Cartas

DOSSIÊS

, O Estado de S.Paulo

04 Junho 2010 | 00h00

Desculpas dos aloprados

A cada eleição, petistas aloprados tentam organizar dossiês contra seus adversários. Depois de apanhados se desculpam dizendo que eram números para banco de dados, que tudo não passa de invenção de seus concorrentes, desesperados pelos resultados de pesquisas. O que falta mesmo explicar é onde conseguem os milhões (vimos fotos) para viabilizar tais dossiês.

ENI M. MARTIN DE CARVALHO

enimartin@uol.com.br

Botucatu

_________________________________

CAMPANHA ANTECIPADA

Cartão amarelo

O que o presidente pretende quando diz que, quando o período de campanha chegar, vai pedir votos para sua candidata na porta de cada fábrica? Passar mais uma vez pelas brechas da lei e afrontar a Constituição? Eu pago meus impostos para que ele atue como presidente e cumpra a Constituição que jurou defender, e não para usar dinheiro público como cabo eleitoral. Precisamos dizer isso a ele antes que nos passe recibo de tolos. Se não for pela Justiça Eleitoral, que seja pelo Ministério Público ou pela imprensa. Cartão amarelo nele!

CARLOS AVILA

c.avila@modusoperantis.com.br

São Paulo

_________________________________

Polícia eleitoral

Pela demora do TSE, que espera ser solicitado antes de atuar, vê-se que é absolutamente necessária uma polícia eleitoral e uma Promotoria especificamente para deter os fraudadores da legislação enquanto estiverem cometendo os delitos. Sem elas fica a situação em que estamos: até o presidente da República infringe propositalmente a lei, sabendo que não há consequências.

WILSON SCARPELLI

wiscar@terra.com.br

Cotia

_________________________________

Democracia em risco

Lula já deixou claro que vai fazer o possível e o impossível, o legal e o ilegal para empossar sua candidata, que vem ganhando terreno graças, em grande parte, a manobras que transgridem a lei eleitoral. E também à apresentação de Dilma como a candidata que representa a continuidade de seu governo - mais uma "pegadinha" para ganhar os votos dos que o aprovam. Mas é preciso atentar para um detalhe importante que diferencia Dilma de seu "mestre": se o governo Lula não foi tão desastroso como muitos temiam, é porque ele teve a sensatez não só de dar continuidade à política econômica de FHC, mas também de frear o radicalismo petista. Dilma, porém, não será capaz de fazê-lo (nem será essa sua intenção). Um eventual governo Dilma seria o governo do PT radical. O eleitor precisa estar consciente de que nesta eleição não estará apenas escolhendo entre dois candidatos, mas decidindo sobre a vida ou a morte da democracia no País. Acorda, Brasil!

MARIA CECILIA LUCARELLI

lucarellicecilia@hotmail.com

São Paulo

_________________________________

SINDICALISMO DE ESTADO

Filosofando

O ser humano, quando de princípios duvidosos, é assim, digamos, um bicho safado mesmo: se não tem uma rédea, logo pensa, de forma desonesta, no passo seguinte para se dar bem. É o que está acontecendo com alguns dirigentes de sindicatos que, "espertamente", os transformaram em empresas, fugindo de sua função primeira. Esses sindicatos, agraciados por Lula quanto à não-obrigatoriedade de serem fiscalizados pelo TCU, estão deitando e rolando, explorando o trabalhador, ao invés de defendê-lo. E sem as rédeas da Justiça, até campanha pró-Dilma, melhor, contra Serra, estão fazendo, ilegalmente. E com dinheiro público. É o sindicalismo cumprindo a sua obrigação... consigo mesmo! Né, Paulinho da Força?

MYRIAN MACEDO

myrian.macedo@uol.com.br

São Paulo

_________________________________

Negócios e política

Foi premonitório o editorial Sindicatos como negócios (27/5, A3). Em 1.º/6, a reportagem Centrais declaram guerra contra Serra (A4) esclarece que a união do sindicalismo, desta vez, "é pela continuidade do governo Lula, elegendo a petista Dilma Rousseff". Na realidade, tanto quanto a negocial, a atividade político-partidária é vedada aos sindicatos e às suas centrais. Nem se pretenda, por meio destas, exercer o que àqueles é proibido, segundo os artigos 564, 511 e 512 da Consolidação das Leis do Trabalho. Como não se trata de obter benefícios para suas categorias, invadem tais entidades o campo restrito aos partidos políticos. Quanto às centrais, várias decisões judiciais, até mesmo do Supremo Tribunal Federal, vêm reduzindo o seu papel, mas de nenhuma forma este se dirige à defesa de candidaturas que têm a preferência ou atendem aos interesses pessoais de seus dirigentes. A propósito, ocorrem-me as palavras de Arnaldo Sussekind: "A posição das centrais sindicais de trabalhadores no cenário sindical brasileiro é, no mínimo, extravagante."

JAIRO P. GUSMAN

jairogusman@gmail.com

São Paulo

_________________________________

Sinal de alerta

O sindicato da minha categoria é filiado à CUT. Pois declaro que daqui para a frente nunca mais pagarei o imposto sindical. Se usam esse dinheiro para comícios organizados por uma elite sindical caracterizada pelo peleguismo, por que deverei eu contribuir para sustentar atos com aparência de legalidade, mas totalmente ilegítimos? Se o próprio presidente da República desdenha publicamente, e até com ironia, das leis que jurou observar em sua posse, por que devo cumprir uma lei que beneficia apenas uma oligarquia sindical promotora de gastanças de acordo com os seus interesses? Tudo isso que aconteceu no Pacaembu deveria soar como um sinal de alerta, pois quando cessa a força da lei passa a valer a lei do mais forte, que acaba engolindo com voracidade todos os valores de uma sociedade justa e democrática. Isso é muito preocupante!

