Cartas - 17/01/2011

CALAMIDADE PÚBLICA

, O Estado de S.Paulo

17 Janeiro 2011 | 00h00

Areal, um exemplo

Um prefeito antenado e um "anjinho" agindo. Foi o suficiente para não se perder nenhuma vida em Areal (RJ). Bastava isso.

NELSON PEREIRA BIZERRA

nepebizerra@hotmail.com

São Paulo

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Apoio das Forças Armadas

Não vi relatos pela mídia da ação das três Forças Armas (Exército, Marinha e Aeronáutica) no triste cenário de Nova Friburgo e outras regiões atingidas. Assim como atuaram de forma célebre nas intervenções nos morros cariocas, elas deveriam estar nas regiões atingidas. Haja vista os equipamentos que possuem. O Exército brasileiro tem os Batalhões de Engenharia e Construção. É prudente salientar que próximo da região atingida o contingente das Forças Armadas é grande e neste complicado e triste cenário é oportuno advertir para que os governantes não se prendam a aspectos burocráticos para agir.

PAULO VAZ DE LIMA

avacanoeiro@hotmail.com

Limeira

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Ações Cívico-Sociais

Com as constantes tragédias de todo início de ano causadas pelas chuvas, e sem as providências adequadas dos políticos de plantão, vemos um grande contingente e maior quantidade de material para o socorro às vítimas nas Forças Armadas. Os equipamentos de campanha são específicos para esse tipo de improviso útil para toda a população atingida. A Marinha já se tem mostrado mais sensível aos reclamos da sociedade. Ainda falta sensibilizar as demais Forças para esse relevante apoio social. Nos regulamentos militares existe previsão legal para essa ajuda, com as denominadas Ações Cívico-Sociais (Aciso). Só falta as autoridades decidirem por tão importante auxílio. A quem mais recorrer?

JOÃO COELHO VÍTOLA

jvitola@globo.com

Brasília

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O Haiti é aqui!

O governo brasileiro mandou tropas para socorrer o povo haitiano, mas não determina às Forças Armadas que assumam o comando e a articulação do socorro às cidades e aos cidadãos vítimas da tragédia nacional! É hora de formar uma frente única de resistência às consequências da catástrofe que vitimou o Sudeste. É o apelo que faço à presidente Dilma Rousseff e ao ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, meu primo.

LUIZ FERNANDO D"ÁVILA

lfd_avila@hotmail.com

Rio de Janeiro

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"A campeã"

A presidenta (como ela gosta de ser chamada) Dilma em menos de 24 horas já estava com o pé na lama, acompanhada de sete ministros, mostrando a nova face do governo, como comprovou o vice-governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, em entrevista ao Estado, dizendo que a ajuda federal "foi fundamental, a Dilma foi campeã". Impossível não fazer comparações com a reação de Lula nas enchentes de Santa Catarina, quando, acovardado, aguardou 48 horas para, então, sobrevoar a região de helicóptero, sem sequer tocar os preciosos pés no chão. O tempo porá no devido lugar o cidadão Lula, o homem dos 11 caminhões.

JOSÉ SEVERIANO MOREL FILHO

zzmorel@uol.com.br

Santos

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Catástrofes e inflação

Mais um lance de sorte do ex-presidente Lula. Durante seu governo houve catástrofes, mas não se comparam às de agora. Pobre presidente Dilma! Enchentes, inflação... Jogar a culpa em quem?

ISAEL COLEONE

isael.coleone@itelefonica.com.br

Indaiatuba

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Fundo Partidário

"Quanto mais recurso público, melhor", disse o sr. Sérgio Guerra. Estou indignado. Que tal os R$ 265 milhões serem usados para ajudar nas enchentes do Sudeste ou na seca do Nordeste? O tal Fundo Partidário nem deveria existir - é estranho o povo manter partidos políticos, quem deveria mantê-los são os seus filiados. Só se o significado de partido for o de repartir dinheiro público.

CLÁUDIO SANTOS CASTELHANO

iafratecastelhano@uol.com.br

São Paulo

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GOVERNO ALCKMIN

E o interior?

Acompanhei as eleições para o governo do Estado e também as entrevistas de Geraldo Alckmin após a vitória. Confesso que não entendo por que as cidades do interior paulista não recebem praticamente nenhuma atenção do governo. Só a área metropolitana de São Paulo é objeto de atenções e não se ouve nenhuma referência a investimentos diretos do Estado em cidades do interior. Claro que a região metropolitana, com seus 20 milhões de habitantes, é primordial para os investimentos, dada a complexidade de seus problemas. Mas e Ribeirão Preto, São José dos Campos, Guaratinguetá, Franca, Lins, Bauru, Santos, etc.? Só ouvi o governador prometer a construção de presídios em algumas cidades, mas quanto a escolas, hospitais, câmpus universitários, neca de petibiriba! É errado, a meu ver, deixar o interior exclusivamente por conta da ação administrativa das prefeituras, é preciso desenvolver essas cidades, até como forma de desafogar a enorme demanda por serviços só encontrados na capital - como os serviços médicos do Hospital das Clínicas, por exemplo. Olhe para o interior, sr. Alckmin!

SERGIO LOPES

blackfeet@uol.com.br

São Paulo

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Precatórios

A Assessoria de Imprensa do governo do Estado informa aos leitores srs. Floriano Sérgio Pacheco (11/1) e Mário Marrese (14/1) que nos últimos anos o Estado vem regularizando o pagamento de precatórios. Só no ano passado foi repassado ao Tribunal de Justiça mais de R$ 1,3 bilhão para pagamento de precatórios alimentares, Obrigações de Pequeno Valor (OPVs) e créditos decorrentes de indenizações trabalhistas e previdenciárias. A meta do governo é quitar R$ 2,4 bilhões em precatórios até o fim do ano. Para 2012 a expectativa é pagar 78% das dívidas impostas à administração pública por decisões judiciais, incluindo OPVs. Para alcançar esses objetivos o governador Alckmin assinou dia 6 decreto que garante por mais um ano o pagamento de precatórios em ordem crescente de valor - credores prioritários, como idosos e doentes graves, serão os primeiros a receber os recursos.

VINICIUS TRALDI

vinicius.traldi@gmail.com

São Paulo

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"Quem mata uma pessoa vai para a cadeia. E quem mata mais de 600? Fica solto?"

