Cartas - 07/02/2011

OPOSIÇÃO

, O Estado de S.Paulo

07 Fevereiro 2011 | 00h00

Autocrítica

Para Serra, PSDB não atua como deveria, manchete do Estado de ontem. Há uma desproporção imensa entre o que o PSDB faz e o que deveria fazer. Meu caro José Serra, parceiro das lutas estudantis, se fosse algum correligionário, eleitor, até eu aceitaria sua autocrítica. Tendo em vista, porém, sua total omissão e dos seus companheiros de partido durante a campanha eleitoral, que nem sequer souberam fazer oposição ao governo do PT, creio ser ela sem fundamento. O PSDB é totalmente desunido, por falta de liderança - aliás, os líderes em potencial, brigam entre si. E isso, claro, redunda em fracassos no governo e na tentativa de voltar a governar. É notória a rivalidade entre os líderes tucanos. Até quando? O povo precisa de alternativas para mudar a nossa política. Mas assim não vai dar. Nunca.

JOÃO BATISTA CHAMADOIRA

jobachama@uol.com.br

Bauru

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Lambanças

Dilma, sou PSDB, fiz campanha para o Serra, faço parte dos 13% que não apoiavam o governo Lula, mas não aguento mais PSDB e DEM. Os políticos desses partidos não pensam no futuro do País, só no deles. Há egoísmos exagerados, cada um pensando apenas em si. Faça um bom governo, sério, que exalte o profissionalismo nas diversas áreas e terá o meu voto na reeleição.

CLEZIO DONIZETE GOULART

clezio_goulart@yahoo.com.br

São Paulo

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Utopias de FHC

No artigo Tempo de muda (6/2, A3), Fernando Henrique Cardoso nos brinda mais uma vez com sua invejável lucidez e precisa leitura sobre os vários percalços que a Nação enfrenta e certamente ainda enfrentará até atingir um estágio mais ou menos próximo das ditas grandes democracias ocidentais no tocante não só ao seu desenvolvimento econômico e à consequente redistribuição de renda, mas, principalmente, ao desejado amadurecimento político-institucional, que, aqui para nós, a julgar pela leitura diária dos jornais, nos faz perder o apetite se a fizermos antes do café da manhã. Infelizmente, apesar do diagnóstico irretocável sobre os muitos assuntos da maior relevância que a Nação deveria questionar, o antecessor de Lula parece ter a visão turvada sobre as chances de mobilização política para que todas essas questões ganhem, se não as ruas, ao menos espaço na mídia, de acordo com a importância que têm. Ao manifestar a convicção de que "está na hora de a oposição berrar e pedir a democratização das decisões, submetendo-as ao debate público", FHC parece ignorar que essa oposição, que durante a última eleição presidencial o tratou como um bode na sala, uma relíquia para ser guardada num sarcófago, é a mesma que hoje se digladia em brigas intestinas, preocupadas mais com o umbigo do que propriamente em exercer o papel que lhe caberia. Se dependermos desses aí, pobres de nós, sr. ex-presidente.

FERNANDO CESAR GASPARINI

phernando.g@bol.com.br

Mogi-Mirim

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Hora de mudar

Realmente, devo concordar com o ex-presidente que já é hora de mudar. A oposição deve, sim, falar, gritar, berrar, porém de modo que venha somar, e não dividir, ou seja, de forma responsável. Há exatamente um ano FHC escreveu o artigo Sem medo do passado (7/2, A2), no qual pedia ao então presidente Lula que, se quisesse comparar sem mentir, sem descontextualizar a história, a briga seria boa e nada haveria a temer. Pois bem, agora faço minhas as palavras de FHC: não temos nada a temer. Por isso, está mais que na hora de mudar ou, então, estaremos sujeitos a nos rendermos ao lulismo-petismo.

YURI DE OLIVEIRA PEREIRA

yoliveirapereira@ig.com.br

Guarujá

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Saudades...

Fernando Henrique pede que se faça oposição. Serra também, mas, como disse Dora Kramer, não fez. Leitores do Estadão pedem, com razão, um novo partido. Aécio entende que não é hora de bater pesado... Que saudades de Mário Covas, que entrava e saía pela porta da frente, mesmo às vezes levando pauladas.

PAULO TILELLI DE ALMEIDA

ptilelli@gmail.com

Bebedouro

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Fraca e ineficiente

Tenho lido inúmeras cartas a respeito do comportamento da atual oposição (leia-se PSDB e DEM). Ela ainda existe ou será que se "mudou" para o exterior? Francamente, meus prezados oposicionistas, vocês são muito fracos e ineficientes. Oposição inteligente, positiva, eficiente quem fazia, e com muita maestria, era o nosso saudoso tribuno Carlos Lacerda: quando fazia os seus pronunciamentos ou denúncias, o governo tremia. Infelizmente, vocês não têm esse dom.