ELIANA FRANÇA LEME

efleme@terra.com.br

São Paulo

_________________________________

Mobilização

Após ler onde o meu, o seu, o nosso imposto sindical obrigatório está sendo usado - para promover campanha eleitoral, sem permissão -, venho sugerir a próxima campanha popular de assinaturas, agora contra esse famigerado tributo. Tenho certeza que seremos milhões de adeptos do MCSP - ou seja, movimento contra o sindicalismo profissional, ou pelego!

TANIA TAVARES

taniatma@hotmail.com

São Paulo

_________________________________

VOCÊ NO ESTADÃO.COM.BR

TOTAL DE COMENTÁRIOS NO PORTAL: 2056

TEMA DO DIA

Marina se declara contra casamento gay

Após polêmica, pré-candidata do PV à Presidência disse ser favorável à união civil ''de bens''

"O casamento não pode ser banalizado a esse ponto. Por definição, casamento é a união de pessoas de sexos opostos.''

CARLOS SOUZA

"Hipocrisia! Não faço questão de ter direitos matrimoniais, a questão da adoção é bem mais importante.''

DANIELLE RIBEIRO

"A postura da sra. Marina Silva reflete o retrógrado pensamento e atitude inaceitável num mundo globalizado."

DANIEL BATISTA

_________________________________

Cartas enviadas ao Fórum dos Leitores, selecionadas para o Estadão.com.br

CORPUS CHRISTI

Ontem os católicos celebraram o feriado religioso de Corpus Christi. É a festa do Corpo de Cristo, celebrada na quinta-feira seguinte ao Domingo da Santíssima Trindade. E os católicos da maior nação católica do mundo celebram a data de maneira muito original. Em sua grande maioria vão para as praias celebrar o Corpo de Cristo, com muita caipirinha! Ainda, são tão religiosos que estendem a sua religiosidade pela sexta-feira e só param de venerar o Corpo de Cristo no domingo! Aos 85 anos, sou um católico frustado. Fiquei em casa, ouvindo meus CDs de música sacra, de famosos compositores católicos. Ouvi principalmente o belíssimo canto gregoriano, criado pelo papa Gregório I, no século 6.º.

Finalmente, desejo fazer uma sugestão, de uma humilde ovelha católica:

reverendíssimos dignitários de minha Santa Igreja, para não serem coniventes, transfiram esta data religiosa para o domingo seguinte ao da Santíssima Trindade.

Aliás, se dependesse de mim, para evitar esses vergonhosos feriadões, que nos transformam num povo inimigo do trabalho, eu transferiria todos os feriados, de qualquer natureza, para os sábados ou domingos.

Braz Juliano bjuliano@uol.com.br

São Paulo

_________________________________

Marcha para Jesus

Com a facilidade que as igrejas evangélicas têm em reunir o impensável número de 5 milhões de pessoas numa passeata pró-Jesus, fica a pergunta: por que não o fazem para chamar a atençâo das autoridades constituídas, com um tema bem ecumênico, ''Brasil sem corrupção e corruptores''? O País agradece.

Aloísio Arruda De Lucca aloisiodelucca@yahoo.com.br

Limeira

_________________________________

Piloto de Fórmula I

Claro , a campanha não começou ainda. Então, o que são essas manifestações, nas quais o papel principal cabe ao Presidente da República? Meras traquinagens. Não adianta objetar que não é preciso ser piloto de Fórmula 1 para largar na frente e acelerar na reta, ele se considera superior a tudo e a todos, pensa estar acima da lei e acelera fundo. Quando surgirem as curvas, delegará a missão de manobrar aos seus auxiliares, aloprados ou não. Um discurso, uma piadinha, um disparate e a plateia hipnotizada aplaude. Como não apresentar hipertrofia do ego nessas condições?

Quanto aos seus princípios, segue Marx, Groucho para ser mais exato. ''São esses meus princípios, se não gostarem, tenho outros'' - dependendo do auditório, naturalmente. E assim, a ''metamorfose ambulante'' declara que participará da campanha, diga o que quiser a Justiça eleitoral, que o preocupa tanto quanto o destino das cinzas de sua última cigarrilha, espalhadas no chão.

Alexandru Solomon alexso@mansoft.com.br

São Paulo

_________________________________

Lula em campanha

Muito boa a colocação feita por DORA KRAMER, em sua Coluna na página A6, do Estadão de ontem. Onde anda o Ministério Público Federal que não propõe Ação Civil Pública contra o presidente Lula por suas afrontosas, ilegais e imorais (art.37, da CF) propagandas políticas em favor de Dilma?De outra parte, quem disse ao ''mito'' que fora do horário de expediente ele não é presidente da República e aí, sim, poderia fazer propaganda em favor da mãe do PAC? Mais, ele é presidente (gosto ou não) da República brasileira. Como tomar partido em favor de uma brasileira? Imagino os petralhas como reagiriam se FHC fizesse a metade do que faz o ''mito''! Além do mais, o presidente Lula dá outro mau exemplo aos nossos jovens: além de não ter estudado, além de não gostar de ler; além de ter trabalhado muito pouco, agora prega o desrespeito às decisões da Justiça Eleitoral, ao reincidir nas condutas ilegais em favor da Dilma! Basta, senhores! Merecemos um mínimo de respeito!

