Contas cambiais rumam para um rápido equilíbrio

As contas cambiais estão evoluindo tão favoravelmente que o mais provável é uma redução do déficit na conta corrente do balanço de pagamentos para menos de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano – o Banco Central ainda estima esse déficit em 1,48% do PIB, mas está revendo a projeção, notou o chefe do Departamento Econômico, Túlio Maciel. Em abril, houve leve superávit corrente de US$ 412 milhões, o primeiro desde 2009. Nos últimos 12 meses, o déficit corrente foi de US$ 34,1 bilhões (1,97% do PIB), mas inferior em 40% ao déficit de US$ 58,8 bilhões (3,33% do PIB) de 2015 e ao de US$ 104 bilhões (4,4% do PIB) de 2014.

O Estado de S. Paulo

29 Maio 2016 | 03h00

Já se sabe que a melhora das contas externas esboçada em 2015 e acentuada neste ano decorre, em grande medida, da recessão que limita a demanda de importações. Mas é crescente a contribuição de efeitos positivos, caso do ingresso de investimentos diretos de US$ 6,8 bilhões em abril e de US$ 23,7 bilhões no quadrimestre, permitindo financiar com sobra o déficit corrente de US$ 7,1 bilhões no período.

Além disso, as exportações dão sinais menos desfavoráveis: após a queda de cerca de 15% entre 2014 e 2015, o recuo caiu para 4% entre os primeiros meses de 2015 e 2016, até 23/5, segundo o governo. Na comparação entre abril de 2015 e abril de 2016, as despesas de transporte caíram 57,2% e as de viagens internacionais, 49,9% – os turistas brasileiros gastaram 34,5% menos no exterior. Também caíram muito as remessas de lucros e dividendos, mas sob influência de um fator negativo: a queda do resultado das empresas.

Os números superaram as expectativas dos economistas dos bancos, em especial no tocante ao ritmo dos investimentos diretos e ao superávit comercial, que já supera US$ 17 bilhões no ano. Além disso, os investimentos líquidos em carteira atingiram US$ 662 milhões, em especial em ações.

As contas cambiais ajudam a execução da política econômica, contribuem para a atração de investimentos necessários na infraestrutura e afastam a necessidade de aumentar o endividamento externo. Prova disso é que não houve nenhum estresse com o fato de que o porcentual de dívidas vencidas e roladas tenha sido de 79% em abril, abaixo da média dos últimos anos, mas superior ao de 29% em março.

Se a economia voltar a crescer, como se espera para o ano que vem, é provável que também volte a crescer o desequilíbrio corrente.

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