MARCOS ANDRÉ DA S. CARUSO

esqualocaruso@gmail.com

Rio de Janeiro

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COMÉRCIO EXTERNO

Negócio da China

Evidente que, enquanto o Brasil aumenta impostos, produtos chineses invadem nosso mercado, desestimulando a produção nacional. Isso preocupa porque, quando o consumo nacional ficar dependente dos chineses, eles poderão adotar o exemplo árabe com o petróleo. E aí será tarde.

PEDRO OCTAVIO BEGALLI

begalli.pedro@hotmail.com

Pedreira

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Se um país de 500 anos não sabe ainda o que quer, uma civilização de 5 mil sabe muito bem. Nosso embaixador em Pequim se refere, como se fosse deferência, a uma tolerância que significa apenas senso de oportunidade num jogo cujo objetivo é garantir que o Brasil siga como fonte de matérias-primas vitais e mercado para tudo o que deles pudermos comprar. Este deve ser o único ponto inegociável para eles. Não fazem negócio para perder, sempre para maximizar os ganhos, e negociam até conseguirem o que querem. Se hoje não conseguem comprar todas as terras que desejam, voltarão em tempo mais oportuno, e têm engenhosidade para remover qualquer obstáculo. Na hora certa vão falar alto e, se preciso, virar a mesa. Já o fizeram com nossa soja há anos e recentemente dobraram a Argentina com o óleo de soja. Discordo que o Brasil ou a América Latina tenham a obrigação de exaurir seus recursos naturais para atender a demandas de outros países. Cuidemos de imitá-los, provendo boas escolas para nossos filhos e, enquanto isso, o melhor negócio que se faz com eles é limitar os negócios.

ANTONIO C. DA MATTA RIBEIRO

antoniodamatta@ig.com.br

Guarulhos

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"FHC mostra que Lula deixou uma "herança bendita" para a oposição. Basta querer..."

GILBERTO DIB / SÃO PAULO, SOBRE O ARTIGO "TEMPO DE MUDA" (6/2, A2)

gilberto@dib.com.br

"Onde falta pão, casa ou país, todos gritam e todos têm razão"

FAUSTO FERRAZ FILHO / SÃO PAULO, SOBRE A ALTA NO PREÇO DOS ALIMENTOS (COLUNA

DE CELSO MING, 6/2, B2)

faustofefi@ig.com.br

"Na China tudo se copia e se negocia pelo mundo"

ANGELO TONELLI / SÃO PAULO, SOBRE COMÉRCIO GLOBAL

angelotonelli@yahoo.com.br

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TEMA DO DIA

Aécio não é candidato natural, diz tucano

Aloysio Nunes Ferreira, senador por SP, cita Alckmin e Serra como nomes viáveis para 2014

"Serra já foi derrotado duas vezes. Alckmin, uma. Por que não seria a vez de Aécio? O PSDB não é um partido só de paulistas."

MARCO ALVARENGA

"Ter uma oposição que só insiste no erro é tudo o que o PT quer. Se a Dilma quer a reeleição, ela já conseguiu."

JULIO MARTINELLI

"O PSDB se perde, e também faz uma oposição fraca, por causa da vaidade de alguns."

VALDEMIR GONZAGA TAVEIRA

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Cartas enviadas ao fórum dos leitores, selecionadas para o estadão.com.br

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

EXISTE OPOSIÇÃO NO BRASIL?

 

Não aguento mais ler sobre as brigas e crises internas dos partidos DEM e PSDB. O Serra precisa se decidir: é o não é candidato à presidência do PSDB? Está na hora de deixar a moita, pois ficou na moita durante a campanha para a Presidência da República e deu no que deu. Ainda bem que a Dilma está se revelando ser bem melhor que o presidente anterior e os danos provocados ao País pelo governo anterior poderão ser revertidos.

Concordo com FHC, é tempo de muda, vamos encontrar líderes, pessoas que queiram fazer e trabalhar pelo bem do País, como fez o próprio FHC, e esquecer políticos como Serra e Aécio, que só pensam neles mesmos.

Chega de políticos que ficam tentando pular de galho toda hora, quando eleitos para um cargo. Fiquem até o final, fazendo um bom trabalho e só depois se candidatem a outra função ou cargo

e respeitem o voto de eleitor.

 

 

Maria Carmen Del Bel Tunes Goulart carmen_tunes@yahoo.com.br

Americana

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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ESQUEÇAM O QUE EU ESCREVI...

 

 

Rapaz, lendo o artigo do FHC parece que ele foi mero espectador no Brasil. Presidente, ele comprou o Congresso para reeleger-se, privatizou com financiamentos brasileiros as empresas estrangeiras, fala em infraestrutura, mas no governo dele foi apagão mesmo.

Rosmil Jabur totonhalobo@yahoo.com.br

Cândido Mota

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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CAINDO NA REAL

Até que enfim Chico Buarque caiu na real, em entrevista à revista do jornal "El País", confirmou que o sr. Fernando Henrique Cardoso foi a "chave sem a qual não seria possível o Brasil avançar". Será que o sr. Lula entendeu ou precisa explicar melhor?

