Cartas - 07/08/2010

PRESIDENCIÁVEIS NA BAND

, O Estado de S.Paulo

07 de agosto de 2010 | 00h00

Extrema delicadeza

Como eleitor e cidadão brasileiro, fiquei decepcionado com o debate promovido pela Band. Não sei se foi engessamento por parte da emissora ou da assessoria dos candidatos, pois o que se viu foi uma delicadeza extremada dos dois principais concorrentes. Entendo que os brasileiros precisavam ouvir, com firmeza e em detalhes, o que a candidata do governo tem a dizer sobre o envolvimento do PT com as Farc e com o MST e sobre o programa de governo com relação à liberdade de imprensa e todas as formas de comunicação. Ninguém abordou esse tema! Por quê? Foi medo de enfrentar a petista? Medo por quê, se ela estava tremendo e gaguejando? Foi uma pena!

JOÃO MAGRO VENTURA

joaomv@terra.com.br

São Paulo

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Gagueira

Ser gaga não é demérito. A gagueira é uma patologia de linguagem. Não pode nem deve ser usada pejorativamente para desqualificar quem quer que seja.

SILVIA MACHI

silviaoller@ig.com.br

São Paulo

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Debate da carochinha

Debate enfadonho, com números cheios de botox citados pela candidata oficial, plagiando o "cara", dando como realizadas obras não executadas em infraestrutura, educação, saúde, segurança x drogas importadas dos amigões, etc., apesar da alta arrecadação. Ninguém falou sobre mensalão, reformas tributária, eleitoral, do Judiciário e outras que interessam ao eleitor, não feitas pelo "cara", que manda no Legislativo. Ela deu ênfase aos 14 milhões de empregos criados (que eu duvido). Mas empregos são criados pela iniciativa privada e mais seriam se a carga tributária fosse racional. O governo só criou boquinhas para os cumpanheros sindicalistas e políticos, pagos por nós. Se eleita, também vai discursar, viajar e palpitar sobre o que acontece em outros países, para fugir dos problemas internos?

MÁRIO A. DENTE

dente28@gmail.com

São Paulo

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Modelo ultrapassado

Os debates na TV estão cada vez mais desinteressantes. Os candidatos vão preparados para dizer o que querem, e não o que lhes é perguntado. E quando são instados a aprofundar o tema mentem com a maior cara de pau em assuntos que deviam ser tratados com o maior rigor e seriedade. Sem falar no horário em que vão ao ar, 22 horas, quando mais da metade da população trabalhadora já se recolheu. Enfim, os debates seguem um modelo retrógrado e ultrapassado, pouco esclarecem o eleitor que espera ver o compromisso de seu candidato e sai decepcionado com o rumo que as questões tomam. Para um país como o Brasil, atrasado na alfabetização, esquecido dos governos nos temas mais importantes, como saúde, segurança, transportes e moradia, resta votar no menos pior, naquele que demonstrar maior capacidade de administrar e mais comprometimento com os serviços essenciais.

IZABEL AVALLONE

izabelavallone@yahoo.com.br

São Paulo

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Partida provinciana

Como esperável, nosso "homem cordial" preferiu o embate entre o glorioso Tricolor Paulista e o combativo Colorado gaúcho ao debate dos presidenciáveis. Não perdeu muito. O modorrento confronto só foi quebrado por algumas pedaladas démodés de Plínio de Arruda Sampaio, cuja notória inteligência parece haver sido enterrada sob os escombros ideológicos dos anos 60. O que causou mais espécie foi a absoluta irrelevância a que os candidatos e os próprios jornalistas relegaram os temas internacionais e as desastradas intervenções do governo brasileiro no campo das liberdades públicas e dos direitos humanos em suas relações com os outros países, como, por exemplo, a ameaça global - e, por evidente, aos brasileiros - que hoje representam as ditaduras de Coreia do Norte e Irã. Enfim, o futebol da Libertadores preponderou sobre uma partida provinciana.

AMADEU R. GARRIDO DE PAULA

amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo

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Audiência

As pesquisas de audiência mostram que o debate entre quatro candidatos à Presidência realizado pela TV Bandeirantes teve um pico de audiência de 5,5 pontos, enquanto o jogo de futebol São Paulo-Inter de Porto Alegre, no mesmo horário, obteve 28,5 pontos. Esse resultado é o retrato fiel do eleitor brasileiro que elegeu e reelegeu o sr. Lulla da Silva presidente e este ano elegerá, sem sombra de dúvida, a sra. Dilma Rousseff. O que não entendo é como a Bandeirantes pôde marcar um debate desses sabendo que no mesmo horário se realizava um jogo de futebol cujo vencedor seria o finalista da Taça Libertadores. Qualquer pessoa semilúcida sabia de antemão que o resultado de audiência não poderia ser diferente. Além do mais, o primeiro debate é o mais morno de todos, pois a "ficha" das eleições ainda não caiu na mente da maior parte da população.

CARLOS BURGI

carlos.burgi@terra.com.br

São Paulo

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Ética concorrencial

Simplesmente indecente a ética concorrencial da Globo, transferindo importante jogo para o horário do debate presidencial.

DÉCIO CURCI

deciocurci@aasp.org.br

São Paulo

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LIBERTADORES

Regras do futebol

Quem não é aficionado por futebol não vai entender. Competindo pela Taça Libertadores da América na quinta-feira, o São Paulo venceu por 2 x 1, e perdeu. O Internacional perdeu, continua na competição e vai jogar a final para ser campeão. É preciso mudar esses regulamentos.

OLYMPIO F. A. CINTRA NETTO

ofacnt@yahoo.com.br

São Paulo

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MORUMBI

Caveira de burro

Enterraram uma caveira de burro no Morumbi. Os são-paulinos não dormem ao se lembrarem do Once Caldas, do Cruzeiro e do Internacional. Para piorar, hoje é o próprio estádio vetado para os jogos na próxima Copa. Gáudio para os colombianos, mineiros e gaúchos. Mas, quem sabe, não seria praga rogada por Leivinha, com aquele golaço de cabeça em 1971 anulado pelo "indefectível" Armando Marques, sob a vista e as gargalhadas do alto comando tricolor?

JOÃO BOSCO PETRONI

jbpetroni.adv@uol.com.br

São Paulo

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"Parabéns, Inter, mesmo com um a menos jogou atacando. De fato, a melhor defesa é o ataque"

JUDISNEY TADEU E BARROS ALBUQUERQUE / SARAPUÍ, SOBRE A ELIMINAÇÃO DO SÃO PAULO

DA COPA LIBERTADORES DA AMÉRICA PELO COLORADO

judao_leiteiro@hotmail.com

"O que é isso, Juvenal?!"

OSCAR ROLIM JÚNIOR / ITAPEVA, IDEM

rolimadvogado@ibest.com.br

"Brasil, país politizado e culto: futebol, 28 pontos no Ibope; debate político, 5,5. Atual governo justificado"

HUMBERTO DE LUNA FREIRE FILHO / SÃO PAULO, SOBRE A PREFERÊNCIA DO TELESPECTADOR

hlffilho@gmail.com

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TEMA DO DIA

Serra e Dilma evitam ataques no 1º debate

Com tucano na defensiva, petista nervosa e Marina apagada, Plínio brilha com propostas "radicais"

"O debate foi morno. Dilma e Serra pouco falaram de propostas, Marina pareceu a mais sincera e Plínio foi mordaz."

