Contas à espera dos cortes das despesas do governo

Embora as necessidades de financiamento do setor público apresentem um superávit primário de 2,81% do PIB, ante 2,79% no mês anterior, não se pode ter ilusão com resultados que se referem a um mês totalmente atípico, já que as receitas são de atividades do mês anterior, enquanto as despesas se reduzem no primeiro mês do ano.

, O Estado de S.Paulo

26 Fevereiro 2011 | 00h00

Já os resultados do Tesouro Nacional, divulgados na véspera, que correspondem ao governo central, mostravam, na análise das necessidades de financiamentos do setor público (em que respondem por 66,8% do déficit nominal), que as despesas acompanhavam o aumento das receitas, havendo recuo só das despesas de capital.

Não se pode deixar de assinalar que em janeiro de 2010 o governo central apresentou superávit nominal de R$ 1,7 bilhão, e, neste primeiro mês do ano, tem um déficit de R$ 1,0 bilhão.

Os governos regionais continuam com superávit nominal e as empresas estatais, em relação a dezembro, tiveram forte aumento (53,8%) do déficit nominal, por não depender, como os governos estaduais, de receitas tributárias.

O que se verifica é a manutenção nos três últimos meses (novembro a janeiro) de um elevado montante de juros nominais superior ao resultado primário, que deveria servir para pagar esses juros. É preciso assinalar que, no caso da dívida do Tesouro, os juros não pagos são cobertos por uma emissão suplementar de títulos da dívida. Para tapar o buraco decorrente do déficit nominal foram emitidos R$ 54,6 bilhões em títulos da dívida mobiliária, valor compensado parcialmente por uma redução da dívida bruta bancária, financiamento externo e base monetária...

Os dados divulgados até agora não permitem perceber uma mudança na administração das contas públicas. Existe uma grande expectativa em torno da divulgação do corte de R$ 50 bilhões de gastos orçamentários do governo federal, que deveria ser apresentado na próxima quarta-feira - corte que não pode limitar-se apenas às emendas dos membros do Congresso, que raramente são aceitas pelo governo. Sabemos das dificuldades que o governo enfrenta em razão dos limites muito estreitos do que poderia cortar, pois há gastos que se tornam obrigatórios, e que o governo anterior aumentou sem pensar que estava tornando impossível a administração das finanças públicas. Deixou, assim, como opção, apenas o corte de investimentos que, aliás, com os compromissos assumidos para a realização da Copa e da Olimpíada, será muito difícil de realizar...

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