Consolidação da classe média

Uma economia impulsionada principalmente pelo consumo da classe média, um país dispondo da maior força de trabalho de sua história, mas também um país com uma população mais velha, mais rica e mais exigente, que consumirá novos produtos e serviços, de melhor qualidade, e demandará maior assistência do sistema de seguridade social.

O Estado de S.Paulo

12 Março 2012 | 03h05

Este deverá ser o Brasil em 2020, de acordo com projeções baseadas na mudança dos padrões demográficos observada nos últimos anos e na evolução das condições sociais e econômicas da população constatadas por diferentes estudos e estatísticas oficiais. Será um país com oportunidades mais amplas para as famílias e para as empresas, mas que exigirá do Estado decisões e soluções mais rápidas e eficazes para problemas que já causam preocupação e que poderão se tornar mais prementes, como o financiamento do sistema de previdência social.

Este Brasil do futuro próximo foi desenhado pelo estudo A evolução da classe média e o seu impacto no varejo, elaborado pela equipe técnica da Federação do Comércio de Bens e Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomércio), com base em trabalhos do IBGE como a Pesquisa de Orçamentos Familiares, a Pesquisa Anual do Comércio, o Censo Demográfico e a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio.

A consolidação de uma classe média numerosa, pujante e com maior nível de renda e mais acesso ao crédito é uma das grandes transformações socioeconômicas do País nos últimos anos - contrastando nitidamente com a tendência de redução desse segmento social do início da década de 1980 até meados da década seguinte - e que deverá, segundo o estudo da Fecomércio, se manter daqui para a frente, para moldar um novo mercado interno, estabelecer novos padrões de gosto e de qualidade para os bens e serviços e, por seu alto poder de consumo, determinar o ritmo do progresso do País.

Os próximos dez anos constituirão um período de mudanças estruturais significativas na sociedade brasileira, em razão de um novo padrão demográfico que já se vislumbra e da manutenção dos avanços sociais e econômicos registrados no passado recente.

A expectativa de vida do brasileiro, que era de 70,48 anos em 2000, alcançou 73,17 anos em 2009, e continuará a aumentar. Por isso, a Fecomércio projeta que os brasileiros com mais de 60 anos, que eram 18 milhões em 2010, serão 22 milhões em 2015 e 26 milhões em 2020. O envelhecimento da população afeta diretamente as contas da previdência e, por isso, o estudo adverte que "temos de chegar a um denominador comum que seja funcional e viável", para atender ao aumento mais rápido do número de aposentados do que o de trabalhadores da ativa.

Do ponto de vista da renda, o estudo prevê que, em 2020, as classes A (renda familiar mensal acima de R$ 11 mil), B (renda entre R$ 7 mil e R$ 11 mil) e C (renda de R$ 1,4 mil a R$ 7 mil), que hoje representam 49% das famílias, serão 61% do total. Isso tornará o Brasil um dos maiores mercados de consumo e uma das maiores economias do mundo. O consumidor brasileiro, diz a Fecomércio, "que já evolui do consumo básico para um patamar mais sofisticado, vai demandar cada vez mais serviços e produtos de qualidade".

E que bens e serviços esse consumidor desejará adquirir? Entre os bens de consumo, a Fecomércio supõe que a demanda será por artigos de grande valor agregado, como equipamentos para o lar, automóveis e acessórios pessoais. Entre os serviços, os novos gostos serão determinados pela rápida evolução da tecnologia, que permitirá maior fluxo de dados e imagens pela internet e a ampliação da cobertura de serviços como de telefonia e televisão por cabo e fibras ópticas.

Se o País - governantes, empreendedores e a sociedade em geral - souber se preparar adequadamente para essas transformações, que continuarão intensas, mas são previsíveis, elas não gerarão tantas surpresas quanto geraram as mudanças ocorridas no passado recente.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.