Consumo pode garantir avanço de 3% do PIB

O Grupo de Conjuntura do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) prevê que o já sensível aumento do consumo privado deve se acentuar nos próximos meses

O Estado de S.Paulo

27 Março 2018 | 03h00

Pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) indicou que a Intenção de Consumo das Famílias (ICF) cresceu 1,1% na passagem de fevereiro para março, atingindo 88 pontos, abaixo da marca ideal de 100 pontos. Observa-se, todavia, que, em comparação com março de 2017, o ICF registrou aumento de 12,6%, um salto notável interpretado como uma mudança no ritmo de evolução das vendas. 

O Grupo de Conjuntura do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) prevê que o já sensível aumento do consumo privado deve se acentuar nos próximos meses, carreando investimentos e agindo como propulsor do crescimento econômico em 2018. Os fundamentos para isso são a inflação sob controle, os juros em queda, a redução do endividamento das famílias como proporção de sua renda e comportamento mais favorável do mercado de trabalho. 

O Ipea assinala como principal resultado positivo do primeiro bimestre a taxa de inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que não passou de 0,61% no período, fazendo a taxa acumulada em 12 meses recuar para 2,84%. Há sinais de alta dos preços dos alimentos em março e nos próximos meses (em 2017, a variação foi negativa). Esse fato, contudo, não deve afetar seriamente a inflação, que o Ipea projeta em 3,6% no ano. 

Essa taxa está bastante próxima da que vem sendo prevista por economistas do mercado financeiro consultados semanalmente pelo Banco Central para a elaboração do boletim Focus. A projeção vem caindo há oito semanas e, no mais recente boletim, ficou em 3,57%.

No cenário desenhado pelo Grupo de Conjuntura do Ipea, o Produto Interno Bruto (PIB) deve crescer 1,9% no primeiro trimestre, puxado pelo aumento do consumo das famílias (3,4%), pelo investimento agregado (4,3%) e pelos avanços da indústria (2,6%) e dos serviços (2,4%).

Com a continuidade da recuperação nos trimestres seguintes, o consumo privado deve manter uma taxa positiva de 3,4% e os investimentos avançarem mais, fechando o ano com uma taxa acumulada de 4,5%, compensando a queda de 2,2% da agropecuária. Já o consumo do governo deve ter crescimento nulo.

Na visão do Ipea, o PIB deverá ter um crescimento de 3% em 2018, taxa que poderá ser mantida em 2019.

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