 

M. Teresa Amaral mteresa0409@estadao.com.br

São Paulo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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LEIAM FHC

 

Uma sugestão aos tucanos, que em oito anos e 37 dias ainda não conseguiram entender o que é ser oposição: leiam atentamente o artigo de FHC publicado neste último domingo no Estadão. Lá o ex-presidente fornece todas as informações necessárias para que vocês, tucanos, finalmente entendam como proceder na profissão para a qual foram destinados nos próximos quatro anos: honrar os votos de 44 milhões de brasileiros insatisfeitos com os rumos do País sob o medonho quarteto Lula-Dilma-PT-PMDB.

 

 

Henrique Brigatte hbrigatte@yahoo.com.br

Pindamonhangaba

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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VALE A PENA OUVIR FHC

 

A cada declaração, a cada entrevista, a cada artigo, mais me pergunto: como é possível que o sociólogo Fernando Henrique Cardoso esteja à margem das decisões do futuro deste país e como foi possível mantê-lo longe das campanhas eleitorais, tamanha lucidez, inteligência e competência demonstradas? Só mesmo no Brasil de "Sarneys" e outros tais quais.

 

Luiz Nusbaum lnusbaum@uol.com.br

São Paulo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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TEMPO DE MUDOS

 

Como disse o ex-presidente FHC (6/2, A2), "está na hora de a oposição berrar e pedir a democratização das decisões. (...) Há que mexer no desagradável (...). Não dá para calar sobre a Caixa Econômica, subsídios do BNDES, compra de aviões, cartões corporativos, R$1,6 trilhão de dívida interna". A julgar pelos fraquíssimos nomes sugeridos pelo senador Aloysio Nunes (A12), perdidos em "questiúnculas internas", a oposição jamais falará forte e a propaganda enganosa do governo Lula-Dilma estará na mídia pelos únicos quatro anos nos quais poderíamos vislumbrar a mudança do tudo que está aí, incompetentemente plantado nos últimos oito anos.

 

Flavio Marcus Juliano opegapulhas@terra.com.br

São Paulo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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DE TUCANOS, PARDAIS E CHUPINS

 

 

Pelo visto, do ninho dos tucanos continuam voando penas para todo lado, e é uma lástima essa briga interna, que impede a oposição de traçar estratégias para 2014. Quem se regozija com isso são os pardais petistas e seus aliados chupins, pássaros conhecidos pelo hábito de colocar seus ovos no ninho de outras aves para que estas os choquem e criem seus filhotes. Ou, em outras palavras, símbolo dos aproveitadores políticos sempre de plantão. Até quando os caciques tucanos prejudicarão o futuro da política no Brasil com suas vaidades pessoais? Não há quem aguente mais, e disso tudo o resultado será que não vai sobrar País que preste por causa dessa briga fratricida.

 

Mara Montezuma Assaf montezuma.fassa@gmail.com

São Paulo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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COMPORTAMENTO DE SERRA

Serra foi a maçã podre dentro do cesto do PSDB. Mas agora é tarde para descartá-la. Já contaminou quase todo o conteúdo. Talvez fosse necessário um novo cesto, com novas maçãs.

 

Ulysses Fernandes Nunes Junior ulyssesfn@terra.com.br

São Paulo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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A OPOSIÇÃO DO PSDB

 

 

Serra critica seu partido, dizendo que a desunião fortalece mais ainda a base do atual governo. Ora, sr. Serra, sua campanha à Presidência foi claramente desmotivada. Faltou muita vibração, mas o partido se uniu em torno de sua campanha, especialmente o governador Alckmin, em São Paulo, Faltaram vibração, motivação e, principalmente, mostrar muita vontade para chegar lá. Para mim, a maior cabeça pensante e o melhor político de seu partido é mesmo FHC. Basta ler o artigo dele no Estadão deste domingo. FHC foi combatido durante muito tempo por Lula e seus asseclas, durante os oito anos de governo e na campanha de Dilma, e nenhuma voz no partido se levantou para defender o mais importante governo republicano que o Brasil já teve, o de FHC. O de Lula foi o maior em lorotas e gastanças, sem contar as cuecas repletas de dinheiro público. A oposição realmente precisa se reorganizar e se unir mesmo, e partir para a luta democrática que todos esperamos.

Carlos E. Barros Rodrigues ceb.rodrigues@hotmail.com

São Paulo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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GENTE FINA É OUTRA COISA

 

 

 

 

Agora a nota vem de um tucano de alta plumagem, paulista, ao dizer que Aécio não é o candidato natural para 2014. Esse pessoal perdeu feio a última eleição por causa de sua empáfia e natural elitismo e agora fica se digladiando. É melhor que se organizem e se entendam em primeiro lugar e depois decidam nomes e estratégias. Apenas para ilustrar, durante a campanha à Presidência FHC sumiu e agora ressurge (último programa político na TV) com a bola toda. Não dá para entender. Acertem-se primeiro entre si e depois definam nomes. Ficar lavando roupa suja em público não é coisa de gente fina, como pretendem ser.