JOÃO MANUEL MAIO / SÃO JOSÉ DOS CAMPOS, SOBRE A TRAGÉDIA NA REGIÃO SERRANA DO RIO

clinicamaio@terra.com.br

"Na contabilidade política das tragédias recorrentes, vítimas são apenas eleitores com títulos cancelados"

A. FERNANDES / SÃO PAULO, IDEM

standyball@hotmail.com

"Presidente Dilma, falta bala na agulha para a prevenção de tragédias? Tire do trem-bala que vai sobrar"

JOSÉ EDUARDO ZAMBON ELIAS / MARÍLIA, IDEM

zambonelias@estadao.com.br

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TEMA DO DIA

Rio: 7 municípios em estado de calamidade

Decreto permite dispensa de licitação para reconstruir cidades destruídas pelas chuvas

"A culpa não é do governo e, sim, do povo que não sabe cobrar dos seus governantes o uso correto do dinheiro público."

ANTONIO AVENA

"Na Austrália choveu muito mais. Eles não convivem com esse tipo de problema todos os anos e apenas 12 morreram."

EDUARDO LACERDA

"E ainda querem fazer Copa e Olimpíada. É uma piada atrás da outra, e de péssimo gosto."

JORGE FETTER

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Cartas enviadas ao fórum dos leitores, selecionadas para o estadão.com.br

LUTO DECRETADO

As imagens da tragédia das chuvas na Região Serrana do Rio de Janeiro são, de fato, inacreditavelmente desesperadoras e tristes, mas não são novidade. O que mais incomoda, no entanto, é ver os políticos, um monte deles, de dentro dos helicópteros governamentais apontando seus dedinhos impunes lá para baixo, como se procurassem o ponto exato onde Deus despejou toda a sua ira e despregou os morros...

Vistoriada a tragédia anunciada desse lugar-comum, anotados os números, voltam para aparecer na TV, com sua cara grande de jegue sem dono, para dizer o que toda a gente quer ouvir, ou já o sabe de antemão: a culpa é da falta de prevenção. Franzem o cenho para uma lágrima que não vem e reafirmam a necessidade de um melhor ordenamento do solo, como se não fossem eles os responsáveis pelas ações. Decretam luto oficial por sete dias pelas vítimas.

Assim posto, eles não têm culpa alguma, na verdade, são os anjos salvadores. A culpa, pela primeira vez na história deste país, é de Deus, que nos mandou chuva em demasia e desarrumou a natureza, oxente! Para o próximo ano vão resolver tudo, como nos disseram no ano passado e no antepassado também. Quando for resgatado o último corpo de baixo da lama, se for de jeito, e todas as câmeras de televisão se afastarem do local, esses políticos voltarão aos seus gabinetes com a imagem do dever cumprido, e a gente, a que restar dela, às casas prometidas em campanha no sopé da serra, beirando a ribanceira.

Tudo volta ao normal.

Achel Tinoco www.achel.zip.net

Salvador

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SE EU FOSSE PRESIDENTE...

... obrigaria todos os meus ministros a comparecerem de luto fechado na primeira reunião ministerial após a tragédia no Estado do Rio de Janeiro. Durante a reunião, o primeiro que esboçasse um leve sorriso seria demitido "ad nutum".

Sergio S. de Oliveira ssoliveira@netsite.com.br

Monte Santo de Minas (MG)

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LUTO PELA AUSÊNCIA DO GOVERNO

Dilma Rousseff, como todo bom político, consternada, decretou luto oficial pela tragédia dantesca nas encostas de várias cidades tradicionais do Rio de Janeiro. Até agora já morreram mais de 600 pessoas - que foram levadas à morte, se não de modo doloso, de modo culposo, pela ausência, de fato, dos governos de muitos presidentes, governadores e prefeitos, por apenas participarem passivamente de tudo o que tem acontecido! E não venha, de modo reativo, o governador Sérgio Cabral dizer que o povo continua teimosamente insistindo em construir em áreas de risco! Ora, se são áreas de perigo quase iminente, deveriam estar totalmente isoladas e administradas pela Defesa Civil, impedindo pobres, ricos e remediados de lá construírem e habitarem. Quanto aos miseráveis, todos sabemos que é a repetição do ''vem quente que estou fervendo'', no caso dos aguaceiros, ''vem chuva que moro até debaixo d"água''. No desespero, milhões de sem-teto ainda tentam ser gente neste país de impunidades, de imunidades parlamentares, de corruptos sorridentes e famosos com a vitória da frase ''falem mal, mas falem de mim!'' Pois sabem que contam com a ''proteção'' da única lei que vingou nesta terra de valores invertidos: aos amigos, tudo; aos inimigos, a lei. Aos amigos, até mordomias em ''hotéis'' militares e passaportes diplomáticos para filhos de políticos VIP - será que o ''cara'' sabe o que significa VIP?! O Amorim traduz pra ele...

Enquanto o governo se ''esquece'' dos aposentados e saúda cinicamente o incrível ''aumento'' de 5 reais no humilhante salário ''mínimo'' - humilhante pelo próprio adjetivo mínimo, quando deveria chamar-se salário máximo, naquilo que remunera os verdadeiros construtores do progresso e do bem-estar social; enquanto os janotas dos três Poderes se ''beneficiam'' com indecentes aumentos sobre seus já injustos salários - injustos não para eles, mas para os cidadãos que financiam o caixa do Ministério da Fazenda e do Banco Central; por tudo isso, e por muito mais que deixo a critério da inteligência, da coragem, da opinião democrática de cada leitor, meu concidadão, declaro, em nome da opinião pública brasileira, um luto não oficial, mas proativo, patriótico e mais do que legal, pois superlegítimo, pela ausência dos governos durante todo esse tempo de tragédias mais do que anunciadas - repetidas de modo criminoso e até absurdo! O que nos faz terminar com a famosa frase latina, que no Brasil é sinônimo de verdade: ''Credo quia absurdum''. Para os não simpáticos ao latim, em bom português:''Creio porque absurdo!''

Sagrado Lamir David david@powerline.com.br

Juiz de Fora (MG)

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TRAGÉDIA E CARNAVAL

Uma reflexão mais que um comentário!

Estamos vivendo 24 quatro horas por dia a tristeza da tragédia que se abateu sobre nossas cidades. São imagens de dor, destruição, de muitas lágrimas por vidas perdidas e patrimônio e sonhos transformados em sucata e destroços enlameados..