Sebastião Vanderlei Pinheiro vanderlei106@terra.com.br

São Paulo

_________________________________

Estado forte

Ao defender um Estado forte, Lula aposta em maior arrecadação para poder gastar como melhor lhe convém. O superávit primário obtido nos últimos anos foi garantido pelo aumento da arrecadação e não pelo corte das despesas. O governo Lula aproveitou o aumento da receita para elevar gastos. O Estado forte do Lula é o caminho para uma ditadura socialista perversa que, aos poucos, vai sufocar a iniciativa privada e acabar com a democracia. A politica de Lula e PT e dar migalhas ao povo, distribuir bondades aos ricos e sufocar a classe media. E a candidata de Lula, Dilma Rousseff, promete adiar a aposentadoria dos trabalhadores, que precisam cooperar com a arrecadacao para que o governo possa gastar mais e defende uma nova CPMF. E fica tudo por isso mesmo nao e? Vem aí o tarifaço da Dilma e do Lula. Brasil, um país de tolos!

Luciana Lins lucianavlins@gmail.com

Campinas

_________________________________

Deveres do ofício

Se Lula fosse o presidente de um país mais sério, como Honduras, seu desrespeito contumaz à Constituição já o teria tirado do cargo há tempos.

Carlos Eduardo Lessa Brandão celb@iname.com

São Paulo

_________________________________

O fio de barba do presidente

Ora, Dora Kramer, no que diz respeito ao uso político da máquina pública e à promessa de que irá participar efetivamente da campanha eleitoral de Dilma Rousseff, o presidente da República do "país da impunidade" também irá passar com seu trator por cima da Constituição, que por duas vezes jurou respeitar. Neste país, para algumas pessoas, fio de bigode ou de barba não significa muita coisa.

José Carlos Degaspare degaspare@uol.com.br

São Paulo

_________________________________

Poder vitalício

Corrigir a Constituição para vetar terceiro mandato tornará um pouco mais confiável e verdadeira a nossa democracia. Propaganda de campanha para retorno do "cara" caminha solta e está no ar!

Antonio Wuo wuo.antonio@gmail.com

Mogi das Cruzes

_________________________________

Visto temporário para Oliver Stone

Será que, se Oliver Stone não viesse para fazer propaganda da Dilma, seria beneficiado com um ''visto temporário'' para entrar no País? Será que no país dele isso seria possível? Mas se for amigo do ''cara'', do cocaleiro ou do arremedo de ditador da Venezuela (ridículo), tudo é possível... Agora só falta descobrir se recebeu dinheiro para fazer propaganda da ex(?)-guerrilheira!

Lauro Portugal smportugal@terra.com.br

São Paulo

_________________________________

Cabo eleitoral de Dilma

O cineasta Oliver Stone veio ao Brasil sem ter visto de entrada (como sempre, as pessoas lá fora estão mal informadas sobre o nosso país!). Mas não foi problema. Como estavam à sua espera ''personalidades'' do PT no aeroporto de Guarulhos, de imediato resolveram o problema: acionaram o ministro das Relações Exteriores, que acionou o ministro da Justiça, que acionou a Polícia Federal, e tudo resolvido. O cineasta e sua equipe (também sem visto) entraram como se nada de errado tivesse acontecido. Se um brasileiro chegar aos Estados Unidos sem visto, logo será preso e deportado de imediato. Mas aqui, não. Agora já se sabe por que o cineasta não voltou para casa, como seria o certo, já que entrou ilegalmente no nosso País. É que Stone não veio ao Brasil só para o lançamento de seu filme sobre Hugo Chávez, mas para gravar para a campanha da Dilma à Presidência. Os petralhas e seu chefão Lulla fazem o que bem entendem. Acorda, Brasil!

Antonio Gomes de Souza agsouza_adv@terra.com.br

São Paulo

_________________________________

Ilustre cineasta

Com a participação de Oliver Stone na propaganda da candidata dos petralhas, gostaria de saber quantos agraciados pelo Bolsa-Esmola, desculpe, Família, conhecem o ilustre cineasta.

Guto Pacheco daniguto@uol.com.br

São Paulo

_________________________________

Nunquinha...

Se o cineasta Ary Fernandes desembarcasse no Aeroporto Internacional John Kennedy, em Nova York, sem o visto de entrada nos EUA, a US Customs and Border Protection lhe concederia um documento similar ao nosso "desembarque condicional" válido por oito dias? Never.

Sergio S. de Oliveira ssoliveira@netsite.com.br

Monte Santo de Minas (MG)

_________________________________

Pensando diferente

O cineasta norte-americano Oliver Stone elogia Dilma e o governo do PT. Se ele fosse aposentado do INSS, provavelmente pensaria diferente.

Virgílio Melhaso Passoni mmpassoni@gmail.com

Praia Grande

_________________________________

Script populista

Diga-me, ''cumpanhero'' Oliver Stone: você incorporou o script populista de alguns governos da América Latina em sua filmoteca por mera simpatia ideológica ou por algum incentivo cultural bolivariano?

