Consumidor mais confiante, e contido...

Duas pesquisas divulgadas ontem - uma da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e outra da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio) - apuraram que os consumidores estão mais confiantes. Mas não se espera que a melhora de expectativas enseje logo forte aumento das compras, revertendo a fragilidade de grande parte do varejo constatada na Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) de abril, publicada terça-feira pelo IBGE. Os próprios pesquisadores recomendam que se evite otimismo exagerado.O Índice Nacional de Expectativa do Consumidor, da CNI, feito com 2.002 pessoas em todo o País, cresceu 3,7% em relação ao primeiro trimestre, mas é 4,6% inferior ao do terceiro trimestre de 2008.Em relação ao primeiro trimestre, há mais pessoas acreditando que a inflação e o desemprego vão cair e a renda pessoal ficará estável. Mas há alguns sinais de deterioração da situação financeira, o que reduz a disposição de adquirir bens de maior valor. Essa disposição de compra é menor do que a do auge da crise, no quarto trimestre de 2008.Mas a crise não afetou a maioria dos consumidores, como mostram os dados. "Para o indivíduo, crise está associada ao desemprego e à perda de renda", notou o economista da CNI Flávio Castelo Branco. E o nível de desemprego foi menor do que o esperado. Por isso "os consumidores estão se sentindo menos ameaçados".Entre maio e junho, segundo a Fecomercio, reduziu-se de 52% para 49% o porcentual de famílias endividadas, e de 8% para 5% o das inadimplentes. Também caiu o porcentual das famílias com contas atrasadas (de 21% para 20%) e (de 53% para 50%) o daquelas que comprometeram com dívidas mais de 30% da sua renda.São sinais positivos, mas muito inferiores aos registrados na fase de euforia de 2008. No mês passado, segundo a Serasa Experian, foi recorde o número de cheques sem fundos: 25,2 devoluções a cada mil cheques enviados à compensação (aumento de 13,5% em relação a abril). E a indústria paulista cortou 3,5 mil vagas, resultado pior do que o esperado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).Uma forte recuperação do consumo dependeria do aumento do emprego e da renda - algo pouco provável neste ano - ou da ampliação da oferta de crédito a custos moderados. Mas isso só se houver forte aceleração do repasse da queda da Selic para os empréstimos.

, O Estadao de S.Paulo

19 de junho de 2009 | 00h00

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