CNI considera o trimestre perdido

Os indicadores da Confederação Nacional da Indústria (CNI) complementam os dados publicados pelo IBGE, que leva em conta o volume da produção industrial, enquanto a CNI registra também o faturamento, as horas trabalhadas, o nível de emprego e a massa salarial. O IBGE havia registrado aumento de 1,8% da produção, em fevereiro, e a pesquisa da CNI (que não inclui a indústria extrativa) apresenta aumento do faturamento real de 0,7% em termos dessazonalizados.Isso não significa que houve uma reação em relação a fevereiro, pois a base de comparação (janeiro) era muito ruim, e em relação ao mesmo mês de 2008 registra-se queda de 10% no faturamento real. Os outros indicadores (dessazonalizados) não são melhores: aumento de 0,2% em relação a janeiro e queda de 8,4% ante fevereiro de 2008 para as horas trabalhadas; queda de 1,1% e de 1,5% para o emprego; e redução de 2,8% e crescimento de 0,4% para a massa salarial - sempre considerados janeiro de 2009 e fevereiro de 2008. A CNI considera que no primeiro trimestre a indústria terá um desempenho negativo, tanto em comparação com o 1º como com o 4º trimestres de 2008.O que impressiona é que, apesar de um ligeiro aumento do faturamento, o emprego recua pelo quarto mês consecutivo e a queda das horas trabalhadas se amplia. Essa contradição se deve à evolução diferente dos setores da indústria. No de veículos automotores, o faturamento cresceu 21,1% em relação a janeiro. Recuperaram-se os setores que em janeiro haviam apresentado queda violenta: vestuário (+35,4%), couros e calçados (+30,4%), máquinas e aparelhos elétricos(+22%). Mas quando a comparação é feita em relação a fevereiro de 2008, o recuo é generalizado.A indústria aumenta a produção administrando cuidadosamente as horas trabalhadas, para não ter de empregar. E o nível de emprego recua pela quarta vez consecutiva, contribuindo para uma redução da demanda doméstica.A massa salarial é naturalmente afetada pela redução do emprego: baixou 2,6% em relação ao mês anterior, mas cresceu 0,4% em relação a fevereiro de 2008 por efeito da inércia e do reajuste do salário mínimo.Os setores que acusam maior queda são os que dependiam mais da exportação. No entanto, a massa salarial deverá continuar caindo, pois a cada dia há novas reduções do emprego e o fator de inércia está se esgotando.

, O Estadao de S.Paulo

07 de abril de 2009 | 00h00

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