ELVIRA AKCHOURIN DO NASCIMENTO

"Plínio foi o dono da noite. Só ele foi autêntico, sincero e as críticas ao bate-bola dos outros candidatos foram excelentes."

LÚCIA FARIAS

"É inédito na história política ver duas mulheres capazes e dois senhores experientes dialogar diferenças sem baixaria."

AFONSO DAMASCENO

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Cartas enviadas ao Fórum dos Leitores, selecionadas para o estadão.com.br

 

 

 

 

DEBATE DOS CANDIDATOS

 

Deprimente o espetáculo do debate entre os presidenciáveis! Candidatos barbados e candidatas com idade para vovó escapam de tudo e de todos, continuam imaginando seus eleitores como idiotas debiloides, parecem eles idiotas pensando que nos enganam. Com esse debate entre candidatos ficou a certeza: nenhum tem vontade própria, são todos mentirosos, renegando feitos passados e prometendo as mesmas idiotices de sempre! Vocês só merecem votos nulos, nada mais! Desta eleição fica somente uma unanimidade, nunca na história deste país (parodiando o barba) houve uma eleição com candidatos tão feios assim! Vocês se igualam nas propostas mentirosas e na feiúra!

Mauricio Villela mauricio@dialdata.com.br

São Paulo

 

 

 

 

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MAIS DOS MESMOS...

Muito - mas muito mesmo - longe dos candidatos do passado recente, estes neobonecos de marqueteiros, maquiados, repaginados e reprogramados para exibir promoções de liquidação de loja barata, dizem-se candidatos.

As capas, os defensivos modos ensaiados, as caras, bocas e trejeitos laterais, de esguelha, a fala, falsa e previsível, os programas, que parecem universais, as ensaiadas respostas prontas e decoradas, todo o cenário da mais brega encenação que aposta acertar o idiota do eleitor. Parece mesmo que a principal razão de encomendar uma pesquisa seja a de comprovar o grau de imbecilidade e aceitação do coitado do eleitor obrigatório, que deve testemunhar e validar um processo de legitimação de um bando sobre outro, tão desqualificado quanto.

Se os programas são iguais, se as intenções - ditas - são as mesmas, se o que difere é o penteado, a rigidez do botox ou a frase de efeito, que importa quem leve o prêmio? Não se ouvem palavras de dentro, explosões humanas, dedos nas feridas, denúncias comprovadas, paixão e ideias, veracidade!

O submeter-se aos padrões ditados pela neociência-mandante-publicitária, como tida a dona da verdade, reduziu as pessoas a meros fantoches de um jogo virtual similar, não há mais realidade, muito menos conexão com a vida das pessoas. O mercado dos marqueteiros deve mesmo estar muito lucrativo, pois se vende tudo pelo mesmo preço, todos como iguais, e o idiota que paga não verá a diferença, pois o produto é igual e não lhe vem às mãos. O detentor da vez arrecadará tudo, dividirá com seus parceiros, a infraestrutura perecerá da mesma forma, a educação piorará, a saúde será internada de vez, as obras desnecessárias avançarão com lucros superfaturados, os amigos enriquecerão mais, os familiares estarão seguros pelo resto da vida, a Justiça fará seu papel e conseguirá mais reajustes de salário por conta dos esforços prestados, os idiotas acatarão pagar novo imposto para melhorar a saúde, etc. e tal.

Se fechar os olhos, não dá para dizer o nome, não dá para dizer o partido, não dá para sentir qualquer diferença. A reforma política de que este país precisa passa pela erradicação dos profissionais que se sentaram nas cadeiras eternas, passa pela revisão de número, de qualificação e de caráter. Não deveríamos aceitar eleições sob estas regras chulas, corrompidas e de cartas marcadas. Muito menos em urnas eletrônicas. Só sendo, e querendo insistir, em ser, idiotas, como reza a história brasileirinha, imposta pelos de sempre. Cadê a Revolução?

 

Ronaldo Parisi rparisi@uol.com.br

São Paulo

 

 

 

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BURRICE E MENTIRAS

"Isso é muito importante, até porque é bastante significativo, e importante que é significativa essa questão, porque a pessoa quer saber e tem o direito, porque é importante e muito significativo!"

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Dilma mentiu no debate da Band: o aumento do salário mínimo sob Lula foi de 49,5%, ante 47,4% do governo de FHC.

Dilma mentiu de novo: o DEM não recorreu contra o ProUni, mas sim contra o racialismo da proposta. Quem chamava as diversas "bolsas" do governo FHC de "esmola" era Luiz Inácio Lula da Silva, que depois as fundiu no Bolsa-Família. É fato, e está gravado em vídeo. Sobre o PSDB não ter tido projeto para o País, alguém deveria lembrar a Dilma o Plano Real. O jornalismo brasileiro precisa, com urgência, abdicar do simples "aspismo", sob pena de parecer apenas burro.

Conclusão sobre o debate dos presidenciáveis na Band: as TVs brasileiras não sabem fazer um programa de debates. Este modelo praticado no Brasil, engessado, burocrático, cheio de regras, mais se parece com uma sabatina mal feita. Não existe nenhum debate de ideias, de fato, nem há sequer tempo hábil para desenvolver qualquer discussão. É tudo muito superficial, limpinho, vazio e chato.

 

 

M. Cristina da Rocha Azevedo crisrochazevedo@hotmail.com

Florianópolis

 

 

 

 

 

 

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MUDANÇA DE DATA

Parabéns, Rede Globo! Vocês alcançaram o objetivo. Com a força que têm, conseguiram mudar a data do jogo entre São Paulo e Inter (noticiado em 17/6/2010) e o resultado foi o Ibope de 28 a 5 para a Globo. É claro que o povão (e não estou nem falando dos que recebem a bolsa-esmola) prefere assistir a uma semifinal (com gosto de final) de Libertadores a um debate para presidente. Com isso a candidata chapa-branca continuou pouco conhecida por aqueles que podem fazer a diferença na hora do voto. Quem conhece a situação da dívida que a Globo tem com o BNDES não pode imaginar que tenha sido mera coincidência a mudança da data. Eu não me lembro de ter visto, nos últimos 15 anos, uma semifinal de Libertadores envolvendo clube brasileiro ser disputada em outro dia diferente de quarta-feira.

 

Sergio Luis dos Santos sersan@netpoint.com.br

São Paulo

 

 

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DISCURSO DE DILMA

Durante estes oito anos de governo, Lula ocupou-se em desqualificar FHC, talvez por ter sido derrotado por ele nas duas vezes que se bateram numa disputa, talvez por ele ser tudo aquilo que Lula gostaria de ter sido na vida.

Dilma decorou esse discurso do chefe e o repete em qualquer situação, como no debate da TV. o mesmo discurso pronto, com comparações inválidas, já que Lula encontrou o Brasil e o mundo em situações bem diferentes, e bem mais favoráveis, das do seu antecessor.

Só que o seu adversário nesta disputa presidencial é José Serra.

