Cartas - 27/11/2010

GUERRA NO RIO

, O Estado de S.Paulo

27 Novembro 2010 | 00h00

"Tropa de Elite 3"

Quinta-feira o País inteiro assistiu à Tropa de Elite 3. Cenas chocantes e estarrecedoras entraram em nossa casa em tempo real. Não se tratava de ficção, era a triste realidade de uma cidade maravilhosa por natureza, mas horrível por causa de tanto descaso das autoridades. Nenhum cineasta, mesmo tentando ser o mais realista possível, conseguiria imaginar tal situação. A que ponto chegamos! Para onde vamos? Chorei ao ver, numa das cenas na subida da favela, uma Bandeira do Brasil pregada na parede de uma casa. Dá orgulho viver num país como este? Há espaço para o patriotismo? Nossa Bandeira nessa data deixou de ser verde e amarela para se tornar vermelha.

MARIA ELOIZA ROCHA SAEZ

m.eloiza@gmail.com

Curitiba

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AO VIVO E EM CORES

Antigamente, era o povo na TV. Agora é a bandidagem do tráfico na telinha...

LUIZ FERNANDO D"ÁVILA

lfd_avila@hotmail.com

Rio de Janeiro

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CINEGRAFISTAS

É interessante a maneira como agem as nossas polícias. No Rio de Janeiro, cidade de que gosto muito e onde tenho familiares, um cinegrafista consegue imagens - veiculadas em rede nacional - de um grupo de aproximadamente 50 bandidos armados se organizando para enfrentar a polícia. Mas a polícia, com toda a sua "inteligência" e todo o seu aparato, parece não saber onde eles estão, já que faz operações mirabolantes e midiáticas que têm como resultado a prisão de meia dúzia de gatos-pingados e transtornos para a população. Para a nossa proteção, nada de UPPs, sugiro concursos públicos para cinegrafistas em todas as grandes cidades brasileiras.

ANDRÉ LUÍS BOGAERTS

albogaerts@gmail.com

Guarulhos

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VITÓRIA DE PIRRO

Aquela fuga dos bandidos da Vila Cruzeiro para o Morro do Alemão não poderia ter ocorrido. Ficou no ar uma sensação de fracasso. Comemoraram a tomada da Vila Cruzeiro, mas os bandidos escaparam. Foi uma vitória de Pirro. Não adianta o comandante da Polícia Militar (PM) dizer que o objetivo era a Vila Cruzeiro e que a PM vai atrás dos bandidos que fugiram para pegá-los. A chance que tinham de fazê-lo foi desperdiçada. A PM não conhecia a topografia da região? Não sabia que por aquele morro eles podiam ir para o Complexo do Alemão? Por que não os cercou? Agora a PM vai atrás... Boa sorte. Tem retrato deles? Sabe quem são? Desespero ou não dos bandidos, as ações criminosas continuaram com incêndios na parte da tarde e no final do dia. Continuaram desafiando, como fizeram aqueles bandidos que fugiram para o Morro do Alemão e exibiam as suas armas. A PM ainda está devendo à população.

PANAYOTIS POULIS

ppoulis@ig.com.br

Rio de Janeiro

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ELEIÇÕES

Por que deixaram a situação chegar a esse ponto no Rio de Janeiro? Por que essa operação não foi feita antes das eleições?

ANGELO ANTONIO MAGLIO

angelo@rancholarimoveis.com.br

Cotia

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COMÍCIO

Será que hoje a "presidenta" eleita teria coragem de fazer comício na Vila Cruzeiro, no Rio?

VIRGÍLIO MELHADO PASSONI

mmpassoni@gmail.com

Praia Grande

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PERGUNTAR NÃO OFENDE?

Então, por que os ataques a ônibus e vans só são feitos contra os veículos municipais e intermunicipais urbanos, e nunca com os veículos das quatro grandes permissionárias interestaduais?

JOSÉ GUILHERME SANTINHO

msantinho@uol.com.br

Campinas

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TREM-BALA

Furos

Concordamos plenamente com o editorial Os furos do trem-bala (26/11, A3) e nos permitimos acrescentar outros. Por exemplo, as pontes planejadas são adequadas para trens comuns, não para locomotivas de alta velocidade. O crédito extraordinário aberto pela Medida Provisória 551 encerra inconstitucionalidade, já reconhecida, em casos semelhantes, pelo STF, porque só se justificam nas hipóteses de guerra ou de calamidade pública (seria aceitável, por exemplo, uma abertura para socorrer o Rio de Janeiro). O Ministério Público Federal demonstra tibieza no enfrentamento de tão importante questão, porque se limita a "recomendar" ao governo federal que suspenda esse procedimento, que não só beira a irresponsabilidade, mas é simplesmente temerário. O povo brasileiro está sujeito a ver R$ 25 bilhões seguirem para o ralo.

AMADEU R. GARRIDO DE PAULA

amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo

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VIADUTOS E TÚNEIS

Sou engenheiro, embora não familiarizado com a engenharia ferroviária. Com viabilidade, projeto e construção dos trens de alta velocidade (TAVs), então, nem pensar... Entretanto, tive a oportunidade de viajar nos primeiros TAVs a entrarem em operação: o expresso Tóquio-Osaka e o TGV Paris-Lion. E notei que o percurso desses dois pioneiros atravessa planícies com relevo suave, sem grandes diferenças de altitude. Como nosso TAV terá de vencer a Serra das Araras (cerca de 800 metros) para atingir, do lado do Rio de Janeiro, o Vale do Paraíba, por sua vez bastante acidentado em vários trechos, pergunto, como contribuinte: quanto custará um TAV em grande parte sobre viadutos e sob túneis?