Mas a vida continua...

Dentro em pouco, esses entulhos, esses rostos de lágrimas serão substituídos por passarelas iluminadas, luxuosos carros alegóricos e o riso fácil dos foliões fantasiados.

Tudo o que se passou será o pesadelo de uma noite mal dormida que precisa ser esquecida...

Até que ponto um país que está de luto pode investir tanto neste carnaval?

Paulo D''Elboux,SJ pdelboux@gmail.com

São Paulo

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TRISTEZA

Não tenho nada contra quem gosta de se divertir, mas será que o pessoal do Rio e de São Paulo, terá coragem de brincar o carnaval este ano?

Virgílio Melhado Passoni mmpassoni@gmail.com

Praia Grande

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ENCHENTES E FUTEBOL

A população fluminense, principalmente a carioca, só estará preocupada mesmo com enchentes e mortes em seu Estado depois do carnaval e de passar o efeito ''ronaldogauchite''. O que também acontece com o resto de nosso país, mesmo em menor dosagem, que só começa a esticar os músculos para trabalhar após passar o carnaval e autorização do Rei Momo. Até lá, viva Lula, viva a criatura dele, viva Sérgio Cabral... e ferrem-se os atingidos pelas enchentes.

Laércio Zannini arsene@uol.com.br

São Paulo

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GOVERNADORZINHO

Assisti no sábado à entrevista de Sérgio Cabral, falando que o governo federal já enviou uma parte da verba para socorrer as vítimas da tragédia de Petrópolis. O governador está preocupado com quanto está custando manter os bombeiros, policiais militares e civis, Exército e Defesa Civil no local. Francamente, uma pessoa dessas deveria ser deletada do mundo. Enquanto nós, brasileiros, estamos chorando a cada reportagem que mostra a tragédia, um governadorzinho está preocupado em pagar aos funcionários públicos, que já estão na programação de folha de pagamento.

Francamente, dá NOJO uma pessoa igual a essa. E o papa fica sentado naquela cadeira que vale milhões de dólares e manda uma cartinha informando que vai pedir a Deus para ajudar. Por que ele não tira aquela b... da cadeira e vem ajudar as vítimas? Outra coisa que não entra na minha cabeça.

Sergio Assis sergioassis@sergioassis.com

São Paulo

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BOMBA DE EFEITO RETARDADO

Há muito que a natureza alerta o governador Cabral sobre o que ele diz e o que ele escreve: ao mesmo tempo que discursa com veemência contra as ocupações irregulares em áreas frágeis, mantém um equivocado decreto liberando para construções áreas protegidas - a maioria de risco - da APA Tamoios, em Angra dos Reis e Ilha Grande. Sr. governador, faça as pazes com o bom senso e entre para a História pela porta da frente: revogue o famigerado Decreto n.º 41.921, uma bomba de efeito retardado.

Alexandre Guilherme de Oliveira e Silva oliveira@engenharia.org.br

Ilha Grande, Angra dos Reis (RJ)

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IMPEACHMENT OU RENÚNCIA

Se o Brasil fosse um país sério, o governador Sérgio Cabral (PMDB) seria afastado do cargo e responderia a processo de impeachment pelo descaso e omissão governamentais na tragédia na Região Serrana do seu Estado, com centenas de mortos e desaparecidos e milhares de desabrigados. Ou, então, ele deveria ter a hombridade de renunciar. Em 2010, em Angra dos Reis, Cabral demorou a aparecer no local da tragédia e lavou as mãos. Agora, como não é bobo, estava de férias no exterior. O pior de tudo é sabermos que tudo isso poderia ter sido evitado se medidas preventivas elementares tivessem sido adotadas. O problema não são as chuvas e a força da natureza, mas, sim, a negligência, o descaso, a omissão, a falta de vontade política e a total insensibilidade dos governantes no País. Na Austrália e em vários países europeus as enchentes causaram danos muito menores, praticamente sem vítimas de morte, justamente porque os governos desses países são sérios e fazem o que deve ser feito na defesa e proteção da população.

Renato Khair renatokhair@uol.com.br

São Paulo

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Sr. governador do Rio de Janeiro, o senhor também tem enorme culpa pela tragédia ocorrida na Região Serrana, pois governa o Estado há quatro anos. Outras tragédias ocorreram no Estado nesse período, e o que foi feito de concreto para amenizar ou evitar tais fatos? Parece-me que absolutamente nada.

O Morro do Bumba e Angra como estão hoje?

Marco Aurélio Lopes marcoaureliomoco@terra.com.b

Caieiras

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MÉTODO

''A responsabilidade é dos autores das ocupações irregulares''. Pelo método Tiririca, assim que souber o que faz um governador, Sérgio Cabral vai agir.

A. Fernandes standyball@hotmail.com

São Paulo

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DE QUEM É A CULPA?

Na tragédia na Região Serrana do Rio - em Petrópolis, Nova Friburgo e a mais grave em Teresópolis -, entre os corpos já encontrados e os desaparecidos devem passar de 600 mortos. Mais uma vez se repete, ainda mais grave do que as que aconteceram em fins de 2009 e abril de 2010, respectivamente em Angra dos Reis e no Morro do Bumba, em Niterói, como muitas outras catástrofes ocorridas em outros Estados. Todos esses eventos próprios da época do verão são cíclicos e comuns, mas quais as providências tomadas pelas nossas autoridades ANTES de acontecerem? Pelo que se sabe, nenhuma. Nos desastres naturais no Rio, em 2009/2010, foi alardeada uma ajuda do desgoverno federal, da qual R$ 50 milhões chegaram no final do ano findo, ainda há valores para chegar, foi só uma ajuda de ''palavras'' eleitoreiras, que forçaram os cariocas e fluminenses a reeleger o sr. Cabral e a dona Dilma, candidata do ex-presidente. No evento atual, a ajuda palavreada é maior, mas não se sabe quando chegará. O sr. Cabral - governador recém-chegado do exterior - e a atual presidente lá estiveram, já é alguma coisa, mas quando chegará a tão esperada ajuda financeira? É obrigação do governo federal enviar todos os recursos para prevenção desses eventos naturais, para a segurança e tudo mais que é obrigação do governo central. Palavras de efeito, falácias e falatórios nada previnem, e para que não venhamos a lamentar novos fatos semelhantes, muita coisa deve ser feita, mas para isso o cidadão precisa saber escolher bem em quem votar, não aceitando mentiras e enganações. Essas catástrofes acontecem em todos os países, na maioria das vezes só com danos materiais, já que se preocupam com o ser humano e poucos perdem a vida. Será que um dia nos aproximaremos do Primeiro Mundo no respeito ao cidadão? Será que conseguiremos atingir a perfeição e a honestidade pública? Quem são os culpados? O povo que joga lixo em qualquer lugar ou a municipalidade, que não recolhe esse lixo? Ou a culpa é de São Pedro?!

