CNI apura quadro muito negativo

A sondagem realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) para o 1º trimestre do ano trouxe um quadro bastante desfavorável, embora nesse período sempre haja queda da atividade, que neste ano foi mais intensa. O único ponto positivo é que a expectativa para os próximos meses acusou ligeira melhora, com exceção das vendas ao exterior.A atividade ficou 4,7 pontos abaixo da do trimestre anterior e, com 36,1 pontos, bem abaixo da média histórica do período, de 51,5 pontos.Trata-se de uma queda generalizada, pois, dos 27 setores analisados, apenas a indústria farmacêutica teve evolução positiva. O pior setor foi o da madeira e o menos afetado, o da indústria de equipamentos hospitalares. Até o setor de veículos automotores apresentou desempenho medíocre em razão da queda da demanda de caminhões.Houve realmente um ajuste de estoques em relação ao trimestre anterior, que ficaram acima do normal e do resultado dos três primeiros meses de 2008, o que significa que a indústria poderá atender a um aumento da demanda sem aumentar sua produção, levando em conta ainda que a utilização da capacidade instalada (UCI) caiu 66%, podendo assim responder a qualquer aumento da demanda sem fazer investimentos. É um quadro favorável à estabilidade dos preços, pelo menos.E quais foram os fatores que levaram a essa situação? A sondagem da CNI responde que, para todas as categorias de empresas industriais (grandes, médias e pequenas), a elevada carga tributária foi o maior fator, o que leva a perguntar se as medidas tomadas para combater a retração da atividade são suficientes.Mas registra-se também que, para mais de 50% das indústrias, a falta de demanda é o segundo maior problema, particularmente para as pequenas.Poder-se-ia dizer que esse fator não se sustenta diante dos dados que se conhecem do comércio varejista. Mas a explicação pode ser que, em 2008, a indústria aumentou muito seus investimentos e, no último trimestre, a utilização de estoques também pelo comércio reduziu a demanda da indústria.A taxa de juros elevada e as dificuldades de obter financiamentos representam também uma grande dificuldade para as empresas, especialmente as pequenas, que na busca de crédito sofrem a concorrência das grandes, que no passado podiam obter recursos do exterior.A sondagem recomenda a revisão da política anticíclica.

, O Estadao de S.Paulo

30 de abril de 2009 | 00h00

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