Confirma-se a recuperação da poupança

A recuperação das cadernetas de poupança ocorre após dois anos de saques substanciais no SBPE, que alcançaram R$ 50,14 bilhões em 2015 e R$ 31,22 bilhões no ano passado

O Estado de S.Paulo

10 Setembro 2017 | 05h00

Em agosto, as cadernetas de poupança dos agentes financeiros do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) registraram uma captação líquida de R$ 1,64 bilhão, 49% superior à de julho e segundo melhor resultado de 2017, só superado pelas entradas de R$ 4,87 bilhões verificadas em junho. Embora os ingressos líquidos no SBPE ainda sejam negativos em R$ 5,44 bilhões entre janeiro e agosto, já se pode prever que o ano fechará com um saldo positivo, influenciado pelo comportamento do mês de dezembro, sazonalmente o mais favorável para os depósitos de poupança, inclusive nos períodos mais agudos da recessão, como 2015 e 2016.

Incluídos os dados das cadernetas verdes do Banco do Brasil, cujos recursos se destinam à área rural, o avanço líquido da captação atingiu R$ 2,14 bilhões em agosto, mas ainda é negativo em R$ 7,81 bilhões neste ano. O estoque total dos recursos captados via cadernetas é de R$ 686,99 bilhões, dos quais R$ 533,69 bilhões do SBPE se destinam majoritariamente ao crédito habitacional.

A recuperação das cadernetas de poupança ocorre após dois anos de saques substanciais no SBPE, que alcançaram R$ 50,14 bilhões em 2015 e R$ 31,22 bilhões no ano passado. São recursos que fizeram falta para conferir dinamismo ao crédito imobiliário, cujas operações baseadas nas cadernetas caíram 33% em 2015 e 38% em 2016, só iniciando leve retomada em julho.

O impacto da recessão sobre o crédito habitacional pode ser medido pela diminuição do número de imóveis financiados pelo SBPE - de 538 mil em 2014 para 341 mil em 2015 -, chegando a menos de 200 mil unidades em 2016. Para este ano, as expectativas são de uma estabilização em níveis baixos, prevendo-se recuperação mais nítida apenas no ano que vem.

O comportamento das cadernetas depende do estado da economia, da renda dos poupadores e da competitividade da aplicação comparativamente às demais modalidades. Nos três quesitos as perspectivas parecem ser razoáveis para as cadernetas, pois a economia dá sinais cada vez mais claros de reação, o poder de compra dos salários - e dos demais rendimentos dos trabalhadores - vem sendo mais bem preservado e a queda acentuada da taxa Selic retira, em parte, as vantagens dos fundos de renda fixa e dos papéis do Tesouro Direto em relação às cadernetas de poupança.

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