Luiz Dias lfd.silva@uol.com.br

São Paulo

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GENOCÍDIO

Onde estão as autoridades agora, com centenas, talvez milhares de cadáveres ainda por resgatar em meio às toneladas de lama no Rio de Janeiro? Escondidas em seus gabinetes refrigerados? Enquanto o primeiro-ministro Kevin Rudd, da Austrália, percorre os locais afetados pelas enchentes, de bermuda e botas, juntando-se ao povo, nossas autoridades só sabem sobrevoar os locais de helicóptero, como uma confissão de culpa, pois com certeza têm medo que a população cobre suas eternas promessas de campanha e total falta de competência administrativa para lidar com desastres desta magnitude, tanto na prevenção quanto nas ações de resgate e salvamento das vítimas.

Quanto tempo o paquiderme da burocracia estatal demorou para acionar as equipes de salvamento?

"Apenas" quatro dias após o desastre, enquanto centenas de pessoas aguardavam auxílio, isoladas em seus bairros, muitas feridas, passando fome e sede!

Em reportagem da TV apareceu o mais absurdo exemplo de incompetência: helicópteros da Marinha não levantavam voo para ajudar no resgate de sobreviventes e no transporte de medicamentos e víveres por falta de combustível!

Num desastre natural em que centenas de pessoas foram engolidas pela lama, enviar apenas poucos e heroicos bombeiros para resgatar as vítimas, deixando milhares de pessoas à sua própria sorte, em minha opinião, foi um genocídio! Muitos resgates de corpos e sobreviventes foram realizados por voluntários, haja vista a paralisia das autoridades estar evidente.

Com a tragédia na Região Serrana do Rio, que pode ultrapassar 2 mil vítimas, com certeza as autoridades vão tentar acobertar a real quantidades de pessoas vitimadas e se eximir da culpa e achar um responsável de plantão!

Apenas para lembrar: onde está nosso ex presidente neste momento de comoção nacional? Como no episódio do acidente da TAM, estará alheio à dor dos familiares das vítimas!

Lauro Fujihara lauro@healthquality.com.br

Carapicuíba

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ENCHENTES

Quero parabenizar toda a imprensa brasileira pela destreza, pelo apoio, pela coragem, pelo dinamismo, pela audácia e, sobretudo, pela solidariedade, dotes que nesses profissionais se sobressaem. Enquanto eles estavam em meio aos destroços, ajudando com suas mãos, com helicópteros, com suas câmeras, com seus ombros, as Forças Armadas Brasileiras, de quem esperávamos tudo isso, estava parada nas filas da burocracia, esperando, quem sabe, uma assinatura vulgar. Pois creio que assim ele consideram as centenas de vítimas do Rio de Janeiro, que para o governo são apenas números, estatísticas, que decerto se repetirão ao longo de mais alguns anos.

Jatiacy Francisco da Silva www.lettersofjatiacy.wordpress.com

Guarulhos

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SILÊNCIO ELOQUENTE

Da mesma boca que agora se cala ante a tragédia do Rio de Janeiro jorravam discursos. Tal silêncio seria para não associar sua imagem às notícias ruins, como no caso do acidente da TAM em São Paulo? Cadê manifestação de solidariedade do ex-presidente Lula para com aqueles que o colocam nos píncaros da popularidade? Onde está a grandeza do reconhecimento público de que errou em não apoiar estratégias para a prevenção de catástrofes? Lula disse que o país será a quinta economia do mundo. Mas de que adiantaria tal feito se a pujança econômica desta Nação teima em NÃO se transformar em benefícios para a sociedade, como investimentos em forças públicas para prevenir e amparar catástrofes, além de em moradias adequadas para essa população em risco? E o que dizer de uma fiscalização municipal tão permissiva para tantas construções em morros e encostas? Pode não ser a hora da autocrítica, e sim a da ajuda aos flagelados, como disse Sérgio Cabral, mas que não se esqueçam de fazê-la no momento adequado, além de ações concretas para que não se repitam tragédias desta magnitude.

José Eduardo Zambon Elias zambonelias@estadao.com.br

Marília

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A LAMA DO LULA

A única "prevenção" realizada nos oito anos do governo Lula foi com a proteção aos corruptos de todas categorias, ao clã Sarney, a tiranos e mensaleiros. Auxiliou também, com repasses milionários, as ONGs da companheirada, sindicatos, UNE, anistiados, mídia marrom e outras maracutaias ainda ocultas. O desprezo pela tragédia anunciada do Rio de Janeiro se confirmou. Tragédia para Lula seria a derrota do poste de tailleur e a vitória de Serra.

Aliás, precavidos ante a corrupção e incompetência brasileiras, a Suíça e os EUA mandarão ajuda para as vítimas da tragédia do Rio de Janeiro, mas o dinheiro e os produtos de primeira necessidade não serão encaminhados ao poder público. É a certeza de que a doação chegará aos necessitados sem desvios, tão comuns na era Lula.

José Francisco Peres França josefranciscof@uol.com.br

Espírito Santo do Pinhal

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HÁBIL ENGANADOR

Nunca antes a história deste país houve um enganador tão hábil como o ex-presidente. Durante a campanha presidencial, petistas me encheram os ouvidos com histórias de como o Brasil ficou respeitado lá fora após o governo Lula. Várias vezes tentei explicar a essas pessoas que não era bem assim. Se é que essa gente se deu ao trabalho de ler o caderno Metrópole de 15/1 (duvido muito, só se interessam por discursos demagógicos feitos sob medida para agradar às plateias) e viu que os suíços se recusam a entregar à prefeitura o dinheiro angariado entre eles para um plano de prevenção contra deslizamentos de terras? "Conhecemos a realidade do Brasil. Um dos problemas que vemos na administração pública brasileira é que não há continuidade nos projetos." Gente tão ingênua merece mesmo os presentes de grego na saída: um bandido a mais, férias pagas pelo contribuinte, os 11 caminhões e os passaportes diplomáticos. Só falta alegarem que é de interesse do país.