A obsessão da candidata por essa contraposição de Lula a FHC mostra aos brasileiros que ela não tem argumentos para desqualificar o seu oponente e só o enaltece.

Ronaldo Gomes Ferraz ronferraz@globo.com

Rio de Janeiro

 

 

 

 

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MONOTONIA

Assisti ao debate na Band e tirei as minhas conclusões. Todos jogaram na retranca, principalmente Dilma, pois era a primeira vez que participava de um. Tudo foi muito monótono, morno demais, mas, pelas respostas e perguntas que fizeram, ficou evidente que o único preparado para governar é Serra. Tem conhecimento de tudo, sabe o que fazer e, quando faz, faz bem. Eu sei, pois moro em São Paulo. Dilma não tem nenhum preparo, a não ser o que decorou com os seus marqueteiros e "personal trainers" antes do debate e na retaguarda. É uma pessoa que foi criada por Lula e preparada por muitos, desde o visual até as falas. Como pode uma pessoa que ficou quase oito anos no governo não saber nada (aliás, seu chefe, quando governa, também nada sabe). Marina é mais preparada do que Dilma, pois soube o que fazer na sua pasta. Plínio foi o que fez todos rirem, mas não tem condição nenhuma para o cargo que pleiteia. Será que quem assistiu (o percentual de audiência foi baixo) não percebeu isso? Será que Lula conseguirá mesmo eleger esse poste? E ficou patente que não tem a menor condição de ocupar o posto de presidente. É muito pior do que Lula. Mais um passa-moleque que Lula poderá nos pregar.

 

 

Carlos E. B. Rodrigues ceb.rodrigues@hotmail.com

São Paulo

 

 

 

 

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ACORDA, SERRA!

No debate presidencial de quinta-feira ficaram explícitas a incompetência e o despreparo da candidata do governo.

Não respondeu com clareza às perguntas e mostrou total descontrole emocional.

Não é de estranhar o esse comportamento.

Jornalistas, muito cuidado com as vossas perguntas para a candidata, por que ela fica muito agressiva quando é questionada.

Acorda, Serra. A melhor defesa é o ataque.

 

 

Paulo Cesar Gomes pacegomes@hotmail.com

São Paulo

 

 

 

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PEDRA NO SAPATO

Apesar de o debate entre os candidatos ter sido, pela primeira vez, civilizado, Serra e Marina se saíram muito bem, com total desembaraço, sem precisarem fazer consultas - mostraram que sabem onde estão pisando; enquanto Dilma levou cola, recorreu a índices e porcentuais sem comprovação e ela, que é governo, tentou sair pela tangente em alguns casos e se omitiu em vários questionamentos, mas não conseguiu tirar FHC de seu sapato. Não gosto de FHC, mas que ele incomoda os petistas, lá isso incomoda - ou seria dor de cotovelo? Já o candidato Plínio de Arruda Sampaio fez a descontração, reclamando de ter sido alijado pelos demais - e foi.

João Roberto Gullino jrgullino@oi.com.br

Petrópolis (RJ)

 

 

 

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BLABLABLÁ

O que se viu no debate dos candidatos à sucessão de Lula, na Bandeirantes, foi o mesmo blablablá de sempre, com a exceção do lúcido Plínio de Arruda Sampaio, que seria o único capaz de fazer algo de novo para combater a desigualdade social, uma das maiores do mundo. Só que, além da total impossibilidade fática de ser bem-sucedido, ele já está velho demais.

 

Conrado de Paulo conrado.paulo@uol.com.br

Bragança Paulista

 

 

 

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TEATRO ENGANADOR

Debate? Mas que debate? Até quando os organizadores desse teatro vão continuar tentando enganar os eleitores? Tudo nos faz parecer que é um jogo com cartas marcadas. O debate deve ser um confronto livre e sadio, testando as intenções, quem é o candidato e a competência de cada um para resolver os inúmeros e urgentes problemas brasileiros. Portanto, nada mais importante que abrir oportunidade para os eleitores fazerem suas perguntas, ao invés de recusá-las. Essa recusa soa mal e não é bem recebida pelos cidadãos bem-intencionados.

 

Benone Augusto de Paiva benonepaiva@yahoo.com.br

São Paulo

 

 

 

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SERÁ QUE HOUVE ALGUM ENGANO?

O vimos anteontem na Band foi um debate entre presidenciáveis? Parecia mais uma conversa de colegiais. Sem querer desmerecer os colegiais. Estamos vivendo tempos bicudos.

Ulysses Fernandes Nunes Junior ulyssesfn@terra.com.br

São Paulo

 

 

 

 

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CANDIDATOS

Ao assistir ao triste debate dos candidatos a presidente do Brasil, a única coisa que realmente me veio à mente foi: parlamentarismo já, e de preferência o monárquico, ou pelo menos o comum. Aí, depois, cada candidato: Dilma, se tivermos muita, mas muita sorte mesmo, ela será como o Lula - isto, como disse, se tivermos muita sorte, a chance é muito pequena, só não é impossível por nada ser impossível. Marina, uma ecochata sem programa nenhum de governo. O Plínio, do PSOL, vive uma adolescência marxista tardia, com aquele discurso dos anos 60 do dividir tudo, que até a formiga da geleia sabe que não dá certo, só empobrece o País e mais nada, ou pior, torna o cidadão refém absoluto do pior dos bandidos, o governo. O único que tem alguma consistência é o Serra, que falou de verdade de saúde e pelo menos prometeu melhorias na horrenda criminalidade. Quando ministro, Serra foi muito bom para a saúde, realmente vimos em São Paulo melhorias incríveis na saúde, tanto que vem gente de toda a América Latina se tratar em São Paulo. Apesar de o PSDB ser igual ao PT na esfolação dos impostos, por enquanto é o único que fez de verdade coisas boas, saúde, o real do FHC. Mas ainda todos são muito fracos e só representam seus partidos, e não a vontade popular. Não vi nenhuma proposta de melhoria de vida no interior e litoral - não temos a chance de morar no litoral de São Paulo, por exemplo.

Roberto Moreira Da Silva rrobertoms@hotmail.com

Cotia

 

 

 

 

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FALSA SIMPATIA

Pelo debate de anteontem, pelas declarações, afirmações e perguntas do sr. Serra, o governo dele no Estado e os oito anos de FHC não aumentaram impostos, não criaram a CPMF, que deveria ser para a saúde e não foi, não teve apagão, não criaram pedágios caríssimos, não ceifaram aposentadorias do trabalhador com fator previdenciário, etc., etc.

Pelo debate o sr. Serra é um senhor simpático, e não esse autoritário que a gente vê no dia a dia.

Quanta falsidade!

Otavio de Queiroz otavio.solaris@hotmail.com

São Paulo

 

 

 

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CONFUSÃO

No debate na TV Bandeirantes, Dilma Rousseff disse que se for "presidenta"... Se realmente ela for "a presidenta", quem será "o presidente"?

Virgílio Melhado Passoni mmpassoni@gmail.com

Praia Grande

 

 

 

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SUCESSO ESTRONDOSO

O ex-governador José Serra definitivamente não é um aventureiro na área da saúde pública. A Lei Antifumo do governo de São Paulo, ao completar um ano, é um sucesso estrondoso. E não apenas pelo alto índice de aprovação, também pela quantidade de pessoas que melhoraram a qualidade de vida sem o cigarro e de outras salvas de doenças crônicas ou da morte.