José Eduardo Zambon Elias zambonelias@estadao.com.br

Marília

_________________________________

Mais do mesmo

Em resposta às acusações do candidato José Serra de que novo dossiê estava sendo armado pelos assessores da campanha de Dilma Rousseff com denúncias que atingiriam o candidato tucano, dona Dilma disse: "Isso é falsidade e eu não vou ficar batendo boca sobre isso". Existe uma denúncia, publicada na revista Veja, com nomes e sobrenomes de seus assessores e a reação da candidata parece seguir a mesma linha que Lula usou nas diversas maracutaias acontecidas no seu governo. O estadista de Garanhuns pelo menos nunca negou os fatos, apenas não sabia de nada...

Victor Germano Pereira victorgermano@uol.com.br

São Paulo

_________________________________

DOSSIÊ

Uma reportagem repleta de ''suposto'', ''teria'' e ''estaria'', sinceramente, não dá pra acreditar.

Esse ''suposto''dossiê simplesmente nunca existiu.

Se existiu foi na cabeça dos tucanos, assustados com as últimas pesquisas.

Se a Veja não colocou o assunto na capa, é porque deve ter ficado com vergonha.

Sem nomes, sem documentos, sem provas, francamente...

Francisco Lisboa lisboa.francisco93@gmail.com

Curitiba

_________________________________

Aécio x Serra

Faltou aos nossos colegas leitores comparar a irritante arrogância do Aécio com o irresistível charme e a simpatia do Serra.

Joao B.Conegundes jconegundes@gmail.com

Belo Horizonte

_________________________________

Lobo tira a capa de cordeiro

Para se eleger presidente, Lula era um lobo com capa de cordeiro. Ao ser eleito, tirou a capa e se deixou mostrar um lobo faminto que defende abertamente o aumento nos impostos e tem a cara de pau de citar EUA, França, Suécia e Dinamarca como os países com as melhores políticas sociais, mas esqueceu-se de dizer que nesses países os serviços essenciais são de primeira, a população paga imposto e vê retorno. Diferente do Brasil, que criou um imposto especialmente para auxiliar a saúde do País (CPMF) e, nos 12 anos de existência, a sociedade assistiu ao desvio incólume dessa arrecadação para destinos obscuros e até caixa 2. E a saúde melhorou? Presidente Lula, quando quiser comparar o Brasil com países ricos e desnvolvidos, lembre-se de que em nenhum deles há tantos deputados, senadores e funcionários mamando nas tetas do governo, e quando são pegos em algum delito, são afastados imediatamente, enquanto no seu governo, quanto maior é o corrupto, mais poder ele tem no seu governo, basta olhar à sua volta.

Izabel Avallone izabelavallone@yahoo.com.br

São Paulo

_________________________________

SERRA CULPA DILMA, QUE DIZ QUE TUDO É FALSO

Serra está de recaída e vai dar a eleição de mão beijada para a adversária.

Ao invés de mostrar ao povo brasileiro as besteiras de um governo ''aparelhado'', está entrando de gaiato em dossiês e outras bobagens.

O ''cara'' ainda continua em cima do muro, nem oposição nem posição de absolutamente nada.

Ariovaldo Batista arioba06@hotmail.com

São Bernardo do Campo

_________________________________

Justiça ou anexo?

São nada menos que R$3 bilhões destinados à rubrica "Presidência da República" - o dobro da verba destinada ao Ministério da Previdência Social e três vezes superior à destinada aos Ministérios da Cultura e do Esporte juntos ! Acho incompreensível que a Presidência da República necessite de tantos recursos, a não ser... a não ser que deles precise para fazer "emplacar a sucessora" ungida pelo Planalto. Não por acaso, ações oficiais abusivas de caráter político-eleitoral vêm se multiplicando a olhos vistos e, somadas às recentes denúncias de fabricação de novos "dossiês", "cartilhas" de propaganda distribuídas à rede pública de ensino, e outros "golpes abaixo da linha da cintura" parecem não deixar dúvidas de que, desta vez, a Justiça Eleitoral vai ter, "como nunca antes neste país", que justificar sua própria existência, sob pena de ser acusada - e mui justamente - de abdicar de sua independência e passar, por omissão, a servir como anexo do Palácio do Planalto.

Silvio Natal silvionatal49@yahoo.com.br

São Paulo

_________________________________

ESTE É O PAÍS EM QUE NASCEMOS!

O cidadão faz uma ''fezinha'' na Mega-Sena e ao conferir confirma ter feito uma quina. Feliz da vida vai a uma agência da CEF para receber o valor (+- R$5 mil), nessa agência quase vazia, perde mais de 20 minutos e nenhuma atenção recebe, embora um grande número de gerentes, subgerentes e outros com pouco para fazer, reclamou, mas de nada adiantou. O cidadão desiste e dirige-se a outra agência da CEF, também bastante vazia, encaminham-no para um caixa, que demora 10 minutos, ao ser perguntado diz que não é mais a pessoa que faz esse atendimento, indica outro que se predispõe a fazer, o qual faz a sua parte, encaminha o cidadão a outro caixa para receber o prêmio da sua sorte, perdendo mais 40 minutos, no total perdeu uma hora. Se o prêmio fosse maior o atendimento seria diferenciado? Banco estatal, muita gente para atender e mal atendimento, exatamente o contrário dos bancos privados, e todos com lucros extratosféricos, fácil de deduzir - inúmeras tarifas e os juros são os mais altos do mundo. Ao verificar o valor liquido recebido observa que foi retido na fonte 30% de IMPÔSTO, para onde vai toda essa receita que pouco ou quase nada retorna ao cidadão? Será que o (des)governo não consegue fazer MELHOR? Maus exemplos, muita conversa e pouca ação. Este é o país que nascemos!

