Conjuntura reduz a confiança do agronegócio

Índice de Confiança do Agronegócio (IC-Agro), medido pelo Departamento de Agronegócio (Deagro) da Fiesp teve queda de 92,4 pontos no segundo trimestre do

O Estado de S.Paulo

27 Julho 2017 | 03h03

Embora continue a dar valiosa contribuição para a economia brasileira, possibilitando elevar as exportações e contendo as pressões sobre o preço da alimentação da população, a agropecuária passa por uma fase de desencanto. Pelo menos é o que sugere a queda para 92,4 pontos no segundo trimestre do Índice de Confiança do Agronegócio (IC-Agro), medido pelo Departamento de Agronegócio (Deagro) da Fiesp em parceria com a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB). O Índice apresenta um recuo de 8,2 pontos em comparação com o trimestre anterior (100,5 pontos).

O resultado abaixo de 100 indica perda do otimismo que havia tomado conta do setor a partir do segundo trimestre de 2016. Essa mudança causa certa preocupação, pois é nesta época do ano que milhares de produtores agrícolas, principalmente nas Regiões Sul e Sudeste, tomam decisões de plantio. Só nos próximos meses poderão ser avaliados os efeitos desse ambiente sobre a safra 2017/2018.

Há, contudo, fatores que ajudam a explicar a perda de confiança neste momento. A Confiança Antes da Porteira ficou em 93,8 pontos, em razão de um ritmo lento de comercialização de soja e milho, acarretando atraso nos pedidos à indústria produtora de insumos. Já a Confiança Depois da Porteira (96,9 pontos) é reflexo da frustração quanto ao crescimento da economia. Houve barateamento dos alimentos, mas seu consumo pelas famílias não se elevou na escala esperada.

A situação é pior no que diz respeito à agropecuária. O índice do Produtor Agropecuário recuou no segundo trimestre para 87,3 pontos, uma queda de 8,1 pontos em relação ao trimestre anterior. Houve queda no consumo de carne e o setor só não foi mais afetado por causa do leite, cujo consumo se manteve estável.

Além disso, o Plano Agrícola e Pecuário (PAP) 2017/2018 deixou de incluir algumas linhas de crédito para industrialização e adiantamento a cooperados, o que pode ocasionar ao setor um prejuízo de R$ 1,5 bilhão nessa safra, segundo a OCB.

O quadro pode mudar, a depender, principalmente, das cotações internacionais das commodities agrícolas que o País exporta. Uma coisa, porém, conta a favor do agronegócio brasileiro: a produtividade continua sendo o item mais bem avaliado, alcançando 137,5 pontos, o maior patamar histórico.

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