Ana F. Campos ana-fcampos@hotmail.com

São Paulo

 

 

 

 

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GOVERNO DE SÃO PAULO E A LEI ANTIFUMO

Se cada Estado fizer a sua parte enquanto poder público, a Lei Antifumo colocará centenas e centenas de pessoas fora do risco de desenvolver um câncer, uma doença degenerativa ou morrer de mal súbito do coração. O governo de São Paulo luta o bom combate contra o fumo, o vício dos vícios, aceito por parte da sociedade e alto estimulante para aproximar os jovens de drogas como o crack e a cocaína, entre outras.

Valdeir Celestino de Oliveira vcelestinodeoliveira@yahoo.com

Cotia

 

 

 

 

 

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TELHADO DE VIDRO

Candidato Mercadante (PT), quem tem telhado de vidro não deve jogar pedra no do vizinho. A TV Cultura, com toda a sua história, está construindo uma gestão profissional e apolítica porque a emissora abriga profissionais de vários partidos e correntes políticas sem que isso interfira na tevê. Já da TV Brasil, criada no governo petista Lula da Silva, não se pode dizer o mesmo, visto que a pluralidade política não é seu forte, enquanto esbanja recursos públicos.

Andrea Carvalho spdeiacarvalho@gmail.com

São Paulo

 

 

 

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POUCA-VERGONHA

Afinal, quem autorizou "sem licitação" essa pouca-vergonha de contrato de R$ 54 milhões com a EBC para a TV pública fazer propaganda do governo? Será que já não chega de tanto gasto para mostrar as mesmas coisas de sempre? O que nos parece estar próximo do obsceno é que estamos em plena campanha eleitoral e Lula nada mais é do que o garoto-propaganda de Dilma. Realmente vivemos momentos de constantes achaques à compostura. Isso é mais uma vergonha!

 

Leila E. Leitão

São Paulo

 

 

 

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"NEM GREGOS NEM TROIANOS"

Sensata e ponderada, como sempre, Dora Kramer desta vez foi brilhante.

Colocou os pingos nos is ao analisar a política externa (?) do governo Lula.

Em outras palavras, o que Lula agora propõe à ONU nada mais é do que a aplicação da política de tolerância que o seu governo adota em relação aos baderneiros, bandidos e terroristas do MST.

Faz cara de paisagem para as transgressões e agressões da massa de manobra, que é financiada pelo próprio governo (via Incra ), como denunciado pelo próprio Estadão.

Só tenho um adendo a fazer na relação de bolas fora da política do governo Lula, que a excelente Dora Kramer elencou. Faltou citar o terrorista Cesare Battisti, que aguarda um posicionamento final do presidente para ser extraditado para a Itália, onde cumpriria pena pelos seus crimes.

Tal como o "delay" que foi dado no desfecho do julgamento dos acusado da morte de Celso Daniel (jogado para depois do segundo turno da eleições), aposto o que quiserem que Lula só irá se posicionar no assunto da extradição de Cesare Battisti após as eleições. Desnecessário dizer qual será a sua decisão..

Claudio Juchem cjuchem@gmail.com

São Paulo

 

 

 

 

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BARBAS, CABELOS E BIGODES

No artigo de Nelson Motta de ontem, ele lembra os barbudos de Sierra Maestra, bem como a barba do Lula e de seus companheiros.

Gostaria de lembrar também que no século 19, no Brasil, os monarcas, bem como a elite, portavam barba, ao contrário da plebe rude, que tinha de cortar a barba com facão ou machadinha, porque ainda não existia o "tchan-tchan-tchan".

P.S. Eu uso barba há mais de 50 anos e nunca me incomodou.

Ronaldo José Neves de Carvalho rone@roneadm.com.br

São Paulo

 

 

 

 

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IDENTIDADE FUNCIONAL

Faltou dizer que, muito embora identificadora e por maior que seja, a barba petista não consegue esconder o papo-furado da militância.

A. Fernandes standyball@hotmail.com

São Paulo

 

 

 

 

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VIÚVA PERDULÁRIA

Quem dispõe de "cartão corporativo" ilimitado, portas abertas no Albert Einstein a expensas da viúva, enfim, não utilizar o INSS nem pagar um plano de saúde particular, está com o jegue na sombra e rindo à toa. A ineficiência e precariedade do INSS empurram muitos brasileiros para os planos de saúde paralelos. Agora há um impasse: os médicos credenciados querem elevar os valores recebidos nas consultas, Lula quer reduzir as mensalidades dos idosos pagas aos planos e os gestores dos planos almejam reajustes das mensalidades. A culpa toda é do governo, que gasta pessimamente e não disponibiliza uma assistência médica digna, daí a insatisfação geral, quando todos reclamam cheios de razão.

Humberto Schuwartz Soares hs-soares@uol.com.br

Vila Velha (ES)

 

 

 

 

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"TUTTY HUMOR"

Não suposta, mas verdadeiramente falando, sou assíduo leitor dos comentários, de forma jocosa e elegante, sobre fatos do cotidiano sob o título "Tutty Humor", feitos pelo jornalista Tutty Vasques no Estadão. Nos de ontem (C4), destaco "quem poderia supor que..." São várias suposições que retratam dúvidas sobre o que aconteceu ou acontecerá no mundo. Saliento o comentário do fato ocorrido com o vice-presidente José Alencar, pessoa que admiro pela sua postura corajosa e digna de ser imitada, em face de seu tratamento de doença insidiosa, ao ter insinuado em recente Programa do Jô que uma suposta filha que lhe cobra um exame de DNA na Justiça seria "fruto se uma suposta noitada na zona"... Realmente, como pergunta o jornalista, "dá para acreditar?" Supostamente falando, o vice-presidente queria qualificar a sua suposta filha como filha de uma mãe de vida livre para fugir da paternidade?

Antonio Brandileone brandileone@uol.com.br

Assis

 

 

 

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DIA DOS PAIS

O governador tampão de São Paulo, Alberto Goldman, anunciou reforço da Polícia Militar para este final de semana, quando se comemorará o Dia dos Pais. Milhares de santinhos que estão cumprindo penitência nos presídios de São Paulo, beneficiados por leis de indulto, deixarão suas celas para festejar a data. E assim é no Natal, na Páscoa, no Dia das Mães, etc. Com o direito de ficar alguns dias com a família, muitos não voltam e outros praticam crimes. Não sei se essa atitude de reforçar o policiamento é para rir ou para chorar!