Luiz Dias lfd.silva@uol.com.br

São Paulo

_________________________________

PIOR QUE É

O ''cara'' afirmou que os países com carga tributária menor de 10% não desenvolvem políticas sociais. O nosso país, com carga tributária beirando aos 40%, TAMBÉM. Como explicar?

M. Teresa Amaral mteresa0409@estadao.com.br

São Paulo

_________________________________

Carga tributária elevada

Defendendo a alta taxa tributária brasileira o presidente afirmou: ''É só percorrer o mundo para perceber que exatamente os Estados que têm as melhores políticas sociais são os que têm a carga tributária mais elevadas, vide Estados Unidos, Alemanha, Suécia, Dinamarca. E os que têm a carga tributária menor, não têm condição de fazer absolutamente nada de política social, é só fazer um recorrido pela América do Sul'''', disse Lulla. Contesto o sr. Lulla, porque, nos Estados Unidos a carga tributária é de 28% e no Brasil chega a 38%, e, nesses países com altos tributos o povo vê o retorno enquanto que no Brasil, com essa carga de 38% não vemos retorno algum, apenas uma simulação, como o bolsa família, por exemplo, que paga aos milhões de miseráveis a quantia de R$ 127 por mês como se isto resolvesse a fome dessa população. Veja o atendimento nos hospitais públicos, a educação, as nossas estradas, a corrupção, os cartões corporativos, os altos salários nas instituições públicas. O transporte público defasado. E referindo-se aos países da América do Sul que tem a carga tributária menor e não tem condições de fazer nada, contesto. A Venezuela gastou US$ 5 bilhões em armas. A Bolívia comprou ''na marra'' nossa refinaria da Petrobrás por US$ 112 milhões, além de ganhar US$ 45 milhões de uma dívida perdoada por Lulla. Como se vê, esses países tem condições de aplicar no social, sim, não o fazem por que não querem.

Alberto Nunes albertonunes77@hotmail.com

Itapevi

_________________________________

Eu pago 10%

Presidente Lula, o senhor defendeu a carga tributária de 38% do PIB dizendo que quem tem 10% ''não tem Estado'', e, deu como comparação os ''Estados Unidos, Alemanha, Suécia e Dinamarca''. Esqueceu de dizer que nesses países o dinheiro arrecadado como impostos retornam na forma de bons serviços públicos, uma infraestrutura de primeira e muita prestação de contas dos governantes. Será que o senhor já viajou pelas nossas estradas federais? Será que o senhor já precisou de atendimento na rede pública de saúde? Será que seus filhos e netos estão em colégios públicos? Acho que não. Nos países do chamado Primeiro Mundo o Estado funciona, pois é profissional e competente. Aqui, no seu politizado governo, nada funciona. Tudo está a serviço de políticos que foram premiados por benesses, independente de qualificação ou competência. O inchaço da máquina, aparelhado com petistas e aliados, é tão flagrante que até a pré-candidata do PV, sra. Marina Silva, já realçou isto em recente pronunciamento. Nós, contrbuintes, não aguentamos mais trabalhar 160 dias de cada ano só para pagar a máquina inchada e improdutiva. Não temos bens e serviços como os dos países mencionados, nem parece que teremos em qualquer tempo no futuro, pois tudo é ''engolido'' pela sua improdutiva máquina. Chega de arrouchar o cidadão e nada dar em troca. Eu pago 10% para fechar o Estado como está, pois, pagando 38%, ainda tenho de pagar a maioria dos serviços por fora. Assim, estaria ganhando 28% a mais do que hoje. Essa é nossa triste realidade!

Silvano Corrêa scorrea@uol.com.br

São Paulo

_________________________________

Lulla está errado

Corte de verbas do Ministério da Educação é próprio de quem não estudou e galgou o cargo máximo da Nação. Quando em improviso, durante a reunião da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal), em Brasília, o presidente disse: "Tem muita gente que se orgulha de dizer: no meu país, a carga tributária é apenas 9%. No meu país, a carga tributária é apenas 10%. Quem tem carga tributária de 10% não tem Estado". Talvez tenha sido orientado por Henrique Meirelles.

Faltou dizer que quem tem carga tributária de 10% certamente não paga juros tão elevados como os que o Banco Central do Brasil exige dos cofres públicos só para "henriquecer" banqueiros e especuladores.

Quem tem carga tributária de 10% não destina um terço do que arrecada só para o SERVIÇO DA DÍVIDA. Quando pagamos pesados impostos para pagar mensalões e não termos retorno algum, não vale, sr. presidente.

Raimundo Félix da Silva rfelix.silva@hotmail.com

Niterói (RJ)

_________________________________

Rebolation, embromation, enrolation

O presidente Lula faz a população brasileira dançar um ritmo na base do "embromation" e do "enrolation". Num país que já tem o "rebolation" que faz todo o povo, literalmente, dançar para pagar a excessiva carga de impostos ter de agüentar a incompetência dos petistas que ocuparam o Estado brasileiro é demais.

José Carlos Cruz cruz.jc02@gmail.com

Osasco

_________________________________

Impostômetro

O Impostômetro da ACSP constatou que os brasileiros já pagaram a absurda cifra de R$ 500 bilhões em impostos, nas esferas federal, estadual e municipal, em 2010. O Brasil tem uma das cargas tributárias mais altas do planeta e não recebemos praticamente nada em contrapartida do Estado. A classe média paga tributos extorsivos e ainda tem que arcar com pesados gastos em educação e saúde privados, dada a baixa qualidade dos serviços públicos oferecidos pelos Estado. Precisamos urgentemente de uma ampla reforma tributária, com impostos progressivos, justiça tributária e desburocratização.