 

José Piacsek Neto bubapiacsek@yahoo.com.br

Avanhandava

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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ARMA SECRETA

 

Aécio Neves deve ser a arma secreta de Lula para acabar de vez com os partidos de oposição brasileiros. Ele conseguiu, sozinho, provocar dissenso no PSDB e no DEM, em menos de um mês. Aécio está se tornando sinônimo de ambição desmedida e desunião.

Maria Cristina Rocha Azevedo crisrochazevedo@hotmail.com

Florianópolis

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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PROMESSAS VAZIAS

 

 

O governo Dilma não é, como diziam na campanha, uma continuação do governo Lulla? Então vamos lá, cobrar dela que honre a palavra e aja com respeito à inteligência dos cidadãos. Em 2010, prometeram entregar 500 UPAs (Unidades de Pronto Atendimento), entregaram apenas 91 (ficaram devendo 409). Na campanha, foram prometidas mais 500 UPAs para serem entregues em 2011 (no total, seriam mil). Já no discurso de quarta-feira no Congresso, Dilma falou em apenas 500, e para 2014, não mais para 2011.

Quer mais? Vamos em frente. No PAC 1, prometeram construir 1 milhão de casas do Minha Casa, Minha Vida. Construíram apenas 190 mil. Faltam 810 mil casas do PAC 1, mas isso não os intimidou e já prometeram mais 1 milhão no PAC 2 (total: 2 milhões).

Esses governos (Lulla e Dillma) não se dão ao respeito e tampouco respeitam a nossa inteligência.

 

 

Rodrigo Borges de Campos Netto rodrigonetto@rudah.com.br

Brasília

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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CONTINUIDADE

O PAC continua com força total: mal começou seu governo e Dilma já inaugurou um apagão no Nordeste.

 

A. Fernandes standyball@hotmail.com.br

São Paulo

 

 

 

 

 

 

 

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APAGÃO NÃO, HOMENAGEM

Tenho lido nas últimas horas muitas críticas infundadas aos dirigente do setor elétrico. Gente, vamos ser menos críticos. O competente ministro Lobão, de Minas e Energia, tem toda a razão: o que realmente aconteceu no Nordeste não foi um apagão. Na minha opinião, foi um piscar de luzes. Uma justa homenagem da região para recepcionar a chegada do sr. Flávio Decat, o mais novo membro da trupe Sarney na presidência de Furnas. Acho até que tudo deve ter tido início no Maranhão.

 

Humberto de Luna Freire Filho hlffilho@gmail.com

São Paulo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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O RAIO DE BAURU E O DE DILMA

 

 

Como num passe de mágica, regresso seis ou sete meses no tempo e ponho-me a ouvir, nitidamente, a hoje presidente Dilma Rousseff dizendo que o apagão de FHC foi "pura falta de competência". Que tal evento, doravante, nunca mais ocorreria "porque nós temos os melhores técnicos (putz!) para gerir o sistema nacional de transmissão de energia, que só agora está realmente confiável" (sic).

Ora, ora, ora! Vejam só... E quem assim falava, na época em campanha eleitoral, era uma ex-ministra de Minas e Energia, que, presumia-se, deveria entender muito bem do assunto. Ledo engano! Tanto não entendia - e não entende ainda - que conservou na pasta um analfabeto em geração, transmissão e logística energética, o atual ministro daquela mesma pasta, Edison Bobão! Ops... Com perdão de S. Exa., Edison Lobão. E querem saber qual a competência do ministro? Ei-la: José Ribamar Sarney, que impôs à presidente a nomeação de seu conterrâneo maranhense.

Nos dias de hoje, os castigos não vêm mais a cavalo... Vêm de Rafale, da Dassault!

 

 

João Guilherme Ortolan jortolan@uol.com.br

Bauru

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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DIVISOR DE ÁGUAS?

 

Com referência a carta "Divisor de águas" (5/2), cabe dizer que, se a presidente Dilma conhecesse e dominasse a área energética, não teria nomeado Edison Lobão, indicado por Sarney, para o cargo de ministro de Minas e Energia. O presidente do Senado pressionou e também conseguiu a nomeação para a presidência de Furnas (sem comentários).

Vale lembrar que a ex-ministra de Lula para área energética nunca conseguiu explicar claramente o apagão de 2009.

Flávio José Rodrigues de Aguiar rsd100936@terra.com.br

Resende (RJ)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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O APAGÃO DO LOBÃO

 

O problema energético do País só se resolverá quando o PT e o PMDB colocarem a viola no saco e o canivete na algibeira se mandarem para os quintos dos infernos. Assunto técnico deve ser administrado por técnicos, e não por políticos.