Candida L. Alves de Almeida almeida.candida@gmail.com

São Paulo

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INCAPACIDADE

A Organização das Nações Unidas (ONU) ofereceu ajuda ao Brasil para auxiliar no resgate e atendimento da população atingida pelos desastres naturais. Auxílio este ''não aceito'' pelo governo brasileiro, por essa ajuda viria a caracterizar ''incapacidade'' desses políticos de lidar com problemas domésticos. Agora pergunto: mas isso não é a realidade?

Angelo Tonelli angelotonelli@yahoo.com.br

São Paulo

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DOAÇÕES

Há algum tempo alguém (recuso-me até a escrever o nome) disse que, após terminar seu ''trabalho'', estaria de volta aos braços do povo. De fato, num oba-oba nunca antes visto neste país, o personagem caiu nos braços - melhor seria no bolso - do povo, recolhendo-se a um forte do Exército para não ser molestado a fim de gozar ''merecidas'' férias, com toda a família. Ao mesmo tempo, uma dezena de caminhões trazia para seu reduto presentes que lhe foram dados, além de um caminhão climatizado para as preciosas bebidas.

Enquanto isso, muitos dos que sempre o ovacionaram sofrem com as calamidades provocadas pela natureza inclemente: destruição e mortes, muitas mortes. O País inteiro se sensibiliza e de todas as formas se mobiliza para minorar o sofrimento dos que perderam tudo, principalmente seus entes queridos. São doações que partem de todos os cantos: pessoas, muitas humildes, mas solidárias, que procuram ajudar o próximo.

Será que o amante dos mais pobres e sofridos vai fazer a sua doação? Nem precisaria dispor daquilo que é realmente seu, bastaria dispor da fortuna contida nos caminhões da sua ''mudança''! Mas...

Aparecida Dileide Gaziolla rubishara@uol.com.br

São Bernardo do Campo

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APROVAÇÃO DO EX-PRESIDENTE

Será que essas pessoas que estão passando por dificuldades no atendimento em hospitais, como no caso de Rondônia, os desabrigados por alagamentos em São Paulo, Rio e Minas e em diversos outros pontos do Brasil, fazem parte dos 87% da aprovação do ex-presidente?

Marcilio Faustino m_faustino@uol.com.br

São Paulo

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DESASTRES NATURAIS

A manchete definitiva sobre o ocorrido na serra fluminense: ''Nunca antes da história deste país''.

Não por ironia ou humor negro. Seria apenas uma forma de combatermos uma espécie de ufanismo que grassou neste país, enquanto NADA era feito de realmente importante para evitarmos as mortes em desastres naturais (por total falta de uma política nacional de defesa civil). Ou o Brasil se conscientiza do que é realmente ser um país desenvolvido ou então tudo isso se repetirá.

Eduardo Guagliardi humana.mente@hotmail.com

Lages (SC)

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AJUDA AOS FLAGELADOS

Srs. políticos, agora é o momento de darem provas do tamanho da dignidade, do caráter, da honradez, do respeito ao ser humano de que os senhores são possuidores, revertendo o aumento absurdo que os senhores se deram em benefício das inúmeras pessoas que perderam tudo, sua casa, seus pertences e familiares, e que pagam os seus vultosos salários, dando provas de que a função primordial de um político é servir à população, em todos os níveis. Será que os senhores têm essa hombridade ou, como diria o personagem do humorista Chico Anysio deputado Justo Veríssimo, "quero que o povo se exploda"?!

Sra. presidente Dilma, não votei na senhora, mas desejo que faça um governo responsável. Sei do seu grau de formação e tenho certeza que nunca vai se envergonhar de ter se esforçado em estudar, da visão que tem da população, visto que os seus familiares, búlgaros, devem ter-lhe contado todo o sofrimento que passaram por terem presenciado duas guerras mundiais. Peço-lhe que não envie a verba que a senhora destinou às localidades que sofreram com esta última catástrofe, gerencie-a a senhora mesmo, pois o caminho é longo e a fila para molhar as mãos é longa... Será que essa verba chegará ao seu destino de fato?

Hilo de Moaes Ferrari hiloferrari@hotmail.com

São Paulo

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CAÇAS E RECONSTRUÇÃO

À vista da tragédia que se abateu na Região Serrana, sugiro aos srs. parlamentares

que doem a diferença de seus reajustes aos flagelados do Rio de Janeiro. Ainda a título de sugestão, que a presidente Dilma Rousseff suspenda a aquisição de caças, em torno de R$ 6 bilhões, e invista não só na reconstrução das cidades atingidas no Estado do Rio, mas também em São Paulo, Minas Gerais e na Região Nordeste.

Sebastião Paschoal s_paschoal@hotmail.com

Rio de Janeiro

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REPUBLIQUETA DE BANANAS

A dantesca tragédia nas regiões serranas, principalmente do Estado do Rio de Janeiro, lembra de forma fatídica a ficção do filme "Tubarão". O perigo existia, mas o prefeito, os políticos, donos de hotéis e outros estabelecimentos comerciais não queriam prejudicar os lucros da temporada. Aqui, infelizmente, na realidade foi o que aconteceu. Estragar as maravilhosas férias nas montanhas para quê? Enquanto isso, o papa Bento XVI, por intermédio de seus cardeais, notificou o governo brasileiro de que se solidariza com orações pelas vítimas do desastre. Dada a ganância, a falta de respeito, corrupções, pedofilia e falta de temor que o homem tem a Deus, as Ave-Marias do papa de nada adiantarão. Nós estamos precisando é de comida, água potável, barracas de campanha e agasalhos. Dona Dilma, que desfilou toda fantasiada no meio dos escombros: onde está o glorioso Exército nacional? Fazendo caridade no Complexo do Alemão e na Rocinha? É doloroso morar numa republiqueta de bananas!