Renato Khair renatokhair@uol.com.br

São Paulo

_________________________________

Mais uma patacoada

Mais uma vez o presidente falastrão nos brinda com um rematado disparate digno de sua clarividência: segundo ele, a carga tributária do Brasil é de 10%. Isso mesmo, dez por cento! Ora, é sabido que nossa carga tributária, uma das mais altas do planeta, é de mais de 43%, atingindo as companhias abertas com o absurdo índice de 53%, o que significa que somos vítimas de uma verdadeira ditadura fiscal. E todos sabemos e sentimos na pele que o que pagamos não tem retorno. Nem saúde, nem segurança, nem transporte, nem educação... Será que, também nesse assunto, ele também não sabia?

João Sarti Júnior sarti.junior@terra.com.br

São Paulo

_________________________________

Presidente Lula

Num cafezinho, trocando idéias com um médico paraense, de 55 anos, de passagem por Bragança Paulista, que trabalha no Estado em que nasceu, aparentemente bastante equilibrado, ele afirmou que Lula é dono de 15% das terras paraenses - claro que por intermédio de laranjas. Não posso assegurar que isso seja verídico, não tenho como garantir. Caso seja verdade, estamos indiscutivelmente muito bem servidos de mais alta cúpula. Enquanto Lula tem um pedação do Pará, o presidente do Senado, Sarney, tem outro tanto do Nordeste. Não é à toa que Lula trata de igual para igual qualquer outro mandatário, de qualquer país, inclusive o mais importante deles, Obama.

Conrado de Paulo conrado.paulo@uol.com.br

Bragança Paulista

_________________________________

500 BILHÕES!

Até 22/6 o impostômetro marcou 500 bilhões, sugados dos contribuintes brasileiros, crescimento de mais de 10% que no mesmo período de 2009. Mas esses impostos não revertem aos contribuintes no que é obrigação do Estado: educação, saúde, segurança e infra-estrutura; são desperdiçados no escandaloso aumento dos gastos com o setor público e na dívida federal que ultrapassa 1,6 tri, financiamentos a ditadores e perdão de dívidas a paisecos; O TCU descobriu que 29.000 inadimplentes devem ao Banco do Nordeste 1,5 bilhão e muitos nunca foram cobrados. O orçamento do zelite na Presidência supera os três bilhões em 2010, para sustentar os luxos do cara, que não trabalha, só faz campanha eleitoral disfarçada e aberta da "sua" candidata e dele mesmo a órgãos internacionais e para isso "viaja" a maior parte do tempo.

Mário A. Dente dente28@gmail.com

São Paulo

_________________________________

Comparando...

Segundo Lula, que está realmente se achando "o cara", países com carga tributária menor que 10% não desenvolvem boas políticas sociais. Complemento com conhecimento de causa: com carga tributária próximo a 40%, também não! É só comparar "sem tramóias" a carga tributária de países desenvolvidos (de Primeiro Mundo) e suas políticas sociais com as brasileiras. Duvido que (ele) divulgue o resultado!

José Carlos Alves jc_alves@uol.com.br

São Paulo

_________________________________

E ele sabe de alguma coisa?

Lula acha a carga tributária bem razoável. Por acaso Lula paga impostos?! Lula não paga nem pela comida que come! Faça-me o favor!

M. Cristina da Rocha Azevedo crisrochazevedo@hotmail.com

Florianópolis

_________________________________

O gargalo das estradas

Para resolver o problema do gargalo rodoviário é necessário ser mais criativo do que simplesmente cobrar mais tributo em forma de altas tarifas de pedágio. Colocar mais dinheiro nas mãos de nossos governantes significa, infelizmente, mais superfaturamento e mais caixa dois para manter os nossos partidos políticos e a máquina estatal emperrada que sequer sabe gastar o que já arrecada. O maior volume de tráfego está nas estradas paulistas concessionadas, que são o "filet mignon" das rodovias brasileiras. Mesmo assim aqui se paga cerca de R$ 90,00 para 600 km de ida e volta entre São Paulo e Ribeirão Preto, contra um valor de cerca de R$ 10,00 para distância equivalente entre São Paulo e Belo Horizonte, no sistema federal. É preciso dividir por dois o preço do pedágio paulista e utilizar sistema semelhante nas rodovias federais.

Luiz Antonio da Silva, engenheiro mestre em transporte rodoviário pela Unicamp lastucchi@yahoo.com.br

São Paulo

_________________________________

Rodízio

Lendo no Estadçao de terça feira, 1/6, pág. C1, não pude me conter de escrever estas linhas.

A frota de São Paulo cresce 43,2%; velocidade cai 33% de 1997 a 2009!

As alternativas colocadas, mais rodízio, pedágio urbano, restrição a caminhões, fim da zona azul, são todas fantasias! Caminhão é necessário para abastecer nossos mercados, condução é necessária para irmos trabalhar! O serviço público de transporte é péssimo em relação às linhas, freqüência, lotação. Deviria ser reestruturada em forma de malha, não de ônibus de todo lado para todo lado! Rodízio, sempre foi balela, sem transporte público o jeito é ir de taxi ou comprar algum "pois é", de vez em quando ficar quebrado no meio do caminho, atrapalhando ainda mais o trânsito.