Roberto Stavale bobstal@dglnet.com.br

São Paulo

 

 

 

 

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NEM PARA CORRIGIR AS PROVAS COM IMPARCIALIDADE SERVE

 

Gostaria de expressar a minha indignação pela forma como foi conduzida a correção das provas do Enem, provocando reclamações e revolta nos estudantes. As notas revelam disparidade com a expectativa dos estudantes, estando muito distantes do que seria esperado pela correção efetuada conforme os gabaritos publicados. Mesmo com a informação de que os pesos das questões variam conforme o grau de acerto e a sua dificuldade, é praticamente impossível conceber que um aluno que tenha errado apenas duas ou três questões possa ter tirado nota inferior a outro aluno com 15 questões erradas. A correção das provas de redação corrobora a falta de credibilidade nos resultados, deixando algumas perguntas no ar: Por que despertar nos jovens o sentimento de impotência perante uma grave injustiça? Será que daqui para a frente esses jovens continuarão acreditando nas instituições do seu país?Para que serve a inclusão social feita à custa de outra injustiça? Quando o MEC irá se pronunciar sobre todas essas distorções na correção das provas? De que adianta ser patriota se no seu país não existe senso de justiça e a pessoa fica totalmente desamparada?

Acho que o prejuízo causado por esta prova do Enem foi muito grande para os valores e crenças cultivados pelos jovens. A decepção, a injustiça, o desamparo e a incredulidade ante as instituições serão um marco na vida dessas pessoas. Daqui para a frente elas serão diferentes e adotarão uma visão mais individualista e mais afastada dos interesses coletivos.

Agradeço pela atenção e espero que se faça algo para alertar as autoridades de que a crítica das pessoas ainda não acabou.

 

Sheila Regina Sarra sheila_sarra@uol.com.br

São Paulo

 

 

 

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JOGO SUJO

Nosso governo chinfrim, além de gostar da coisa pública, agora admite "falha" ao meter a mão na privada, permitindo acesso livre a dados sigilosos de "apenas" 12 milhões de inscritos no Enem. Parabéns ao Estadão, que, eficazmente, assessorou o INEPto Ministério da Educação, alertando-o sobre o incidente. O que esperar caso a candidata situacionista ganhe as eleições? Aposte!

Flavio Marcus Juliano opegapulhas@terra.com.br

São Paulo

 

 

 

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PODER JUDICIÁRIO

O Poder Judiciário em Campinas completa cem dias de greve, prejudicando sobremaneira a população. É um desrespeito total à população que paga pelo funcionamento do poder público.

A vida das pessoas depende de decisões desse Poder, que virou as costas para a sociedade. Parece-me que as fatias mais altas desse Poder não têm interesse em nenhuma solução para o caso, que aflige a população.

Enquanto isso, um ministro do STF pode chegar a ganhar R$ 30 mil por mês de salário. Para fazer o quê, mesmo?

 

André Coutinho arcouti@uol.com.br

Campinas

 

 

 

 

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ELETROBRÁS nos EUA (orgulho petista!)

 

Solidarizo-me com a indignação do leitor sr. Geraldo Veloso (29/7, A2). Também fiquei pasmo com a notícia de que a Eletrobrás deseja investir em sistemas de transmissão nos EUA. Enquanto isso temos aqui no País, nas mãos de uma estatal colombiana, o mais pesado, monopolístico e importante sistema interligado da região Sudeste, a CTEEP - Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista. Importante lembrar que o comando do setor elétrico brasileiro - hoje sob a regência de Sarney - há anos é objeto de negociação política. Nessa situação, não poderiam mesmo caminhar juntos a competência e o decoro ético e profissional. Ocorre no setor elétrico nos últimos anos, uma generalizada mistura de incompetências públicas, oportunismo políticos e proveitos privados. Consequência: a tarifa industrial brasileira, apesar da predominância hidráulica na sua origem, é "hoje uma das mais altas do universo, o que impede o Brasil de produzir mais barato e exportar a preços competitivos" nas palavras do senhor Luiz Gonzaga Bertelli, diretor e conselheiro da Fiesp (Estadão, 9/7, A1). Quem sabe, Marina ou Serra, possam acabar com essa farra e apresentar à Nação uma proposta estrutural moralizadora que transforme empresas como a Eletrobrás em Estatais de fato. Sob o comando do Estado e não exclusivamente do governo.

Nilson Otávio de Oliveira noo@uol.com.br

São Paulo

 

 

 

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CARRO ELÉTRICO

Não basta o flex? Como fica a tecnologia do etanol? Pergunto: haverá geração de energia para atender a esse novo segmento?

Com os custos atuais da energia elétrica, além dos elevados impostos, seria viável economicamente? Creio ser mais uma lambança do governo para favorecer certos grupos. Quem viver verá!

Guilherme Del Campo guilherme_del@ig.com.br

Itu

 

 

 

 

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ADOLFINHO FAZENDO ESCOLA

Fiquei sabendo que o escritor Yves "bengalada no Dirceu" Hublet foi cremado em Brasília. Já morto, eu suponho.

Stanislaw Cordeiro ratles2@hotmail.com

São Paulo

 

 

 

 

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CREMATÓRIOS EM ALTA

A grande imprensa silencia, mas o próprio senador Álvaro Dias já questionou na tribuna do Senado uma morte que, por mal explicada, está provocando rumores e mal-estar. O fato é que no dia 26/7, em Brasília, morreu o sr. Yves Hublet, o homem que acertou uma bengalada histórica na cabeça do José Dirceu, na época do mensalão do PT. Até aí, nada demais, porque morrer faz parte da vida. Mas as circunstâncias é que são elas... Após o episódio da bengala, Yves Hublet, escritor de histórias infantis, passou por diversos problemas no Brasil e achou por bem mudar-se para a Bélgica, já que tinha dupla nacionalidade. Em maio deste ano veio a Curitiba tratar da publicação de um livro e antes de voltar para a Bélgica fez escala em Brasília, momento em que Hublet foi preso e mantido incomunicável. Logo depois adoeceu e morreu, dizem que de câncer, certamente daqueles fulminantes. Seu corpo foi cremado em Brasilia mesmo.

Seria interessante que se apontasse o familiar de Hublet no Brasil que autorizou sua cremação...

A coincidência é que há poucos meses aconteceu fato semelhante com um dos diretores do Bancoop que iria prestar depoimento na CPI da Assembléia Legislativa de São Paulo para confirmar a denúncia de desvio de verba da entidade. Morreu subitamente e também foi cremado. Espero que os crematórios não sejam tão disseminados no Brasil como o foram na Europa na época dos nazistas.

(Fonte: Tribuna do Norte- Diário do Paraná)

Mara Montezuma Assaf montezuma.fassa@gmail.com

São Paulo

 

 

 

 

 

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IMORTAL

Genial o especial "100 anos de Adoniran Barbosa", de ontem.

Adoniran Barbosa é a tradicional voz da nossa gente. A força da expressiva cultura popular brasileira.

Sua voz rouca, inconfundível, falava a língua que o povo conhecia.

Com o seu suor misturado ao do dia a dia do povo paulistano, conquistou um sucesso de prestígio nacional.

Um imortal, especialmente para nós, paulistanos.

Expressivo trabalho de sua obra, publicado pelo Estadão, no dia da celebração do centenário do artista.

 

 

José Maria Cancelliero, presidente do Centro do Professorado Paulista (CPP) rank@uol.com.br

São Paulo

 

 

 

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O CENTENÁRIO DE ADONIRAN BARBOSA

Lamentavelmente, a obra do genial poeta popular do Bixiga continua a expressar o real e contemporâneo, como se vê de "Despejo na Favela", em sua parte final: "Não tem nada, não, seu doutor, vou sair daqui pra não ouvir o ronco do trator. Pra mim não tem problema, em qualquer canto me arrumo, de qualquer jeito me ajeito. Depois, o que tenho é tão pouco, minha mudança é tão pequena, que cabe no bolso de trás. Mas essa gente aí, hein, como é que faz?"