JOSÉ SEBASTIÃO DE PAIVA

j-paiva2@hotmail.com

São Paulo

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LEI DO SILÊNCIO

Tristeza é o que muitos engenheiros e economistas da área de transportes, sérios e competentes, devem sentir ao ler as notícias sobre essa aventura chamada trem-bala. Infelizmente, as nossas universidades, as entidades de classe, os pesquisadores com Ph.D. e profissionais autônomos, sem falar nas entidades públicas sérias, que deveriam ter vez e voz nesse assunto, calam-se, como se estivessem sujeitos à lei do silêncio, tão bem identificada pelo mote popular: "Na muda, passarinho não canta". Isso tudo me lembra a frase de um ex-ministro com referência à política de transportes, logo depois de assumir a pasta: "Deixem os técnicos cuidarem dela. Dos projetos cuido eu."

EDUARDO J. DAROS

daros@transporte.org.br

São Paulo

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Cartas enviadas ao fórum dos leitores, selecionadas para o estadão.com.br

RIO, SUA ALMA PROFUNDA

Rio incandescente

Do velho bruxo

Das ditaduras, dos democratas, dos artistas

Da natureza que encanta e desencanta

Dos bairros que sempre lembram o futebol

Do Brasil brasileiro

Maracanã de 50

República do Galeão e ditador que deixa a vida para entrar na História

Seus morros ardem

Suas favelas gritam

Portela, Mangueira, Padre Miguel

O sangue jorra de suas veias maravilhosas.

Amadeu R. Garrido de Paula amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo

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SERVIÇO COMPLETO

Gostaria de parabenizar os bravos cidadãos de farda

que puseram pra correr centenas de vagabundos que

se dizem ''donos do pedaço''. A lamentar, entretanto,

que o ''serviço'' não tenha sido completo, os fuzileiros navais,

ou os paraquedistas, ou quem quer que seja deviam estar

posicionados no alto do morro, divisa da Vila Cruzeiro

com o Morro do Alemão. De qualquer forma, nós que

vivemos nesta cidade maravilhosa estamos confiantes

na firme atuação dos órgãos de segurança.

Sebastião Paschoal s_paschoal@hotmail.com

Rio de Janeiro

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PARABÉNS

Parabéns ao governador e ao prefeito da cidade do Rio de Janeiro, e também ao governo Lula, por disponibilizar as Forças Armadas nacionais no combate ao tráfico de drogas nos morros cariocas. Esperamos que essas ações não sejam para impressionar a Fifa e o COI, nem se limitem à Cidade Maravilhosa. Esperamos que o governo Lula e o próximo governo da presidente Dilma continuem perseguindo, prendendo e condenando os traficantes em todo o País, e não apenas transferindo-os de uma comunidade para outra, sob pena de estarem criando uma guerrilha nos moldes colombianos.

Victor Germano Pereira victorgermano@uol.com.br

São Paulo

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INVASÃO NO RIO

Somente os morros serão invadidos pelos militares? E os palácios dos governos?

José Ricardo Natal josericardonatal@uol.com.br

São Paulo

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COMPLETANDO A OPERAÇÃO

Parece que os Fuzileiros Navais sairão vitoriosos dos morros cariocas. Se mais tarde esse fato se concretizar, sugiro que antes da desmobilização eles sejam enviados a Brasília para desalojar quadrilhas muito mais perniciosas. Seria uma operação vital para o País e de mais fácil execução. Lá os valentes correrão, a tropa não encontrará resistência e não terá de subir morros, apenas rampas, graças à visão futurista de Oscar Niemeyer.

Humberto de Luna Freire Filho hlffilho@gmail.com

São Paulo

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RIO REAL

Imaginar que essa investida da polícia no Rio real, apoiada pelo Exército, da forma como está sendo executada, vai desarticular o tráfico carioca é a mesma coisa do que imaginar que o governo colombiano, apoiado pelos EUA, vai desestabilizar de uma hora para outra as Farc.

Francisco José Sidoti fransidoti@terra.com.br

São Paulo

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FASHION

No Rio, o agravamento da situação impacienta o ministro da Defesa.

Jobim não vê a hora de estrear seu novo uniforme de campanha.

A. Fernandes standyball@hotmail.com

São Paulo

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PERGUNTAR NÃO OFENDE

A Marinha vai utilizar seus submarinos no combate aos bandidos do Rio?

Roberto Twiaschor rtwiaschor@uol.com.br

São Paulo

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TRÁFICO

Em vez de desperdiçar dinheiro em projetos inofensivos e propagandísticos, por que o governo não oferece recompensas milionárias a quem entregar ou facilitar a prisão dos líderes do tráfico de drogas e armas no Brasil?

Fabio Morganti tao2@terra.com.br

São Paulo

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INCOMPETÊNCIA AO VIVO

Se o helicóptero da Globo pôde filmar calmamente a fuga de cerca de 200 bandidos armados pelas estradas e pelo mata do morro divisório das favelas Vila Cruzeiro e Complexo do Alemão, por que será que os helicópteros blindados e armados da PM não intervieram e dizimaram aquela ''tropa inimiga'' em retirada? Por que o cerco por terra não foi feito...? Aquela rota de fuga não foi prevista na invasão da Vila Cruzeiro?

Incompetência da PM, bem como, e principalmente, dos entrevistadores do Jornal Nacional, que não fizeram essas perguntas básicas e naturais ao consultor "Tropa de Elite" e ao comandante da PM.

Fernando Pierry fernando.pierry@uol.com.br

São Paulo

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ORDEM SANEADORA

Tornou-se um incomparável "show" televisivo ocupar as favelas com forças "catadas a esmo?" Se houvesse um sadio serviço de inteligência como da CIA, esta guerra não haveria, com as ações preventivas indicadas pela inteligência.

Com a UPP, somente o sucesso político na compra de votos nas eleições do Lula, cuja ponte foi o Rio de Janeiro, com o seu governador, ficou transparente, vergonhosamente. Qual é a pacificação desses dois políticos arrogantes?

