão de valores? Não perguntem a Rui Barbosa, pois ele já respondeu com sua lapidar frase: "De tanto ver triunfar as nulidades..."

Sagrado Lamir David david@powerline.com.br

Juiz de Fora (MG)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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FOME DE LEITURA

 

Leitura para as crianças famintas: reencantamento do presente, fé no que virá. Sempre fui de contar histórias. E de recontá-las depois, porque bem-aventurados são, de fato, os que sabem ouvir. Por isso, andei ouvindo com coração e estômago todas as histórias que me chegam sobre Nova Friburgo, minha casa amada, onde tive minha formação leitora aguçada pelas Doroteias da Monsenhor Miranda.

Histórias duras de ouvir, por certo; no entanto, é preciso cantar pra alegrar a cidade: recontar a margem de seus rios, suas cheias, seus entornos, seus enleios. A geografia poética de uma terra de gente boa de trabalho, de pensamento, de alma - coisas de quem descende de peregrinos e sabe que é preciso reinventar sempre o caminho, e a passos rápidos, pra dar mais alento.

Várias histórias apontam para os meus ouvidos, por vezes débeis, sem vontade de acreditarem no que escutam. O sr. João Madeira me fala de um silêncio oco que impera pelos bairros, traduzindo o inexorável da catástrofe. Ele acha que os friburguenses ainda não estão chorando seus mortos como deveriam... A professora Lucia Ramineli me conta de uma legião de voluntários que formigam pelas escolas, igrejas, anonimamente compartilhando a dor dos que não conseguem sequer chorar suas desventuras. A Amanda Heiderich me diz que ficou sem ver a filha por três dias, com os avós isolada em lugar "seguro", mas que perdeu colegas e alunos - ainda tenta localizar alguns deles, semanas depois. A professora Geni Nader me relata sobre a perda de 30% do patrimônio histórico da cidade, tombado ou em via de receber o tombamento. A Evelyne e o Felipe Ferreira me falam da orfandade de centenas de animais de estimação. Tantas histórias, águas, águas.

Mas a história mais impressionante que me chegou de Nova Friburgo foi contada por Jane Ayrão, do Colégio Anchieta. Ela saiu para sua ação habitual de voluntariado e se encontrou com outro andarilho, Álvaro Ottoni, escritor e contador de histórias. Ele acabava de retornar do Alto do Floresta, onde visitara a única edificação que ficou de pé - a Escola Municipal Messias de Moraes Teixeira. Pois o resto "desceu": casas, morros, vidas. Com a determinação de educador que é, Álvaro levou para o abrigo improvisado água, roupas, remédios, fraldas e LIVROS. Não imaginava que este último item da cesta básica mataria a fome daquelas crianças de forma tão pujante.

Em meio a caixas e sacolas de mantimentos, colchonetes e cobertores, além de sacos funerários com corpos dentro (sim, a escola é o ÚNICO local para guardar gente, pão e mortos), hordas de crianças silenciosas ficaram barulhentas quando o "tio" Álvaro começou a ler e a contar outras histórias. E o cardápio ficou mais variado: nessa manhã, as crianças tomaram suco com Monteiro Lobato, comeram pudim de leite com "A Bruxinha que era Boa" e se deliciaram com o prato principal: poesia, poesia. A palavra encantada que pode alimentar uma infância estupidamente afetada pela tragédia.

Jane me contou tudo isso com a voz embargada, ao telefone. Disse que viu, em outros abrigos, cenas semelhantes. Crianças pegando os livrinhos, querendo mexer neles, chamando-os a si como os amigos que lhes faltam - porque os pais se ausentaram, o Estado se ausentou e a imagem de sacos pretos espalhados pelos cantos precisa metaforizar o recomeço de outra história para Nova Friburgo e seus pequeninos.

Então, ouvidos aguçados, eu senti a bem-aventurança: ora, sou professora de Literatura, filha da Região Serrana e absolutamente convicta do poder de reencantar que a palavra tem! Jane e Álvaro me desafiaram com o tamanho de sua generosidade. Eu não sei cozinhar, não sei plantar alfaces nem rosas, não sei fazer curativos, podia até comprar umas galochas e sair corajosamente pelas ruas de Friburgo, como fazem a Jane e tantos deliciosos poetas do amanhã que habitam aquelas plagas, mas eu agora sei como estar presente. Semeando livros a mancheias, reencantando o agora, tendo fé no que virá.

Mas para isso conto com a ajuda de vocês, colegas professores, alunos e ex-alunos, amigos de longa e de curta data, amantes da literatura, leitores destas linhas que, enviesadamente, lerão também os olhos e ouvidos famintos das crianças de Nova Friburgo. Recolho doações particulares de gibis, livros infantis e juvenis e congêneres, para enviar à Jane Ayrão e sua equipe (o Colégio Anchieta, lá em Friburgo, centralizará essas doações para fazer chegar os livros às comunidades desabrigadas). Valem também livrinhos de plástico e de pano ou aqueles que a gente recebe das editoras para avaliar e adotar, no início do ano letivo... Minha casa e meu escaninho na Faculdade de Educação estão à disposição de vocês. Quem souber de algum contato interessante em órgãos públicos e privados ligados à difusão da leitura, por favor, diga "presente"! Basta me mandar um e-mail que eu faço o contato "oficial".

Até a pequenina aqui de casa, senhorita Aymée, do alto de seus quase 10 meses e extrema intimidade com os livrinhos, vai mandar para um(a) amiguinho(a) da serra um livro com um monte de espelhinhos dentro, para que ele(ela) possa se admirar e ver que a sua história de vida apenas começou... E, quem sabe, mais pra frente, quando minha filha estiver a tagarelar em bom português, ela consiga contar aquela historinha maneira, que começa assim: "Era uma vez uma linda cidade chamada Nova Friburgo, que tinha uma pracinha cheia de árvores e banquinhos, vovós e crianças, pássaros e...".

 

 

 

Anabelle Loivos Considera Conde Sangenis, professora adjunta da Faculdade de Educação da UFRJ, friburguense por adoção analoivos@terra.com.br

Niterói (RJ)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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CADÊ VOCÊ

Lendo o artigo "Cadê Você", de Mauro Chaves (29/1, A2), resolvi me manifestar, para dizer estou aqui. Sou deficiente, portador de paralisia cerebral, moro na periferia de São Paulo, moro sozinho e atualmente, por falta de recursos, estou fazendo curso de vetorização por programa pirata por não ter condição de comprar um original - sendo eu contra a pirataria! -, na expectativa de poder usar minhas habilidades criativas para ter um meio melhor de recursos monetários. Eu poderia tentar um emprego, mas já estou limitado, ainda mais, nas minhas locomoções para pegar ônibus, por isso estudo via internet, pelo YouTube, que me é gratuito.

Caso alguém se interesse em me apoiar ou orientar, estou à disposição, meu único objetivo é tentar mostrar que mesmo limitado ainda acredito numa vida sem limites. Já tentei montar uma ONG aqui onde moro, mas não tive êxito, por isso resolvi me individualizar, pois acredito que, mesmo que o mundo inteiro me diga que não posso, ainda vou continuar querendo poder e conseguir podendo...

 

 

 

Luiz Cunha cunhabom@uol.com.br

São Paulo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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