 

Ronald Martins da Cunha ronald.cunha@netsite.com.br

Monte Santo de Minas (MG)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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BIENAL DA ESCURIDÃO

 

Depois da Bienal do Livro, Bienal de Artes, Bienal do Automóvel, da Cultura e de tantas outras, apresentamos a Bienal da Escuridão, da Penumbra, do Apagão, que se vem repetindo há, pelo menos, dez anos: iniciou-se no final do governo FHC, atravessou, sem interrupções os oito anos do governo Lulla, o filho do Brasil, e agora se repete no início do governo Dilma Rousseff. Como diz o nosso ministro Lobão, as falhas ocorrem no mundo inteiro, mas ele se "esqueceu" de que essas falhas não são frequentes no resto do mundo, e aqui, no Brasil, elas são recorrentes. Pelo jeito, começaremos a sofrer as consequências da passagem do filho do Brasil antes do que poderíamos imaginar.

 

Ricardo A. Rocha rochaerocha@uol.com.br

São Paulo

 

 

 

 

 

 

 

 

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QUE MENTIRA, QUE LOROTA BOA!

 

Escutando uma entrevista do ministro Edison Lobão veiculada pela Rádio CBN, pude mais uma vez comprovar o quanto esses gestores públicos brasileiros perderam total e definitivamente o respeito pelo povo, acreditando piamente na tese de que, distribuindo dinheiro fácil através de programas do tipo Bolsa-Família, podem fazer o que bem entendem, pois contam com o respaldo eleitoral dessa legião de flagelados, econômicos e mentais, que acreditam que por receberem uma mísera mesada governamental, à guisa de esmola, estão fazendo um grande negócio. Pois bem, ao ser indagado a respeito do apagão que atingiu a maioria dos Estados nordestinos, seu Lobão, com a cara de pau que lhe é peculiar, partiu imediatamente para o "contra-ataque", afirmando que não havia ocorrido nenhum apagão, pois o que ocorrera fora "apenas uma falta provisória de energia elétrica". Para completar o festival de baboseiras, o ministro passou a exaltar as condições técnicas da estrutura de distribuição de energia elétrica no Brasil, afirmando inclusive que nossa estrutura é superior à de qualquer outro país do mundo. Diante de tamanha demonstração de cinismo, comprova-se que esse "ministrinho" é um completo aloprado, que não está nem aí para a opinião pública, até porque sabe que seu emprego garantido, graças ao apadrinhamento que recebe de Zé Sarney, e que Dilma, assim como aconteceu com Lulla, não terá coragem de se livrar dele, mesmo estando evidente o seu total e absoluto despreparo para ocupar o cargo que "ganhou de presente".

 

 

Júlio Ferreira www.ex-vermelho.blogspot.com

Recife

 

 

 

 

 

 

 

 

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BLECAUTE

 

O ex-presidente Lula havia lançado o programa Luz para Todos, hoje estamos vendo blecaute para quase todos.

Virgìlio Melhado Passoni mmpassoni@gmail.com

Praia Grande

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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VERDADE NUA

Começa a cair a máscara, ao apagar das luzes do governo anterior. E lá vem apagão.

Maria do Carmo Zaffalon Leme Cardoso mdokrmo@hotmail.com

Bauru

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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O APAGÃO E A HIPOCRISIA

 

No mundo da política ninguém perde a chance de aproveitar ocasiões como o apagão para exibir publicamente a tendência a mentir e distorcer os fatos. Aqueles que defendem o governo garantem que o sistema é o mais moderno do mundo e os contra falam quase sempre de incompetência. Neste caso específico, seria muito mais certo dizer que todos os sistemas, mesmo os mais modernos, são sujeitos a falhas e que os ótimos técnicos atuando na Eletrobrás fazem o possível para evitar interrupções no fornecimento de energia. Parece, entretanto, provável que a única causa do apagão se situe nas dificuldades em acompanhar o crescimento do consumo de energia com os necessários investimentos. As condições favoráveis da economia favorecem o uso de eletrodomésticos, o forte calor incentiva o uso de ar-condicionado, as fábricas trabalham quase no limite de sua capacidade. Considerando tudo isso, penso que seria mais simples, honesto, ético dizer aquilo que mais se aproxima da verdade, sem as exibições de mau gosto verbal da situação e da oposição.

 

 

Franco Magrini framagr@ig.com.br

Cachoeira Paulista

 

 

 

 

 

 

 

 

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APAGÃO E HORÁRIO DE VERÃO

 

Quando a atual presidente estava no Ministério de Minas e Energia, quis acabar com o horário de verão, porque sua equipe especializada não constatou nenhuma vantagem, apenas um sacrifício a mais para a população em relação ao relógio biológico. Todavia os Estados interessados, especialmente os que curtem a praia, não aceitaram e/ou não deixaram. Se o horário de verão fosse aquilo que a Comissão de Energia apregoa para sua manutenção, não teríamos tido o tal apagão.

Está aí uma oportunidade para a presidente determinar o primeiro ato benéfico para a maioria da população.

 

 

Jose Mondelli, FOB-USP jomond@usp.br

Bauru

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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CAUSAS IGNORADAS

Maior problema que a falta de energia é o governo não saber as causas, além de ter argumentado o ocorrido utilizando-se de eufemismos como "interrupção temporária de energia", "problema", "efeito dominó", etc., etc., para não utilizar a palavra apagão.

