Comportamento do crédito tem leve melhora

Uma recuperação mais expressiva dos empréstimos parece depender de que o horizonte político e econômico se torne menos nublado

O Estado de S.Paulo

28 Maio 2017 | 03h00

Houve pequena redução nos juros cobrados dos tomadores de empréstimos pelos bancos e menor inadimplência em abril, segundo a Nota de Política Monetária e Operações de Crédito do SFN, do Banco Central. É uma mudança favorável para a evolução do crédito. Mas, ao mesmo tempo, houve leve queda nominal do saldo das operações, o mesmo ocorrendo com as concessões (novos empréstimos).

Áreas de análise de bancos, como o Itaú, acreditam que houve, entre março e abril, uma pequena melhora do crédito, observada quando se levam em conta aspectos sazonais e a média diária de concessões. Ainda assim, não há tendências firmes, porque consultorias como Serasa e Boa Vista registram queda do número de tomadores.

De fato, os números absolutos divulgados há dias ainda são bastante negativos. Em 12 meses, até abril, o total dos saldos dos empréstimos nos bancos estatais, privados nacionais e estrangeiros caiu 2,2%, de R$ 3,140 trilhões para R$ 3,071 trilhões. Nos empréstimos livres, a queda foi de 3,2%, enquanto no crédito direcionado o recuo foi menor, de 1,1%.

As empresas têm sido mais reticentes em tomar empréstimos do que as pessoas físicas, que conquistam espaço no segmento de crédito livre. Isso parece indicar que houve algum aumento da confiança das famílias na preservação do emprego e da renda.

A falta de tendências mais claras para o crédito é reforçada pela comparação em períodos mais longos, pois continua o processo de diminuição da relação entre os empréstimos e o Produto Interno Bruto (PIB). Essa relação era de 53,7% em dezembro de 2015, caiu para 49,6% em dezembro de 2016 e foi de 48,4% em abril, com queda mensal ininterrupta neste ano.

Uma recuperação mais expressiva dos empréstimos parece depender de que o horizonte político e econômico se torne menos nublado. Até lá, os melhores pagadores tenderão a tomar o menor volume possível de crédito à espera de quedas muito mais expressivas dos juros. Os empréstimos mais caros só serão demandados pelos piores pagadores.

Os bancos fazem elevadas provisões contra calotes, que são mais numerosos no cheque especial e no rotativo do cartão de crédito, cujos custos médios eram, em abril, de 328,3% ao ano e de 422,5% ao ano.

Os sinais positivos para o crédito são, por ora, discretos.

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