Confiança ainda vacilante

A confiança do empresário industrial aumentou pelo segundo mês consecutivo, segundo pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI). O otimismo, é bom ressalvar, é em relação aos próximos seis meses. O entusiasmo em relação ao presente continua muito baixo, embora o indicador de evolução da atividade tenha melhorado, em agosto, também pelo segundo mês, de acordo com outra pesquisa da entidade. Nem o programa de modernização e ampliação da infraestrutura parece ter causado muita animação, apesar do falatório e das promessas oficiais. Em termos gerais, no entanto, as novas informações são positivas. Seus desdobramentos poderão ser melhores, se a mudança de humor do empresariado resultar em mais investimentos produtivos e em maior empenho na busca de competitividade.

O Estado de S.Paulo

23 Setembro 2013 | 02h07

Mais ressalvas, no entanto, são necessárias. Embora os indicadores de confiança tenham subido de agosto para setembro, continuam, na maior parte, inferiores aos de setembro de 2012. A avaliação das condições atuais subiu de 43,7 pontos para 46,2, mas um ano atrás estava em 49,3. Os índices variam de zero a 100. Abaixo de 50 denotam pessimismo. Acima dessa marca, otimismo.

Em relação aos próximos seis meses, a pesquisa apontou uma elevação de 56,9 para 58,2, número ainda bem abaixo do registrado em setembro do ano anterior, 61,5. De modo geral, a situação e as perspectivas da própria empresa são julgadas mais positivamente que as condições da economia brasileira.

A combinação dos índices de situação atual e de expectativas resulta no Índice de Confiança do Empresário Industrial. Quando se examinam os detalhes, o cenário fica ainda menos animador.

Dos três grandes setores, só o extrativo apresenta um nível de confiança empresarial (57,7) mais alto que o de um ano antes (57,3). Na construção, o resultado geral (53,5) é muito mais baixo que o de setembro de 2012 (57,6). No segmento de construção de edifícios o índice de confiança ficou em 53,9 pontos. Um ano antes era de 57,3.

No de infraestrutura, o indicador caiu de 57,7 pontos em setembro de 2012 para 51,5 em agosto deste ano e 52,2 neste mês. É fácil entender esse quadro, quando se consideram o baixo grau de execução dos investimentos públicos e as trapalhadas do governo na realização de licitações para a atração de capitais privados.

No terceiro grande setor, o da indústria de transformação, o panorama é especialmente sombrio. Só em 2 dos 28 segmentos - outros equipamentos de transporte e manutenção e reparação - o índice geral de confiança dos empresários foi mais alto que um ano antes. Em todos os demais houve queda entre setembro de 2012 e setembro de 2013, em alguns casos muito grande. Exemplos de ampla variação negativa são as indústrias de limpeza e perfumaria (de 61,3 para 52,7) e de máquinas e materiais elétricos (de 57,1 para 48,4 pontos).

Os sinais de recuperação dos negócios continuam muito fracos. A evolução da atividade continuou muito moderada, no mês passado. O indicador apurado pela CNI subiu de 52,1 para 52,7 pontos e ficou abaixo do estimado um ano antes, 54,7. O estoque continuou pouco acima do planejado, com variação muito pequena.

Dois meses de elevação do índice de confiança, de julho para agosto e de agosto para setembro, foram insuficientes, portanto, para o retorno ao nível de um ano antes, mas é preciso, ainda, levar em conta mais um detalhe negativo. Nos últimos meses, a indústria, especialmente a de transformação, passou a demitir, depois de haver, durante a maior parte da crise, contribuído para a sustentação do nível geral de emprego. Em agosto, o nível de ocupação na indústria paulista diminuiu 0,3%. Em 12 meses, a queda chegou a 1,49%, em mais uma comprovação do fracasso da política econômica. A avaliação geral captada pela CNI também é negativa. Quanto a número de empregados, a sondagem mostrou ligeira melhora de julho para agosto, de 48,5 para 49,2 pontos, mas o indicador, além de permanecer abaixo de 50, continuou inferior ao de um ano antes, de 49,8.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.