Consumidores mais otimistas

O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), divulgado quinta-feira, subiu 4,1% entre maio e junho, chegando a 106,4 pontos, ligeiramente abaixo dos 109,2 pontos de setembro de 2008. Confirmam-se, assim, os prognósticos de que a economia brasileira tende a sair da recessão talvez no terceiro trimestre.Eliminados os fatores sazonais, o índice ainda está bem abaixo dos 118,1 pontos registrados no melhor momento de euforia consumista, em março de 2008, mas mostra recuperação pelo quarto mês consecutivo, o que já configura uma tendência positiva.Foram pesquisados mais de 2 mil domicílios, com perguntas sobre as situações econômica do País e econômico-financeira da família, o orçamento doméstico, a dificuldade de achar trabalho e a intenção de comprar bens de alto valor.O melhor resultado foi o Índice de Expectativas, que superou em 1,8 ponto porcentual o apurado em junho do ano passado. Passou de 28,3%, em maio, para 30,9%, em junho, o porcentual dos que acreditam em melhora da economia local nos próximos seis meses. "O consumidor está mais seguro para voltar a comprar", afirmou o coordenador do Núcleo de Pesquisas e Análises Econômicas da FGV, Aloísio Campelo.Os indicadores de confiança foram mais altos nas famílias de maior poder aquisitivo - entre maio e junho, o ICC desse grupo social subiu 6,7% no País. Na cidade de São Paulo, o ICC dessas famílias cresceu 6,2%. Como "a crise teve origem financeira", notou Campelo, o aumento da confiança se explica também pela recuperação das aplicações em ações.O ICC não trouxe apenas informações positivas. Por exemplo, caiu o porcentual dos que consideram que a situação econômica local está ruim, de 46,1% para 40,3% - mas esse ainda é um porcentual elevadíssimo. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o Índice de Confiança ainda é negativo em 0,7% e o Índice de Situação Atual, negativo em 5%.A recuperação deverá ser lenta e dependente de vários fatores, como o aumento da oferta de crédito a juros menores, a inflação sob controle e a melhora da economia global, sem o que persistirá a estagnação das exportações, que geram bons empregos locais.É preciso, ainda, que cresça a demanda de bens produzidos internamente, mas não há certeza sobre isso, pois o câmbio valorizado é fator de estímulo ao consumo de importados.

, O Estadao de S.Paulo

27 de junho de 2009 | 00h00

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