A única certeza incontestável é que simplesmente 46 milhões de pessoas ficaram sem luz em oito Estados do Nordeste, o maior reduto político do PT. E ainda termos de ouvir do Lobão que "não há no mundo sistema mais moderno que o brasileiro". Me engana que eu gosto!

 

 

Angelo Tonelli angelotonelli@yahoo.com.br

São Paulo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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HERANÇA MALDITA

 

Esse apagão no Nordeste por falta de investimentos e a volta de inflação fazem parte da "herança maldita" deixada pelo ex-presidente Lula nos oito anos de governo petista.

 

José Millei elymillei@hotmail.com

São Paulo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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APAGÃO MENTAL

O povo do Nordeste merece apagão, seca e miséria porque idolatra e vota em Sarney, Lula e Dilma, propagando o atraso, a corrupção e prejudicando o resto dos brasileiros, que odeiam as oligarquias nordestinas. A hipótese de rebelião popular é nula. Os nordestinos gostam de sofrer e ver seus oligarcas no poder e gastando e guardando o dinheiro, surrupiado da educação e saúde, em São Paulo e na Europa.

José Francisco Peres França josefranciscof@uol.com.br

Espírito Santo do Pinhal

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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INVESTIMENTOS

O governo federal tem de rever prioridades. Investir na recuperação e modernização das linhas de geração e transmissão de energia, como parece óbvio, é mais importante do que aportar US$ 25 bilhões para financiar o trem-bala, que poderá imobilizar-se sob um apagão. Suponha-se, ainda, a escuridão envolvendo eventos da Copa do Mundo e da Olimpíada.

 

 

Amadeu Roberto Garrido de Paula amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo

 

 

 

 

 

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ACABOU A CRISE

 

Sabem por quê? O Corinthians ganhou do Palmeiras (1 x 0), é muito melhor do que a Libertadores. Grande Júlio César, goleiraço! Chupa, Verdão, vai virar freguês. Acabou a crise.

 

Reinaldo Amaral reinaldo2901@uol.com.br

São Paulo

 

 

 

 

 

 

 

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PALMEIRAS

 

Com a promessa de Felipão de ajudar seu conterrâneo e amigo Tite a não ser demitido, aliás, uma verdadeira aberração, os corintianos puderam soltar os rojões que haviam comprado para comemorar a continuidade na Libertadores no jogo contra o Tolima.

Luiz Bianchi luizbianchi@uol.com.br

São Paulo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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MUY AMIGO

 

Conforme noticiado pelo Estadão (Esportes, 5/2), o técnico Luiz Felipe Scolari Afirmou: "Se me falassem que ganhando eu tiraria o Tite, eu preferia perder o jogo". Dizendo isso, o treinador palmeirense retirou, a priori, o mérito do "amigo" na vitória do Timão.

 

 

Cláudio Moschella arquiteto@claudiomoschella.net

São Paulo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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GRANDE MARCOS

 

Sou torcedor do Santos Futebol Clube, mas admiro muito a postura e a coerência do goleiro Marcos, do Palmeiras. Em entrevista ao programa Terceiro Tempo, da Band, ontem, após derrota para o Corinthians, indagado sobre a violência das torcidas, o jogador lamentou o fato de os torcedores não reagirem com a mesma indignação diante de tantos roubos e desvios de dinheiro público praticados pelos políticos brasileiros.

Parabéns, Marcos, você está coberto de razão. Infelizmente, a maioria da torcida, que

não lê absolutamente nada que não seja futebol, vai continuar agindo da mesma forma.

 

 

Maurício Rodrigues de Souza mauriciorodsouza@globo.com

São Paulo

 

 

 

 

 

 

 

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BOOK DO MAL

 

"O jogador William Morais do Corinthians foi morto na madrugada deste domingo ao tentar fugir de uma tentativa de assalto quando deixava uma festa na região da Pampulha, em Belo Horizonte. Segundo a Polícia Militar, Morais estava em um automóvel parado e conversava com uma mulher quando os três suspeitos abordaram o jogador e tentaram roubar o cordão de ouro que ele usava. Policiais militares que faziam o patrulhamento da região mostraram à mulher fotos de criminosos que atuam no bairro. Após a testemunha identificar um dos suspeitos, a PM o prendeu em sua casa. O homem confessou o crime." Puxa! Ainda bem que a polícia tinha o book, né? Polícia preventiva é assim: assalte, mate e vai ver se não te pego, óia tua foto aqui!, Brincadeira, meu...

 

Jatiacy Francisco da Silva www.lettersofjatiacy.wordpress.com

Guarulhos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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PATENTES

 

Aproximadamente há 13 anos inventei o protetor de para-choque (conhecido hoje por todos os síndicos de prédios do Brasil). Com as patentes Modelo de Utilidades 22/5/98, Desenho Industrial 30/9/98, pensei que estaria protegido da pirataria.