Roberto Stavale bobstal@dglnet.com.br

São Paulo

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GOVERNO DILMA

Pelo menos neste início de governo, a presidente Dilma Rousseff mostrou estar sendo mais sensível e cumpridora das obrigações governamentais do que o seu antecessor, o ex-presidente Lula, que fugia dos locais de tragédias em momentos cruciais vividos pelo povo brasileiro em diversos locais do País; certamente com medo da vaia levada na abertura do PAN, no Maracanã. Dilma Rousseff, não. Ela tem comparecido e fiscalizado cuidadosamente a atenção que deve ser dada aos cidadãos atingidos pelas catástrofes no Estado do Rio de Janeiro. O povo é sensível e enxerga quando um governante tem boa intenção de atendê-lo. Da mesma forma inteligente, a presidente Dilma recusou convite do Irã para participar de uma comissão de países amigos para uma fiscalização das instalações nucleares iranianas, alegando que isto compete à ONU, e não a convidados amigos.

Benone Augusto de Paiva benonepaiva@yahoo.com.br

São Paulo

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DILMA X LULA

Todos neste Fórum não perdem a oportunidade de reconhecer o gesto de Dilma e de esnobar os oito anos de Lula. Tem alguma coisa errada!

Por que ninguém fala da capacidade louvável de Lula de articulação, melhorando e buscando o melhor para nós? Por que ninguém se interessa em exercer o direito de votar conscientemente? Ah, já sei, preferem eleger Tiritica, Maluf, etc.!

Eu não entendo, perdem tempo falando em quem coloca o pé na lama ou não.

Gente, vamo-nos preocupar com coisas mais importantes! Pagar nossos impostos corretamente, não ficar pensando em dar um tompo no Estado, como muitos fazem, e depois querer exigir. Ainda dizem que os políticos não prestam. Lembremos, a politicagem começa em nós. Muitas coisa é reflexo daquele voto vendido! Lembraram?!

Wagner de Melo Jr. wmjr82@hotmail.com

São Caetano do Sul

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SEM CONTROLE REMOTO

Como sou antipetista (pela falta de transparência, honestidade, coerência, lei de Gerson que impera no partido), torci contra e não votei na dona Dilma. Mas ligar a TV e não ter de escutar as baboseiras verborreicas, a falta de modéstia, as mentiras, a face 51, a prepotência do "cara" faz com que este governo seja mais simpático. OBS: É um alívio não ter de ver TV com o controle para mudar de canal a toda hora que o "cara" aparecia.

Carlos Roberto Gomes Fernandes crgfernandes@uol.com.br

Ourinhos

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O DEVER DE UM MANDATÁRIO

Estranho país o Brasil: a atual presidente é elogiada por estar cumprindo nada mais do que sua obrigação ao visitar região afetada por uma catástrofe sem precedentes. Em qualquer país civilizado, espera-se do primeiro mandatário exatamente essa atitude de solidariedade ao povo. A exceção foi o anterior, Lula, cuja tática era jamais deixar-se associar a momentos difíceis por que passava a população. Sua visita ocorria quando tudo já estava superado, geralmente com pouca ajuda de seu governo. Assim, em recorrentes jogadas de marketing, sua figura estava sempre ligada ao júbilo da recuperação, enquanto governadores e prefeitos se viravam como podiam. Quão benevolentes se tornam todos, sobretudo a mídia, em tempos de vacas gordas!

Eliana França Leme efleme@terra.com.br

São Paulo

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SOLIDARIEDADE E FATURAMENTO

Ouvi pelo noticiário que uma empresa de telefonia disponibilizou quatro aparelhos (!) para os desabrigados das enchentes no Estado do Rio de Janeiro. Em seguida, a mesma matéria disse que a concessionária de uma das estradas de acesso à região afetada iria liberar a passagem no pedágio apenas aos veículos com donativos e mediante apresentação de nota fiscal!

Isso é ajuda? Nota fiscal numa hora dessas? Quer dizer que o próprio governo permite que ainda se cobre pedágio numa situação dessas?

E as empresas de telefonia, que batem recordes de faturamento a cada ano e prestam serviços lamentáveis: quatro aparelhos?

É realmente um país cristão. Mas com o faturamento em primeiro lugar. Sempre.

O que se vê, mais do que nunca, é o dinheiro à frente da vida.

E o exemplo, claro, vem sempre dos mais simples, e por isso é pouco levado em conta.

Eduardo Anhaia Leite edoardocampos@hotmail.com

Campinas

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AINDA SOB AS CHUVAS...

A ajuda oficial demorou três dias para chegar à Região Serrana do Rio de Janeiro.

Tamanha morosidade ocorreria se o destino fosse o Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo?

Gilberto Martins Costa Filho marcophil@uol.com.br

Santos

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METAMORFOSE

Ao longo da vida aprendi que político não é um ser humano comum, tem algo a mais, um olhar que mente junto com a boca, um ar de indignação quando acusado com a mão na massa, um sorriso que mistura um pouco de alegria, sadismo e deboche. É por essas e outras que tenho certeza que as centenas de mortos na tragédia no Rio de Janeiro vão virar milhares de votos.

Luiz Ress Erdei gzero@zipmail.com.br

Osasco

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COPA E OLIMPÍADA

Sou assíduo leitor do Estadão e, consequentemente, do Fórum dos Leitores.

O Fórum deste sábado estava excepcional. Tenho certeza que deve ser o pensamento, desejo, vontade de falar de todo cidadão que tem um pouquinho de hombridade, de amor, de interesse pelo próximo, pelo Brasil, de ver este país se tornar realmente grande, livre, liberto de tanta corrupção, roubalheira, injustiças, do jeitinho brasileiro e tantas outras barbáries que assolam esta terra abençoada.

Particularmente aqueles que foram publicados foram muito felizes em suas opiniões, mas a sugestão do leitor sr. Conrado, de Bragança Paulista, bateu com a minha (partilhei isso com vários amigos e irmãos) e com meu desejo de enviar e-mails a, no mínimo, dez conhecidos, e a partir disso se multiplicar e chegarmos a milhares de e-mails para que toda a fortuna que se gastará com a Olimpíada e o famoso trem-bala seja destinada a coisas muito mais importantes para o bem do Brasil e de todos nós, brasileiros.

Quanto à Copa do Mundo em 2014, será que ainda daria tempo? Pois entendo que já temos muitos estádios no chão, em reformas, e outros a caminho.

Como é possível, ou melhor, quanta frieza, enquanto o Brasil inteiro ia tomando conhecimento da tragédia que se desenrolava na Região Serrana do Estado do Rio de Janeiro, na capital do Estado se comemorava com samba, cerveja e milhares de torcedores a apresentação de um jogador de futebol que vai ganhar aproximadamente R$ 2 milhões, num país em que o salário mínimo será daqui a alguns dias de R$ 545.