A ordem saneadora é a desocupação dos "bairros favelas" por todos os moradores em 72 horas e, em seguida:

1) Alerta diário e noturno de 24 horas com ataques aéreos de "festim" em toda a área da favela.

2) Então, estado de guerra, ou seja, ataques do tipo Iraque durante o tempo de limpeza total; quem morrer era bandido irrecuperável.

3) Suspensão dos direitos civis e humanos em todo o Estado do Rio de Janeiro até a conclusão dos processos criminais contra os bandidos no estado de guerra.

4) Todos os presos em local insabido, sem visitação. Abrange toda a população carcerária no País. Tempo: o necessário

5) Controle punitivo de presos em cadeias e penitenciárias, no estilo Guantánamo.

6) Eliminação da participação de todas as polícias; apenas as Forças Armadas.

7) Após a limpeza total, reurbanização das favelas, trocando o nome para BAIRRO e construir casas com todos os requisitos de saneamento básico, educação, saúde, ou seja: vida civilizada.

8) Registro de todos os moradores, por exemplo, como se faz na Alemanha; não registrados, em princípio, são bandidos propensos à cadeia ou a morrer.

9) Controle ostensivo das fronteiras contra drogas, armas e qualquer delinquência, como o contrabando; qualquer suspeita, sem prévio aviso, abate aéreo e terrestre em regime de guerra.

10) Havendo focos desses bandidos no País, então adotar as ações do Rio de Janeiro, até com a experiência adquirida.

Resultado: podemos promover a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016.

O povo carioca terá PAZ!

Jürgen Detlev Vageler vatra_ind@yahoo.com.br

Campinas

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COPA DO MUNDO E OLIMPÍADA

Olha como está a imagem do Rio de Janeiro para 2014 e 2016...

Cícero Sonsim c-sonsim@bol.com.br

Nova Londrina (PR)

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ESTADO DE GUERRA

O que assistimos no Rio de Janeiro não é apenas a um bando de bandidos e traficantes. O Rio vive há tempos uma guerra irregular, levando medo ao Estado e à sociedade.

O modus operandi dos criminosos é o mesmo utilizado em guerrilhas, ou seja, determinado, de baixo impacto e grande repercussão, levando a tensão e o terror.

Técnicas utilizadas: ações psicológicas para intimidar a população e o Estado;

operações de combate subterrâneo (ostensivas e clandestinas); ações compartimentadas em células, buscando pontos determinados e sem reação; dispõe de informantes, observadores e de proteção para suas operações; suporte logístico e de suprimentos aos grupos armados; situação demográfica e topográfica do Rio favorece os ataques criminosos; a posição de cobertura dos criminosos dentro dos morros favorece a sua proteção; baixo custo dos ataques x recursos disponíveis do Estado; organizações verticalmente organizada (ordem determinada e medo dos seus subordinados).

Infelizmente, o governo administra essa crise como se fosse mais uma ação isolada.

O Brasil precisa repensar sua política de segurança.

Política preventiva - políticas sociais, educacionais, de saúde e habitacionais são importantes para o desenvolvimento e a sustentabilidade da população.

Política proativa de segurança - uma nova doutrina de política de segurança. Primeiro definir o que e quem são os inimigos do Estado e da sociedade e combater a guerra irregular existente no nosso país.

Nunca devemos esquecer que para desarticular as forças irregulares é necessário atender a dois pré-requisitos: vencer a guerra de informações (inteligência) e conquistar o apoio da população.

Se esses pré-requisitos falharem, o combate já começa perdido. Todos falam em inteligência nessas horas, mas se esquecem de que Inteligência necessita de investimento no homem e em tecnologia, o que não vem ocorrendo no Brasil.

A inteligência antecipa os acontecimentos e assim as ações do Estado serão mais precisas e cirúrgicas.

Se a situação não for definida rapidamente, a população começa a perder a confiança no Estado, dando mais munição aos bandidos e traficantes.

Nesse momento estamos na fase do gerenciamento de crise, pois já está instalada na cidade.

Pergunto: já está definida a crise? Quais são os recursos? Quem está gerenciando essa crise? O local de gerenciamento está definido?

Não adianta colocar o efetivo inteiro da polícia nas ruas, pois as ações são determinadas. O que necessita é um planejamento eficaz e ações como ênfase nas operações de inteligência para evitar mais efeitos colaterais; estabelecer os pontos sensíveis da crise e estabelecer prioridade de segurança nessas áreas; adoção de uma autoridade central única; reorientação das forças policiais; combater refúgios para os bandidos; suprimento e logística para a força policial e outras; capacidade de operar e colaborar em conjunto com outras corporações policiais e agências (deixar o orgulho de lado); intensificar as operações psicológicas perante a população e enfraquecer o espírito e poder de fogo dos bandidos; incentivar a utilização de forças especiais nas operações cirúrgicas, com apoio da inteligência; liderança e legitimidade.

Acorda, Brasil!

Ricardo Gennari www.troiaintelligence.com.br

São Paulo

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O RIO PRECISA DE AJUDA

A cidade do Rio de Janeiro precisa mais do que tratamentos de choque, precisa de planejamento urbano e social voltados para a segurança e qualidade de vida de sua população mais pobre. Do contrário, continuará o clima de violência e conflito que tanto prejudica seu turismo e as condições mínimas para a realização de jogos da Copa em 2014 e da Olimpíada em 2016. Não podemos ficar nos paliativos. Os governos federal, estadual e municipal terão de enfrentar a realidade de que só UPPs não resolvem enquanto não se resolver o problema das favelas. O saudoso Carlos Lacerda já preconizava isso. Temos lá um problema crônico e sério, que só será resolvido com medidas também sérias e de longo prazo. E que assim "Botafogo" possa logo voltar a ser só um bairro e um time de futebol!

