Comércio Brasil-EUA melhora

Os Estados Unidos recuperaram a posição de principal destino das exportações brasileiras em janeiro deste ano, com um total de US$ 2,376 bilhões, superando a China (US$ 1,809 bilhão). Esse pode não ter sido um acontecimento episódico. Os EUA foram durante muitos anos o maior mercado para as vendas externas brasileiras, sendo suplantados pela China apenas nos últimos anos. Releva notar que, diferentemente do que ocorre com a China, para a qual o País exporta somente produtos primários, especialmente minério de ferro e soja, os EUA compram do Brasil produtos manufaturados, de elevado conteúdo tecnológico, como aviões, além de pastas químicas, ferro-ligas, petróleo em bruto e café em grão - os principais itens da pauta bilateral em janeiro. Ao mesmo tempo, cresce a consciência, tanto nos EUA como no Brasil, da importância do intercâmbio entre os dois países, tradicionais parceiros comerciais, apesar de ocasionais discordâncias diplomáticas.

O Estado de S.Paulo

02 Março 2012 | 03h08

Como disse há pouco Thomas Nides, vice-secretário de Estado dos EUA, o crescimento do comércio e dos investimentos bilaterais é crucial na relação Brasil-EUA. O País já é o oitavo maior parceiro comercial dos EUA, tendo gerado, em 2011, um dos raros superávits comerciais obtidos por aquele país com o resto do mundo. De fato, as importações dos EUA no ano passado alcançaram o recorde de US$ 33,962 bilhões, enquanto as vendas brasileiras para o mercado americano ficaram em US$ 25,804 bilhões, deixando um saldo favorável para os EUA de US$ 8,168 bilhões, segundo as estatísticas da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

Também no primeiro mês deste ano, os EUA exportaram para o País US$ 2,936 bilhões, superando as vendas brasileiras para o seu mercado. Vale observar, no entanto, que as exportações brasileiras para os EUA tiveram um salto de 43,92% em janeiro, em comparação com o mesmo mês de 2011, o que talvez seja reflexo da paulatina recuperação da economia americana. O que esses números deixam entrever é a oportunidade aberta para promover ativamente as vendas para o maior mercado do mundo, o que não é incompatível, de modo algum - como alguns setores do governo tendem a acreditar -, com a busca de mercados alternativos para os produtos nacionais.

Esta é a contrapartida natural dos esforços de Washington para expandir seu intercâmbio com o País. Como disse Nides, "vamos usar nossa embaixada e nossos consulados no Brasil para ajudar nossas companhias a vender seus produtos no mercado brasileiro e para criar uma atmosfera para investimento nos EUA". A política comercial brasileira deve ser orientada para atuar em sentido igual e contrário.

Constata-se, na realidade, uma maior abertura dos EUA para o intercâmbio com o Brasil e outros países emergentes, especialmente da América Latina. A decisão do presidente Barack Obama de facilitar a concessão de vistos para turistas brasileiros para visitar os EUA foi um reconhecimento explícito de que esse tipo de turismo cria milhares de empregos para os americanos. Os EUA acabaram também com a tarifa adicional sobre o etanol brasileiro e, por motivos fiscais, podem vir a eliminar outros subsídios, o que pode resultar em benefício para o Brasil.

De outro lado, crescem os investimentos de empresas brasileiras nos EUA, como parte de suas estratégias de globalização, montando novas fábricas e criando novos empregos. Dadas as condições mais favoráveis de preços, depois do estouro da crise imobiliária nos EUA, tem aumentado muito também o número de brasileiros que compram imóveis em cidades americanas, notadamente na Flórida, movimentando o mercado local.

Tudo isso tem sido possibilitado pela liberdade cambial que existe no Brasil. Cumpridas as obrigações tributárias, quando houver, a entrada e a saída de capitais são livres, o que, sem dúvida, concorre para maior cooperação do País não só com os Estados Unidos, mas com outros países.

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