Mais 11 meses depois obtive a Patente do Desenho Industrial e em 13 de abril de 2004 obtive o Modelo de Utilidade. Desde aquele instante comecei a pagar anuidades das duas, ou seja, cumpro minhas obrigações para manter as patentes ativas, e até hoje não consigo me beneficiar delas.

Tenho um processo correndo no Fórum da Vila Formosa desde 2005 contra duas empresas piratas e eu, mesmo com 63 anos e tendo prioridade de Justiça, não consigo que o juiz dê seu parecer favorável sobre meu processo.

Umas das empresas piratas tentou cancelar a minhas patentes no INPI e na Justiça Federal, mas ganhei a causa.

O incrível é que um juiz estadual não consiga dar fim a esse processo. A Justiça brasileira deveria ter juízes especializados em patentes, já que a patente é um pleito jurídico finito (tem prazo de 15 anos para acabar e é o único tempo que o inventor tem para usufruir o seu invento; não deveria ter recursos, já que a patente é líquida e certa após concedida, portanto, também deveria ter juízes específicos).

Estou a dois anos do fim de uma das patentes e não consigo ganhar com meu invento.

Realmente, coisas do Brasil loteado por partidos políticos, que se preocupam só com eleições e, após, vão atrás de projetos próprios, e não do Brasil.

E os que pagam impostos que se danem , porem que paguem impostos para manter a corja.

ACORDA, BRASIL!

 

 

Washington Botella Estoyanoff wash.bot@uol.com.br

São Paulo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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HOMEOPATIA

Na qualidade de Presidente da Federação Brasileira de Homeopatia, e em resposta à matéria "Ativistas contra homeopatia vão tomar ‘overdose’", publicada no último domingo, dia 30/1, venho afirmar que esta ciência de mais de 200 anos, derivada de uma das propostas de Hipocrates, pai da Medicina Ocidental, é uma especialidade médica desde 1980 no Brasil. Está presente em vários serviços médicos do SUS e Universidades e em expansão conforme a posição da Organização Mundial da Saúde no sentido de oferta de terapias reconhecidas como eficazes, e aqui no Brasil pela portaria 971 no Ministério da Saúde.

A condição básica para emitir qualquer tipo de opinião sobre a Homeopatia é ser feita por profissionais capacitados que tenham estudado a sua teoria e prática. O fato de leigos ou pessoas, que se intitulam de forma estranha como representantes de um tipo opinião, se manifestarem contra uma opção terapêutica nos chama a atenção. Isso só seria realmente entendido e compreensível se houvesse algum malefício no tratamento, como no caso de vários tipos de drogas que surgiram como milagrosas e que foram eliminadas do bulário médico, pois decepcionaram pelo mal causado.

Chama a atenção que um grupo não definido em suas constituições profissionais queira atrair atenção a nível mundial sobre o aumento do consumo e gastos com a Homeopatia negando as publicações e fatos relevantes que abalizam sua crescente procura. Isso demonstra todo tipo de desrespeito em não chamar à atenção desta mesma população dos riscos de abusos de remédios, e outras coisas de importância social. Ao contrário, vão colocar a prova o sistema de segurança que a Homeopatia promove aos seus usuários, com resultados de ausência de intoxicações catalogadas ao longo destes dois séculos de prática.

Insultam os usuários e deixam uma mensagem dúbia em atacar com um volume financeiro considerável uma prática que vem prestando serviços de forma eficaz só ou como complementar de outras técnicas médicas, assim como a cirurgia, vacinas, alopatia, acupuntura, entre outras. O fato de a ciência Homeopatia promover alguma polêmica advém da carência de conhecimento e estudo teórico e prático, por uma boa parte dos médicos por não contam com esta matéria no ensino universitário.

O médico tem dever e ética para com seu paciente. Cabe a ele estar informado da melhor forma de tratá-lo. Nesse caso, a Homeopatia é mais um instrumento para a prática da medicina, levando o profissional a optar por realizar outra técnica ou sabendo indicar quem o faça de maneira a confortar, aliviar ou curar o mal que atinge seu paciente, e jamais se esconder num único método, obscurecendo as possibilidades de tratamento.

A Homeopatia é um sistema terapêutico que se baseia nas características do enfermo e utiliza doses mais fracas para evitar a agressão imediata ao paciente já combalido pela doença. Sua prática registra benefícios desde a epidemia de cólera entre 1830 e 1834 na Europa. A utilização mais expressiva do tratamento homeopático está nas doenças crônicas, reduzindo progressivamente crises agudas, como rinites, asma, bronquites, colites, artrose, por exemplo, e conta com publicações específicas.

Obviamente, este fenômeno promove uma melhora do estado de saúde, e um menor consumo de medicamentos de ação aguda, e pesquisas têm revelado um menor custeio da saúde nestes tipos de patologia. O número de pessoas que procuram serviços médicos para tratamento com homeopatia vem aumentando de forma significativa, gerando maior procura por este tipo de medicamento.