Silvano Corrêa www.silvanocorrea.blogspot.com

São Paulo

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MENOS UFANISMO, AS ELEIÇÕES JÁ FORAM

Quem ouve e observa os gestos e os pronunciamentos do governador do Rio de Janeiro, do ministro Jobim, do presidente Lula e outros oportunistas, deve entender que não estamos ante heróis salvadores do Rio de Janeiro, como querem passar a imagem à população brasileira. O que vemos são, sim, políticos que já estão no poder há tempo e foram incompetentes para resolver o problema da criminalidade no Rio, para não falar do Brasil. Eles deveriam, com toda a pompa, iniciar a fala pedindo desculpa ao povo brasileiro e ao querido Rio de Janeiro por esse caos contínuo e por demorarem tanto tempo nessa tomada de decisão. Precisamos aguardar para avaliar o resultado final, porque o filme já vimos várias vezes e a preocupação é que, embora na época digital, a fita quebre novamente.

Osvaldo Hidalgo da Silva ohsilva@gmail.com

Maringá (PR)

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BAGDÁ É AQUI

Pior do que ser obrigado a ficar assistindo às cenas de desespero dos moradores da cidade do Rio de Janeiro, em intermináveis e repetitivas transmissões realizadas pelas emissoras de TV, só mesmo ter de acompanhar as cansativas, fingidas e bem ensaiadas ladainhas do governador Sérgio Cabral e do prefeito Eduardo Paes, dois alienados por opção, talvez inspirados no nonsense do guru político que os ''domina'', o presidente Lulla. Seria cômico, se não fosse trágico, ver esses dois aloprados fazendo caras e bocas na frente das câmeras, na ridícula tentativa de passar para o Brasil, e para o mundo, a ideia de que todo aquele estado de terror implantado nas ruas cariocas é, na verdade, a prova de que seus métodos de combate ao tráfico de drogas estão dando bons resultados. Só falta agora que Serginho e Eduardinho queiram fazer com que os cariocas comemorem o fato de sua cidade ter sido transformada numa ''Bagdá dos trópicos'', como se isso fosse um sinal de que as coisas estão melhorando. Esse descompromisso das autoridades públicas com a verdade dos fatos, buscando sempre negar o óbvio e/ou arrumar desculpas esfarrapadas para tudo, é mais uma das ''heranças malditas'' deixadas por esse aloprado-mor que governou o Brasil durante os últimos oito anos, usando e abusando de estratégias diversionistas, sempre que se via acuado pelos acontecimentos, a exemplo de quando disse que não sabia de nada a respeito das falcatruas praticadas por alguns dos seus mais íntimos colaboradores, durante o vergonhoso episódio conhecido como o escândalo do mensalão.

Júlio Ferreira julioferreira.net@gmail.com

Recife

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UM PAÍS DOMINADO POR BANDIDOS

Essa guerra que está acontecendo no Rio de Janeiro, que não se pode comparar a nenhuma outra guerra que esteja acontecendo no mundo, é só porque temos um governo faz de conta, um Parlamento inoperante e débil, uma Justiça indulgente, uma força de segurança subserviente e um povo que se ajoelha. Por isso a bandidagem prospera. A criminalidade no Rio de Janeiro acontece por falta de um governo com capacidade para reprimir, e por falta de uma força de ordem que dê conta, pelo menos, de controlar a venda indiscriminada de produtos inflamáveis, já que não é capaz de controlar a venda de armas e drogas. O que se tem visto no Rio parece brincadeira. Bandidos andando na rua com galões de gasolina na mão, prontos para atacar, e as autoridades tendo dúvida se eles vão incendiar alguma coisa. Isso é um absurdo. Se prendessem o bandido e o forçassem a dizer onde comprou a gasolina e prendessem também quem vendeu, já se cumpria uma meta importante. Só um exemplo: em Brasília conseguiu-se diminuir em 50% as pichações nas ruas com o controle da venda de sprays de tinta. E isso só não acabou porque eles passaram a comprar os sprays de tinta em cidades onde tudo é sem controle.

Isso tudo que está acontecendo no Rio de Janeiro se deve ao descuido de governos que não se importaram com a bandidagem, e ela chegou onde estamos vendo. Governos comprometidos com facções criminosas que não quiseram sacrificar trinta ou quarenta mil votos de uma favela e, por isso, não criaram uma força de comando para combater marginais. Quando falo em força não é no sentido de organização. Isto já existe até demais. Falo numa força que consiga acabar com a mordomia desses marginais na cadeia. Uma força capaz de mantê-los incomunicáveis. Uma força com autoridade para transferir parte da pena desses bandidos presos para quem for pego corroborando o crime deles (advogados ou familiares que levam celulares e até armas para os presídios). Uma força capaz de botar essa cambada de vadios para trabalhar nos presídios para cobrir o prejuízo que dão ao Estado.

O governo federal, que se tem mostrado tão eficiente no trabalho de espionagem - que consegue quebrar sigilo telefônico, bancário e fiscal de adversários políticos quando quer -, deveria emprestar seus conhecimentos para a polícia vigiar o que os presos comandam de dentro da cadeia. Quando ouço dizer que um bandido comandou um roubo, um assalto, um sequestro, uma venda de armas ou de drogas de dentro da cadeia, para mim, isso é o mesmo que dizer que as autoridades não proíbem porque não querem.