O melhor e único jeito é economizar o dinheiro público com os arquitetos que pretendem na "cidade suja" complicar a vida da população com iluminação das fachadas... e esquecer os adensamentos. ISSO MESMO, NÃO DÁ PARA ADENSAR NADA, A CIDADE PRECISA PARAR DE CRESCER! Abaixo o "lobby" dos arquitetos, engenheiros civis e construtoras para adensamentos. Cada adensamento é mais carro na rua, mais congestionamento, mais parado o trânsito!

Luiz Gonzaga Mezzalira lmezzalira@terra.com.br

São Paulo

_________________________________

E a prevenção não é importante?

Li a reportagem do dia 2/6, de Lígia Formenti, intitulada "Vacinação acaba sem atingir a meta" e achei um absurdo a baixa quantidade de pessoas que se imunizaram contra a gripe suína. Mesmo com a prorrogação da data de encerramento da campanha, os estados e municípios não tiveram o número esperado de pessoas.

Nem o número adultos, idosos e por incrível que pareça o de crianças atingiram a estimativa de pessoas vacinadas!

Mesmo com o baixo desempenho nos três grupos, não haverá um novo prolongamento da campanha, porém aqueles estados e municípios que não alcançaram 80% do público alvo foram orientados a continuar aplicando as doses.

Mas e agora? E as outras 21 milhões de pessoas a mais que não a receberam? Vão esperar ficar doentes para perceberem que deveriam ter se imunizado?

Em minha opinião deveríamos ser mais responsáveis. Se a vacina é de graça então porque não se prevenir? Mas o mais importante: tudo isso é para a nossa saúde e para o nosso bem! Está na hora de nos conscientizarmos de que tomar a dose não fará um bem apenas ao indivíduo, mas também a toda uma sociedade.

Nathalie Pereira Brandt nathypbrandt@uol.com.br

São Paulo

_________________________________

O canhão é nosso?

Circula na internet uma polêmica sobre a intenção do presidente Lula de devolver ao Paraguai o canhão ''El Cristiano'', de que o Brasil se apossou na Guerra da Tríplice Aliança. Há grupos que se opõem fortemente a isso, sob os mais variados argumentos. Penso que não haja nada demais nessa devolução, não só por ser um gesto consentâneo com quem se tornou o Pacificador do Oriente Médio, como em face dos precedentes abaixo enumerados - em metáforas futebolísticas, como Lula gosta e aproveitando o clima de Copa do Mundo:

1. Bolívia 1 x 0 Brasil, na Taça Morales - Petrobrás;

2. Equador 1 x 0 Brasil, na Taça Correa - Odebrecht;

3. Paraguai 1 x 0 Brasil, na Taça Lugo - Itaipu;

4. Honduras 1 x 0 Brasil, na Taça Micheletti - Zelaya;

5. Venezuela 4 x 0 Brasil , na Taça Chávez - ''vai por mim, Lula'';

6. Paraguai 2 x 0 Brasil, na Taça Lugo - El Cristiano (que não é o Ronaldo).

Próximos adversários: Uruguai, Nicarágua, Argentina, Líbia, Irã...

Gil Cordeiro Dias Ferreira gil.ferreira@globo.com

Rio de Janeiro

_________________________________

QUESTÃO IRANIANA

FLERTES ARRISCADOS - Eis que o Brasil pretendia fazer sua entrada triunfal na arena das relações internacionais. Associado à Turquia (outra potência emergente em busca de holofotes), Lula da Silva intermediou um acordo nuclear com o temível Irã, avalizando perante o mundo as intenções pacíficas do regime dos aiatolás e obtendo uma vitória diplomática que americanos e europeus não lograram alcançar - aliás, acordo este que (salvo detalhes) fora há meses proposto pelos próprios americanos. Qual não foi a surpresa de Celso Amorim e Marco Aurélio Garcia, próceres da estratégia brasileira de relações exteriores ora em voga, ao ver o escárnio das grandes potências, capitaneadas pelos Estados Unidos, diante do acordo firmado com Ahmadinejad. Pretendendo posar para a glória, no estilo "nunca antes neste país" em escala global, acabaram flagrados como (na melhor das hipóteses) cúmplices inocentes do regime iraniano em vias de nuclearização. Vociferações partiram do Itamaraty e do Planalto contra a estratégia da administração Obama no Conselho de Segurança da ONU - a qual, segundo Amorim e Garcia (dispensemos, por demais simplórias, as declarações do próprio Lula), está isolando e criminalizando o Irã, um país que apenas deseja (soberanamente) desenvolver tecnologia nuclear para fins pacíficos.

O PERIGO DOS DETALHES - Quais os pequenos detalhes da proposta de acordo original que a mediação turco-brasileira aceitou dispensar? Trivialidades. Primeiro, aceitaram desobrigar o Irã de inspeções preventivas - sem prévio aviso - por parte da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica). Segundo, aceitaram que o programa nuclear iraniano continue enriquecendo urânio a 20% (tecnologia prévia indispensável para alcançar fins militares, mas muito acima dos 5% necessários para os alegados fins civis). A situação faz lembrar o compromisso do pedófilo em deixar as crianças em paz - desde que lhe permitam continuar trabalhando no parquinho...

