Comércio e consumidores estão mais confiantes

'A recuperação lenta e constante do humor dos entrevistados parece prenunciar a retomada mais forte da economia'

O Estado de S.Paulo

28 Agosto 2016 | 03h00

Em agosto, cresceram os indicadores de confiança dos comerciantes, segundo pesquisa da Confederação Nacional do Comércio (CNC), e também os da confiança do consumidor, apurados pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). O comportamento de empresas e famílias nada tem de eufórico, mas a recuperação lenta e constante do humor dos entrevistados parece prenunciar a retomada mais forte da economia, tão logo haja condições favoráveis. A retomada também será facilitada pela determinação de quase 90% dos devedores de quitar dívidas em atraso, como mostrou levantamento da Serasa Experian.

O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec, da CNC) avançou 1% entre julho e agosto e 9,4% em relação a agosto de 2015. Chegou aos 90 pontos, melhor marca desde março de 2015, aproximando-se dos 100 pontos a partir dos quais entra no campo positivo. São as expectativas que mais empurram o Icec para cima, mas também é menos ruim a avaliação das condições atuais. “Não se pode afirmar até o momento que haverá recuperação da atividade do comércio em breve”, afirmam os responsáveis pelo índice. Mas admitem que as perdas parecem perder fôlego.

A caminhada até a recuperação exige paciência, pois depende do nível de emprego em geral, da renda dos trabalhadores e do poder de compra dos salários. Mas o índice de expectativas de 141,1 pontos é o maior desde 2014. Há sinal de aumento até nas intenções de contratar pessoal, investir na empresa e equilibrar estoques, o que indica custo menor para as companhias.

Ao mesmo tempo, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) alcançou 79,3 pontos em agosto, alta de 2,6 pontos em relação a julho e maior patamar desde janeiro de 2015, segundo a Sondagem do Consumidor da FGV.

A exemplo do Icec, da CNC, observou-se uma pequena melhora na situação presente, “um sinal favorável”, avaliou a coordenadora da pesquisa da FGV, Viviane Seda Bittencourt. Revelou-se mais otimismo dos consumidores em relação ao mercado de trabalho e à situação financeira das famílias. Por faixa de renda familiar, a confiança aumentou mais entre as famílias que percebem até R$ 2,1 mil por mês.

Os indicadores da situação presente continuam longe do campo positivo em razão da intensidade da recessão, mas as expectativas são mais animadoras. E justamente no comércio interno, que mais sofreu com o quadro recessivo.

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