É sabido que no Brasil existe uma tremenda falta de vontade dos Poderes em moralizar o Estado e dar segurança à população. Porém este desalinhamento social acontece por culpa do governo, do Parlamento e da Justiça, que não promovem a reforma das leis do País. Na exacerbação do governo e dos políticos em demonstrarem que somos uma democracia plena, estão condenando nossos princípios morais e sociais. Hoje em dia, a coisa anda de um jeito que toda atitude tomada para coibir um erro virou uma violação dos direitos humanos, da liberdade e da democracia. Até o rigor da criação, que disciplinava a mente das crianças, os pais não podem mais adotar. Parece que o negócio, atualmente, é defender a imoralidade. Hoje em dia se faz apologia ao uso indiscriminado da maconha e não se pode contestar porque se é tachado de careta; o presidente da Nação coloca um colar de coca no pescoço e se deixa fotografar para o mundo ao lado do maior produtor da matéria-prima da cocaína, tudo em nome da democracia. Por esses exemplos os presos também, quando querem, queimam os colchões onde dormem para promover rebelião, porque sabem que no dia seguinte a instituição carcerária fará uma licitação para comprar novos colchões. Mas se a lei não obrigasse o presídio a comprar colchões os presos, com medo de dormirem no chão, pensariam duas vezes. Esses defensores dos direitos humanos precisam se convencer de que o preso vai para a cadeia para pagar por algum crime que cometeu, não para ter boa vida na prisão. A verdade é que, com tanta facilidade de fuga, tantos exemplos de mau comportamento e tantos defensores de presos, eles acabam voltando para as ruas e praticando, com mais ousadia ainda, suas barbáries. Mas o que mais revolta é que, quando um policial acerta um bandido, muitas vezes em legítima defesa, logo são exigidas explicações e muitas vezes o policial perde sua função de comando ou de comandado. Porém, quando uma pessoa morre de bala perdida, disparada por esses marginais, ninguém parece se mobilizar tanto. Numa escala superior dessa deformação do Estado, podemos muito bem lembrar aquelas vítimas inocentes de ataques terroristas que ficaram no esquecimento. Embora o governo esteja fazendo de tudo para encontrar as vítimas do regime que combatia o terror para que elas sejam indenizadas.

Essa guerra que está acontecendo no Rio de Janeiro é porque bandido no Brasil não fica na cadeia ou, então, porque é bem tratado lá dentro e não se importa de ser preso novamente. Só sei que do jeito que as coisas andam lá pela Cidade Maravilhosa, com tantos alvos sendo acertados, é possível que uma medalha nessa modalidade já esteja garantida para a Olimpíada de 2016.

Francisco Ribeiro Mendes mendes.brasilia@gmail.com

Brasília

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TRISTE REALIDADE

No apagar das luzes o governo Lula está deixando amostra do ''nunca antes na história deste país'': a situação desesperadora em que se encontra o Rio de Janeiro, um exemplo concreto do significado de ''herança maldita''.

Laert Pinto Barbosa laert_barbosa@ig.com.br

São Paulo

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CHINELADAS

Se um dia, quando o assunto era a Copa do Mundo, o prefeito do Rio de Janeiro disse que diante da beleza da cidade São Paulo receberia chineladas, agora, diante da guerra que lá se presencia entre os traficantes que aterrorizaram a cidade e a polícia, o Exército e a Marinha, assunto que rendeu manchetes em todo o mundo, poderia ser dito com propriedade que quem mereceria receber tais chineladas é o governo federal, por prometer em campanha, mas não dá tanta importância à fiscalização das fronteiras por onde entram as drogas e as armas pesadas usadas pelo narcotráfico.

Eni Maria Martin de Carvalho enimartin@uol.com.br

Botucatu

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PREOCUPAÇÃO INTERNACIONAL

Todos os países estão vendo o Rio com óculos negros. Os organismos internacionais estão ansiosos pela solução, principalmente os do setor produtivo e da área econômica. Até a Fifa já está preocupada com esta guerra civil no Rio de Janeiro. Toda a boa propaganda que o governo do presidente Lula anda fazendo no exterior está indo por água abaixo no final de seu reinado de oito anos. Apesar de possuir uma inteligência política muito consistente, sua popularidade interna deve cair se não tomar providências emergenciais e urgentes. Será que vai continuar dizendo que não está sabendo e se omitir, como em outras vezes, ou vai se queimar assumindo a responsabilidade federal no grave problema? É bom lembrar que sua postura vai ter um desgaste maior em caso de sair de cena novamente, como de costume nestes casos. Há uma imperiosa necessidade de o poderoso governo federal agir rapidamente. É importante também que todas as forças vivas da sociedade nacional se mobilizem para a solução deste grave problema.

João Coelho Vítola j.vitola@terra.com.br

Brasília

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A PAZ NASCE DO CAOS

Favela antigamente era folclore e letra de samba, como ''lata d´água na cabeça, lá vai Maria, sobe o morro e não se cansa, pela mão leva a criança, lá vai Maria...'' Naquela época favelado era sinônimo de pobreza. Para a turma do asfalto, favela era lugar de samba e malandro. Só tinham notícias do morro pelos empregados domésticos. Mas os tempos mudaram. Hoje a favela está à beira do asfalto. É o lugar onde mora uma parte da ex-classe média e uma grande parte de pobres remediados. Os miseráveis moram nas subfavelas. O samba desceu para os galpões do asfalto e o comando geral de tudo isso ficou nas mãos dos traficantes de drogas. A lei nas favelas é ditada por eles. Uma boa parte dos que estão no asfalto vive à custa da favela, recebendo propina dos bandidos e votos dos favelados. Os cidadãos que moram nas favelas pagam impostos ao Estado de Direito, mas nada recebem em troca. Será preciso muita solidariedade e coragem para que os moradores do Rio, onde devem ser incluídos também os favelados, possam ter uma vida calma e digna. Será preciso que todos os envolvidos nesta luta contra o crime tenham muita honestidade, sensibildade e inteligência. Será preciso que todos se mexam para que não sejam mexidos. Vamos aproveitar o caos do momento para transfornar o destino do Rio de Janeiro.

Wilson Gordon Parker wgparker@oi.com.br

Nova Friburgo (RJ)

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SÃO PAULO LIVRE!

Já que o Nordeste não gosta mesmo de nós, paulistas (mas eles também não rasgam o nosso dinheiro enquanto turistas por lá, não é?), e o Rio é essa coisa que nos vegornha perante o mundo há décadas, por que não nos separarmos deste Brasil que não tem jeito mesmo e nos tornarmos uma nação rica e viável?