Retomemos do princípio. Se o Brasil (assim como a Turquia) pretende ascender a uma posição de protagonismo mundial, e escolhe fazê-lo intervindo na mais explosiva das atuais questões internacionais - e na contramão dos esforços das grandes potências - deveria ao menos ter plena consciência da situação de fato, para não ser surpreendido com o descrédito de sua iniciativa (e o deboche por sua falta de argúcia). Do princípio, senhores.

VIZINHOS EM FÚRIA - Primeiro, há que avaliar objetivamente o contexto do Oriente Médio, no qual o Irã está inserido. Salta aos olhos a preocupação com que os próprios iranianos observam seu entorno; não apenas estão cercados por países invadidos e ocupados por tropas americanas e/ou ocidentais (Afeganistão e Iraque), como também são denunciados por seu apoio a grupos extremistas (Hamas e Hezbollah), vivendo sob a permanente vigilância de um inimigo incondicionalmente apoiado pelos EUA e dotado de armas nucleares (Israel) e cercado por Estados muçulmanos sunitas que temem a perigosa influência de seu fundamentalismo revolucionário nos próprios regimes (notadamente a Arábia Saudita, o Egito e o Paquistão). Ainda pior, a sociedade iraniana sabe-se parte do "eixo do mal" derivado da Doutrina Bush - e que a Casa Branca de Obama tenta superar e relegar ao esquecimento. Parece estranho a alguém que o Irã pretenda desenvolver armas nucleares? Que sua sociedade considere essa uma questão básica de segurança nacional? Ora, basta lembrar da situação bastante diferente vivida pela Coréia do Norte, outro vértice do famigerado eixo, mas cujas ameaças são sempre contornadas pela diplomacia. Necessário indicar a razão da diferença? Por mais abstruso que seja o regime de Kim Jong-Il, alguns milhões de miseráveis vivendo no estado-prisão mais bem-sucedido da História, a Coréia do Norte possui suas bombas - e um ataque custaria muito aos invasores e seus aliados. O programa nuclear dos aiatolás tem fins pacíficos? Facécias! Hoje, o reconhecimento tácito dessa corrida pela bomba é o único elemento que garante apoio interno ao cada mais repressivo regime de Ahmadinejad. Prismas refeitos, refeita a pergunta: o Brasil está disposto a apoiar a conversão do Irã em potência nuclear?

SEGREDOS E MENTIRAS - Segundo, cumpre questionar os reais interesses envolvidos na iniciativa turco-brasileira em apoio (tácito, se não explícito) ao regime iraniano. Que as questões dos direitos humanos tem aspecto seletivo para a diplomacia petista já não constitui novidade - os episódios com os presos políticos cubanos, o silêncio conivente perante a denúncia internacional de genocídio em Darfur que pesa contra o sudanês Omar al-Bashir, o rápido reconhecimento da reeleição contestada do próprio Ahmadinejad, enquanto iranianos morriam em protestos de rua, e tantos outros, o demonstram cabalmente. Tampouco, pelos mesmos motivos, merecem crédito as alegações democráticas de Lula, Amorim & Garcia, apoiadores entusiásticos de Castros e Chavez mundo afora. Ao que parece, a demanda por protagonismo (envolvendo o eterno mantra do assento permanente no Conselho de Segurança da ONU) calhou à perfeição para reunir num mesmo abraço regimes populistas de espectros tão díspares quanto a Turquia de Erdogan, o Irã de Ahmadinejad e o Brasil de Lula. Entretanto, nessa arena específica da questão nuclear, o problema vai um pouco além de bravatas patrióticas e nulidades de chancelaria. Seria mais aceitável que essas nações - e os demais parceiros emergentes em busca de espaços de poder numa ordem mundial em rearranjo - protestassem frontalmente contra as hipocrisias das grandes potências (EUA à frente), que (por exemplo) condenam as pretensões atômicas do Irã mas acobertam as armas nucleares de Israel. Não obstante, essa franqueza significaria também reconhecer que o próprio Irã, ao assinar o Tratado de Não-Proliferação e manter um programa nuclear clandestino, viola os acordos internacionais (países como Israel, Índia e Paquistão nunca assinaram o tratado, e mesmo a Coréia do Norte abandonou-o formalmente antes de iniciar seu próprio programa).

PLATÉIAS AMESTRADAS - Terceiro, cabe lamentar que tais audácias diplomáticas, ausentes na era unilateral e belicista de Bush Júnior, revelem-se apenas agora, em choque com os esforços multilaterais de Barack Obama, que segue os protocolos da diplomacia internacional e resgata a ONU como espaço de ação (e pressão) diante das questões mundiais. Ao ignorar solenemente a estratégia americana - que havia enfim recebido a adesão das demais potências com assento permanente do Conselho de Segurança, incluindo a recalcitrante China - e prestar-se às táticas diversionistas de Teerã, Brasil e Turquia alimentam as oposições internas a Obama, saudosas do voluntarismo neoconservador, que tipificam diálogo como tibieza. Mais ainda, ao buscar o aplauso fácil da opinião pública mundial - das esquerdas ocidentais, dos países emergentes e das nações mais pobres (que preferem identificar-se com os iranianos altivos do que com a superpotência americana) - Lula e Erdogan podem esperar candidatar-se a um vaidoso Nobel da Paz, mas apequenam seus países diante das efetivas responsabilidades de qualquer nação que pretenda de fato converter-se em potência. Na arena das grandes questões mundiais, não há lugar para platitudes - mesmo as mais bem-intencionadas.

Leandro Gonsales Ciccone granquixote@ig.com.br

São Paulo

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.