 

Amadeu Roberto Garrido de Paula amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo

 

 

 

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BOMBA ATÔMICA FAZ 65 ANOS

E ainda é um "feto" nos primeiros dias de vida!

Ariovaldo batista arioba06@hotmail.com

São Bernardo do Campo

 

 

 

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HIROSHIMA E NAGASAKI

O mundo relembra os 65 anos das bombas em Hiroshima e Nagasaki, mas até hoje ninguém ousou explicar que as bombas atômicas experimentadas naquelas cidades habitadas poderiam ter rendido a mesma perplexidade se despejadas num deserto ou numa ilha desabitada. Na verdade, os EUA não estavam interessados em apenas fazer um acordo de paz, mas em aniquilar a cultura do país - o que, felizmente, não conseguiu. Agiram em resposta à população que exigia retaliação pelo ataque japonês a Pearl Habor. Os EUA são democráticos apenas para o público interno (exceto os imigrantes). Toda potência imperialista também é totalitária. Num Estado imperialista os homens estrangeiros são artigos supérfluos.

 

Jeferson Malaguti Soares cmbh1434@hotmail.com

Belo Horizonte

 

 

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65 ANOS DEPOIS

As bombas atômicas foram necessárias para derrotar um império de fanáticos e sanguinários que almejava conquistar o mundo e precisou de duas bombas para a rendição incondicional. Os EUA destruíram e depois reconstruíram (sem colonizar) e o Japão tornou-se a segunda potência econômica mundial.

José Francisco Peres França josefranciscof@uol.com.br

Espírito Santo do Pinhal

 

 

 

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A VIAGEM MAIS LONGA

De passagem pelo Brasil, o astronauta Buzz Aldrin, supostamente o segundo homem a pisar na Lua, há 40 anos - muitos já duvidam do feito -, veio fazer uma palestra com o tema "O Homem e o Espaço", contratado a peso de ouro. Numa entrevista pudemos ver que ele, apesar de sua idade, continua sonhando alto e, agora partir para Marte até 2035. Com todo o respeito pelos seus 80 anos, ele agora deveria correr o mundo com seus netos e juntar-se à causa dos que lutam contra o aquecimento global, como o dr. Al Gore e sir Nicholas Stern, das mudanças climáticas. Daí, sim, antes de partir para a última morada, poderia fazer a viagem mais longa de sua vida, que seria para dentro de si mesmo, com relação à degradação e devastação no planeta Terra. Com os bolsos cheios de dólares, o veterano astronauta voltou para os EUA e nós continuamos a nossa longa jornada, que é a educação para a sustentabilidade planetária.

 

Jose Pedro Naisser, ecologista jpnaisser@brturbo.com.br

Curitiba

 

 

 

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INCÊNDIOS, INUNDAÇÕES, TEMPESTADES E OUTRAS DESGRAÇAS

Nestes meses em que os mais diferentes aspectos da fúria da natureza aparecem sem trégua nos noticiários, por associação de ideias, lembrei-me de Cecco Angiolieri, um poeta toscano nascido no ano de 1260, que dizia: "Se eu fosse o fogo queimaria o mundo, se fosse o vento o arrasaria, se fosse água o afogaria, se fosse deus o destruiria." Pelo que anda por aí, parece que a maldição do poeta andou pegando e que talvez o Bom Deus tenha decidido mandar um aviso aos destruidores da natureza.

Franco Magrini framagr@ig.com.br

Cachoeira Paulista

 

 

 

 

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CORAÇÃO E CARÁTER DE EUCLIDES DA CUNHA

Alberto Rangel, Rondon, Lauro Müller e Tasso Fragoso foram alguns dos ilustres colegas de Euclides da Cunha na Escola Militar da Praia Vermelha, no Rio de Janeiro. Alberto Rangel, por solicitação do "Grêmio Literário Euclides da Cunha", realizou uma Conferência em homenagem ao aniversário do falecimento do seu grande amigo. Reproduziremos algumas partes desta homenagem que apresenta um pouco do muito que fez esse grande brasileiro pelo seu país e que, infelizmente, não tem, por parte da maioria dos brasileiros, o devido reconhecimento.

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"Euclides da Cunha - Um Pouco do Coração e do Caráter", por Augusto Rangel

Senhoras e Senhores: O tropeiro ou o simples viandante matuto costuma colocar uma pequena pedra qualquer ao sopé da cruz, encontrada à margem das nossas estradas ou veredas rurais e provincianas. Os piedosos semeiam calvários, concorrendo para a imortalidade de anônimos. É o preito humilde do que vai passando, na intenção do monumento que se não há de erguer...

Consagrando estes instantes à obra vindoura, com que se pretende significar a admiração do Brasil por Euclides da Cunha, colaboramos com a mesma ternura e veneração das almas, nos caminhos sertanejos, para o granito e o bronze que lhe devemos à memória.

Realmente, o terrível esquecimento nacional, que tem agruras despenhosas de ribanceira e sorvos repentinos de perau, se predispõe aos nossos olhos a engolir a lembrança do valoroso e emérito escritor. Não vimos dar um grito nesta tribuna, e à moda do fórum antigo acender a revindita, abraçado teatralmente à vítima... Todo impregnado ainda das impressões colhidas na fortuna de excelente convivência, o nosso intento é menos ostentativo das galas e deveres de patrono num pretório, do que o de evocar o amigo, quase que exclusivamente, nas feições do seu caráter raro e nos traços inegáveis da sua meiga e profunda afetividade. (...)

É o prisma do sofrimento o melhor decomponedor das almas. Torna-se o exame mais fácil e mais claro às refrações da dor. Cabem aqui, na verdade, as alusões inescusáveis à angústia do sacrificado, se é, com efeito, a homenagem ao homem moral que perpetraremos, interessados no desenho do coração cristalino, melindroso e probo e no apontamento das linhas tenacíssimas da sua alma de espartano.

Verificando-lhe os sentimentos, nos períodos da correspondência, privada e em lembranças reais da sua vida ativa, havemos de procurar fixar um pouco de luz nos desvãos da sombra injuriosa e maldita. Preferiram-se tais reflexões e sondagens ao esforço de recordar Euclides nos aspectos da sua estupenda produção intelectual. A outros as conjugações da crítica, nos labirintos da estética literária, a debulharem e esgaravatarem as grandezas e nonadas da arte, do pensamento e do estilo, as profanações daqueles para quem a originalidade é possessão diabólica e o ‘regionalismo’ sério motivo de prevenção e de escarmento... (...)

Os admiradores da pena que traçou o "À margem da História" prosternem-se ante os segredos do íntimo e do puro. Foi ele mesmo que escreveu estas palavras brandas e confitentes, entremostrando na forma impiedosa do porfiador sem recuos, o ser de nobre inteligência e de límpida bondade que nele se abrigava: "Minutos existem mesmo em que o abomino e chego a ter-lhe ódio - esses sentimentos porém - como felizmente todos os sentimentos maus em mim (que são inúmeros porém efêmeros) desaparecem facilmente". O seu talento foi muito e o coração demais. (...)