São Paulo é a minha nação!

São Paulo é que é o meu país!

Paulo Boccato pofboccato@yahoo.çcom.br

São Carlos

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O TEATRO DAS OPERAÇÕES

Tropas federais desembarcam no Rio, após cinco dias de conflito entre traficantes e forças policiais. Do seu ''bunker'', o presidente Lula e a sua sucessora fingiram se importar com os acontecimentos e esperaram a situação ocupar as páginas de jornais no mundo inteiro para só então reagirem. Preferiram dar entrevistas para blogueiros, licitar o trem-bala, escolher a equipe econômica, o presidente do Banco Central, e ficaram alheios ao caos, quase inertes. Reagiram tarde e as consequências do episódio serão devastadoras para imagem do País às vésperas de uma Copa do Mundo e de uma Olimpíada.

Sitiado de cueca e batendo cabeça como sempre, no seu ''bunker'' das Laranjeiras, o governador do Estado perdeu a oportunidade de prender mais de 200 traficantes flagrados no meio do mato em fuga por helicópteros de emissoras de televisão. Não faltaram cenas cinematográficas e tiros para o ar, além de prisões e mortes de inocentes, cuja infelicidade foi terem nascido no Brasil e viverem numa das 900 favelas da ''Cidade Maravilhosa''. Cidade cujos governantes estão preocupados com o próprio umbigo. Mais detalhes, basta assistir ao filme ''Tropa de Elite II'' ou ao noticiário diário da TV aberta.

Causa espanto o fato de que o tema é avaliado sob vários prismas por ''especialistas'' de plantão e pela imprensa emocionada, sempre na superficialidade: fala-se de tudo, desde a procedência das armas que servem aos traficantes e vêm do Paraguai ou das cidades de fronteira, até do poder de traficantes presos que comandam as operações de guerrilha e o tráfico, como se esses fossem organizados a esse ponto.

Dezenas de absurdos e muito poucas avaliações que tenham a lógica como premissa ou mesmo algum fundamento razoável. Nenhuma das avaliações se dá conta de que sem uma mudança de cenário, terreno, teatro, território, campo de e outros qualificativos que substituem o palco onde tudo acontece, nada vai mudar. Estamo-nos referindo às favelas, aglomerados ou comunidades, como queiram denominar os ''experts'', que compoem as periferias do Rio e são cenários perfeitos para o crime.

A Polícia Civil, o Bope, o Exército, a Marinha e menos ainda a Polícia Federal não ficarão nos morros cariocas por muito tempo. Passado o alvoroço, todos vão voltar para as suas bases e a vida vai continuar no ''teatro de operações''... Sem programas que tenham como meta a eliminação de favelas, a criação de oportunidades de emprego, a devolução da cidadania aos miseráveis que vivem nos morros, trocam seus votos por migalhas e são recrutados pelos criminosos, o Rio vai sucumbir ao crime. Se não for hoje, será amanhã ou depois. Ninguém de bom senso tem dúvida disso e quem viver verá!

José Aparecido Ribeiro jaribeirobh@gmail.com

Belo Horizonte

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SOCIEDADE

Bandidos armados queimam intencionalmente cidadãos em ônibus e agora aparece a socióloga Edna Del Pomo acusando injustamente a sociedade de ter dado "carta branca" à polícia. Não! Na quainta-feira havia dois helicópteros da imprensa (quarto poder) empenhados em orientar a fuga da bandidagem e registrar eventuais excessos. Se a sociedade agisse como os traficantes, teria usado napalm para impedir a fuga.

Márcio Camargo Ferreira da Silva cfsmarcio@gmail.com

São Paulo

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LULA-MORALES

Que tal, em nome da grande amizade de Lula e Evo Morales, iniciar um projeto para construir lá na Bolívia alguns presídios de segurança máxima e para lá mandar os delinquentes presos que por aqui vendem cocaína e seus derivados provenientes daquele país? Ou, então, em nome dessa grande amizade, haja um acordo para que Morales proíba seus bandidos de jogarem tanto lixo no quintal do seu querido vizinho, que é justamente o Brasil? Se algo mais sério não for feito, a operação ''enxuga gelo'' vai continuar gerando imagens para a televisão.

Ademar Monteiro de Moraes ammoraes57@hotmail.com

São Paulo

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SEM CARINHO NEM AFAGOS

Quando do término desse verdadeiro caos instalado no Rio de Janeiro, aparecerão com certeza pessoas ligadas a ONGs de direitos humanos acusando as polícias fluminenses de agirem com extrema violência nos morros e na cidade contra a sociedade local. Para esses paladinos do ''carinho e do afago'' a sugestão é que tomem uma decisão já, subam os morros junto com pessoal do Bope, observem tudo com muita calma e determinação e depois que tirem suas conclusões antes de opinarem à grande mídia suas posições, em geral, falando da bandidagem como sendo as vítimas principais e esquecendo a sociedade justa e trabalhadora.

José Piacsek Neto bubapiacsek@yahoo.com.br

Avanhandava

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MÍDIA

Rio de Janeiro, novembro de 2010, 30 mortos e 70 veículos incendiados, polícia alvejada por fuzil e metralhadoras. A presidente eleita orgulhava-se muito, no mês passado, em campanha, das UPPs; o governador Cabral e seu secretário dizem à mídia que os narcotraficantes estão desesperados - os fatos não confirmam tais declarações, parece que o povoe que está desesperado.

Há de se ter mais responsabilidade e menos declarações políticas.

Celso de Carvalho Mello celsosaopauloadv@uol.com.br

São Paulo

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APOIO

Lula promete apoio incondicional ao governo do Rio... Depois da casa arrombada?

