Confiança dos empresários cai em setembro

Recuo registrado no mês levou índice da Fundação Getúlio Vargas ao menor nível desde setembro de 2017

O Estado de S.Paulo

06 Outubro 2018 | 04h00

A confiança dos empresários caiu pelo sexto mês consecutivo em setembro pelo critério de médias móveis trimestrais, segundo o Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getúlio Vargas (FGV). O recuo de 1,9 ponto registrado pelo Índice de Confiança Empresarial (ICE) da FGV levou o indicador para 89,5 pontos, menor nível desde setembro de 2017.

O ICE reflete um período de incertezas, seja quanto ao futuro presidente, seja quanto à economia. O superintendente de Estatísticas Públicas da FGV Ibre, Aloísio Campelo Jr., notou: “Depois das perdas com a greve dos caminhoneiros e do esboço de recuperação em julho, o resultado desfavorável de setembro mostra que os fatores negativos, como a incerteza eleitoral, a piora do cenário externo e o ritmo lento da economia, continuam pressionando a confiança empresarial para baixo”.

O indicador resulta da consolidação dos índices de confiança de quatro setores pesquisados pela FGV: indústria, serviços, comércio e construção civil. É um indicador de qualidade, baseado em ampla pesquisa com 4.907 empresas ouvidas entre os dias 3 e 24 de setembro.

A percepção dos empresários nem sempre coincide com os dados sobre o ritmo da atividade. Por exemplo, entre agosto de 2017 e agosto de 2018 houve alta de 2,5% do consumo de energia elétrica, segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE). E em igual período avançou 2% o consumo de combustível, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). As altas ocorreram apesar dos fortes aumentos de preço desses itens.

Entre os indicadores pesquisados pelo ICE, o Índice de Situação Atual caiu 0,8 ponto e atingiu 88,4 pontos, refletindo a apreensão dos empresários quanto à conjuntura. O Índice de Expectativas caiu pelo terceiro mês consecutivo, atingindo 95,4 pontos. O maior peso negativo veio da indústria em geral, enquanto o maior peso positivo se originou da construção civil.

O indicador mais preocupante veio do fato de que apenas 37% dos 49 segmentos que compõem o ICE se declararam mais confiantes entre agosto e setembro. O porcentual foi de 51% na pesquisa anterior.

Superar a fase eleitoral parece ser a chave para que as empresas possam planejar melhor o futuro. O mais provável é que isso só comece a ocorrer no mês que vem.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.