 

Dr. Fabio de Almeida Bolognani, presidente da Federação Brasileira de Homeopatia www.homeopatiabrasil.org.br

São Paulo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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HOMEOPATIA E CETICISMO

Reproduzindo a manifestação de 30/01/2010, grupos de céticos em diversos países ingeriram em 05/02/2011, em praças públicas, frascos inteiros de "supostos" medicamentos homeopáticos, com o intuito de validar a hipótese de que esses remédios "são apenas glóbulos de açúcar" e não produzem qualquer efeito na saúde humana. Vale ressaltar que esse movimento surgiu no Reino Unido em apoio à proposta de suspensão do uso de verbas públicas para a compra de medicamentos homeopáticos, mobilizada por partidários de laboratórios farmacêuticos, e que envolve a quantia de milhões de libras anuais.

Pelo segundo ano consecutivo, contanto com a participação maciça da mídia, os autodenominados céticos concluíram, de forma sensacionalista, que os medicamentos homeopáticos funcionam apenas como "placebo", baseando suas catedráticas afirmações na suposição de que nenhum dos participantes apresentou quaisquer efeitos adversos logo após a ingestão das "overdoses" dos medicamentos homeopáticos.

Num primeiro momento, várias perguntas deveriam ser respondidas pelos organizadores do movimento, para a proposta apresente legalidade jurídica, ética e científica: Quais foram os medicamentos homeopáticos experimentados e em que potência? Aonde foram produzidos e adquiridos, em vista da necessidade de prescrição médica para o aviamento dos mesmos? Na vigência da manifestação de eventos adversos, qual a conduta para assegurar a integridade dos usuários? Os efeitos poderão surgir em quanto tempo após a ingestão? Qual a metodologia para se avaliar os possíveis resultados? Etc.

Apesar desse hiato de informação básica, muitos articulistas médicos, que deveriam pautar seus posicionamentos no método científico, se posicionaram a favor do movimento.

A auto-experimentação de medicamentos homeopáticos (auto-experimentação patogenética homeopática) é, de fato, um excelente método para a comprovação dos efeitos dos medicamentos homeopáticos no estado de saúde humano, desde que os experimentadores se disponham a observar e registrar, em tempo hábil e sem preconceitos, as mudanças desencadeadas pelas ultradiluições em seus aspectos psíquicos, emocionais, gerais e físicos.

Por esse motivo, em relação aos episódios anteriormente relatados e seus supostos resultados, eu não posso deixar de questionar se tais "céticos" estariam "verdadeiramente" dispostos a mencionar qualquer mudança em seu estado de saúde que poderiam vir a surgir ao longo das semanas após a auto-experimentação. Como o mais provável é que a resposta seja "não", então proponho que ao invés de "céticos" sejam chamados de "preconceituosos", porque lhes falta o "verdadeiro espírito científico", ou seja, aquela postura que exige dos pesquisadores abdicarem de suas opiniões e idéias preconcebidas quando buscam respostas para perguntas sugeridas pela pesquisa.

Minha posição se fundamenta nos resultados obtidos no projeto "Experimentação patogenética homeopática como método didático", que vem sendo realizado desde 2003 com estudantes da disciplina eletiva "Fundamentos da Homeopatia" da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Trata-se de um protocolo científico (aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital das Clínicas da FMUSP), onde os medicamentos homeopáticos são experimentados em doses únicas (5 glóbulos) e na diluição 30cH (10-60 M) através de ensaio clínico randomizado, duplo-cego e placebo-controlado (cross-over).

Os estudantes de medicina participam dessa atividade de forma optativa e voluntária, assinando um Consentimento Livre e Esclarecido (CLE) e observando os efeitos do medicamento homeopático e do placebo (em fases alternadas) em seus estados de saúde, ao longo de um período de dois meses. Com essa prática vivencial puderam ser confirmados vários sintomas descritos em experimentações prévias das mesmas substâncias, corroborando a premissa de que a "informação" contida nos medicamentos homeopáticos dinamizados pode produzir efeitos patogenéticos em seres humanos. Essa experiência quali-quantitativa está descrita em detalhes no artigo "Brief homeopathic pathogenetic experimentation: a unique educational tool in Brazil" ("Experimentação patogenética homeopática breve: uma singular ferramenta educativa no Brasil"), publicado em 2009 no periódico "Evidence-based Complementary and Alternative Medicine" ( http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2722208 ).

No entanto, devo insistir que o requisito mínimo para que os fenômenos homeopáticos possam ser constatados está na "mente aberta" dos pesquisadores (como se posicionaram, de forma exemplar, os estudantes de medicina da FMUSP), sem preconceitos, tanto na pesquisa quanto na terapêutica. Caso contrário, são "pérolas jogadas aos porcos".

 

Marcus Zulian Teixeira, médico homeopata, doutor em medicina, coordenador da disciplina "Fundamentos da Homeopatia" da FMUSP mzulian@usp.br / www.homeozulian.med.br

São Paulo

 

 

 

 

 

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