Virgílio Melhado Passoni mmpassoni@gmail.com

Praia Grande

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SOLUÇÃO SEM PIROTECNIA

Tivesse o governo Lula nestes últimos oito anos realizado alguma intervenção séria para proteger as fronteiras do Brasil, principalmente com relação a Paraguai, Bolívia e Colômbia, que é por onde mais nos chegam drogas e armamento pesado diretamente para as mãos dos donos do tráfico, certamente não teríamos chegado a este estado de calamidade pública - no Rio principalmente, mas também no Brasil como um todo. O compañero Evo Morales, el cocalero, candidamente chegou a admitir que a produção de folhas de coca (y por supuesto, também a pasta de coca) é um fator importante na economia boliviana... O que nos leva a concluir que a cada novo viciado brasileiro toca a sineta na caixa registradora de Evo Morales.

Anteontem assisti à fuga desembestada de mais de 200 meliantes-narcotraficantes da favela Vila Cruzeiro para o Morro do Alemão. E daí? Eles poderão fugir de lá também... E assim o problema só está rolando quilometragem. A questão é: no caso de serem TODOS presos, que é o que importa, tem prisão de segurança máxima para todos?

E a Justiça, vai soltá-los em seguida? A solução menos paliativa e que não demanda ''pirotecnia'', mas só verdadeiro empenho de nossos políticos, é a reforma do Código Penal, para pegar esses bandidos, apená-los duramente e ficarmos livres de suas ações deletérias de uma vez por todas! Resta saber se esta solução agrada à maioria dos deputados...

Mara Montezuma Assaf montezuma.fassa@gmail.com

São Paulo

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CRIMINOSOS EM FUGA

Ver criminosos fugindo morro acima como insetos já é um alento. Melhor ainda seria ver corruptos fugindo em massa do País. Será que um dia...?

Gilberto Dib www.dib.com.br

São Paulo

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AINDA DÁ TEMPO

É curioso observar os jornalistas cariocas, nestes dias em que o Rio de Janeiro é cenário de batalha. Cheios de brios, repetem sem parar que, apesar dos inúmeros pesares, ''o Rio continua lindo''. Por que é tão doloroso para o carioca enxergar sua cidade como de fato está? Tomada pelo tráfico, no Rio abundam as favelas. E favelas sempre são, ao contrário do que querem nos fazer crer, feias e sujas. O forasteiro que chega à cidade por ar se assusta com a degradação ambiental causada pela ocupação desordenada dos morros. Nas praias, "línguas negras'' infectam a areia e o mar. A Lagoa Rodrigo de Freitas cheira mal e baía está atulhada de lixo. Há lixo nas ruas, bandos de crianças abandonadas e sem a menor assistência do poder público. O Rio é lindo olhando da calçada da praia para o mar! E é, para quem vem de fora, perigoso e um tanto assustador. Foi sob os óculos de lentes cor-de-rosa que muitos cariocas - grandemente estimulados pela mídia local - insistem em usar que o Rio de Janeiro, outrora lindíssimo, chegou a este estado de degradação. O primeiro passo para deter e, quem sabe, reverter este triste quadro é enxergar a realidade. O bairrismo provinciano tem de dar espaço ao verdadeiro amor pela cidade. A realidade do Rio de Janeiro hoje não tem nada de maravilhosa. Ainda há tempo de salvar o Rio.

M. Cristina Rocha Azevedo crisrochazevedo@hotmail.com

Florianópolis

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BANDIDOS E MOCINHOS

Falar sobre a violência na cidade do Rio de Janeiro, além de ser novela repetida há mais de 20 anos, desde quando o caudilho gaúcho Leonel Brizola, governador do Rio, oficializou a baderna na cidade, é chover no molhado! Só nesta semana, além do badalado e tema de cinema Bope, outros batalhões da PM, Polícia Civil, Federal e a Marinha, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, que não deve entender nem de defesa de time de futebol, anunciou que mandaria (e mandou) para a Cidade Maravilhosa mais 800 homens do Exército, com helicópteros, carros de combate e equipamentos de comunicações. Nem Napoleão teve tantos efetivos preparados para guerra, para enfrentar meia dúzia de adversários. Traficantes sem nenhuma noção de treinos e regras de batalha. Durante todo esse tempo acima citado, os bandidos sempre ganharam dos mocinhos. Chegou a hora de acabar com essa palhaçada, que está ceifando vidas de inocentes, destruindo bens alheios, deixando o mais belo cartão-postal do Brasil manchado de sangue e lama emporcalhando o resto da Nação, governada pelos direitos humanos somente para bandidos!

Roberto Stavale bobstal@dglnet.com.br

São Paulo

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ESTEREÓTIPO?

Com relação à carta do leitor sr. Sandro Ferreira (26/11) intitulada "ESTEREÓTIPO", tenho a comentar que sou mineiro, moro em Belo Horizonte, já morei no Rio de Janeiro, em São Paulo (capital e interior) e Itajaí (SC). Em minhas atividades profissionais percorri este país desde o Arroio Chuí, e de cima de meus 62 anos de janela posso afirmar o quanto infeliz foi seu comentário.

A classe política ordinária não é um privilégio da cidade do Rio de Janeiro, é de todo o País, inclusive do Estado do Paraná, onde reside o sr. Sandro Ferreira. Tenho matérias comprometedoras de diversos políticos paranaenses e registros da História que não conferem nenhum título honroso a muitos.

O que ocorre no Rio de Janeiro acontece no País inteiro. Há quatro anos estava ocorrendo o mesmo em São Paulo, e o estereótipo paulista é a figura do executivo, do trabalhador.

O jeito alegre de viver é uma marca registrada do carioca, um povo acolhedor e que reflete as cores, o som e a bênção de uma cidade realmente maravilhosa, em sua forma de ser.