É angustinte ver tanta demagogia dos nossos políticos, embora esteja torcendo, orando para que nossa presidente (não votei no PT) continue nesta linha de coerência demonstrada nas duas primeiras semanas de governo.

Em tempo: Será que nossas autoridades leram a matéria ''''Brasil não é Bangladesh. Não tem desculpa'''', publicado na sexta-feira?

Carlos R. dos Santos javeyire@terra.com.br

São Paulo

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AJUDA PODE VIR PELO CÉU

Na cidade de São Paulo sobrevoa umas das maiores frotas de helicópteros do mundo.

Essas maravilhosas máquinas voadoras cruzam o nosso céu, na maioria das vezes, levando empresários que não podem perder um minuto de seu valioso tempo e devem chegar com rapidez a reuniões ou a jogos de golfe com seus colegas em campos à beira-mar. Onde está a solidariedade desses empresários voadores, oferecendo algumas horas de voo de suas máquinas àqueles que estão tentando desesperadamente resgatar os seus amigos, vizinhos e familiares isolados nos inúmeros pontos de difícil acesso das cidades vitimadas pela forte chuva da Região Serrana do Estado do Rio de Janeiro?

Igor Ferrari Borges borgesif@yahoo.com.br

São Paulo

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TEMA RECORRENTE

Nos meus muitos anos de vida, com angústia vi passar o período de chumbo. Embora decerto menor, é também significativa a ansiedade com que espero o aperfeiçoamento da democracia pelo seu exercício. Bem sei que, conforme o nível dos leitores revelado nas cartas aqui publicadas, não se incluem entre os que sistematicamente vêm elegendo maus legisladores e quem malbarata a gestão da coisa pública. Desde dom Pedro II, como mostrou o Estadão em bem pesquisada reportagem, as enchentes assolam nosso país e as necessárias medidas preventivas, por não renderem votos, são adiadas.

Sabem todos que a censura é geral e devastadora a tragédia no rastro das enchentes.

Mas o País não parou, como revela na televisão o sorriso largo da atual presidente e do seminovo Ministério em sua primeira reunião, enquanto lá fora a chuva não cessava.

Por isso, ouso temer que, como se aproxima fevereiro, possa o Supremo Tribunal Federal chancelar o ato do ex-presidente liberando em nosso país o ex-ativista Cesare Battisti. E isso sem o alerta do povo consciente, anestesiado pela catástrofe das águas. É o que poderá ocorrer, como se viu em previsão também neste jornal publicada.

Então, só nos restará esperar a voz da Corte de Haia.

Jairo P. Gusman jairogusman@gmail.com

São Paulo

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CALAMIDADE PÚBLICA

Em caso de calamidade pública, o indignado povo brasileiro estabelece que todo servidor, político, prefeito, governador, juiz ou presidente que disser que não sabia, não tem meios, desconhece o assunto, culpar a natureza ou Deus deve ser exonerado e devolver os proventos recebidos indevidamente.

Movimento Nacional pela Conscientização de que Juntamente com os Proventos e Poder todo Cargo Público traz Responsabilidades.

Elder Gadotti elderg@ig.com.br

Campos do Jordão

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UM PAÍS DE TODOS?

Para a construção de um palácio luxuosíssimo, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), foram gastos R$ 440 milhões. O Congresso Nacional é indubitavelmente um dos mais caros do planeta, mormente após o aumento abusivo de 62% para os nobres parlamentares. Todavia nunca há dinheiro suficiente para investimentos preementes na área de habitação e não há também planejamento eficaz para proteger e evitar que populações construam suas moradias em áreas de risco. O resultado é essa catástrofe assustadora que, infelizmente, assolou o Rio de Janeiro, deixando um desolador rastro de destruição. Os recursos existem, mas no Brasil, historicamente, nunca foram distribuídos de forma equânime e adequada. Se não houver vontade política das três esferas de governo para resolver o grave problema de moradias construídas em áreas impróprias, novos fatos extremamente desoladores poderão ocorrer.

Francisco Zardetto fzardetto@uol.com.br

São Paulo

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PREVENÇÃO, EMERGÊNCIA E CONTINGÊNCIA

Ao contrário de lamentar catástrofes, mais vale prevenir do que remediar. Portanto, devemo-nos antecipar aos riscos. Para isso são necessários conhecimento técnico e ação.

Um bom planejamento preventivo é efetuado sempre com antecedência e deve se antecipar aos eventos possíveis de ser materializados. Porém, mesmo quando isso não é possível, este planejamento deve permitir um bom controle das perdas, mesmo tendo sido falha a prevenção. Aí entra a emergência e quando as ações requerem esforços conjuntos torna-se necessária a contingência. Isso ocorre nas grandes catástrofes.

Para que se efetue um planejamento é preciso conhecimento sobre quais tarefas ou atividades são necessárias, e por que essas tarefas são realmente necessárias. Deve-se saber o que se deve prevenir, e quanto deve se prevenir. Ainda que recursos materiais são necessários, que recursos humanos e financeiros estarão disponíveis para que possam ser utilizados durante a execução dessa tarefa.

Também é importante saber que para tarefas muito longas é preciso saber quantas etapas serão necessárias para a sua execução total, e qual a cronologia em que isso se dará.

As tarefas não poderão apenas ser propostas e ficar sem a execução, portanto, deverão ser delegadas a pessoas que ficarão responsáveis pela execução e a quem serão cobradas informações sobre o andamento do executado, em contrapartida ao que foi planejado.

Devem ser levantados antecipadamente os custos aproximados do que será gasto com a execução de cada tarefa e até mesmo o que será perdido se nada for realizado preventivamente em relação ao risco.

Com as tarefas estudadas, deve-se organizar uma rede Pert-CPM para que as execuções sejam efetuadas de forma concatenada, e que o necessário esteja presente a tempo e hora. Para um bom acompanhamento do planejador deve-se elaborar um cronograma de desembolso físico-financeiro de Gantt.

Resumindo, para que se efetue um bom planejamento preventivo, emergencial e contingencial, devem-se estudar muito bem os locais e detectar quais tarefas ou atividades serão necessárias, e o porquê de sua execução. Devem-se levantar os objetivos a serem atingidos e as metas propostas. Levantar os recursos necessários, formar equipe de trabalho, delegar responsabilidades e cobrar a execução de acordo com cronogramas de desembolso físico-financeiro e rede Pert-CPM.