A 20 de setembro de 1908, Euclides da Cunha expressa-se desta forma: "De mim nada tenho que dizer. Há uma pasmaceira trágica neste país que esperneia galvanizado na praia Vermelha e morre à fome nos sertões. De sorte que vivo mais ai do que aqui - fugindo, através dos livros, para o seio de outras gentes".

Continua a maré do nojo enchendo-lhe o coração de desdéns. Exila-se na leitura, rompe pelo matagal do pensamento humano a pobre criatura, devorada por um desgosto pungente, que se mascara. Que o sofrimento secreto se abafe no percuciar das páginas sorvidas e decifradas. Adormecer-lhe-ia o mal, ao emoliente das ideias exprimidas pelos cérebros alheios. Por essa época, deveriam ter-lhe jorrado da pena as estrofes do Paraíso dos medíocres... (...)

Eis o que mais adiante Euclides escrevia, disfarçando nos protestos contra a sujeição às mediocridades lerdas de uma secretaria, as lutas morais que então o deviam absorver: "Continuo a desenhar mapas antigos... Até quando? Às vezes penso que foi uma fatalidade o ter caído, como um satélite, na órbita maravilhosa de um Imortal. Submeto-me. Mas ainda não sei se romperei a curva fechada dessa gravitação". Não o satisfaz o emprego seguro do Estado. O pão quotidiano, assegurado por um grande ministro, sabe-lhe à ração de calceta. (...)

Em 1905 escrevia-nos ele de Manaus, às dez e meia da noite de 20 de março: "A nossa partida está próxima. Chegaram ontem as instruções - e desde que se realize a reunião dos comissários iremos rumo feito para o desconhecido. A minha frota: duas lanchas (uma ainda problemática), um batelão e seis canoas - flutua triunfalmente no extremo do igarapé de São Raimundo -, e teve ontem o batismo de uma tempestade. Nunca imaginei que este rio morto escondesse, traiçoeiramente, ondas tão desabridas. Uma rajada viva de sudoeste imprime-lhe as crispações ensofregadas de um mar - e que mar! Um mar entre barrancos em que as vagas desencadeadas se desatam em corredeiras impetuosas de torrentes... Felizmente resistiram galhardamente os meus navios. É que dentro deles está a 'fortuna de César'. Realmente, creio tanto no meu destino de bandeirante que levo esta carta de prego para o desconhecido com o coração ligeiro. Tenho a crença largamente metafísica de que a nossa vida é sempre garantida por um ideal, uma aspiração superior a realizar-se. E eu tenho tanto que escrever ainda..." São palavras ardentes, mas de outro tom, pois que, embebidas de esperança, cantam vitória, fumegam e roncam nas linhas de batalha.

Euclides da Cunha enviou-as quando se aprestava a inquirir com os delegados da Bolívia sobre a fonte do Purus, e, por ordem do barão do Rio Branco, ia prendê-la no elipsóide terrestre às coordenadas necessárias. A missão que reclamava a arte do geodesista, e as resistências de um vaqueiro nortista, exigia saber e coragem aliados à perseverança de um antigo capitão de bandeira. Nada mais próprio do alvo e mortificações com que costumava sonhar a sua alma: entrar pelo sertão adentro e cravar os olhos no céu medindo os âmbitos escancarados do firmamento e do sertão. (...)

Aos 22 anos, Euclides lançava, em caderno escolar, o programa de itinerário futuro pelo meio das dissensões de sua alma com o Universo, com esta observação digna do frontão de um templo: "A marcha de um homem verdadeiramente bom é feita através de reações contínuas". (...)

O homem é tanto mais forte, quanto mais só; o conceito ibseniano perde a névoa de contradição, ligando-se-o ao feitio sobranceiro e incomutável de Euclides. Não se lhe conheceram preferências de qualidade suspeita, não se deixou cegar pelo dinheiro, não cheirava a Influência, nem se genuflexava ante o Poder. A independência agiganta - é a tradução verdadeira daquele apótema do norueguês. E seria por isso que, quem via pela primeira vez a pessoa do escritor, se desconcertava, esperando infalivelmente uma estatura maior.

O físico de Euclides da Cunha tinha a vulgaridade mamaluca da nossa humilde e boa caipiragem. Porque não praticava nenhuma lei de Brummel, mas lhe aparecia a insignificância do caboclo magrizela de fonte escampa e arcadas zigomáticas saltadas, onde os olhos brilhavam com reverberos de incêndio à beira-d’água e à noite. (...)

"Misto de celta, de tapuio e grego", disse ele, retratando-se num decassílabo. Foi mais longe. Definiu-se, reconhecendo a miscelânea da própria combinação étnica com as raças da transmigração e da autoctonia e ainda mais a dos helenos, na componente ideal que lhe exprimisse a devoradora e saborosa tortura de beleza e de perfeição...

Em São José do Rio Pardo, no casebre ao lado de um dos pegões da ponte de ferro, construída sob seus olhos, Euclides escreveu muitas páginas de Os sertões. Era ermo o lugar e a habitação modestíssima, uma guarita de cantoneiro, um taperi de caçador goiano. No interior, nem o divã do sibarita, nem as excitações de alcaloides raros, nem os cômodos uma boa lâmpada; antes o grabato do anacoreta, o pote com a água do riachão e a vela na garrafa do estudante pobre.

Devia lavrar a desordem na cabana do engenheiro. Em tais indivíduos o método cifra-se num puro exercício mental, deixada a execução do arranjo e conformidade às mãos previdentes das senhoras donas de casa. Os esquadros e compassos perder-se-iam na confusão dos papéis quadriculados e das tiras estilizadas do seu futuro livro. Nas cotas dos perfis entremear-se-ia a frase estuosa do repente feliz. No cálculo do momento de flexão da grandeza do empuxo relampejaria a decisão flagrante do verbo, o resumo fiel do qualificativo, a censura harmônica da conjunção.

Euclides da Cunha tinha na verdade o culto da linguagem e não a idiota paixão do vocábulo, em que se sacrifica a raridade à impropriedade, na tessitura de preciosismos fáceis. O joalheiro ama a joia para dar-lhe destino e não como o avaro, pelo fulgor seco e o estúpido valor dos fogos diamantinos. O artista adora a palavra para os fins da expressão. Não ser ela de uso corrente pode ser defeito; menos se calhar à ideia o termo sonoro e estranho que for preciso, que for belo e que for lúcido. Tudo está na escolha e cabimento. É maneira de remoçar ideias e despertar a atenção em torno delas, vesti-las bem e com certo rebuscamento. Nem todos o poderão fazer... A pobreza de um léxico é melhor, contudo, que a pilhagem irracional dos glossários. Insuportável, porém, a pretensão de legisladores e policiais, na república das letras, de impor uma tara à carregação verbal do escritor. Para o pregoeiro da hasta pública toda mesa é sólida, todo piano harmonioso. A crítica nacional tem obtido êxitos antinefelibáticos, aconselhando adjetivos de leiloeiro e podando nos canteiros de estreantes as flores raras da estufa glótica. Tem sido um serviço sensato o dos guardas do cordão gramatical, plasmando a mania contagiosa dos cavadores de dicionário, que sendo afinal de contas um instrumento de utilidade pública e de uso diretamente proporcional à ignorância de cada um, servirá um dia para alguma cousa. Ousadia foi que esses puritanos e contrativos do Verbo se alertassem na ronda à pena dos "Contrastes e confrontos". (...)