O que acontece no Rio de Janeiro é o resultado da falência das instituições repressoras ao crime, provocadas por um processo político corrupto, por um sistema judiciário que privilegia criminosos, por um sistema prisional insuficiente, desorganizado e inadequado, onde advogados trabalham para bandidos, mordomias e facilidades são concedidas em nome de "direitos" a vagabundos que não respeitam os direitos realmente sagrados do cidadão comum.

Não, sr. Sandro Ferreira, o carioca não é um povo metido a besta, como o senhor frisou, é um povo agredido, maltratado, como todos nós, brasileiros, que está tendo sua casa invadida, sua alegria pisoteada e seus direitos deitados por terra.

Olhos e sensibilidades como as suas é que não enxergam, não sentem e não percebem a caótica realidade nacional, deixam-se levar pelo canto da cotovia entoado pelos politiqueiros profissionais que abundam no Executivo e o Legislativo brasileiro, preferem criticar e rotular as verdadeiras vítimas a assumir uma postura de solidariedade num momento tão delicado.

Pois, então, sr. Sandro Ferreira, vou contar-lhe uma rápida história. Em 31 de janeiro deste ano fui ao Rio de Janeiro, como sempre faço nessa época do ano. Ao chegar lá e procurar por alguns amigos que tenho, fui informado por seus familiares de que aqueles meus amigos "cariocas metidos a besta" estavam trabalhando como voluntários numa campanha de recolhimento de mantimentos, agasalhos, etc., a serem enviados às vítimas de Sengés (PR), que se encontrava em situação de calamidade provocada pelas intensas chuvas que lá ocorreram.

Nei Silveira de Almeida neizao1@yahoo.com.br

Belo Horizonte

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DENTE-DE-LEITE X FLUMINENSE

O Felipão, já pensando no ''paulistinha'' de 2011, poupará os "titulares'' e colocará o time ''dente-de-leite'' verdinho para enfrentar o Fluminense.

Laércio Zanini arsene@uol.com.br

Garça

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CORINTHIANS

O Corinthians teve tudo a seu favor para ganhar o Campeonato Brasileiro sem depender de ninguém, mas não teve a capacidade de mostrar a seus rivais a qualidade técnica para tanto. Com isso tudo indica que por depender só dele e pelos dois adversários que tem pela frente o Fluminense não deixará escapar de sagrar-se campeão, e dessa forma lá se vai a chance para o Corinthians de mais um título em comemoração do centenário.

Angelo Tonelli angelotonelli@yahoo.com.br

São Paulo

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CAMPEONATO BRASILEIRO

É muito estranha a posição de parte da mídia esportiva, fazendo questão de mencionar diuturnamente como serão escaladas algumas equipes, nesse movimento de entrega-entrega. Chegam ao absurdo de questionar a disputa por pontos corridos, fato universalmente utilizado. Não mencionam a falta de categoria dos times envolvidos, tanto na ponta como na rabeira, que com melhores campanhas não estariam dependendo de ninguém. Ignoram totalmente a falta de um calendário racional, sendo marcados jogos no mesmo período, durante o transcurso de outros torneios, o desgaste dos atletas profissionais, sem o descanso necessário para se recuperam e que ficam a mercê de campos inadequados para a prática do futebol. Onde está a CBF, que dirige o futebol brasileiro? Árbitros incompetentes, tribunais ultrapassados, cartolas despreparados. É a somatória de todos esses fatores que provoca tantos problemas. Sem contar o tratamento dado ao torcedor, que, sem segurança e conforto, fica a bel-prazer dos cambistas.

João Ernesto Varallo jevarallo@hotmail.com

São Paulo

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INDIGESTA SALADA DE VALORES

É de estarrecer essa discussão de botequim que se instalou na imprensa brasileira, de uma forma disseminada, sobre se um time de futebol deve ou não, ou se irá ou não, ''entregar'' um jogo no domingo, com o objetivo de prejudicar um adversário histórico. Discussão devidamente potencializada pelo posicionamento torpe, para dizer o mínimo, de certos dirigentes esportivos despidos de qualquer atributo moral para estar à frente do que quer que seja, muito menos de uma agremiação detentora de milhões de fãs e simpatizantes.

O mais grotesco neste caso é que a essência dessa questão nem sequer deveria vir à tona. E não se trata aqui de ingenuidade ou de posicionamento de vestal de bordel. É, sim, profundamente lamentável, e causa enormes desconforto e sentimento de desesperança, ver enfiar-se bueiro adentro, literalmente e sem qualquer questionamento - afinal não se lê uma letra na imprensa a esse respeito -, 100% do senso de dignidade que, estou seguro, deveria ser um bem inatacável.

A dignidade esportiva, o espírito olímpico e um senso mínimo de convivência humana são atropelados de uma forma vil por uma sociedade que, parece, perdeu totalmente seu rumo.

Que tipo de lição os pais, os mestres, os governantes e os incumbidos do dever de educar, formar e informar deste país têm deixado para nossas crianças e jovens, a ponto de se permitir que esse tipo de sentimento se instale em nossa sociedade? Adversário de meu adversário é meu aliado sem que eu exercite qualquer juízo de valor? Ao largo de qualquer dignidade esportiva dentro do próprio esporte?

Ressalte-se que não se trata aqui de se dar importância exagerada a uma questão relacionada a uma simples partida de futebol, como tantas outras que ocorrem todo fim de semana no País. A questão de fundo, e objetiva, é esse strip tease moral de abjeta indigência esportiva que grassa sem que se tome o menor conhecimento. Tudo se passa num ambiente de gaiatos, de descompromissados, de irresponsáveis. Como muitas outras coisas nestes tempos difíceis de entender.

Não é de se admirar, portanto, que tenhamos de ver diariamente esse melancólico espetáculo de violência no Rio de Janeiro, onde valores morais e decência são coisas que ficaram num passado distante. Uma pena.

Francisco Paulo Cote Gil fcotegil@yahoo.com.br

São Paulo

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