"In Rebus quibuscumque difficilioribus no expectandum, ut quis simul, et serat, et metat, sed praeparatione opus est, ut, per gradus maturescant" (em todas as coisas, e especialmente nas mais difíceis, não devemos esperar semear e colher ao mesmo tempo, mas é necessária uma lenta preparação para que elas amadureçam gradativamente) - Cesare Beccaria, apud Bacon em "Dos Delitos e das Penas".

Santelmo Xavier Filho, mestre em Engenharia Civil, especialista em Mobilização Nacional pela ESG e em Política e Estratégia pela Adesg-MG, gestor ambiental, da qualidade e de recursos humanos santelmoxf@yahoo.com.br

Belo Horizonte

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FAZER A COISA CERTA

Mais uma vez o ser humano é punido por tomar atitude errada, com a desculpa de não ter alternativa! O ser humano ainda não aprendeu que ao não fazer a coisa certa paga um preço alto! Veja-se caso da tragédia no Rio de Janeiro, em que o povo arriscou ao se instalar onde não devia e pagou com a vida! E o governo, que não investiu quando devia para contenção das encostas, agora terá de investir muito mais. Fazer a coisa certa não dá chance ao infortúnio e é muito mais barato!

Cesare Morosini cesare@listasinternet.com.br

Guarulhos

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EM VÃO

O Estado, na sua história, falhou na política de moradia e hoje pessoas pagam com a vida o peso desse conjunto de problemas. Urge, agora, que o governo se uma às lideranças empresariais do País e deem solução definitiva à tragédia habitacional brasileira. Sem isso as mortes de agora e de sempre em razão do uso inadequado do solo urbano foram em vão e se repetirão ad Aeternum.

José de Anchieta Nobre de Almeida josedalmeida@globo.com

Rio de Janeiro

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O IMPORTANTE DA VIDA É VIVER

Escrevo estas poucas palavras ainda muito impressionado e comovido pelas imagens e relatos da tragédia que se abateu sobre a Região Serrana do Estado do Rio de Janeiro. Comoção que é em parte fruto de ter recebido a notícia de que uma vizinha de apenas 13 anos de idade, a Bruna, estava entre as vítimas da catástrofe.

É inevitável questionarmo-nos o porquê destas tragédias. Não me refiro aos motivos geológicos, hidrológicos, físicos em questão. Mas sim aos espirituais, existenciais, filosóficos. Lembro-me quando a Bruna, com pouco mais de 3 anos, entrava correndo em nosso apartamento escondida dos pais para brincar com nossa pequena cachorrinha poodle, e seus pais vinham buscá-la com um sorriso no rosto. Não existe cena mais pura e alegre do que uma criança brincando com um cachorro. Receber a notícia de que essa criança se foi com apenas 13 anos de idade é algo que corta a alma.

Foi assim com meu primo Ricardo também, que faleceu aos 21 anos numa tragédia em Belo Horizonte. Rapaz bonito, alegre, cheio de amigos, campeão brasileiro profissional de vôlei. Numa noite fatídica, um acidente envolvendo seu carro e uma locomotiva fez com que Ricardo nos deixasse.

E foi assim também com centenas de pessoas, crianças, jovens e adultos, que perderam a vida nestes últimos dias na serra do Rio.

Olho para meu filho, Francisco, com apenas 10 meses, e imagino o que seria perdê-lo tão cedo, quando ainda se está preparando para a vida. Nesse momento me vem um momento de iluminação, uma voz interior, que me diz que Francisco, com seus 10 meses, não está se preparando para a vida, Francisco já esta vivendo.

Esta é a verdade, a vida começa no momento inicial, naquele instante em que deixamos o ventre de nossa mãe. A partir dali, todo e qualquer instante é um pedacinho de vida. Ninguém se prepara para a vida, ela não começa lá na frente, ela existe a todo instante. Quando Francisco tenta seus primeiros passos, está vivendo. Quando a Bruna brincava com nossa cachorrinha, estava vivendo. Quando meu primo jogava suas partidas de vôlei, estava vivendo. Quando estamos presos num engarrafamento indo para o trabalho, gostemos ou não, estamos vivendo. E a vida é a somatória de todos esses instantes. E não só daqueles depois que deixamos o colégio, ou depois de entrarmos na faculdade ou ingressarmos numa carreira profissional. De absolutamente todos.

Esta semana, lendo um livro escrito no início do século passado, do autor japonês Eiji Yoshikawa, sobre a saga do samurai Miyamoto Musashi, li um trecho onde um menino de 15 anos morre. Musashi, muito abalado com a morte do menino, isola-se para refletir sobre o acontecimento. A conclusão a que chega é que nossa existência, sob a perspectiva da existência humana, cujo início data de centenas de milhares de anos atrás, é como um piscar de olhos. Não importa se vivemos 10 ou 90 anos, ambos são ínfimos sob uma perspectiva existencial. O que faz a diferença, então, seria a maneira como vivemos este lapso de tempo. Se vivemos felizes, com honra, colecionando bons momentos, deixando amigos, enfim, verdadeiramente vivendo. Lembro-me também de que Schopenhauer nos diz quão mais felizes são os animais por viverem o presente, sem ter rancor do passado e sem ansiar o futuro. Morrem sem deixar tarefas inacabadas, sem se arrependerem de momentos que passaram, sem terem planos interrompidos.

Bruna teve momentos vibrantes, felizes, alegres, como aqueles com nossa cachorrinha em casa. Bem como Ricardo, meu primo. Ambos não morreram quando estavam se preparando para a vida, ambos morreram em vida, assim como todos morreremos. Sob uma perspectiva existencial, viveram tanto quanto um senhor de 90 anos. Sob uma perspectiva filosófica, talvez tenham vivido muito mais.

Eles, assim como todos os que se foram, nos deixam a mensagem de que cada segundo é especial e único, e deve ser vivido de forma alegre e saudável. Deixam-nos a mensagem de que na vida que vivemos, por mais que nos esqueçamos a todo instante, o importante é viver.

Deus abençoe todos os que se foram e todos os que hoje sofrem a dor dos que perderam nesta tragédia. A Bruna e sua família ofereço minhas preces e o agradecimento por ter compartilhado de seu convívio.

Eduardo Moreira eduardomoreira@msn.com

Rio de Janeiro

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