A realidade na obra de Euclides da Cunha acusa o impressivo das visões alucinatórias. O homem parece sonhar acordado. É um parente de Dickens, um sectário de Carlyle, um cultor de Ezequiel. A sua imaginação lancinante e explosiva tinha no entanto o dom de adivinhar. Combinando-se, ele e alguns amigos, para a descrição do estouro das boiadas, apresentou-se Euclides, que era o único, dentre todos, que nunca tinha visto semelhante espetáculo, com a sua lauda cheia. Fizeram-no ler em primeiro lugar. Conheceis o trecho. Está incluso em Os sertões. São linhas inesquecíveis, e honrariam a melhor das antologias. Os concorrentes escutaram o arranco detonante da tropeada, o desconchavo elétrico do rebanho, a manada louca escarvando e atroando na dispersão convulsa pelos tabuleiros, lombas e baixadas... Não se leu mais cousa alguma. Incompletas e pálidas pareceram as impressões que cada um trazia. Aquele, que idealizara, vira melhor que os outros... (...)

Espalhou-se, em recurso de rabularia, que Euclides, cujo coração lia pela cartilha de Terêncio e cujo apego à família recebia os reflexos da vibração permanente do campeiro aferrado a seus pagos, deixava morrer na cinza da indiferença as brasas do seu lar, que o cerebral intensivo, absorto na meditação e no esmero da frase cinzelada, esquecia os deveres de carinho esponsal. Em protesto violento e comprovado, leiamos estas palavras do escritor e as quais se repassam da delicada preocupação do chefe de família, presto nos afagos, através da distância e indo a ponto de designar-lhes ao transporte o intermediário fraterno: "Um favor, mas favor sacratíssimo de irmão: na rua do Cosme Velho, 91 (atual rua Francisco Otaviano), Laranjeiras, moram as minhas quatro enormes Saudades - a minha mulher e os meus três pequenos. Peço-te que os procures e que lhes dês noticias minhas". Essa ordem fiaria da meiguice de um Barba Azul. "As minhas quatro enormes Saudades." Como é singelo e diz tanto! Shakespeare não trepidaria em pôr essa frase na boca de uma personagem de amor. "As minhas quatro enormes Saudades"! Euclides transfundia os objetos no sentimento, por uma operação maravilhosa de que seria somente capaz a ternura imensa desse delicado e ultrassensível, compondo o evangelho das adorações para seu uso...

Certa vez, Euclides da Cunha comandava uma trincheira na luta furiosa de setembro de 1893. A fraqueza de uns, o desfibramento completo de outros, imprensados na resolução e desespero mútuo de alguns, faziam fervilhar dos arrabaldes às linhas de defesa no litoral boatos de sublevação geral, qualquer cousa cósmica em que se subvertesse a legalidade, sob as colunas de sua própria cúpula. Na baixa atmosférica do pânico havia enregelados. O medo criava inventores de escapadas, Ciranos de escorrego, heróis invertidos da retaguarda, sonhadores de projetos homéricos de fuga, serra-filas da indenidade, na legião da covardia e do comprometimento. A cidade, vindo a noite, soprava as luzes da beira-mar. Não queria ser vista, tremendo e armada até os dentes! O susto, em que todos se espojavam, despertou em Euclides o sentimento da responsabilidade. Ergueu-se no agacho geral, e por mais ingênuo que nos pareça o seu ato, revela as energias da consciência desdobrada no sentido contrário às ignávias da massa. Sacou do bolso da farda um maço de cartões com o nome dele e o espalhou por sobre os materiais do posto de combate. Semeava o soldado impávido o compromisso de solidariedade aos rumores do terror, aos abalos truculentos num receio coletivo. Era essa a fibra do autor dos Sertões, o seu privilégio adamantino; nem a mentira, nem o medo eram de molde a assombrá-lo. A sua timidez, que seria a atenção da defesa na sociabilidade obrigada dos pataratas e dos servis, dos alarves e dos tratantes, perdia as faixas do mimetismo volitivo. O cavaleiro toava um olifante, saindo a campo raso... Estaria fora de seu tempo o Quixote da própria dignidade e reputação melindrosíssimas. (...)

Se encontrássemos Euclides da Cunha nessa manhã do desastre, vê-lo-iamos assim, descarnado e todo ânsia... Levaria o coração sangrando e bem alto, no esforço de o furtar às crueldades das contaminações morais e disgregativas que o ofendiam...

Frequentava o insigne homem de letras, em Manaus, uma casinhola, que sobranceava o mar de frondes e o algodoal de névoas matutinais de sua molduragem. Em longas horas de vigília, ele escutava o gemer do vento a que seus sentimentos de ausente emprestavam o lancinante dos soluços das Oréadas. Às vezes, a lua comparecia à presença do assombrado, que dizia versos à celicola. Fébe ouvia com encantada doçura o arpejar de Orfeu. Debruçava-se depois Euclides nas suas notas miúdas, lançadas ora numa página, ora noutra de grande livro em branco. Preocupava-se também em mandar aos amigos notícias, carícias e gritos de espanto, no vestíbulo da natureza nova, cujo vigor, mistério e contradições o espasmavam.

Para não contar absurdos e apenas diminuir os rigores da tristura ingênita, ele ia tocando a rebate as rimas, para enfileirar as estrofes na esplanada dos postais. Depois destacava pelo Correio, uma a uma, as patrulhas sentimentais e de pés certos. A poesia embalara-lhe sempre os pensamentos. Poemas da mocidade musicaram-se-lhe nas primeiras ideias. Depois alterou e repartiu os ritmos e sonoridades, variou a métrica e foram ainda epopeias o que nos legou a sua arte. (...)

Por esse tempo notava-se que Euclides pouco dormia. A mariposa decorava Heine. O noitibó relia Michelet. Sentava-se a escrever, pedindo ao café e ao tabaco os venenos das essências excitantes. Uma a uma as horas levantavam a antífona do Silêncio e da noite, dando o tom ao coro das pererecas e dos grilos. Que passaria pela cabeça de Euclides alagada nos clarões da insônia? Nunca a cena que o prostrou na Imortalidade e no pó de estrada suburbana, fuzilado e acertado por quatro balas. (...)

No túmulo de Euclides da Cunha dever-se-á mandar esculpir a flor da passiflora, traspassada da mata para o ornato e o proveito de nossos vergéis e a qual tem no cálice roxo ou vermelho os símbolos do mais celebrizado dos sofrimentos humanos. Caber-lhe-ia a frase semelhante à do jazigo da criança: "Assim eras tu..." sob a corola de mágoa e glória da Paixão: uma flor de martírio, com os seus espinhos e os seus cravos cobertos de um pólen fecundante em poemas!

(Fonte: Alberto Rangel - Rumos e Perspectivas, 1934)

 

 

Hiram Reis e Silva hiramrsilva2@gmail.com

Porto Alegre

 

 

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